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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Racismo ronhoso

Kruzes Kanhoto, 14.01.21

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Acho imensa piada aquelas pessoinhas, nomeadamente a muitos que pululam pela comunicação social e pelas artes, que tendo um tom de pele bastante mais claro do que o meu após uma manhã de praia garantem com toda a convicção que são negros. Terão, provavelmente, ascendentes de várias origens e, por consequência, haverá ali uma saudável miscelânia. Que, acho eu, nada obriga a optar seja porque “raça” for.

Nesta ovelha também há uma evidente mistura. Neste caso estamos perante uma ovelha negra ou branca? Negra na opinião dos que seguem os ditâmes da moda, certamente. Mas isso, presumo, será coisa que em nada inquietará o bicho... 

Teste o racista que há em si

Kruzes Kanhoto, 26.12.20

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.

Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.

Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.

Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”


Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”


Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”

Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...

 

 

Histerismo da moda

Kruzes Kanhoto, 11.12.20

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Que esta história do racismo está na moda e que dá de comer a muita gente, não constitui nenhuma novidade. Já anda por aí há muito tempo. Tanto que, caso quisessem, as organizações que passam a vida a condenar alegadas práticas racistas já podiam ter dado orientações no sentido de evitar que essas práticas ocorressem nos eventos que organizam. Mas não o fazem. Nem, desconfio, lhes interessará faze-lo. O caso do futebol, por exemplo. A FIFA podia ter já dado indicações precisas aos intervenientes no jogo acerca de situações que não valem a ponta de um corno mas que depois, devidamente apimentadas, se transformam em escândalos à escala global.

Imagine-se o seguinte cenário. Num desafio entre o Borundi e a Guiné-Bissau, com uma equipa de arbitragem oriunda do Quénia, está no banco de suplentes da equipa da antiga colónia um jogador branco. Ao todo são dez pessoas, todas vestidas de igual e todas, insatisfeitas com a sua actuação, insultam o juiz da partida. Se o branco* for o mais efusivo, como é que o quarto árbitro vai explicar ao chefe equipa, de forma rápida e objectiva, qual é o elemento a expulsar? Alguma, certamente, haverá. Convinha era todos sabermos. Ou, pelo menos, quem anda lá dentro. Só para depois não andar para aí tudo histérico.

*Provavelmente usar a palavra “branco” será considerado racismo, mas não encontro uma maneira melhor de expressar com clareza** a minha ideia…

**Porra, outra vez!

E a transparência no ambito do racismo, pá?!

Kruzes Kanhoto, 01.08.20

A comunicação social e algumas organizações que vivem à custa do financiamento público têm-se esforçado por nos fazer acreditar que Portugal é um país racista, os portugueses são racistas e que anda para aí uma discriminação do piorio. Percebo a ideia. E os motivos, ainda mais. A vida custa a todos, está difícil e, para as empresas donas dos jornais, uma causa como o racismo revela-se capaz de angariar mais clientes, por consequência de fazer subir as vendas e minimizar os prejuízos que o financiamento do Estado não tapa. O mesmo para as associações que vivem do subsidiozinho do governo. Os empregos para sociólogos e afins não estão fáceis de arranjar e, à conta destas balelas, sempre vão mantendo um ordenadito que mais ninguém lhes pagava.

Convinha era que fossem mais explícitos nessa coisa do racismo. Como está é uma confusão que apenas os racismo-dependentes percebem. Se um negro for morto por um branco dizem-nos que é um crime com motivações racistas mas, como foi o caso um destes dias, se o assassino for um cigano já não é racismo. Menos ainda se, como diz que de vez em quando também acontece, for um negro a matar um branco. Aí, tenho esperança de um dia os ouvir dizer que foi um acto de justiça. Mas, para a malta perceber, convinha que esclarecessem. De caminho podiam também divulgar os montantes que a panóplia de associações ligadas a estas causas recebem do Estado e, se não for pedir demais, quanto recebem das associações os seus principais activistas. Só para percebermos melhor as motivações.

O privilégio e a cor da pele

Kruzes Kanhoto, 27.06.20

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Ao que leio no Twitter, Isabel Moreira, a escanzelada deputada do Partido Socialista, terá afirmado numa entrevista qualquer, que se sente uma privilegiada por ser branca. A mim, que não sou especialista na especialidade de racismo, parece-me uma afirmação um bocado parva. Embora, desconfio, consensual na parte que toca aos privilégios, ou não tivesse ela as ligações partidárias e familiares que se conhecem. Caso tivesse nascido na Merdaleja e fosse filha do Zé da Égua Manca, ser alva como a cal havia de lhe adiantar uma grande coisa.

Já outra Isabel, a dos Santos, não tem uma tez propriamente clara. Terá no entanto, ao que dizem que eu nunca “lho” contei, uma fortuna considerável. Ainda que, também ao que contam que dessas cenas nada sei, obtida por meios um bocado manhosos. Do que não faltarão certezas é que a senhora será, qualquer que seja o padrão utilizado para a avaliação, uma privilegiada. O que, levando à letra os considerandos da senhora magricela, poderá levar mentes mais sinuosas a conclusões demasiado inquietantes – e também deploráveis - quanto a isso do racismo.

O capital é lixado. Mas a falta dele é pior...

Kruzes Kanhoto, 15.06.20

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Desconheço em que tipo de sociedade prefere esta gente levar a sua existência. Não gostam, pelos vistos, do capitalismo. Qual é a alternativa que sugerem? A outra, a única conhecida por grande parte das gerações ainda vivas, revelou ser muito pior. Em todos os sentidos. E, por mencionar isso dos sentidos, basta ver em que direção correram as pessoas quando o muro de Berlim foi abaixo. Ninguém correu para o lado da pátria socialista. Pelo contrário.

Claro que tudo isso dirá pouco aos manifestantes que por estes dias conturbados aderem aos protestos da moda. Seja contra o for. Eles não querem o fim do capitalismo. Seriam incapazes de viver noutra sociedade. A prova disso é que não são conhecidos fluxos migratórios em direção a Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. O que é de estranhar. Não consta que por lá o capitalismo mate, seja racista ou rebente com o ambiente. Mas, provavelmente, só cá estão porque os aeroportos não há maneira de abrirem...

E os homens-estatuas, estarão seguros?

Kruzes Kanhoto, 12.06.20

Fernando Medina, o “alcaide” de Lisboa, garante que “a melhor resposta aos vândalos é a limpeza”. Não, não é. Isso, quando muito, será um slogan publicitário pouco inspirado para vender um detergente qualquer. A melhor resposta aos indigentes mentais que andam a vandalizar património histórico, é outra. Todos sabemos qual. Algo parecido com uma tatuagem temporária no lombo desenhada à base de vara de marmeleiro, por exemplo. Esta malta não respeita os outros. Nem, menos ainda, o trabalho alheio. Por isso esperar que se sensibilizem por alguém limpar o que eles conspurcaram é simplesmente parvo.

Por andavam os "colectivos" quando mataram o ucraniano?

Kruzes Kanhoto, 05.06.20

Estão convocadas para este fim de semana diversas manifestações em vários pontos do país. Contra o racismo, alegam os seus mentores. Na maioria “colectivos” , associações e gente mal parecida em geral. Não que ache mal que esta malta manifeste a indignação que lhe assiste por causa do assassínio de um homem às mãos da polícia, num país do outro lado do mar. Nada disso, acho até muito bem que exerça esse seu direito. O que me desagrada é a selectividade do aborrecimento. Ainda um dia destes aconteceu um caso idêntico, pelo menos no desfecho, em território nacional sem que o caso suscitasse este regabofe. A diferença estava apenas na cor da pele. Para mim um detalhe absolutamente irrelevante, mas, se calhar, para esta gentinha, é mais importante do que as vidas que se perdem. Uma questão de agenda, certamente.

Chega...de "pides" na internet!

Kruzes Kanhoto, 12.05.20

Uma publicação do grupo Cofina, essa referência do jornalismo nacional também conhecida por esgoto a céu aberto, resolveu cavalgar a onda do “Chega”. Diz-nos, alarmada, que um jovencito candidato a um lugar qualquer naquela agremiação, terá dito que os “portugueses são brancos e europeus”. Uma frase racista, determina o jornaleiro.

Ora o tal jove – de quem nunca ninguém ouviu falar antes nem, provavelmente, irá ouvir falar depois – não terá dito nenhum disparate. O que, obviamente, não invalida que haja muitos – e bons – portugueses negros. Europeus ou de outra origem qualquer. Mas isso, naturalmente, não torna a tirada do fulano num dito racista. É, apenas, um facto. Tal como os alemães, os eslovacos e os sérvios são brancos e europeus. Ou os quenianos são negros e africanos.

Não têm conta as vezes que vi muita reacção indignada por os estrangeiros, mormente os americanos, nos confundirem com um país qualquer do norte de África. Presumo que, daqui para a frente, indignar-nos com essa confusão também constituirá um acto de racismo, ou isso.

O racismo é por ser azul?

Kruzes Kanhoto, 17.02.20

Não. Je ne suis cá Marega coisa nenhuma. E não é por causa disso do racismo mais do que evidente dos grunhos que insultaram o jogador da equipa do Porto. Não gosto é de indignações selectivas. Quem se indigna selectivamente é um filho da puta tão grande como os racistas que ontem fizeram aquela figura abjecta nas bancadas do estádio D. Afonso Henriques.

Pelo mesmo passaram outros jogadores. Desde Nelson Semedo a Renato Saches. Ou, convém ter memória, um jogador negro do Young Boys em setembro do ano passado no estádio do Dragão. Alegou, na altura, o clube da agora vitima para escapar à punição da UEFA, que estariam a gritar pelo símio que lidera a claque. Ou, indo ligeiramente mais atrás, aqueles que emitiam grunhidos (Hulk, Hulk. Hulk...) como os de ontem mas argumentavam estar a gritar pelo Hulk, então jogador da agremiação. Poder-se-á argumentar que nenhum abandonou o relvado. Pois não. Se calhar foram mais profissionais. Olha se todos os trabalhadores virassem costas ao local de trabalho quando são vitimas de um acto discriminatório ou de outra selvajaria qualquer...

Estranho, por isso, que apenas agora as virgens ofendidas tenham vindo a terreiro quando oportunidade para isso foi coisa que não lhes tem faltado. Lá saberão o que os move. Por mim estou como o outro atleta azul e branco - que por acaso também é negro - terá dito, num momento de irritação, ao seu treinador. A cada indignado selectivo recomendo que vá tomar em seu cú.