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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Remunerar o trabalho doméstico, já!

por Kruzes Kanhoto, em 09.03.19

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Uma das propostas ontem apresentadas pelas senhoras que entenderam por bem fazer uma manifestação, greve ou lá o que foi, consistia em tornar remunerado o trabalho doméstico. Não posso estar mais de acordo com a ideia. Acho, escrevo-o sem me rir, muitíssimo bem. Há, apenas, um pormenor que me apoquenta. Uma coisinha de nada. Uma insignificância, por assim dizer. É que não fiquei esclarecido acerca de quem vai pagar.

Como não me parece que a reivindicação seja dirigida ao conjugue que não mexe uma palha nas lides domésticas – até porque isso implicaria a constituição de uma relação laboral, com todas as consequências que daí adviriam - presumo que pretendam que seja o Estado a pagar. Por esclarecer ficou, também, o âmbito de aplicação. Nomeadamente se as pessoas que vivem sozinhas terão igualmente direito a esta remuneração. O que, a não ocorrer, será uma evidente violação da Constituição.

Se bem percebo propõem estas malucas que, no limite, todos e cada um de nós seja pago, provavelmente pelo Estado, para fazer a própria comida, tratar da roupa e limpar o pó. Inclusivamente - por que não - pagarem-me para pintar casa, que é dos trabalhos domésticos mais lixados. Excelente. Nem eu, nos meus melhores delírios, me lembraria de tal coisa. 

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Sexismo? As coisas que estes fascistas inventam...

por Kruzes Kanhoto, em 14.07.18

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Diz que a FIFA vai proibir a exibição de imagens de espectadoras consideradas atraentes nas transmissões televisivas dos jogos de futebol. Para já será apenas no jogo da final do campeonato do Mundo mas, prometem, a intenção é alargar a toda e qualquer jogatana que envolva pontapé na bola. Parece que é por causa de uma coisa chamada sexismo, ou lá o que é, que eu na minha ignorância nem desconfio o que seja. Às tantas ainda é alguma doença, ou isso. Contagiosa, se calhar. Mas, de uma coisa eu sei. De ora em diante cada mulher que, estando nas bancadas de um estádio, veja o seu rosto num ecrã vai achar que é feia.

Isto parece cada vez mais aquela cena da rã que cai no caldeirão que vai ser posto ao lume. De inicio a agua morna até lhe é agradável. O pior é que a temperatura vai subindo e quando dá por ela está cozida. Assim estamos nós enquanto sociedade. Somos diariamente martelados com campanhas de desinformação acerca de perigos imaginários – desde a extrema direita ao Trump – enquanto aos poucos, com falinhas mansas e a coberto de conceitos aparentemente muito evoluídos vão impondo a ditadura, a repressão e acabando com os valores ocidentais. Um dia destes estamos como a rã. Cozidos.

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Vestimentofobia

por Kruzes Kanhoto, em 24.08.17

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Muito há ainda a fazer no âmbito do combate à discriminação. Ó se há. Verdade que, por estes dias, já se conseguiu um avanço civilizacional sem precedentes. O de acabar com essa coisa dos livros para meninas e dos livros para meninos. Mas, convenhamos, é manifestamente insuficiente. Há que ir mais longe e, nisto como no resto, o ideal é começar pela criançada. Ensinar-lhes que é tudo igual e não há cá coisas para gaiatos e coisas para gaiatas. As roupas, por exemplo. Não têm nada que estar separadas nas lojas conforme o sexo. Ou género, penitencio-me pelo lapso. Que isto de vestidos ou cuecas com rendinhas qualquer um veste. E o melhor é ir experimentando logo de pequenino. 

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Abaixo o sexismo! Ou lá o que é...

por Kruzes Kanhoto, em 27.04.16

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Passei hoje mais uma manhã no tribunal. Perdi-lhes a conta, de tantas que foram. Mas, desta vez, fui ouvido. Ou melhor, interrogado. Não é que me incomode colaborar com a justiça. Nem que me queixe das muitas horas a aguardar a minha vez de testemunhar. Nada disso. O que me aborreceu foi o tratamento. Desagradou-me ser considerado uma testemunha. Ali estavam a juíza, a advogada, o advogado, o procurador, a queixosa, o réu e eu. A testemunha. Percebo agora muito melhor as mulheres que se sentem ofendidas com aquilo do cartão do cidadão. E renego todas as piadolas que já fiz em relação à ideia do Bloco de Esquerda para alterar a sua designação. Há, também, que tornar a justiça menos sexista e encontrar uma forma não discriminatória para designar quem presta testemunho. Não arrisco uma sugestão, mas lá que me senti vexado por ser uma testemunha, isso senti.

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