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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Orientem-se, mas é...

Kruzes Kanhoto, 03.07.21

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O problema não é a proliferação de malucos. Doidos absolutamente varridos, gente que não “junta o gado todo” e “apanhados do clima” com pancas diversas sempre existiram. Só que ninguém lhes ligava. Ou, como me ensinaram desde pequeno, dava-se-lhes o “desconto”. Hoje não é assim. Pelo contrário. Até parece que a condição de “aleijadinho das ideias” é quase obrigatória para ser ouvido, lido e tido em consideração. O mundo rendeu-se aos loucos. De tal maneira que as suas loucuras são as novas verdades e quem se atrever a questioná-las está feito ao bife.

O policiamento da linguagem é uma das missões que essa gentinha acha estar-lhe destinada. Todos têm de falar ou escrever de acordo com o que dita a sua maluqueira ou sofrerão as consequências. A vitima, desta vez – ironia das ironias – foi o “Público”. Imagine-se que teve o topete de titular uma noticia com a previsão que vamos ter “um Verão negro”. Expressão que, como não podia deixar de ser, fez disparar os alarmes no manicómio. A coisa, reconheço, até teria a sua piada. As reacções, cada uma mais exacerbada do que a anterior, seriam de rir até às lágrimas não fossem estar, cada vez mais, a fazer escola e a condicionar o que se escreve. Por mim, quero que eles vão ter um menino de olhos azuis. Vou mas é comer qualquer coisinha, que a fome é negra e hoje já trabalhei que nem um mouro.

Branquinho é...se trolha o diz!

Kruzes Kanhoto, 21.05.21

Tenho para mim que os jornalistas são os principais responsáveis por esta deriva linguística que nos coloca a todos a falar de maneira esquisita. Daí que não lamente quando um deles – embora o coitado até possa não ter culpa nenhuma – é vítima desta ditadura do politicamente correcto que a classe ajudou a implementar. Como, se calhar, é o caso do profissional da Lusa que se atreveu a mencionar, numa nota para uso próprio que por acaso vazou para o público, a cor da pele de uma deputada. Para a próxima ele que faça como os trolhas de uma obra aqui perto. Apenas um deles é negro. Mas ninguém lhe chama preto. Levam o dia a chamá-lo por branquinho. “Ó branquinho olha a massa”, “ó branquinho chega aí uns tijolos” ou “branquinho pá, deixa lá as miúdas”. Vá, chamem-lhes parvos. Ou racistas, se puderem.

Racismo fiscal

Kruzes Kanhoto, 06.03.21

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Disparates cada um diz – ou escreve – todos os que lhe dê na realíssima gana. Eu digo e escrevo muitos. Ainda bem que, até ver, todos temos liberdade para isso. Embora, parece-me, a discriminação já esteja a chegar ao direito ao disparate. Ou seja, uns têm direito a disparatar e outros nem por isso.

O cavalheiro que escreveu a mensagem acima publicada tem todo o direito a defender que os impostos sejam cobrados em função da cor da pele. A ele, enquanto negro, ninguém o aborrece por estas idiotices. Nem a ele nem a outros que, noutras paragens, sugerem este tipo de coisas há largos anos. Já a mim, um branco que no Verão fico um bocadinho a atirar para o escuro, se me atrever a sugerir que em Portugal não existe essa cena de discriminação em função da “raça” – seja lá isso de raça o que for – aparecem logo as gajas das causas, os idiotas úteis e outros parvos a apelidarem-me de racista.

Igualmente quando, mesmo sustentado em dados irrefutáveis – pode não se concordar com o principio, mas isso é outra conversa – defendo a aplicação da “taxa plana de irs”, tenho logo umas alminhas indignadas a tecer considerações pouco abonatórias. As mesmas que, curiosamente ou talvez não, não abrem o bico em relação a dichotes como o deste senhor. Para além da ignorância, alguma razão haverá. Desconfio que a cor do homem é capaz de ter alguma coisa a ver. Nos dias de hoje convém não discordar de um negro...

O xadrez é racista!

Kruzes Kanhoto, 27.02.21

O racismo, a discriminação e afins estão por todo o lado. Há que estar atento e acabar com tudo o que é discriminatório. Queimem-se livros, destruam-se filmes, censurem-se obras de arte e faça-se o que for preciso para acabar com este flagelo. É nossa obrigação combate-lo e todos somos poucos para ganhar este combate. É por isso que o Kruzes, imbuído de um inusitado espírito de luta contra tudo o que é discriminatório, se junta a esta causa. Nobre, claro cor neutra está.

Nada melhor do que começar esta guerra na própria casa. Tudo o que por cá existia susceptível de representar cenas preconceituosas – de todo o tipo – teve o lixo como destino. Na verdade não foi muita coisa. A bem dizer só mandei fora o tabuleiro de xadrez e as respectivas peças. Nunca mais me dedico à prática desse jogo racista, em que as brancas têm o estranho privilegio de fazer sempre a primeira jogada. Pelo menos enquanto não mudarem as regras e as pretas não brancas continuarem a ser discriminadas na abertura das partidas.

Vá, toma, Mamadou, desta nem tu te lembraste. Embrulha e vai buscar!

Racismo ronhoso

Kruzes Kanhoto, 14.01.21

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Acho imensa piada aquelas pessoinhas, nomeadamente a muitos que pululam pela comunicação social e pelas artes, que tendo um tom de pele bastante mais claro do que o meu após uma manhã de praia garantem com toda a convicção que são negros. Terão, provavelmente, ascendentes de várias origens e, por consequência, haverá ali uma saudável miscelânia. Que, acho eu, nada obriga a optar seja porque “raça” for.

Nesta ovelha também há uma evidente mistura. Neste caso estamos perante uma ovelha negra ou branca? Negra na opinião dos que seguem os ditâmes da moda, certamente. Mas isso, presumo, será coisa que em nada inquietará o bicho... 

Teste o racista que há em si

Kruzes Kanhoto, 26.12.20

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.

Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.

Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.

Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”


Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”


Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”

Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...

 

 

Histerismo da moda

Kruzes Kanhoto, 11.12.20

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Que esta história do racismo está na moda e que dá de comer a muita gente, não constitui nenhuma novidade. Já anda por aí há muito tempo. Tanto que, caso quisessem, as organizações que passam a vida a condenar alegadas práticas racistas já podiam ter dado orientações no sentido de evitar que essas práticas ocorressem nos eventos que organizam. Mas não o fazem. Nem, desconfio, lhes interessará faze-lo. O caso do futebol, por exemplo. A FIFA podia ter já dado indicações precisas aos intervenientes no jogo acerca de situações que não valem a ponta de um corno mas que depois, devidamente apimentadas, se transformam em escândalos à escala global.

Imagine-se o seguinte cenário. Num desafio entre o Borundi e a Guiné-Bissau, com uma equipa de arbitragem oriunda do Quénia, está no banco de suplentes da equipa da antiga colónia um jogador branco. Ao todo são dez pessoas, todas vestidas de igual e todas, insatisfeitas com a sua actuação, insultam o juiz da partida. Se o branco* for o mais efusivo, como é que o quarto árbitro vai explicar ao chefe equipa, de forma rápida e objectiva, qual é o elemento a expulsar? Alguma, certamente, haverá. Convinha era todos sabermos. Ou, pelo menos, quem anda lá dentro. Só para depois não andar para aí tudo histérico.

*Provavelmente usar a palavra “branco” será considerado racismo, mas não encontro uma maneira melhor de expressar com clareza** a minha ideia…

**Porra, outra vez!

E a transparência no ambito do racismo, pá?!

Kruzes Kanhoto, 01.08.20

A comunicação social e algumas organizações que vivem à custa do financiamento público têm-se esforçado por nos fazer acreditar que Portugal é um país racista, os portugueses são racistas e que anda para aí uma discriminação do piorio. Percebo a ideia. E os motivos, ainda mais. A vida custa a todos, está difícil e, para as empresas donas dos jornais, uma causa como o racismo revela-se capaz de angariar mais clientes, por consequência de fazer subir as vendas e minimizar os prejuízos que o financiamento do Estado não tapa. O mesmo para as associações que vivem do subsidiozinho do governo. Os empregos para sociólogos e afins não estão fáceis de arranjar e, à conta destas balelas, sempre vão mantendo um ordenadito que mais ninguém lhes pagava.

Convinha era que fossem mais explícitos nessa coisa do racismo. Como está é uma confusão que apenas os racismo-dependentes percebem. Se um negro for morto por um branco dizem-nos que é um crime com motivações racistas mas, como foi o caso um destes dias, se o assassino for um cigano já não é racismo. Menos ainda se, como diz que de vez em quando também acontece, for um negro a matar um branco. Aí, tenho esperança de um dia os ouvir dizer que foi um acto de justiça. Mas, para a malta perceber, convinha que esclarecessem. De caminho podiam também divulgar os montantes que a panóplia de associações ligadas a estas causas recebem do Estado e, se não for pedir demais, quanto recebem das associações os seus principais activistas. Só para percebermos melhor as motivações.

O privilégio e a cor da pele

Kruzes Kanhoto, 27.06.20

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Ao que leio no Twitter, Isabel Moreira, a escanzelada deputada do Partido Socialista, terá afirmado numa entrevista qualquer, que se sente uma privilegiada por ser branca. A mim, que não sou especialista na especialidade de racismo, parece-me uma afirmação um bocado parva. Embora, desconfio, consensual na parte que toca aos privilégios, ou não tivesse ela as ligações partidárias e familiares que se conhecem. Caso tivesse nascido na Merdaleja e fosse filha do Zé da Égua Manca, ser alva como a cal havia de lhe adiantar uma grande coisa.

Já outra Isabel, a dos Santos, não tem uma tez propriamente clara. Terá no entanto, ao que dizem que eu nunca “lho” contei, uma fortuna considerável. Ainda que, também ao que contam que dessas cenas nada sei, obtida por meios um bocado manhosos. Do que não faltarão certezas é que a senhora será, qualquer que seja o padrão utilizado para a avaliação, uma privilegiada. O que, levando à letra os considerandos da senhora magricela, poderá levar mentes mais sinuosas a conclusões demasiado inquietantes – e também deploráveis - quanto a isso do racismo.

O capital é lixado. Mas a falta dele é pior...

Kruzes Kanhoto, 15.06.20

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Desconheço em que tipo de sociedade prefere esta gente levar a sua existência. Não gostam, pelos vistos, do capitalismo. Qual é a alternativa que sugerem? A outra, a única conhecida por grande parte das gerações ainda vivas, revelou ser muito pior. Em todos os sentidos. E, por mencionar isso dos sentidos, basta ver em que direção correram as pessoas quando o muro de Berlim foi abaixo. Ninguém correu para o lado da pátria socialista. Pelo contrário.

Claro que tudo isso dirá pouco aos manifestantes que por estes dias conturbados aderem aos protestos da moda. Seja contra o for. Eles não querem o fim do capitalismo. Seriam incapazes de viver noutra sociedade. A prova disso é que não são conhecidos fluxos migratórios em direção a Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. O que é de estranhar. Não consta que por lá o capitalismo mate, seja racista ou rebente com o ambiente. Mas, provavelmente, só cá estão porque os aeroportos não há maneira de abrirem...