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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O bichano Marcelo

Kruzes Kanhoto, 23.01.21

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Tenho um profundo desprezo por quem abandona os animais que outrora estimou. Noutros tempos acolhi uns quantos. Hoje não tenho condições nem disponibilidade para tal. Mas, caso quisesse continuar a acolhe-lhos, “matéria-prima” não faltava. Aqui pelo bairro, talvez por estar numa ponta da cidade e junto a uma estrada nacional de muito movimento, é frequente aparecerem cães e gatos que foram deixados à sua sorte depois do azar que tiveram em ter um dono capaz de os abandonar.

Este gato – ou gata, que eu não quero estar para aqui com preconceitos baseados em estereótipos – apareceu ontem aqui no quintal. Espaço pelo qual, diga-se, os bichanos parecem ter um fascínio especial. Tanto que foi precisa muita persuasão para o convencer a evacuar a área. Mas continua por aí. A rondar. Se continuar pelas redondezas será Marcelo, a sua graça. Mesmo que seja gata, que isso dos nomes masculinos e femininos em função do género – seja lá isso o que for - é mais uma daquelas cenas que é preciso desconstruir...

Os "grupos de pessoas" estão isentos de confinar?

Kruzes Kanhoto, 22.01.21

Um dia destes as televisões encheram-se de gente indignada porque uns quantos cidadãos resolveram ir passear para a beira-mar. Alguns, as Tv’s fizeram questão de mostrar, nem usavam máscara. Parece que passear, seja onde for, é coisa que não se pode fazer por estes tempos. Os mais variados especialistas, das mais variadas especialidades, tratam de nos recordar que temos é de ficar em casa e não andar por aí a fintar a lei. Por mim não posso estar mais de acordo. Se é a lei, então que se cumpra.

Ontem, em Setúbal, “um grupo de pessoas” resolveu sair à rua – muitas sem máscara ou com a dita pendurada do queixo - para chamar nomes e atirar coisas na direção de um candidato à presidência da República. Não me interessa se acertaram ou não no alvo. Não quero saber se o gajo anda mesmo a pedi-las ou não. Nada disso me importa. O que me rala é o silêncio dos mais variados especialistas das mais variadas especialidades. Cem pessoas na rua – sem motivo legal para isso – com a máscara mal colocada, aos berros e nem uma indignaçãozinha em relação ao “grupo de pessoas” que violou o dever de confinamento. Depois queixam-se que o pessoal não leva isto a sério...

Se eu não estudo, tu não estudas...se eu não como, tu não comes...se eu não f***, tu não f****...

Kruzes Kanhoto, 22.01.21

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O governo fechou as escolas e, num rasgo de rara sagacidade, proibiu o ensino à distância. O objectivo, garante, é prevenir situações de desigualdade entre os alunos. Assim, para evitar que uns continuem a aprender e outros não, proíbem-se as aulas on-line. Um estranho conceito, este, em que se nivela tudo por baixo. Do tipo, se eu não aprendo tu também não. Todos iguais na burrice, portanto. O que não admira. É nesse ambiente que o socialismo sobrevive.

Contudo, ao que leio, são poucas as vozes discordantes em relação a mais esta ideia brilhante de quem nos governa. Desconfio, até, que ainda hão-de surgir opiniões a contestar a medida por ser notoriamente pouco ambiciosa. Para promover uma verdadeira igualdade, o governo devia era ter decretado a proibição, durante o interregno lectivo, de os alunos estudarem em casa. Não vá algum ter essa ideia. Sim, que isto há gente para tudo.

Dobrar a mola.

Kruzes Kanhoto, 21.01.21

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Cada coisa no seu lugar. Mas o lugar desta coisa não é ali. Até porque quando se compra um colchão novo o vendedor fica com o velho. Ou se a reforma de um não implicar a compra de outro, existem alternativas para nos desfazermos do “mono” sem necessidade de “enfeitar” o contentor. Usá-las é que dá muito trabalho. Daí que pareça fácil concluir que este seria o colchão de um perguiçoso. Não quis dobrar a mola.

Informaçãozinha da boa...

Kruzes Kanhoto, 20.01.21

O jornalismo televisivo iniciou ontem uma nova era. No telejornal da TVI, imediatamente após um candidato ter mandado para o ar umas quantas patacoadas – coisa em que todos são pródigos, diga-se – o pivot de serviço apressou-se a esclarecer que o dito candidato não teria apresentado evidências que provassem o que acabava de afirmar. Nunca, que me lembre, tal procedimento terá sido seguido em relação a nenhum outro político. Não acho mal, obviamente, terem-no feito ontem. Errado é não terem até agora adoptado este critério.

Aguardo com alguma expectativa os próximos noticiários. Se, daqui em diante, o procedimento jornalístico for o que usaram ontem o jornalismo nacional está de parabéns. Se não o fizerem e aquilo não passar de uma estratégia no sentido de influenciar o eleitorado, então muito mal vai o jornalismo, a democracia e o país.

E, já agora, o facto do visado ter sido o Ventura é-me absolutamente indiferente. Até podiam ter feito o mesmo em relação a Ana Gomes – a criatura mais detestável que me entra pelo ecrã dentro – que não alterava uma linha.

E aquilo do estereótipo, ou lá o que é?

Kruzes Kanhoto, 18.01.21

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Tirando o programa do Ricardo Araújo Pereira, na SIC, não tenho prestado grande atenção à campanha eleitoral. Não devo ter perdido grande coisa. Até porque - um defeito que já não tenho idade para corrigir – o que mais me interessa são os chamados fait-divers. Mas até nisto, a julgar pelas redes sociais que estão sempre atentas a estas cenas, os candidatos não têm ajudado à diversão.

Ainda assim sempre se vai arranjando um ou outro motivo para escarnecer dos pretendentes a ocupar o Palácio de Belém. Ana Gomes foi visitar uma comunidade cigana –  “grupo de pessoas”, segundo os coninhas do politicamente correcto - e ter-se-á saído com a expressão inserida na foto acima. É daquelas situações em que nem é preciso nenhum esforço para zombar da candidata. A piada faz-se sozinha.

A culpa é do Passos!

Kruzes Kanhoto, 17.01.21

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Não vai longe o tempo em que os telejornais nos instruíam acerca de quem tinha a culpa do imenso rol de mortos e infectados pela covid no Brasil e nos Estados Unidos. A culpa, garantiam-nos, era do Bolsonaro e do Trump. Havia até, afirmavam jornalistas entusiasmados com a ideia, organizações dispostas a levar aqueles governantes a tribunal por crime contra a humanidade. Provavelmente teriam, quem sou eu para duvidar da sapiência desse pessoal, toda a razão naquilo que nos transmitiam.

Agora, por cá, estamos assim. Pior do que aqueles países. Só que, desta vez, o critério de avaliação deve ter mudado. Não há jornaleiro ou comentadeiro a dizer que a culpa é do Costa, do Marcelo, nem de nenhum outro ilustre governante. Muito menos se alvitra que isto é coisa para configurar qualquer espécie de crime. A culpa é dos portugueses. Esses irresponsáveis. Ou se calhar, espiolhando melhor, do Passos.

Solidariedade com o camarada Jerónimo.

Kruzes Kanhoto, 16.01.21

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Se há coisa que não aprecio mesmo nada são as reacções corporativas. Ou, como diria a minha avó, aquilo de tomar as “dores os outros”. Quem acha, dentro de um grupo social, que atacar um significa atacar todos é, no mínimo, parvo.

Isto a propósito daquelas declarações patéticas e mal-educadas do Ventura, em relação aos outros candidatos. O mulherio socialista indignou-se por causa da referência às beiças vermelhas da candidata da extrema-esquerda. Desde então fulanas com as beiçolas borradas de vermelho é o que não falta por essa Internet fora.

Não me incomoda, obviamente, que o façam. Cada qual faz as figuras tristes que muito bem entende. Igualmente não me surpreende a reacção em defesa da esquerdista radical. Hoje em dia já não se sabe ao certo onde termina o PS e começa o Bloco. O partido de Mário Soares e de outros a quem devemos a possibilidade de viver em democracia já não existe. Lamento é que nenhuma se tenha solidarizado com Jerónimo de Sousa, igualmente ridicularizado pelo outro parvo. Mas também não me espanta. Afinal os socialistas sempre desprezaram o PCP.  

É por isso que, cá pelo Kruzes, estamos solidários com o camarada Jerónimo. A pinga de hoje, ao almoço, vai ser à sua saúde.

Racismo ronhoso

Kruzes Kanhoto, 14.01.21

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Acho imensa piada aquelas pessoinhas, nomeadamente a muitos que pululam pela comunicação social e pelas artes, que tendo um tom de pele bastante mais claro do que o meu após uma manhã de praia garantem com toda a convicção que são negros. Terão, provavelmente, ascendentes de várias origens e, por consequência, haverá ali uma saudável miscelânia. Que, acho eu, nada obriga a optar seja porque “raça” for.

Nesta ovelha também há uma evidente mistura. Neste caso estamos perante uma ovelha negra ou branca? Negra na opinião dos que seguem os ditâmes da moda, certamente. Mas isso, presumo, será coisa que em nada inquietará o bicho... 

Linhas tortas

Kruzes Kanhoto, 12.01.21

Um destes dias um articulista do “Diário de Noticias”, um jornal centenário e considerado uma referencia do jornalismo, publicou um artigo onde aconselhava o ainda presidente dos Estados Unidos a suicidar-se. Publicação que, presumo face à ausência de reacção por parte dos indignados do costume, se enquadra no âmbito do direito de opinião, da liberdade de expressão e que não configura aquilo que agora se chama discurso de ódio.

Seria bom – digo eu, não sei – que alguém, nomeadamente os que andam sempre preocupados com estas coisas, se pronunciasse sobre o assunto. Afinal se temos comissões, comités, observatórios, institutos e não sei mais o quê destinados a prevenir e combater a difusão do ódio, parece-me uma boa altura para se pronunciarem. Não quero, longe de mim tal ideia, que multem o homem. Gostava era que alguém esclarecesse se aconselhar o suicídio a outro, independentemente do visado ler ou seguir o conselho, constitui ou não discurso de ódio. Quiçá, até, fosse elaborada uma lista das pessoas a quem podemos publicamente desejar o falecimento ou sugerir que, eles próprios, tratem de falecer. Não é por nada que eu não sou dessas coisas mas, como dizia a minha avó, sempre gostei de saber as linhas com que me coso...