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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ide, ide para a vossa casota

Kruzes Kanhoto, 30.06.22

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Merda, merda e mais merda de cão é o cenário que encontro todos os dias nas minhas deslocações pedestres. Sim, que eu ando a pé. Não sou como esses alarves que passam o tempo a lamentar-se do preço dos combustíveis, mas não largam o carrinho. Desses tratarei de desancar noutro dia. Hoje fico-me pelos javardos que vivem na casa dos cães. Que isto um gajo – ou uma gaja, que elas são igualmente umas porcazinhas – se sai de casa pela manhã e deixa um animal fechado em casa até à noite, então, a casa é do cão, não é dele. Ou dela. Certo é o asseio que deve ir lá por pela maison. Ainda assim seria preferível que mantivessem o bicho trancado as vinte e quatro horas do dia. Poupavam-nos a esta triste imagem. Uma cidade toda cagada por causa de gente porca, que gosta de viver no meio da porcaria e que acha que os outros têm obrigação dos aturar. Vão mas é bardamerda!

As "iludências aparudem"...

Kruzes Kanhoto, 29.06.22

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Há quem lhe chame linguagem inclusiva. O cidadão comum chama-lhe parvoíce. Para a malta do politicamente correcto vale tudo e mais um par de botas para não chamar às coisas aquilo que elas são. Ou às pessoas, no caso. Se o cidadão é cigano – ou aparenta – chamar-lhe outro nome parece-me, isso sim, ofensivo. Até porque, toda a gente sabe, qualquer cigano tem orgulho de o ser. E faz, naturalmente, muito bem em orgulhar-se disso. Andar à procura de sinónimos ou expressões que substituam a referência às características do cidadão é que, para além de ridículo, se afigura discriminatório.

Percebo, no caso em apreço, a opção de quem elaborou a noticia. Outros nem sequer teriam mencionado a "aparência". Quem tem cú tem medo e a PIDE da linguagem está cada vez mais vigilante. 

 

Tropa não, taxa sim.

Kruzes Kanhoto, 27.06.22

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A “taxa militar” foi uma das muitas taxas e taxinhas inventadas pelo Estado Novo e era paga até uma determinada idade - que julgo andar pelos quarenta e cinco anos - por quem, por um ou outro motivo, tinha sido dispensado de cumprir o serviço militar obrigatório. Resistiu à Abrilada, ao PREC e só deixou de ser cobrada em 1987 por decisão do governo de Cavaco Silva. Se calhar, digo eu, era capaz de ser boa ideia trazê-la de volta. Só para contrariar o Cavaco e isso.

Espiral murcha

Kruzes Kanhoto, 23.06.22

Ainda me lembro daquela ideia de distribuir dinheiro à população, com o intuito de estimular o consumo e fazer crescer a economia, arrancar sorrisos trocistas a quase toda a gente. Não passava de uma teoria de académicos e a ninguém ocorria que alguma vez fosse posta em prática. Era, o que se podia chamar, uma ideia parva. Contudo, como para provar que a realidade ultrapassa sempre a ficção, está a acontecer. É o que o governo, através da segurança social, está a fazer ao distribuir dinheiro aos fiscalmente mais pobres. Diz, pelo menos é a justificação oficial, que serve para apoiar as famílias mais vulneráveis a fazer face à carestia de vida. Explicação que, confesso, me deixa com os queixos à beira das unhas dos pés. Verdade que não percebo nada de economia, mas recordo-me de, ainda não há assim tanto tempo, ter ouvido o “Ronaldo das finanças” alertar para a necessidade de evitar aumentos salariais que compensem a inflação. Garantia a ilustre criatura que isso provocaria uma espiral inflacionista, ou lá o que era. Afinal parece que não. Ou, então, essa coisa da inflação só cresce se o dinheiro gasto for resultante do trabalho. Caso for proveniente de um qualquer subsiodiozinho, se calhar, até murcha. 

É o socialismo, estúpido!

Kruzes Kanhoto, 21.06.22

Ao que garante o primeiro-ministro, o salário médio em Portugal terá crescido mais de vinte por cento nos últimos seis anos. Isto, toda a gente sabe, os números quando torturados dizem o que nos quisermos que eles digam. Quando esses desgraçados – os números – caem na mão de um político, então, a coisa só tende a piorar. E se esse político for o António Costa está, como diria a minha avó, a barraca armada.

Lamento, mas obviamente o salário médio, ao contrário do que foi propalado, não cresceu naquela percentagem. Até um socialista consegue percecionar isso. A média dos salários, aferida pelas contribuições para a segurança social é que terá aumentado percentualmente naquele valor graças aos sucessivos e desproporcionados aumentos do salário mínimo. Comparar uma coisa com a outra equivale a comparar a beira da estrada com a estrada da beira.

Por esta ordem de ideias estaremos todos dentro de pouco tempo a auferir o vencimento mínimo. Depois, se continuar a haver aumentos, o salário médio aumentará todos os anos. Apesar de continuarmos a ganhar o mínimo. Confuso? Não, é o socialismo.

Pergunta irrelevante do dia

Kruzes Kanhoto, 18.06.22

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Desde as televisões às redes sociais multiplicam-se os especialistas na especialidade a comparar os salários mínimos de cada país da União Europeia com os preços dos bens nos respetivos países. Agora são os combustíveis, antes foi outra coisa qualquer e no futuro será o que calhar. O objetivo é, invariavelmente, demonstrar que ganhamos menos e pagamos mais. Provavelmente terão razão. 

Cada vez que vejo estas contas ocorre-me sempre um episódio relacionado com o pagamento do seguro do meu primeiro carro. Um Fiat 128 que valia menos do que a seguradora me cobrava por cada anuidade. Perante a minha irritação pela exorbitância que me era exigida, o gajo da companhia de seguros respondeu com uma inusitada insolência, dizendo: “Não é o seguro que é caro. O senhor é que não tem dinheiro para andar de carro”. Hoje, trinta e cinco anos depois, reconheço a razão do insolente funcionário. É o que pergunto quando vejo estas comparações. Com os combustíveis a este preço quem, ganhando o SMN em Portugal, pensa, sequer, em andar de carro?!

A bicha independente

Kruzes Kanhoto, 17.06.22

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Gosto de gatos. Mais do que de cães, até. Não são de “salamaleques”, não obedecem a ordens, fazem o que muito bem lhes apetece sem passar cavaco a ninguém e não andam por aí a tentar agradar aos donos. Características que, nomeadamente esta última, admiro sobremaneira.

A esta gata não chega possuir todas estas qualidades. Abusa delas. Trato da bichana vai para dois anos – o que me confere o estatuto de dono, acho eu – mas, ainda assim, além de não se esforçar minimamente para me agradar nem me ligar peva nenhuma, bufa cada vez que vê alguém a uma distância que, suponho, constitua a sua margem minima de segurança.

O pior é que a desgraçada, apesar do mais que evidente sentido de independência, é manifestamente incapaz de se auto-sustentar. Que é como quem diz, se não lhe dou comida não come. O que, para um gato que vive no campo sem ter os donos por perto, não parece muito promissor. O raio da bicha nem um pardal ou um gafanhoto é capaz de caçar. Um bom exemplo de como ser independente é muito bonito, mas convém ter “unhas” para isso...

Posta restante

Kruzes Kanhoto, 12.06.22

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Ciclicamente aparece um ou outro totó a reclamar a renacionalização dos CTT. Importa colocar de novo os correios ao serviço do povo, asseguram. São também os mesmos que, dado estar na moda, todos os dias proclamam a imperiosa necessidade de salvaguardar o ambiente das constantes agressões provocadas pelo capitalismo que, sublinham, não é verde.

Distribuir correspondência, seja essa prática exercida pelo Estado ou por privados, também não é algo que prime especialmente pela verdura. Antes pelo contrário. Devem ser mais que muitas as toneladas de CO2 emitidas diariamente em consequência da entrega domiciliária de facturas, vales de reforma ou publicidade. Que isto, como diz o outro, já ninguém escreve cartas de amor.

Se calhar seria por aqui que podia começar a tal transição digital. Até porque, quase garantidamente, para a maioria da malta que ainda usa as estações dos correios é muito mais fácil criar uma conta de e-mail do que instalar uma caixa de correio.

Costa, o engraçadinho

Kruzes Kanhoto, 09.06.22

Começo a achar piada ao Costa. O cavalheiro, a quem ao principio não achava graça nenhuma, está a ficar com um finíssimo sentido de ironia que começo a apreciar. A última graçola foi aquela do aumento de vinte por cento para os salários médios. O que eu me ri. O homem está a ficar com umas piadolas muito giras. É que ele nem disse que daria o exemplo aumentando os funcionários públicos. Nah...pelo contrário, até mandou a rapaziada do partido dele na Assembleia da República votar contra uma proposta de aumento de quatro por cento! Um pandego, este Costa.

Mas a ideia é uma boa ideia. O primeiro ministro deve ter feito umas contas por alto e idealizado a coisa mais ou menos assim.À conta da inflação a receita do iva vai aumentar uns dez por cento e se os salários subirem vinte as receitas do irs e da TSU crescem outro tanto...desta vez é que os cofres ficam mesmo cheios, como dizia a outra, para poder esturrar dinheiro à vontadinha!”. Que é das poucas coisas que os socialistas sabem fazer bem feito. Isto agora já sou eu a dizer, claro.

Obviamente nada nisso irá acontecer. Nem, em bom rigor, é necessário que aconteça. Basta que o piadista do Costa reduza o IRS para um nível em que aquilo que o Estado nos surripia todos os meses não pareça uma anedota.

Presidente de "bancada"

Kruzes Kanhoto, 08.06.22

Exercer o poder - seja qual for o âmbito da actividade - durante muitos anos nunca é boa ideia. Para ninguém. Nomeadamente para quem insiste em permanecer num cargo para além de um período de tempo bastante superior ao razoável. Quem insiste nesse disparate tem tendência a confundir a instituição com ele próprio, a sua vontade com as regras que determinam o funcionamento da mesma e as criticas ao seu exercício como ofensas pessoais.

Independentemente dos erros que lhes possam ser apontados - quem tem de decidir cometerá, inevitavelmente, muitos pois é impossível decidir sempre bem - são, quase sempre, pessoas com obra feita. A maioria, até, merecedoras de sair da instituição pela porta grande. Mas não. Não conseguem. Insistem em permanecer no “poleiro” ainda que o seu prazo de validade tenha expirado há muito. Depois, quando corridos - o que acontece com frequência a esta gente - é a instituição que não consegue sair deles. Mesmo de fora insistem em dar bitaites, em dificultar a vida a quem lhes sucede e, em suma, a interferir de forma negativa na instituição que juraram servir.

Luís Filipe Vieira não será o último a percorrer este caminho. Outros já o fizeram antes e outros o farão depois. Que o mediatismo das acções desta criatura sirva, ao menos, de exemplo aos endeusadores dos “Luíses” desta vida.