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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

A cabritada

Kruzes Kanhoto, 09.05.21

Tirando um ou outro mais empedernido indefetível esquerdista ou apoiante do governo – o que é quase a mesma coisa – já toda a gente concluiu que o assunto do surto de Covid de Odemira foi tratado com os pés. Ou com os cornos, se olharmos ao nome de um dos maiores trapalhões que alguma vez passou por ministro. Nada daquilo, desde a requisição civil até levantar pessoas da cama às quatro da manhã, seria necessário se o assunto tivesse sido tratado por responsáveis dignos dessa condição.

Mas, por outro lado, ainda bem que houve toda esta confusão. O debate ideológico suscitado por mais esta trapalhada – são tantas que o Santana Lopes ao pé desta gente é um menino – foi deveras esclarecedor. Nomeadamente por, entre outras coisas, ficarmos a saber que, afinal, para muitos portugueses a propriedade não é assim um direito tão importante, que o Estado pode e deve fazer o que dê na realíssima gana aos que circunstancialmente ocupem o poder e que os ordenados – além do mínimo, naturalmente - não devem resultar de um conjunto de factores entre os quais se incluem as regras de mercado. Provavelmente, foi só o que faltou, os preços também não. Diz que nos regimes comunistas, aqueles para onde ninguém emigra e de onde todos fogem, também é assim.

Toda esta história, confesso, me deixou um pouco nostálgico. Quase me corria uma lágrima, até. Lembrei-me dos hippies esquerdistas dos anos setenta do século passado que iam para os kibutz’s apanhar fruta à borla e dormiam em palheiros. Já ninguém honra a sua memória.

Pobreza bloquista

Kruzes Kanhoto, 30.05.20

Haverá, certamente, muitas formas de pobreza. Tantas quantas quisermos, a bem dizer. O BE descobriu – ou inventou – mais uma. A pobreza menstrual. Seja lá isso o que fôr. Vai daí, propôs na AR que os produtos de saúde menstrual sejam distribuídos gratuitamente.

Não me vou pôr para aqui a divagar acerca da pertinência do assunto. Nem, tão-pouco, quanto à parte do gratuito. Não vale a pena. Até o meu gato imaginário percebe que nada daquilo que o Estado faculta aos cidadãos é à borla. Alguém o paga. Só gente ignorante ou intelectualmente manhosa pensará o contrario.

O meu desacordo é, mais uma vez, em relação à discriminação. E esta ideia do Bloco é manifestamente discriminatória em relação a outros tipos de pobreza. E, assim de repente, ocorrem-me vários. A começar pela pobreza fiscal, sem que o BE proponha a redução do IRS sobre os trabalho; A pobreza auditiva, não consta que o SNS distribua aparelhos para melhorar a audição; A pobreza oftalmológica, a comparticipação nos óculos é ridícula; A pobreza dentária, num país de gente desdentada próteses ou implantes dentários são quase inacessíveis a quem tem menos posses. Entre muitas outras pobrezas que agora não me ocorrem. Nem ao BE.