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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

"Deslarguem" o meu bife!

por Kruzes Kanhoto, em 13.06.19

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Uns quantos jovencitos, convencidos da sua sapiência, garantem que temos de mudar de hábitos por causa do clima, do planeta e, até, da nossa sobrevivência enquanto espécie. Nomeadamente alterar os hábitos alimentares, alegam. Isto porque, dizem, a criação de gado constitui uma enorme fonte de poluição, ou lá o que é, pelo que, sugerem uns iluminados, o melhor é reduzir a coisa ao mínimo ou, assim que possível, extinguir a actividade. Embora, para já, a sugestão fique pelo aumento do preço. Que assim só os ricos é que a comem e os pobres vão-se desabituando.

O que também contribui – e muito – para o drama ambiental que alegadamente vivemos é o turismo. As viagens de avião baratas fazem com que mais gente viaje por esse mundo fora e isso está a causar um efeito devastador em inúmeros locais. Não falta quem, farto de tantos turistas, equacione impor restrições no acesso a monumentos e, até mesmo, a cidades ou regiões. Mas, assim que me lembre, não dei por a gaiatagem ter incluído nas suas reivindicações uma medida qualquer que limite estas passeatas.

É por estas e por outras que não consigo levar esta gente a sério. Acho-os desprezíveis, mesmo. Se a alimentação humana consome uma quantidade assinalável de recursos, a deslocação de pessoas – seja qual for o meio de transporte – não consome menos. Não podemos é exigir que se limite ou proíba apenas aquilo de que não gostamos, como fazem os alegados “activistas” do clima. Poder, podemos. Mas é parvoíce e não merece credibilidade.

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Decapitação: Uma experiência única.

por Kruzes Kanhoto, em 11.03.19

Duas turistas escandinavas foram decapitadas em Marrocos, por um grupo de muçulmanos, durante uma caminhada por uma região remota daquele país do norte de África, nos últimos dias de Dezembro do ano passado. Claro que por cá, como sempre acontece quando o assassino não é branco nem marido da vitima, as noticias acerca do crime não suscitaram grande interesse.

Nem por cá nem pelo estrangeiro. Em Inglaterra, por exemplo, os jornais, que ficam alarmados sempre que um “bife” é picado por um peixe-aranha no Algarve, até promoveram, por ocasião do dia internacional da mulher, num artigo intitulado "Dia Internacional da Mulher: 10 das melhores viagens exclusivamente femininas para viajantes individuais”, como a sua primeira recomendação de viagem, uma "Caminhada em Marrocos". Parece que é bom para "derrubar barreiras, fomentar a discussão e criar experiências locais imersivas para as mulheres, que normalmente estão fora dos limites das nossas saídas regulares em grupo" e isso. Uma passeata irresistível, portanto. Capaz de fazer perder a cabeça, até.

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E contra a trifobia, pázinhos, ninguém luta?!

por Kruzes Kanhoto, em 17.05.18

Diz que hoje é o dia internacional contra a homofobia, a bifobia e a transfobia. Não é que isso me importe – nem exporte, a bem dizer – mas, assim de repente, parece-me uma coisa esquisita. Daí que não vá desenvolver nenhuma acção de luta contra qualquer uma dessas fobias. Até porque, coitadas, nunca me fizeram mal nenhum.

Nestas matérias – como noutras, confesso – sou um bocado ignorante. Se relativamente à primeira – a homofobia – tenho uma vaga ideia do que seja, já quanto às outras são conceitos que escapam ao meu conhecimento. Bifobia será alguém com duas fobias, certamente. E transfobia deve ser quando um gajo ou uma gaja - ou um coiso, vá - tem medo ou aversão a transportes. Públicos, nomeadamente. Que, calculo, deve ser uma fobia muito comum. A não ser assim haverá aqui uma ilegítima apropriação linguística, em beneficio próprio, de algum grupo modernaço...

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Fulanos, beltranos e sicranos notoriamente patetas

por Kruzes Kanhoto, em 05.05.18

Fulano monta-se numa bicicleta, numa mota ou, de preferência, num meio de transporte ainda mais "radical" e parte por esse mundo fora. Fotografa-se em paragens inóspitas - daquelas onde ninguém quer viver – rodeado de calhaus ou no meio da poeira do deserto, tira umas selfies com gaiatos ranhosos ou com os matarruanos lá do sítio, come uns escaravelhos fritos e relata todas estas "experiências" num blogue. Quando regressa escreve um livro, vai à televisão e é tratado como alguém que fez uma descoberta científica qualquer. Ou melhor, até. 

Beltrano comprou um carro, foi dar um passeio, fez-se fotografar junto a uns monumentos, refeiçou fora, tirou umas quantas selfies e outras tantas fotos ao bife com batatas fritas e publicou tudo isso no seu blogue ou no facebook. É, segundo a moral vigente, um alarve. Sim que valorizável agora é fazer coisas parvas. Chamam-lhes "experiências", eles.  

E são estes os valores que todos os dias vejo exaltados. Na internet, na comunicação social e na vida real. Por mim podem mete-los no cu. No vosso, como diria a minha a avó.

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Casa para meliantes

por Kruzes Kanhoto, em 19.04.18

Quem lê as capas da imprensa portuguesa facilmente conclui que vivemos num país de malucos, governado por doidos varridos e onde as correntes com os mais graves problemas demenciais se tornaram nos novos donos disto tudo. Todos os dias temos maluquices novas. Já não estranho. Nem, na maior parte dos dias, ligo. É o hábito. O tal que se não faz o monge, faz o eleitor revoltado que acaba a votar nos "populistas".  

Hoje ficámos a saber, pelo JN, que o Estado vai financiar casas para jovens delinquentes. Ou seja, vamos pagar, para além da nossas, as casas dos meliantes. Mesmo que estes escondam nas suas habitações verdadeiras fortunas. Como o outro, a quem a polícia apreendeu trezentos mil euros. Enquanto isso quem faz uma vida normal vai pagando estes desmandos. Como aqueles ricaços que ganham dez mil euros por ano e pagam quinhentos de IRS. Bem-feita. Ninguém os manda ser parvos. Só trabalham porque querem. 

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Aeroporto de Estremoz

por Kruzes Kanhoto, em 25.11.17

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Isso da descentralização parece-me uma coisa catita. Já mudar a sede de um instituto publico ou outro organismo qualquer de Lisboa para o Porto é, apenas, uma coisa parva. Descentralizar seria transferir serviços para o interior. Para cá da A1 a norte ou da A2 a sul. O resto é politiquice - da cara, no caso - para entreter autarcas e espevitar regionalismos bacocos como aquele de que padecem os portuenses.

E se vai um instituto para o Porto, que tem quase tudo, porque não um aeroporto para Estremoz? A campanha publicitária a promover voos já está online. Agora só falta a vontade política.

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O povo está com eles...

por Kruzes Kanhoto, em 15.10.17

Tenho manifesta dificuldade em entender o que move as multidões que se arrastam atrás dos políticos. Mais ainda quando os políticos são tipos como o Isaltino, o Sócrates ou o Valentim. Isto só para citar alguns. Pode, em certos casos, a causa do entusiasmo perante o figurão ter a ver com reconhecimento de favores passados ou a expectativa de benesses futuras. Não negligencio, também, a possibilidade de, outros, serem apenas figurantes contratados para a ocasião. Assim uma espécie de precários do aplauso, digamos. Todos esses, de alguma forma, ainda os consigo entender. Até perdoar, vá. Agora os que lá andam por convicção e por acreditarem piamente nas virtuosas qualidades de que as criaturas serão dotadas, é que se trata de um comportamento que está para além da minha compreensão.

Sócrates foi ontem recebido no Porto em apoteose. Pelas palavras que foi possível ouvir e pelas caras que pudemos reconhecer entre os presentes, ficámos a saber que o Partido Socialista – ou, pelo menos, parte dele – estará ao lado do ex-primeiro ministro. Preocupante, mais ainda por se tratar do partido que governa, mas nada de surpreendente. A “família”, por norma, protege os seus.

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Os transfinanceiros (ricos que nasceram num corpo de pobre)

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.17

Isto de governar um país, por mais que uma imensa maioria não perceba, é como gerir uma casa de família. A questão da divida, por exemplo. Eu, como quase toda a gente, também tive um crédito à habitação. Daqueles a pagar em vinte cinco anos. No meu caso foram “apenas” dezassete ou dezoito. A melhoria do nível vida verificada no tempo em que o Cavaco foi primeiro-ministro permitiu-me, com o aumento de rendimento, ir fazendo amortizações de capital e, com isso, poupar nos juros, diminuir a taxa de esforço e antecipar o fim do empréstimo em sete ou oito anos. Nada de mais. Qualquer pessoa minimamente inteligente – ou só precavida, vá – faria o mesmo.

Ora não é nada disso que os gajos que tomaram o poder estão a fazer. Para gáudio da populaça, diga-se, que se revela extremamente contente com o desvario que vai nos centros de decisão. Só um governo de idiotas e um povo imbecilizado não percebe que, numa altura de crescimento económico e de aumento do PIB, a única opção séria é reduzir a divida. Mas não. Pelo contrário. Ela cresce a cada dia. Perante, como se vê, o aplauso generalizado. É o que dá ter um país governado por gente que nem a sua vida sabe governar.

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Por onde anda aquela malta de esquerda que se dizia sempre contra o governo, qualquer que ele fosse? Pelos vistos só resto eu...

por Kruzes Kanhoto, em 05.10.17

Esforço-me o mais que posso por gostar do governo. A sério. Dou o meu melhor para, tal como a maioria dos reformados, funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas me tornar num fã desta solução governativa. Ou problema, do meu ponto de vista. Mas, por mais esforços que desenvolva nesse sentido, não consigo. É escusado. De cada vez que estou quase a começar a tolerar aquela gentalha, eles encarregam-se de deitar por terra os meus esforços.

Admito que o problema seja meu. Ou do meu mau feitio. Se calhar – só para mencionar os exemplos mais recentes – preferir, como está a fazer a geringonça, que venham para cá migrantes pobres em vez de reformados estrangeiros abastados até será uma coisa boa. Eu, assim de repente, é que não estou a ver a vantagem. Mas, lá está, devo ter de me esforçar mais para apanhar o alcance da tramoia.

Depois os aumentos da reformas para o próximo ano. De certeza que aumentar as pensões de milhares de euros e manter congelados os vencimentos de seiscentos euros deve ser uma medida da mais elementar justiça social. Mas, lá está outra vez a minha ignorância, a mim parece-me uma tremenda injustiça que se faz a quem trabalha. Até porque terá de bulir muitos mais anos para, com sorte, ficar com metade da reforma daqueles que agora vão ser aumentados.

Por fim as mexidas no IRS. Ao que se sabe estará a ser estudada uma formula que impeça quem ganha mais de treze mil euros brutos anuais de beneficiar do alivio fiscal que andam por aí a prometer. Ou seja, para os alienados que mandam nisto tudo quem ganha novecentos e poucos euros brutos por mês é rico. O que, diga-se, me deixa ainda mais preocupado. Nomeadamente quando é sobejamente conhecida a determinação desta pandilha em tornar cada vez mais baixo o limiar de riqueza.

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Pacóvios!

por Kruzes Kanhoto, em 30.07.17

Aí pelo final dos anos sessenta e principio dos anos setenta do século passado o modo de vida no campo causava aos “lisboetas” - entenda-se os que moravam na chamada grande Lisboa – uma certa repulsa. Era, em muitas circunstâncias, motivo de gozo ou, em alternativa, de uma certa pena perante as condições de vida que, então, se verificavam na “província”. Recordo o quanto os enojava o facto de os animais andarem à solta pelas aldeias ou os estábulos localizarem-se paredes-meias com as habitações. Mesmo a natureza das tarefas agrícolas lhes causava uma certa aversão e eram, amiúde, objecto de chacota e piadas diversas.

Hoje, todo este tempo depois, acho-lhes graça. E sinto, agora é a minha vez, um enorme nojo pela maneira como partilham a casa, o sofá, a mesa e até a cama com os bichos. A quem consideram membros da família. Mas isso, enfim, eles lá sabem os parentes que têm. Depois há aquelas coisas a que chamam “experiências”. Vêm para o campo, passam umas horas a colher uvas, ordenhar vacas ou a limpar os currais e – no inicio pensei que era anedota – pagam para fazer isso!

Por mim podem continuar a relatar nos blogues deles, cheios de orgulho, todas estas vivências. Não tenho nada contra. As silvas lá da propriedade estão em crescimento acelerado e cortá-las é coisa que não me está a apetecer mesmo nada. Talvez faça um preço especial a quem queira vir ao Alentejo vivenciar a experiência única, enriquecedora e revigorante que é passar uma manhã com uma gadanha na mão.

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Deve ser uma espécie de piada holandesa...

por Kruzes Kanhoto, em 09.04.17

Nada de muito surpreendente que cerca de mil gaiatos portugueses tenham sido expulsos da unidade hoteleira onde desfrutavam da sua viagem de finalistas. De estranhar, apenas, que episódios desta natureza – expulsar quem se porta mal – não sejam a norma. Trate-se de gente acabada de largar os cueiros ou criaturas com idade mais do que suficiente para ter juízo.

Já a postura dos pais dos meninos é patética. Apetece-me ser simpático, hoje. Dêem-lhes os “améns”, como dizia a minha avó sempre que um alarve de algum papá vinha defender – o que raramente acontecia, diga-se - as tropelias do filho em lugar de lhe arrear uns bons tabefes. Outros tempos.

O que continua a causar-me alguma admiração é que, apesar de todos os malefícios e roubos do malvado governo da direita ao povo ainda não consertados pela geringonça, os papás tenham dinheiro para financiar estas aventuras aos seus petizes. Querem lá ver que aquele holandês maluco, às tantas, ainda tem razão...

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Cada bala mata um...pelo menos!

por Kruzes Kanhoto, em 25.03.15

 

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Vá lá saber-se porquê existe sempre gente disposta a viajar para países de onde a maior parte dos que lá vivem querem sair a qualquer custo. A Tunísia não será disso o melhor exemplo mas, ainda assim e até pelos acontecimentos mais recentes, talvez não seja o melhor destino turístico do momento. Quiçá por isso, as passeatas para aquele país do norte de África estão em promoção. Uma campanha que, por preços relativamente módicos, pretende aliciar os portugueses mais endinheirados e de espírito aventureiro – gente capaz de cumprir ambas as premissas é coisa que não falta – a passar uma semana em Djerba. Escusava era de se chamar Pim, pam, PUM...

 

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