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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Burgueses, maltezes e... burros doutores. Ou doutoras.

Kruzes Kanhoto, 26.02.21

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Nos primeiros anos de trabalho integrava um restrito grupo de jovens trabalhadores extremamente mal pagos. Ninguém, na organização, ganhava menos do que nós. Situação que, obviamente, me desagradava e contra a qual manifestava de forma mais ou menos veemente o meu protesto. Recordo-me de um ou outro episódio em que a coisa só não foi a pior porque os “camaradas” me aconselharam, digamos assim, a não fazer muitas ondas. Até porque, fizeram questão de me recordar, eu era um burguês e que não podia estar para ali a comparar o meu com os vencimentos significativamente superiores dos colegas operários. Estes, coitados, trabalhavam sob as agruras do clima enquanto eu, um privilegiado do sistema, passava o dia num gabinete, sentado a uma secretária e ao abrigo das intempéries, borrascas, do sol abrasador e demais devaneios climatéricos. Ou seja, ganhava pouco – aquilo pouco passava do salário mínimo – mas estivesse caladinho.

Este discurso patético está de volta. Hoje é esta criatura que opina nos jornais. Esta senhora pode ser doutorada naquilo que quiser mas, por mais livros que carregue ou cursos que tire, uma besta será sempre uma besta. Defender uma barbaridade destas está ao mesmo nível do argumentário daqueles que achavam que o gajo que varria a rua devia ganhar bastante mais do que o tipo que lhe fazia o ordenado. Mas aqueles, infelizmente, eram praticamente iletrados e desta realidade pouco mais conheciam do que lhes ensinavam no partido. O que esta “economista” propõe é ainda pior. Não se limita a discriminar o trabalhador em função do seu local de trabalho como -  independentemente do vencimento e alguns ganham pouco mais que o SMN -  quer que sejam penalizados fiscalmente por isso.

A falta de vergonha desta gentinha de esquerda não me espanta. Tenho, como referi, uma vasta experiência a lidar com ela. O que ainda me surpreende é ver tantas pessoas inteligentes, ponderadas e de bom senso, acharem que o caminho é seguir estas ideias.

"Teletrabalho" envolve aquela coisa de trabalhar. Topam?

Kruzes Kanhoto, 01.11.20

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Que a coisa não está fácil toda a gente sabe. Tirando, talvez, aquela parte da população que anda por essas redes sociais fora a pretender fechar o país. “Têm-no” garantido, daí tanto se lhes dê que outros não se possam dar ao luxo de se trancar em casa. É que isso do graveto cair na conta bancária independentemente do esforço desenvolvido não assiste a todos.

É, mais ou menos, como aquilo do teletrabalho. Até parece que estou a ver, já amanhã, toda a gente a querer ir tele-trabalhar. Só porque sim. Ou porque outros vão e eles também querem. Mesmo que as funções que desempenhem se relevem manifestamente incompatíveis com o conceito de trabalhar à distância. Que isto se é para uns é para todos, argumentarão com as habituais certezas e a inteligência que os caracteriza.

Leio apelos lancinantes ao fecho das escolas. Oriundos, alguns, de auxiliares de educação. Compreendo a preocupação. Também percebo que estar três meses sem trabalhar e o ordenado a cair na continha, como da outra vez, é uma coisa prazenteira. Desconfio que pessoal que trabalha em museus, teatros, cinemas, bibliotecas, front-offices e afins também se pretenderá recolher no aconchego do lar. Não seria coisa inédita. No entanto, ao que me pareceu ouvir, o primeiro ministro falou em teletrabalho e, que eu desse por isso, em momento algum se referiu a teledescanso. É bom que toda a gente perceba a diferença.

Coisas da "covida"...

Kruzes Kanhoto, 31.05.20

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(Imagem escolhida aleatoriamente para ilustrar o texo e que nada tem a ver com o mesmo)

Com o confinamento o país descobriu o teledescanso. Nalguns sectores – públicos, está bem de ver – foi um fartote. Bom, fartote é uma maneira de dizer. Muitos daqueles – e daquelas que eu não sou de discriminações – que estiveram largas semanas de boa-vida não estarão especialmente fartos. Nem, se calhar, reconhecidos aos que tiverem de continuar a bulir para que, entre outras coisas, o vencimento lhes continuasse a cair na continha no final de cada mês.

O resultado da mandriice colectiva é o que hoje, numa passeata qualquer, podemos observar. Até os gajos que cortam ervas estiveram, alegadamente, a trabalhar à distancia. A partir de casa, provavelmente. Outros – há quem garanta, mas eu disso nada sei – terão estado a teledescansar “teletrabalhar” nas suas profissões, mas terão feito as “horinhas extra do costume”, num “trabalho” presencial fora da sua especialidade, para arredondar o ordenado. O mesmo ordenado que, apesar de não bulirem uma palha, nunca lhes foi cortado. Nem num cêntimo.

Teletrabalho, o limite é a imaginação. Ou talvez mais além...

Kruzes Kanhoto, 22.05.20

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Longe mim – lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus cruzes canhoto, t’arrenego Belzebu – estar para aqui a congratular-me com o surgimento do Covid-19. Era o que mais faltava. Isso é coisa para malucos como Lula da Silva e, se calhar, para a sua vasta legião de seguidores. Admito, no entanto, que desta pandemia sairão inúmeras inovações, oportunidades e soluções que poderão constituir motivo para nos congratularmos. Nomeadamente no sector tecnológico e no modo como nos relacionamos com o trabalho.

Se calhar serei demasiado optimista mas, acredito piamente, o número de trabalhadores em teletrabalho terá um aumento exponencial. Com os ganhos daí resultantes. Para todos. Pode ser, embora aí o meu nível de optimismo seja ligeiramente inferior, o principio da recuperação dos territórios do interior. Muitos não terão necessidade de viver nas mega-aglomerações do litoral e poderão rumar a outras paragens. Menos caras, nuns casos, e com mais qualidade de vida, noutros.

Os cépticos não partilharão do meu entusiasmo com a possibilidade de colocar meio mundo em teletrabalho. Terão as suas razões. Muitas e todas legitimas, concedo. Mas concordo com poucas. Se a administração pública, durante esta pandemia, até conseguiu colocar jardineiros, canalizadores, eletricistas, empregadas de limpeza, pedreiros e mais um sem fim de outros misteres em teletrabalho, melhor conseguirá qualquer outra instituição que utilize a tecnologia como ferramenta de trabalho.

Teletrabalho

Kruzes Kanhoto, 07.04.20

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Outra semana de teletrabalho. Daquele a sério. Nada de confusões com outra coisa que, diga-se, também está muito em moda por estes dias mas que se me afigura ser mais teledescanso.

Gosto da ideia de teletrabalhar. É uma cena catita. Terá vantagens e desvantagens, tanto a nível individual como colectivo. Cada um saberá de si e como aproveitar as primeiras e minimizar as segundas. Para mim é essencial manter as rotinas. Cafézinho a meio da manhã, não facilitar nos horários e só não me visto de fato e gravata porque habitualmente não uso.

Colectivamente, enquanto país, esta poderá ser uma oportunidade para dar um enorme salto. Nomeadamente, embora aí num prazo mais dilatado, para o interior. Trabalhar a partir de casa pode constituir o incentivo que tem faltado para travar a desertificação de uma imensa parcela do território. Com essa opção apenas sairia daqui quem, muito legitimamente, o quisesse fazer. Ou tivesse pais ricos.

Kruzes em Kasa...*

Kruzes Kanhoto, 23.03.20

Por cá foi dia de teletrabalho. O primeiro. O que não deixa de ser irónico. Começar a teletrabalhar quando devia estar reformado…

Cuidado com as cantorias às varandas. Parece, segundo defendem alguns especialistas da especialidade, que constitui uma infracção qualquer. Viola os direitos de autor, ou lá o que é. Com a dramática perda de rendimento dos cantantes, pouco me espantará se essa idiotice fizer escola…

O Papa Xico pronunciou-se hoje acerca de despedimentos, empresas, desemprego, miséria e não sei mais o quê. Fez bem, o homem. Só faltou apresentar soluções. Ou, pelo menos, anunciar uma ajudazinha qualquer além da divina...

* Não é erro ortográfico. Já estou é como a outra, "cada um escreve como quer"!!!