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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Um pandego, este Costa.

por Kruzes Kanhoto, em 18.12.15

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Logo que a hipótese da existência de um governo das esquerdas começou a ganhar forma vaticinei que iríamos viver num estado de divertimento permanente. Mas, reconheço, não esperava tanto. Hoje, por exemplo, naquela conferência onde ameaçou nacionalizar a TAP – não vejo que outro sentido se pode extrair da conversa do homem – esteve ao melhor nível de um qualquer ditadorzeco latino-americano com pinta de narco-traficante. Teve piada. E depois aquilo de um governo não poder estar dependente da vontade de particulares, também teve a sua laracha. Cuidava eu que preocupante era os particulares estarem à mercê dos humores dos governos. Mas isso sou eu, que tenho a mania de achar que sei governar a minha vida e não aprecio que o governo – este ou outro qualquer - o queira fazer por mim.

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Histerias ou o elogio da loucura nacionalizadora de 1975!

por Kruzes Kanhoto, em 11.06.15

Tenho manifesta dificuldade em perceber esta histeria em torno da privatização da TAP e de todas as outras privatizações ou concessões a privados que foram ocorrendo ao longo dos últimos três ou quatro anos. Logo agora que temos, ao que se diz, a geração melhor preparada de sempre em termos académicos. Surpreende-me que eles – e os que contribuíram para a sua preparação, que também não devem ser parvos de todo – não saibam ou não se recordem que, neste país e não noutro planeta qualquer, já houve um tempo em que todas essas empresas eram privadas. O que não as impedia de funcionar nem de criar riqueza. Foi assim até uns quantos malucos tomarem o poder de assalto e arrasarem o tecido produtivo nacional. Por mais estranho que possa parecer, nessa altura, os transportes privados ou concessionados funcionavam e transportavam pessoas, os bancos privados cumpriam a missão para que foram criados e as fabricas privadas produziam o que tinham a produzir. Quase sempre melhor do que hoje, diga-se. Mas, admito, isto é capaz de constituir um conceito um bocado esquisito para quem acha que Portugal só “nasceu” em Abril de 1974 e que os outros oitocentos e quarenta e seis anos de história não passam de um imenso buraco negro.

 

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