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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Vão ver os gregos não apreciaram a politica de esquerda...

por Kruzes Kanhoto, em 07.07.19

Faz agora mais ou menos quatro anos um conterrâneo, conhecido pela sua excentricidade, passeou-se à volta do “bilhar grande” agitando efusivamente uma bandeira azul e branca. Temi na altura, por breves instantes, que o senhor estivesse a comemorar a conquista de algum titulo por um clube de futebol que veste aquelas cores. Nomeadamente aquele que já foi objecto de condenações na justiça e ao qual um super endividado município tratou de construir um centro de estágio. Mas não. Vitorias daquele clube foi coisa que praticamente não se ouviu falar nos últimos cinco anos. Embora igualmente preocupante,tratava-se apenas de celebrar a vitória nas eleições de um partido extremista que viria a governar durante quatro anos na Grécia.

Esta lembrança ocorreu-me hoje quando soube que os gregos correram com o tal Tsipras, o líder grego responsável pela euforia incontida daquele meu patrício. Imagino a tristeza que não irá naquela alma. Naquela e noutras que tão felizes ficaram na época. Gente para quem se iniciava ali um novo ciclo capaz, ao que se previa, de contagiar um sem número de países e que conduziria a humanidade a uma nova e gloriosa era. Só que não. Os cidadãos não são todos parvos e mesmo os parvos não o são eternamente.

Por cá a esquerda ainda não corre esse risco. Por enquanto. Não por mérito próprio mas sim – e praticamente só – por demérito da direita. Num país onde nada funciona, as reformas são cada vez mais irrisórias e o número de trabalhadores que ganham o salário mínimo não pára de aumentar até uma oposição encabeçada pelo rato Mickey ganhava as eleições. Mas no actual estado de coisas, em Outubro, terão muita sorte se elegerem mais deputados do aqueles que cabem num autocarro.

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Estou comovido com tanta generosidade

por Kruzes Kanhoto, em 06.07.15

Os portugueses estão uns mãos largas. A generosidade demonstrada para com os gregos e a veemência com que defendem o perdão da divida daquele país – do qual, recorde-se, nós somos credores – faz-me pensar que tenho andado todos estes anos enganado acerca das virtudes dos meus compatriotas. São, afinal, uns filantropos. Embora essa coisa da filantropia seja apenas em relação aos estrangeiros.

Insurgem-se, por exemplo, com o quanto o Estado gasta com os funcionários públicos e reclamam dos elevados impostos que o Tesouro nacional é obrigado a lançar mas, por outro lado, não se importam que Portugal perca uns quantos milhões a favor dos gregos. Entre os quais, suspeito, estão os funcionários públicos lá do sitio. Nem, pelos vistos, se aborrecem se tiverem de suportar mais um imposto para ajudar o Tsipras a cumprir o que prometeu e isso faça com que os de cá, mais uma vez, não cumpram o que prometem.

Por mim quero um referendo. Que isto a democracia e a vontade popular deve ser como o Sol. Para todos. Faça-se um plebiscito que permita ao governo saber se deve perdoar ou não a divida aos gregos. E, já agora, aos países africanos a quem também adiantámos "algum" e, desconfio, merecem muito mais.

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