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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Todos os "descontos" são iguais...Mas uns são mais iguais que outros!

por Kruzes Kanhoto, em 15.04.19

Todos os dias a actualidade noticiosa se encarrega de pôr em causa conceitos que tinha como definitivos. Isto das reformas, por exemplo. Não há dinheiro para as ditas, garantem os especialistas especializados na especialidade. A um deles até lhe ocorre que, se calhar, lá mais para a frente os portugueses apenas se poderão reformar quando tiverem oitenta anos. Ou mais, sugiro eu. Ainda que, no caso dos homens, a esperança média de vida não chegue ao setenta e oito.

Mas, escrevia eu, tenho dificuldade em assimilar estes novos conceitos. Não há, ao que dizem os estudiosos que se dedicam ao estudo da temática, graveto para pagar a tanto reformado. Daí que, assim sendo, teremos de nos reformar cada vez mais tarde e com uma pensão mais pequena. Mas, se assim é, como é que se explica que, não havendo pilim, os reformados todos os anos vejam a sua reforma aumentada? E se não há dinheiro para aumentar o vencimento de um gajo – ou gaja, vá - com cinquenta anos, que trabalha há trinta, ganha setecentos euros por mês, não vê o seu ordenado melhorado há dez e que terá de trabalhar mais vinte, como é que há para aumentar um aposentado pouco mais velho e com uma reforma três vezes maior?

Presumo que estas minhas inquietações não tenham qualquer razão de existir. Serão, muito provavelmente, apenas suscitadas devido à minha ignorância. Isto, obviamente, é muito simples. É tudo uma questão de sobrevivência. Política.

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