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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

"Tou" de volta...

Kruzes Kanhoto, 20.05.24

Voltei. A culpa desta inusitada ausência foi de uma catarata que se instalou no meu olho direito. Já foi removida, a magana. A espera foi longa – cerca de oito meses – mas, dois vales cirurgia depois, lá se resolveu a coisa. Desta vez a “oferta” incluiu uma clínica na capital do distrito como, de resto, devia sempre acontecer quando em causa estão pacientes da região.

O Serviço Nacional de Saúde não tem, nem nunca terá, capacidade para, por si só, dar resposta a tudo e a todos dentro de um prazo razoável. É impossível. Terá sempre, a menos que se pretenda que as pessoas morram ou no caso fiquem ceguetas, de contratualizar estes serviços com os privados e pagar os tais muitos milhões que andam sempre a servir a demagogia dos que, dada a sua juventude ou boa saúde, não necessitam de recorrer ao SNS. Isso e o preconceito ideológico que os leva a preferir que os outros morram à espera de vez no público do que sejam tratados no privado. Os outros, reitero, porque quando são eles ou a respectiva família a coisa fia mais fino.

Presumo que, dada a quantidade de gente a padecer da mesma maleita que foi enviada para a clínica em causa, a conta a pagar pelo SNS seja para lá de astronómica. No entanto – apesar de não ter lá ido confirmar – tenho a certeza absoluta que o serviço no hospital público continua repleto. É o que dá as pessoas viverem mais anos e a cada dia existirem mais tratamentos para mais doenças. Uma maçada, isso. Nomeadamente para os que acham que deve funcionar tudo como funcionava há quarenta e cinco anos.

SNS, assim não vale...

Kruzes Kanhoto, 22.02.24

O SNS tem constituído um dos principais temas para a habitual demagogia que os políticos gostam de usar para atacar os adversários e que, modo geral, os portugueses nas suas conversas de dia a dia adoram replicar para defender os da sua cor e depreciar os demais. Por mim apenas quero que o SNS funcione. Estou-me nas tintas se o serviço me é prestado pelo Estado ou por um privado que o Estado contrata por não ter capacidade para me tratar a tempo e horas.

Infelizmente esta prática não é seguida. Pelo menos da forma mais adequada. Estou, desde o final do Verão passado, inscrito para uma cirurgia num hospital público da região. No inicio de Dezembro fui convocado para a realização de exames tendo em vista a realização da mesma. A meio de Janeiro recebi uma carta do tal hospital e, ainda antes de a abrir, confidenciei aos meus fechos de correr a satisfação pela rapidez do processo enquanto enaltecia as virtudes do sistema que, afinal, não estava tão mal como o andavam a pintar. Só que não. A missiva continha um vale-cirurgia que podia utilizar num de dez hospitais à minha escolha. Oito públicos, todos a norte do Douro e dois privados. Um em Lisboa e outro no Algarve. Mais ou menos como aqueles vale-prenda para usar obrigatoriamente em determinadas lojas, mas aquilo que nós precisamos só está à venda no estabelecimento do outro lado da rua.

Obviamente não aceitei a generosa oferta e vai daí continuo na lista de espera. Estava, antes do dito vale, em 378º lugar e passado um mês avancei para 358º. Por este andar daqui por uns dezanove meses deve chegar a minha vez. Ou não, porque a lista tem umas particularidades assaz curiosas. É que, neste período, já estive também nos lugares 380º, 399º e 402º. Ou seja, já andei para trás. Diz que é porque vão aparecendo casos urgentes. Ou, então, é porque há gente a fazer como uma amiga da minha avó quando precisava de consulta com o médico da “Caixa”. Oferecia-lhe uma galinha.

Oito biliões de portugueses

Kruzes Kanhoto, 23.12.23

Ouvir certas alminhas discorrer acerca do tratamento dispensado pelo SNS a duas gémeas brasileiras, nomeadamente quando os argumentos usados defendem a não existência de qualquer ilicitude ou irregularidade, fico com a sensação que há quem pense que Portugal tem obrigação de tratar da saúde de toda a população mundial. Mesmo daquela, como foi o caso, que no seu país vê recusada as suas pretensões. Até um padrecas qualquer veio, um destes dias, com uma converseta a legitimar a cunha, o tráfico de influências ou lá o que tenha havido que permitiu a naturalização das crianças em tempo que pulverizou os anteriores recordes e que permitiu um tratamento efectuado contra a vontade dos médicos. Tudo alegadamente e ao que é publico.

Mesmo aquele argumento de “ah e tal, são portuguesas e têm o mesmo direito que qualquer outro cidadão” é demasiado parvo para ser levado a sério. Principalmente quando, em qualquer parte do mundo é mais fácil adquirir a nacionalidade portuguesa do que comprar um pastel de nata em Portugal. Teremos assim, segundo alguns, o dever de acolher todos os que se querem cá tratar das suas maleitas e de todas as estrangeiras que cá querem vir parir. Quem assim opina reclama também das dificuldades do SNS e da maldita direita ultra-liberal que o quer destruir. Pois. Gente inteligente, esta. Tanto que ouvi-los faz-me ter saudades do tempo em que os animais não falavam.

A caminho da maioria absoluta...

Kruzes Kanhoto, 03.12.23

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Ou seja, estamos a um pequeno passo da maioria absoluta dos serviços de urgência que não funcionam em pleno ou, até, nem funcionam de todo. Maldito Passos Coelho...isto com o PS é que é bom!

Curioso que com o Partido Socialista anda tudo à volta do número quarenta e quatro. Deve ser uma espécie de fétiche. Ou, então, é uma sina. Mas, seja uma ou outra coisa, faz sentido. Como diria a minha sábia avó, eles procuram-se uns aos outros. 

Por falar em fétiches, sinas e outras cenas esquisitas. O que levará um acérrimo apoiante de Sócrates - talvez o lider mais à direita que o PS alguma vez já teve - a apoiar agora entusiasticamente PNS  o provável secretário-geral mais à esquerda que aquele partido corre o risco de ter?! Coerência ideologica não será certamente. Deve, quiçá, qualquer coisa ao nível do pragmatismo, ou isso. 

Não telefone, vá...

Kruzes Kanhoto, 19.11.23

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Provavelmente já não serão muitos os que se recordam de Luís Montenegro, em dois mil e quinze quando ainda era líder parlamentar do PSD, ter proclamado que embora os portugueses vivessem pior o país estava melhor. Ou algo parecido. Na altura a esquerda aproveitou a frase para fazer a algazarra em que é costumeira. E bem, porque a alegada melhoria do país não se notava nas nossas carteiras. Hoje, por comparação com aquela época, os portugueses estão melhor, mas o país está muito pior sem que isso aflija muito a canhota. Ou a sinistra, como muito a propósito se diz em italiano.

De facto hoje quase todos têm mais dinheiro na carteira. Até pode valer o mesmo, mas ver um número maior de notas provoca sempre – ainda que injustificado - algum entusiasmo. Já o país está incomparavelmente pior. Os serviços públicos, nomeadamente, estão uma “desgrácia”. Por estes dias necessitei de ligar para a urgência de um hospital da região. Após duas horas a ouvir “a sua chamada é importante para nós, por favor aguarde”, a ligação foi interrompida por algum automatismo, de lá ou do meu telefone. Da segunda tentativa, ao fim de trinta ou quarenta minutos, lá me atenderam. Para me dizerem que, sete ou oito horas depois de ter entrado, o doente de quem procurava informações ainda não tinha sido atendido por um médico nem, sequer, sabia quando seria.

Nisto da saúde os propagandistas da esquerdalha encontram nomes para tudo o que lhes convém. O ministro da saúde do tempo do Passos – esse patife – era o “doutor morte”, apesar de nesse tempo o estado dos cuidados de saúde serem de excelência quando comparados com a verdadeira tragédia que são hoje. Também repetem, na falta de melhores argumentos para justificar o injustificável, que o socialista António Arnaut foi o “pai” do SNS. Uma paternidade unanimemente reconhecida, diga-se. Mas, por outro lado, recusam reconhecer que Marta Temido foi a “coveira”. Pelo contrário, até lhe vislumbram qualidades para, num futuro não muito distante, ser uma putativa candidata a líder do PS. Vendo bem é uma boa escolha. Apesar do esforço que têm feito nesse sentido ainda há muito para destruir. Capacidade para isso já ela mostrou sobejamente.

Azelhices

Kruzes Kanhoto, 12.03.23

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1 – Desde a recuperação desta entrada na cidade que, num evidente desrespeito por quem anda a pé, nenhum dos muitos pinos que foram derrubados pelos automobilistas mais azelhas foi reposto pelos serviços da autarquia. Hoje foi mais um deitado abaixo. Se o “protocolo” habitual for cumprido, os diligentes serviços municipais amanhã tratarão de repor a calçada e recolher o pino. Quanto aos peões que se lixem. Encolham-se e encostem à parede. O que é uma chatice. Está toda cagada.

2 – Diz que haverá restaurantes a sugerir que o cliente dê gorjeta ao empregado que lhe prestou o serviço pelo qual pagou o preço previamente estipulado. Caso para a ASAE intervir, parece-me. É que isto, no âmbito da gratificação, ou há moralidade ou comem todos. Senão ainda acabamos a dar gorjeta à menina da caixa no supermercado.

3 – No tempo do Passos o SNS funcionava tão mal, mas tão mal, que os bebés nasciam em ambulâncias. A coisa era tão má, mas tão má, que ao ministro da saúde chamavam o dr. Morte. Agora os bebés nascem em Uber’s. Não digo chamar nomes ao ministro, mas, ao menos, já ia uma grandolada.

Falta muito para começar a tratar a ministra da saúde por Drª Morte?

Kruzes Kanhoto, 12.02.19

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Não possuo poderes adivinhatórios. Bem que gostava, mas não. Mesmo em matéria de prognósticos - seja qual for o evento a prognosticar - a minha perspicácia revela-se de uma ineficácia confrangedora. Mas, uma vez por outra, faço previsões mais ou menos certeiras. É o caso da bagunça que se vive actualmente no sector da saúde. Não era difícil prever o presente cenário. Estava na cara que, depois da educação, a saúde constituía um dos pontos seguintes na agenda ideológica da esquerdalha-geringonciga.

O objectivo dos javardolas que nos governam é que o Estado deixe de contratualizar serviços de saúde com entidades privadas. Como se o SNS pudesse dar resposta, por si só, às necessidades de todos os portugueses. Não dá agora nem dará nunca. É humana, física e financeiramente impossível. Ou, então, voltamos ao tempo em que o médico olhava para o paciente, passava a receita e não havia cá essa mariquice de meios auxiliares de diagnóstico. Esta cena da ADSE é, apenas, mais uma etapa. Outras se seguirão. O caminho para o socialismo fará as suas vitimas – os mais pobres, principalmente – mas no final o esquerdume garantirá que o sol brilhará para todos nós. Mesmo que ilumine uma sociedade miserável.

Coisas que m'apoquentam...

Kruzes Kanhoto, 10.04.18

Parece que toda a gente está ansiosa por acertar contas com o fisco. Tanto assim é que, desde o inicio do mês, as dificuldades em aceder ao portal das finanças têm sido mais que muitas. Deve ser por causa da promessa de reembolso rápido do que descontámos em excesso. Não sei porquê. Quanto mais depressa o receberem, mais depressa o esturram. Mas se este ano é assim, nem quero imaginar no próximo. Com a poupança forçada a devolução será maior e, por consequência, a sofreguidão do pagode também.  

 

Os últimos dias têm sido pródigos em queixas acerca dos problemas na saúde. Parece que está tudo a cair aos pedaços. A culpa, presumo, ainda deve ser dos outros. Dos cortes e do ataque que fizeram ao SNS com o intuito de o destruir, aqueles patifes da direita bafienta que só querem o mal do povo. Entretanto, desde que a esquerda com odor a alfazema tomou o poder, os pagamentos em atraso aos fornecedores e as listas de espera não param de aumentar. Mas, curiosamente, já ninguém trata o ministro da saúde por "Doutor Morte". É a vida... 

Devem ser bipolares, ou lá o que se chama essa doença...

Kruzes Kanhoto, 15.12.16

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Os portugueses estão cada vez mais tolerantes. Mais moles, como diria essa santa senhora que era a minha avó. Alguns evidenciam até um grau de moleza que é manifestamente preocupante. Estou a lembrar-me, assim de repente porque podia citar muitos mais, o camarada Jerónimo e a Catarina de olhar alucinado. Nenhum deles manifestou com veemência – nem sem ela, que tenha dado conta – a sua indignação por, segundo a bastonária dos enfermeiros, durante dois dias os doentes internados num determinado hospital não terem sido alimentados ou medicados. Nem, sequer, pediram a demissão do ministro da saúde. Ou, pelo menos, o acusaram de ser o coveiro do SNS. Tudo coisas - e muitíssimo mais – que fariam até um ano atrás por problemas muito menos importantes. Deu-lhes a moleza, é o que é. E, bem assim, aos apoiantes da geringonça que, nestas e noutras em que a actual governação é perita, se calam que nem ratos. Ou, então, o seu grau de exigência limita-se a “desde que não estejam lá os outros”. Brilhante.

Adse para todos?! E porque não?

Kruzes Kanhoto, 24.03.16

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Ciclicamente o tema da ADSE constitui motivo de discussão. Acessa, como quase todas as discussões que envolvem alegados direitos alegadamente exclusivos dos funcionários públicos. Que deve ser extinta e fica o Serviço Nacional de Saúde para toda a gente, defendem uns. Alargada a todos os que para ela queiram descontar é que era, sustentam outros alegando uns quantos princípios constitucionais.

Percebo os primeiros. É uma questão de filosofia de vida. Ou de outra coisa qualquer. De que, obviamente, discordo. Para eles o Estado deve regular todos os aspectos da vida de cada cidadão e, mesmo que um grupo de pessoas financie um sistema à conta exclusiva do seu vencimento sem que daí resulte encargos para os que dele não beneficiam, ainda assim, não pode ser. Nem sei como não reivindicam o fim dos seguros de saúde. Esses sim financiados pelo Estado através das deduções fiscais.

Já a opinião dos segundos, alargar o conceito de serviço prestado pela ADSE a quem a ela queira aderir, seja ou não funcionário público, parece-me fazer todo o sentido. Tenha ele – o conceito – o nome que tiver. Pode, até, chamar-se privatização parcial do SNS. Proporcionaria uma maior capacidade de escolha, um melhor serviço aos utentes e uma poupança de milhares de milhões de euros aos cofres públicos. Tinha era um problema. Dois, melhor. Representava um enorme aumentos de impostos para quem quisesse aderir – mas isso era como o outro, só pagava quem aderisse – e quase decepava uns quantos lobbys na área da saúde. Uma chatice, portanto.