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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ide, ide para Cuba ou para outro dos vossos paraísos...

por Kruzes Kanhoto, em 05.04.20

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É sempre com renovada satisfação que acedo a sites ou páginas pessoais de propaganda comunista. Gosto se estar informado acerca das maravilhas daqueles regimes fantásticos, dos quais assim que podem os povos se vão libertando. Dá-me para isto.

Foi por essas fontes de informação que fiquei a saber que Cuba, China e Rússia estão na linha da frente do combate ao Covid-19. Ele são médicos, material de todo o tipo e sei lá mais o quê que – solidária e desinteressadamente – esses países oferecem àqueles que, subjugados por regimes capitalistas impiedosos, não conseguem tratar dos respetivos povos. Nem dos igualmente respetivos trabalhadores, como lembraria o camarada Jerónimo. Falta apenas neste rol de nações solidárias, a Coreia do Norte. Mas deve ser erro meu, que não pesquisei de forma eficaz, porque de certeza também se estará a solidarizar com o ocidente vergado ao capitalismo demoníaco.

Nem vou lembrar aquele pagode – eles continuam em estado de negação, coitados – que a Rússia tem tanto de comunista como tinha o Chile no tempo do Pinochet. E não, a comparação não foi uma coisa que me surgiu do nada. Tão pouco os vou recordar que na China coabitam o que há de pior no actual panorama. A par seguem um regime político comunista e autoritário – passe o pleonasmo – e um capitalismo absolutamente selvagem.

Já Cuba é um caso diferente. Aquilo é mesmo do melhor. Que o diga a comunista chilena de quarentena na ilha maravilha e que pede desesperadamente ao governo chileno que a leve de volta ao seu país. Ou os milhares de americanos que, em toda a espécie de embarcações, tentam todos os dias fazer a travessia da Flórida para a ilha comunista para escapar à miséria em que vivem no EUA e buscar o sol na terra na ilha do clã Castro. Até eu, se não fosse tão longe, era gajo para ir para lá. E para levar uns camaradas, também. Se eles estivessem dispostos a abdicar das suas vidinhas burguesas neste inferno capitalista, claro.

 

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Decidam-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 04.04.20

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Esta cena das máscaras e do seu uso ser ou não adequado no controlo e transmissão do vírus chinês, está a deixar-me confuso. Tão depressa as entidades oficiais garantem que aquilo não serve de grande coisa como, afinal, já dá uma ajuda. Parece-me que, se calhar, vão mudando de ideias consoante varia o stock. Mas, pelo sim pelo não, o melhor é decidirem-se de uma vez.

Questiono-me – de forma absolutamente parva, admito - se a máscara protege tanto como alguns defendem, por que será que os chineses, que fazem do seu uso um hábito, tiveram de optar pela quarentena e isolamento social? Não deviam, por usar esse apetrecho, estar muito mais protegidos do tal Corona? Estará, de certeza, a escapar-me algo de muito óbvio. O que, naturalmente, não admira dada a minha ignorância quanto a estes assuntos.

Vá lá que a quarentena, recolhimento, confinamento ou o que seja está a ser relativamente respeitada. Esperava muito pior. O que constato, nas esporádicas e inevitáveis saídas, é a mudança da paisagem urbana. Tirando um ou outro transeunte a passear um cão – real ou imaginário - a cidade está quase deserta, sem os habituais bandos de velhos, sem turistas e onde até o lixo está diferente. Espalhadas pelas ruas já não se veem raspadinhas. Foram substituídas pelas luvas. Muitas e por todo o lado.

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E o sol brilhará para todos nós...

por Kruzes Kanhoto, em 31.03.20

O país está parado. Ou quase. Não sei se bem, mal ou assim-assim. Nem, sequer, se havia outra alternativa menos dolorosa para o presente ou para o futuro. Por mim, que até nem sou especial adepto das teorias da conspiração, começo a desconfiar das moscas. E da merda também, já agora.

Não envolvo na minha desconfiança as teorias rocambolescas acerca da origem do vírus. Nem, tão-pouco, as intenções mais ou menos maquiavélicas que estarão por trás dele. Isso fica para os especialistas da especialidade que pululam pelos Facebooks e afins. Fico-me pela política caseira. Quando leio e ouço gente com responsabilidade governativa defender nacionalizações e, sobretudo, vejo o governo a que pertencem discriminar vitimas da crise em função da sua suposta “classe social”, dá-me assim a modos para desconfiar acerca do que esta gente anda a magicar. Que isto - é dos livros – estes momentos são propícios a certas cenas. Maradas, quase todas, como a história nos tem demonstrado.

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Fiador escaldado de caloteiro arrependido tem medo...

por Kruzes Kanhoto, em 29.03.20

As declarações de António Costa relativamente ao ministro das finanças holandês geraram um consenso pouco habitual entre os portugueses. É natural que assim seja. Qualquer líder de meia-tigela sabe que, para unir as “tropas”, nada melhor do que arranjar um inimigo externo. Mesmo que imaginário. Exemplos desses há por aí aos pontapés.

Mas sim, o homem tem razão relativamente à parte do repugnante. Não lembra a ninguém perguntar a quem está a morrer, onde é que andou a gastar o dinheiro de que agora precisa para se curar. Mesmo que, reconhecidamente, o moribundo tivesse sido um gastador inveterado.

Tem também razão quanto à mutualização da divida a que holandeses, alemães e outros se opõem. Hoje, mesmo sem percebermos muito bem porquê e não estarmos a ver as consequências futuras disso, quase todos achamos uma boa ideia. Convinha, digo eu, era tentar compreender quem está contra. Façamos um pequeno exercício. Todos temos um ou mais amigos com, digamos, hábitos de consumo extravagantes e, consequência disso, manifesta dificuldade em pagar as contas. Estaríamos nós dispostos a contrair um empréstimo conjuntamente com eles? Pois...os holandeses também não.

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#vamostodosficarmenosjavardos

por Kruzes Kanhoto, em 28.03.20

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Quem não tem cão caça com gato e, por estes dias, quem tem medo do vírus e as açambarcou em bom tempo, usa luvas. Quem tem medo, mas já não foi a tempo de açambarcar, desenrasca-se como pode. Não precisam é de ser javardos. Muito menos de deixá-las à porta dos outros. Da minha, no caso.

Podem ter o cuidado que quiserem. É uma cena muito valorizável que só lhes fica bem. Mas assim, com esta atitude, podem estar a contribuir para propagar a doença. Nomeadamente a um canito ou bichano mais curioso. Depois venham para cá com correntes e rezas...

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Os papagaios voltaram...

por Kruzes Kanhoto, em 27.03.20

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Os especialistas da especialidade já andam por aí - por aqui e por todo o lado – a prever uma crise de proporções épicas. Nalguns casos os mesmos, curiosamente, que foram incapazes de desconfiar da aproximação da crise passada são agora de uma enorme perspicácia na visualização da crise futura. De proporções apocalípticas, reforço eu, se bem interpreto as suas sábias palavras.

Até pode ser que tenham razão. Mas, pelo sim pelo não, apetece-me desde já e para principio de conversa, mandá-los à merda. É que algumas dessas alimárias não se coíbem de - ainda sem saber se há crise nem, muito menos, saber a sua dimensão - mandar bitaites quanto à maneira da resolver. E, surpresa, a solução que preconizam é cortar vencimentos e despedir funcionários públicos. Isto, acrescentam, para que o Estado possa apoiar as empresas, injectar dinheiro na economia e essas cenas.

Será, certamente, o que mandam os livros por onde aprenderam. Embora, assim de repente, me pareça que essa solução iria tirar dinheiro à economia e acabaria por estourar definitivamente com o que resta dos serviços públicos. Não sei porquê mas desconfio que, outra vez, à boleia da crise e dos apoios governamentais que todos os dias – e bem - são anunciados, muito oportunista irá encher as algibeiras. A começar, se calhar, pelos papagaios, de todos os quadrantes, que não se cansam de arranjar ideias para a governação do país. Mesmo que, muitos deles, nem as próprias vidas saibam governar.

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Kruzes em Kasa...*

por Kruzes Kanhoto, em 23.03.20

Por cá foi dia de teletrabalho. O primeiro. O que não deixa de ser irónico. Começar a teletrabalhar quando devia estar reformado…

Cuidado com as cantorias às varandas. Parece, segundo defendem alguns especialistas da especialidade, que constitui uma infracção qualquer. Viola os direitos de autor, ou lá o que é. Com a dramática perda de rendimento dos cantantes, pouco me espantará se essa idiotice fizer escola…

O Papa Xico pronunciou-se hoje acerca de despedimentos, empresas, desemprego, miséria e não sei mais o quê. Fez bem, o homem. Só faltou apresentar soluções. Ou, pelo menos, anunciar uma ajudazinha qualquer além da divina...

* Não é erro ortográfico. Já estou é como a outra, "cada um escreve como quer"!!!

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"Fujem", "fujem"!!!

por Kruzes Kanhoto, em 22.03.20

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Parece que nos últimos dias terão sido mais que muitos os que se fixaram no Alentejo para escapar ao vírus chinês. Os “montes” dos ricaços – ou falidos, que nisto como noutras coisas a doutrina diverge – desertos durante quase todo o ano estarão agora habitados e, segundo alguns relatos, nos supermercados da região o sotaque alentejano já não é predominante.

Uma atitude sensata, admito. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Não vou, portanto, alinhar naquela treta – muito partilhada nas redes sociais – que os desaconselha vivamente a viajar para cá e, ainda que não declaradamente, lhes sugere que zarpem mas é daqui para fora. Nada disso. Por mim são muito bem-vindos.

Tenho, no entanto, uma má noticia. Ainda que o tal Covid-19 tenha por aqui uma taxa de incidência menor que noutras zonas, se olharmos para as estatísticas o Alentejo é a região do país onde se verificam mais óbitos. Por cada cem mil habitantes, no mês de Janeiro, quinaram 146,73. Verdade que isso dos rácios vale o que vale...mas nunca fiando.

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O velho, o cigano e o papel

por Kruzes Kanhoto, em 21.03.20

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Esta foto foi obtida ontem numa superfície comercial cá da terra. Como se constata, papel higiénico é coisa que não falta. Podemos fazer merda à vontadinha que não será por falta desse artigo de primeira necessidade que ficamos com o rabo cagado.

Por falar em merda, vontadinha e necessidades. Ontem, cá no burgo, a generalidade da população soube manter-se no recato das respectivas residências. Excepto, obviamente, os que tivemos de trabalhar. As ruas da cidade estavam desertas. Ou quase. Ciganos e velhos continuavam a andar por aí como se nada fosse. Os primeiros parece que acreditam estar imunes ao vírus. Um deles, um destes dias, garantia que não os afectava e justificava-se por em Espanha, entre os inúmeros mortos, não se contar nenhum cigano. Quanto aos segundos desconfiam que algo invisível lhes possa fazer dano. Vá lá alguém convence-los que se aquilo os apanha o mais certo é terem guia de marcha. Se, uns e outros, continuarem a cirandar por aí vamos todos ver esclarecidas essas certezas...

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Pancadaria ou babyboom?

por Kruzes Kanhoto, em 19.03.20

Andava eu para aqui a dizer a quem me queria ouvir – poucos, na verdade, se dão a esse trabalho – que estas cenas da quarentena, da obrigação de ficar em casa ou, até, do teletrabalho iam dar origem a um babyboom quando, afinal, o que os especialistas da especialidade temem é um aumento da violência doméstica. Eles lá sabem. Mas, se assim fôr, então os tugas são mesmo burros. Sem ofensa para os asnos. Desperdiçar o tempo a brigar, quando o podiam aproveitar para actividades muito mais interessantes, é mesmo coisa de parvo. Lá para Janeiro ficaremos a saber...

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E se fizessem quarentena das redes sociais?

por Kruzes Kanhoto, em 15.03.20

Não me vou pôr para aqui com piadolas mais ou menos fáceis acerca do tal Covid-19. Era o que faltava. O caso não está para graças. Tanto não está que já nem consigo achar graça aqueles loucos que continuam a insistir que a origem do dito vírus é culpa dos comunistas, dos americanos ou de uma tia afastada do Trump. Noutros tempos os fenómenos, nomeadamente para os que não se conhecia uma explicação lógica, eram culpa dos deuses que, por esse meio, enviavam uma espécie de aviso, punição ou outra cena que na altura desse jeito. Hoje, para alguns imbecis das redes sociais, a explicação desta pandemia é mais ou menos a mesma. Com as devidas adaptações. Tratem-se, pá!

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Autarquias amigas do contribuinte...ou não!

por Kruzes Kanhoto, em 14.03.20

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As autarquias são, na sua maioria, especialistas em expurgar-nos das contas bancárias os fundos que podíamos usar para melhorar a nossa qualidade de vida. Vendem-nos água a saber a detergente pelo preço de uísque escocês, cobram o IMI a pardieiros como se de palacetes se tratasse e abotoam-se com o IRS de quem ganha ordenados miseráveis com o fantástico argumento de que se pagam é porque são ricos. Um fartote.

Mas depois há aquelas onde o esbulho assume contornos parecidos com a vigarice. Em alguns concelhos parece que o IMI é tanto maior quando menor for o estado de conservação dos imóveis. Baseiam-se naquela teoria mirabolante que um imposto mais elevado obrigará os proprietários, esses patifes, a conservar o seu prédio. Mesmo sem entenderem que se o dinheiro vai para a Câmara já não chega para o gajo das tintas.

O inverso, lamentavelmente, não acontece. A possibilidade do munícipe pagar menos IMI quando a autarquia não conserva aquilo a que está obrigada, é coisa que aos divinos autarcas não ocorreu. Vá lá saber-se porquê. Ou, então, se calhar até sabemos.

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Metam os estereótipos num sitio que eu cá sei...

por Kruzes Kanhoto, em 06.03.20

Nunca achei piada a anedotas de alentejanos e desde sempre fiz questão de o demonstrar. Falta de sentindo de humor, dizem. Ou de inteligência, garantem outros, porque segundo afiançam o homem inteligente é aquele que é capaz de rir de si próprio. Ou, parece-me licito concluir, das piadolas que lhe dirigem. Admito ser portador de todos esses defeitos. E mais uns quantos, até. Mas não me revejo nos estereótipos atribuídos em função da zona do país onde me orgulho de ter nascido.

Curioso é agora ver os que levavam a vida a postar nos seus espaços na Internet – blogues, Facebook e afins – graçolas sobre alentejanos e que em alguns casos se “ouriçaram” com as minhas reacções negativas às suas publicações, todos indignados com os dichotes que se vão lendo e ouvindo acerca de pretos, ciganos, brasileiros, paneleiros ou seja o que for. Até – vejam lá – já nem acham que quem não se ri das piadas de que é alvo é pouco inteligente. O burro de hoje, garantem, é o tipo que conta a anedota. Sempre tive a certeza disso, suas bestas.

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Secou-se-lhes a saliva...

por Kruzes Kanhoto, em 05.03.20

Admito que, dadas as circunstâncias – nomeadamente as das ultimas semanas, tenho andado menos atento ao fenómeno desportivo. Deve ser por isso, ou por outra coisa qualquer que se me esteja a escapar, que me parece não existir por aí um grande entusiasmo com a operação “fora de jogo”. Aquela que anda a investigar uns quantos clubes e agentes ligados ao futebol. Pelo menos o nível de burburinho não tem comparação com aquele que ocorria quando, noutras ocasiões, as buscas se centravam unicamente ali na zona do Colombo.

Ocorreu-me, a este propósito, visitar meia-dúzia de perfis no Facebook e no Twitter de gente que com uma frequência doentia postava opiniões, frases feitas e idiotices diversas acerca de negócios manhosos do Benfica, enquanto simultaneamente se desfazia em elogios e se babava com as denuncias do pirata informático engaiolado. Devem ter levado sumiço, a maioria. Outros baixaram o tom para o nível pianinho. Vá lá saber-se porquê. Embora eu calcule que seja por causa da teoria que defenderam durante muito tempo segundo a qual o melhor ainda estava para vir. Vão ver está mesmo…

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Tempos modernos

por Kruzes Kanhoto, em 01.03.20

Cavalos e cães com aumento superior a policias”. Não sei onde está o escândalo, o espanto nem, sequer, o motivo para a indignação que a noticia pretende suscitar. É perfeitamente normal que assim seja.

Já no meu tempo de tropa, há mais ou menos uns duzentos anos, me diziam que “maçarico” - o recruta, para quem não sabe – estava cem pontos abaixo de policia. Que, por sua vez, estava outros cem abaixo de cão e este, garantiam, estaria mais uns cem abaixo de gente. Do cavalo não reza a história. Não tenho, por isso, termo de comparação. Mas, se calhar, estará ao nível das outras bestas que mandam nisto tudo.

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Preciso, logo deve ser grátis

por Kruzes Kanhoto, em 29.02.20

Tampões e pensos higiénicos grátis. Será esta temática – não me devo enganar muito – o novo tema fraturante que os grupelhos que ditam a agenda mediática tratarão de levar à cena mal acabe esta coisa do vírus chinês. Por mim não é que ache mal. Nem bem. Antes pelo contrário. Ou, como costumo dizer nestas circunstâncias, estou inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária. É que esse argumento do “ah e tal nasci mulher não tenho culpa de precisar destes artigos” tem muito que se lhe diga. Também, por exemplo, ninguém escolhe estar doente – embora, reconheça-se, alguns se esforcem muito pouco por o evitar – e o tratamento, seja de que maleita for, não é à borla para toda a gente.

Depois este conceito do “gratuito” - pago pelo Estado, entenda-se – é algo que me deixa cheio de urticária. Como é que esta gente não entende que nada é gratuito?! Alguém o produz, alguém o paga. Parece fácil de entender. E se distribuir pensos e tampões às mulheres que deles necessitem até pode constituir uma causa simpática, desconfio que a maioria delas era capaz de ficar mais contente se lhes baixassem o IRS.

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Os insondáveis designios da agenda mediática

por Kruzes Kanhoto, em 25.02.20

Vi três policias em cima de uma menina no chão e corri para a abraçar”. Que comovente. Uma lágrima marota insiste em cair-me pelo canto do olho. Quanta bondade vai naquele coraçãozinho. E, já agora, no coração dos jornalistas que se dão ao trabalho de tentar dar credibilidade a gente desta. Ficam sempre assim quando lhes cheira a violência policial. Nem sei como não conseguem perceber o quanto estão a ser ridículos. Só faltou, perante o cenário de três chuis em cima de uma gaja deitada no chão, garantir que se tratava de um caso de violação em grupo por parte da policia.

Já o acidente na segunda circular, onde morreram três indivíduos que se passeavam a trezentos quilómetros à hora numa bomba de oitenta mil euros, a discrição dos jornaleiros tem sido mais que muita. Nem uma entrevista com os vizinhos das vitimas, a garantir que todos eles se tratavam de uma joias de meninos, nem outros pormenores que, nestas circunstâncias, costumam dar para larguíssimos minutos de telejornal. Nada. Nadinha. Népia. Não será, reconheço, assunto que mereça grande relevância. Mas, atendendo às consequências que podia ter tido dado o local da ocorrência, não deixa de ser estranhíssimo o silêncio mediático. Nomeadamente se compararmos com o chavascal que fazem sempre que alguém ligeiramente mais moreno se acha no direito de resistir à policia. Deve ser tudo uma questão de “agenda”...

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Criminosos fofinhos

por Kruzes Kanhoto, em 24.02.20

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Presumo que estes piratas informáticos, que fizeram manchete num jornal diário um destes dias, também sejam tipos muito sérios e cujas capacidades a Policia Judiciária, o Ministério Público, o governo e todas as autoridades em geral deviam tratar de aproveitar. Afinal a actividade a que se dedicam é a mesma do amiguinho – ou lá o que é – da Ana Gomes. Ou do Herman José, ainda não percebi bem.

Terão desviado, segundo a noticia, umas massas das contas bancárias de uns quantos incautos cidadãos. Desconheço, obviamente, se os assaltados farão parte da imensa legião de gente estúpida que considera o tal Rui Pinto um herói. Se sim, é muito bem feito. Se não, sugiro que arrefinfem um valente par de murros nos cornos do primeiro que apanhem a defender o larápio. A essa gente só se perdem as que não lhes esfacelem as trombas.

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Remate kruzado

por Kruzes Kanhoto, em 21.02.20

Muito se tem discutido acerca da alegada impunidade que se vive no futebol. Nomeadamente dentro dos estádios onde, garantem alguns, se podem praticar as mais diversas selvajarias sem que daí resultem consequências para ninguém.

Diz-se – e escreve-se – que aquilo da bola é um mundo à parte. Hesito quanto a isso. O clube de futebol do Porto, por exemplo, foi hoje castigado com um jogo à porta fechada. Parece que um adepto da agremiação terá atingido um policia com uma cadeira durante um jogo. Nada indica que alguém com responsabilidade no clube da fruta tenha dado ordens ao energúmeno para atingir o agente da autoridade. Mas, ainda assim, é a instituição a arcar com as consequências do acto praticado pelo idiota do adepto.

Ora, ainda não foi assim há tanto tempo que no Continente de Estremoz, durante uma altercação, um cigano atingiu um policia com um objecto idêntico. Uma cadeira. Cena tele-visionada pelo país inteiro, recorde-se. No entanto o dito estabelecimento comercial, ao contrário do fcp, não foi punido com um dia sem clientes. Nem, ao que se saiba, com outra punição qualquer.

Não sei, portanto, quem goza de mais impunidade. Se os clubes de futebol ou as superfícies comerciais, os adeptos ou os clientes desordeiros. Já, presumo, a diferença entre cadeiras não deve ser grande e o lombo dos policias atingidos também não será muito diferente.

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E a multazinha? Ou está tudo a coçar os tomates?

por Kruzes Kanhoto, em 18.02.20

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Ainda sou do tempo em que na cidade os cães eram uma raridade. Excepto nas vivendas com logradouro, ninguém que morasse em meio urbano, tinha animais. Tirando, vá lá um gato ou um passarito. Viver com eles dentro de casa era uma javardice, toda a gente achava. Era e continua a ser. Aos amiguinhos da bicharada é que pouco importa. Mas que queiram viver com e como os bichos é lá com eles. Não têm é o direito de conspurcar o espaço público ou, pior, o espaço privado de cada qual. Impunemente, como se sabe e com a complacência das autoridades incompetentes. Que multas a esta gentinha não há quem passe.

Tenho visto por estes dias gente a partilhar daquelas frases feitas jurando “morrer a defender os animais”. Não desejo mal a ninguém. Mas, confesso, gostava que alguns tivessem a sorte de concretizar esse desejo. Nomeadamente aqueles que permitem aos seus animais que caguem à porta dos outros.

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