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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Wc vertical

Kruzes Kanhoto, 21.07.20

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Não sei como se chama este móvel. Equipamento, utensílio ou lá o que se queira chamar-lhe. Não duvido da utilidade que já teve noutros tempos. Num tempo em que a maioria das habitações não dispunha de casa de banho nem, muito menos, água canalizada ou rede de saneamento. Uma cena destas, então, devia ser coisa de gente fina. E hoje, provavelmente, também. Mesmo que lhe seja dada outra finalidade qualquer. Muito menos nobre, quase de certeza. Mas isso será com o comprador, que lhe dará o destino que muito bem entender. Estava à venda, no sábado passado na feira das velharias de Estremoz, pelo simpático preço de trezentos euros. Uma pechincha.

 

Velharias relativamente modernas

Kruzes Kanhoto, 03.02.20

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Isto anda tudo muito moderno. É, a bem dizer, só modernices. De toda a espécie. Algumas até daquelas que não se podem mencionar aqui, que este é um blogue sério. Relativamente, pelo menos.

Uma das provas da modernidade que por aí vai é a própria feira de velharias cá da terra. Onde, entre coisas mais ou menos antigas e outras quase actuais, se pode comprar – ou apenas apreciar – toda uma panóplia de equipamentos de comunicação que ainda um dia destes constituíam o último grito em matéria de transmissão de mensagens de voz. O Sábado em que me vou deparar com um iphone ou um ipad não deve tardar...

Merda de cão

Kruzes Kanhoto, 09.11.18

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Algum responsável do Município cá da terra teve a ideia de cobrir com gravilha o espaço onde todos os sábados se realiza a feira das velharias e diariamente, por se tratar de uma zona central da cidade, circulam umas centenas – ou milhares, não sei porque nunca os contei – de transeuntes. Uma solução fácil, barata e eficaz para acabar com a lama no inverno e a poeira no verão. 

Pois. A ideia é uma boa ideia. O pior é o resto. O que fazem dela. E os donos dos cães fizeram dali o espaço privilegiado para o passeio higiénico dos seus familiares de quatro patas. Depois do canito arrear o calhau, os javardos empurram meia dúzia pedrinhas para cima da bosta e vão andando. Outros nem isso. E aquilo para ali fica à espera que um incauto passante lhe ponha um calcante em cima. Bonito, sem dúvida. Ter a sala de visitas absolutamente nojenta é algo que fica sempre bem. Deve ser como os adoradores de bichos têm a deles. Mas isso de viverem na javardice e na promiscuidade com os animais é lá com eles. Não me interessa o que fazem em casa. Não lhes reconheço é o direito de partilharem a sua javardice com as pessoas normais.

No limite nem é o Jon Bon Jovi

Kruzes Kanhoto, 13.03.18

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Não sei em que pé se encontra aquilo das armas que terão desaparecido de Tancos. As tais que, no limite, nem existiam. Ou, a existirem, não passariam de sucata e o seu sumiço teria até constituído um favor que os alegados gatunos teriam feito à tropa.

Estas, que pela descrição podiam ser as desaparecidas, estavam um sábado destes à venda na feira das velharias cá da terra. Não me parecem, assim à primeira vista, por aí além muito perigosas. Mas nunca fiando. O melhor é não subestimar os estragos que um dvd do Jon Bon Jovi pode fazer.

O menino guerreiro

Kruzes Kanhoto, 24.02.18

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Quem terá envergado esta armadura? Crianças soldado, pigmeus guerreiros ou combatentes de baixa estatura são, assim de repente, as respostas que me ocorrem. Tudo questões pouco inquietantes e que agora não interessam nada. Até porque o seu futuro não passará, de certeza, por um campo de batalha. Pelo menos daqueles para que foi concebida. Mas pode, com inegáveis vantagens, ser usada noutras artes que não a da guerra. Nomeadamente daquelas onde o nível de belicismo é substancialmente mais baixo. Que isto, com as armas de hoje em dia, só servia para atrapalhar. Na retirada, em especial.

Velharias

Kruzes Kanhoto, 02.04.17

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Mesmo não comprando nada – e não me recordo de alguma vez ter comprado seja o que for – gosto sempre de dar uma volta pelo mercado das velharias cá da cidade. A par da tralha, muita dela retirada do lixo, há sempre um ou outro item merecedor de um olhar mais atento. Às vezes até de uma foto. É o caso deste sofá. Com arrumação, esconderijo ou outra utilidade que se queira dar aquilo. A própria fotografia é ela, também, dois em um. Para além do objecto exposto, temos igualmente a base do candeeiro da iluminação pública. Outra velharia. Mas estará assim de propósito, presumo. Deve ser para condizer com a utilização que é dada ao espaço.


Uma relíquia, esta botija

Kruzes Kanhoto, 04.06.16

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Ainda bem que, por todo o lado, existem feiras, mercados e locais onde se promove o encontro entre quem tem necessidade de vender e vontade de comprar. Ou vontade de vender e necessidade de comprar, dá igual. Sejam lá os bens a transaccionar os que forem. Só não concordo que se chamem “velharias”, “antiguidades” ou qualquer outro nome vagamente relacionado com coisas antigas de relativo valor. Considerando o que se vende nestes eventos, quase me parece melhor chamar-lhes feiras de “velhacarias”.

Estas botijas de gás por exemplo. Apenas um delirante exercicio de imaginação as pode enquadrar no conceito de velharia. Ou de antiguidade. Eu próprio tenho uma no meu quintal. Que ciclicamente troco por outra, assim que o conteúdo se esgota, diga-se. E, pasme-se, onde a vou trocar há muitas iguais, ainda que não seja uma feira nem uma loja de antiguidades, ou lá o que chamam agora a estas modernices.

Motivos de reflexão

Kruzes Kanhoto, 03.10.15

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Mas para que raio serve este revolver? Quem pode estar interessado na sua compra? Que utilização pode um eventual comprador – ou compradora – dar aquela coisa? Que espécie de tara levou alguém a transformá-lo naquilo? Será que alguma vez foi utilizado num assalto? Ou, sei lá, noutra qualquer actividade lúdica? Terá sido com o seu precioso auxilio que os auto-rádios mudaram de lugar? Tudo questões deveras inquietantes. Apropriadas para um dia de reflexão acerca das promessas – falaciosas ou não – que ouvimos e lemos nos últimos dias.

Nem a caixa das esmolas escapou...

Kruzes Kanhoto, 20.09.15

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A venda de itens – chamemos-lhes assim – como o da fotografia em feiras de velharias, mercados ou locais congéneres suscita-me umas quantas questões. Todas inquietantes, a meu ver. Mas deve ser só a mim que estas dúvidas se colocam. Se fosse assunto que preocupasse muita gente de certo o cenário não se repetia todos os dias e onde eventos destes se realizam...