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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 19.04.21

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No quintal cá de casa todos os anos há um espaço para a sementeira de pisum sativum. Ervilhas, vá. Hoje foi dia da primeira colheita. A julgar pelo aspecto e pela quantidade de vagens, calculo que esta seja uma safra bastante profícua, tanto em quantidade como em qualidade. E depois ainda há as outras. As da outra agricultura da crise. A agricultura da crise 2.0. Mas dessa outras noticias surgirão lá mais para a frente. Ou até antes, quiçá.

Quem é amigo, quem é?

Kruzes Kanhoto, 16.04.21

 

Nunca como agora faz tanto sentido afirmar que os impostos levam uma parte de leão ao nosso ordenado. Mas, descansa-nos o governo – aquela instituição que só quer o nosso bem se for de esquerda ou apenas pensa em nos tramar quando é de direita – não vai aumentar ainda mais o saque fiscal que faz aos nossos rendimentos. O roubo perpetrado no tempo do ministro Gaspar – que, antes como o seu enorme aumento de impostos, condenava os portugueses à fome – é agora uma cena boa e para manter.

Nada disto, obviamente, constitui grande novidade. A máquina precisa de dinheiro para se alimentar. As “fotocópias” ou lá o que cada um chama “aquela coisa”, têm de ser pagas. Até porque – imagino eu – não será só o Sócrates a viver graças ao financiamento dos amigos. Coisa que, diga-se, não me faz grande espécie nem suscita preocupação por aí além. Chato, mas mesmo chato, é sermos nós a financiar os gajos que financiam os amigos...

Impasse

Kruzes Kanhoto, 14.04.21

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A definição de beco é, segundo a generalidade dos dicionários on-line de língua portuguesa, “rua escura, estreita e curta, e às vezes sem saída”. A última é a única condição que este arruamento preenche para ser enquadrado na categoria dos becos. Não obstante isso, foi essa a classificação atribuída. Coisa que, presumo, não terá suscitado grande apreço entre os moradores, como aparentemente mostra a ausência de tinta das letras. Menos mal que assim, graças ao coeficiente de localização, se calhar até pagam menos IMI. Bem que podiam, digo eu, ter-lhe chamado “Impasse da Fonte do Imperador”. Sempre era mais adequado. À rua e ao resto.

São muitos números...

Kruzes Kanhoto, 10.04.21

Desde ontem tenho visto muita gente indignada com a decisão judicial acerca do caso que envolve José Sócrates. Também, confesso, estou ligeiramente aborrecido. Obviamente não tive paciência para ouvir o juiz ler aquela treta toda. Fiquei-me, portanto, pelo resumo da coisa feito pela comunicação social. Ao que leio o homem terá atirado sobre tudo o que mexe e concluído que são todos burros menos ele. Isto, reitero, ao que leio por aí nos resumos e conclusões disponíveis na Internet.

Não me surpreende que assim seja. Aquilo envolve números – muitos e grandes – transações financeiras mais ou menos complexas e artimanhas a atirar para o esquisito. Esperar que alguém da área do direito, ou de outras ciências parecidas, perceba essas negociatas não difere muito de acreditar que com a geringonça tivemos o melhor governo desde que vivemos em democracia e, parvamente, não falta por aí quem esteja convencido disso.

Ouvi contar – não sei se verdade – que em determinado tribunal um cavalheiro terá sido condenado a pagar uma pensão de alimentos no valor de um quarto do salário. Inconformado com o montante, terá recorrido da sentença. A decisão do recurso, a ser a história verdadeira, ter-lhe-á sido favorável. O tribunal, sensível aos argumentos da criatura, terá entendido reduzir a pensão a pagar para um terço do ordenado...Desconheço, reitero, se a história tem ou não algum fundo de verdade. Do que tenho a certeza é que, salvo raríssimas excepções, quem sabe muito de “letras” tem muito pouca sensibilidade para números. No caso presente não se podia esperar algo muito diferente.

Ervanarium...

Kruzes Kanhoto, 04.04.21

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Cá pelo meu bairro qualquer recanto apresenta este aspecto. Um verde luxuriante, a natureza no seu estado mais puro, capaz de fazer roer de inveja todos os que têm o azar de residir em locais onde fazem aquelas cenas das intervenções de requalificação paisagística, ou lá o que é. Má sorte a deles, que não moram deste lado da cidade. Por mim, prefiro assim. Até porque já estou habituado.

Melros, chineses e Extraterrestres.

Kruzes Kanhoto, 03.04.21

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Isto das autárquicas promete. Coisa absolutamente normal, diga-se, que estas como as demais eleições são sempre pródigas em promessas. Embora, neste caso, com especiais particularidades. A começar nos candidatos e a acabar no que se promete. Quanto aos primeiros, é o PSD quem mais tem contribuído para a animação que as escolhas para os lugares a ocupar sempre proporcionam. Aquilo é quase cada tiro cada melro. Desde “Andrés Venturas” de saias e peito avantajado a devoradores de papéis e ex-presidiários, os nomes apontados a putativos candidatos têm-se revelado bastante apelativos. Digamos assim, vá.

Por cá, quanto à escolha dos nomes, o cenário é muito menos divertido. Pode ser que a coisa anime quando se começar a falar de promessas. Por mim, programa que não inclua a construção de um teleférico a ligar o Rossio ao Castelo ou um Centro de acolhimento a investidores oriundos de outros planetas é dececionante. Promessas de fábricas de preservativos ou de investidores chineses já tivemos que cheguem. Ao menos que arranjem pantominices novas. Para isso, convenhamos, capacidade não falta.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 02.04.21

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Este é um dos nabos da crise produzidos cá no quintal. Não é grande nabo, convenhamos. Há espécimes seus congéneres muito maiores. Mas, independentemente do tamanho, não sou especial apreciador. Mesmo que estes constituam, ao que garantem os especialistas da especialidade, uma fonte de benefícios para a saúde. Diz que, desde a tosse às hemorroidas, faz bem a tudo. A julgar pela merda resultante das conversas de certos e determinados nabos, talvez tenham razão. É que isto anda mesmo tudo ligado.

Uma risota, isto.

Kruzes Kanhoto, 28.03.21

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Olha-me este. Armado em populista, o senhor. Agora a dizer que há quem entre na política com uma “mão na frente e outra atrás” e saia de lá bem “abotoado”!!! Ná, isso não pode ser. Eu não conheço ninguém assim, não conheço ninguém que conheça alguém assim e, aposto, nenhum dos meus leitores será capaz de, sequer, admitir que conhece alguém nestas circunstâncias. Isso é uma impossibilidade prática. Quando muito, vá, alegadamente abotoado. Ou abotoada.

Sempre achei que, ao ir para a política, quem de repente começa a ganhar dois ou três mil euros líquidos por mês consegue fazer uma vidinha jeitosa. Nomeadamente por manter os hábitos de poupança herdados do tempo em que ganhava bastante menos. Daí as noticias de gente que, assim que se dedicou a servir a causa pública, desatou a comprar casas, viajar ou a trocar de carro não me suscitem motivos para desconfianças e sempre me pareceram manifestamente exageradas. Sim, eram pobretanas e agora, aparentemente, vivem de forma desafogada mas, acredito eu, aquilo dever-se-á a uma rigorosa gestão dos respectivos rendimentos. Assim do tipo comer açorda em casa e caviar quando é a “política” a pagar.

Há sempre quem desconfie que por “baixo da mesa” haverá uns trocos que mudam de conta ou malas cheias deles que mudam de dono. Dessas cenas, obviamente, nada sei. Mas, já dizia a minha avó, para quem não tem vergonha todo o mundo é seu. E o mundo dos contratos públicos, para aqueles que não têm vergonha, pode constituir um manancial de oportunidades para melhorar de vida. Se alguns aproveitam ou não, reitero, desconheço. Mas lá que alguns parecem muito pouco envergonhados isso, alegadamente, parece...

De pobres é que nós precisamos...

Kruzes Kanhoto, 27.03.21

A propósito daquela conversa demagógica, duma sueca qualquer, acerca dos impostos que os reformados suecos que escolheram o nosso país para viver não pagam, vai por aí uma discussão absolutamente idiota e reveladora da ignorância dos portugueses acerca destas matérias. E, já agora, não consigo deixar de notar um certo discurso de ódio. Se bem que, como todos sabemos, discurso de ódio é o que a esquerda disser que é discurso de ódio.

Vou deixar de lado todas as vantagens inerentes à vinda de estrangeiros ricos, endinheirados ou, simplesmente, com boa capacidade económica e de consumo. Sejam eles reformados, trabalhadores qualificados ou investidores. Elas são evidentes e só as não vê quem não quer ver. Que a ideia do governo, no sentido de limitar ao interior os incentivos à sua vinda, é de elogiar, também me parece que apenas um parvo não entende. Aliás, se as vantagens em termos cá esta gente não fossem mais que muitas não andavam tantos países atrás deles para os convencer a mudarem-se para os seus territórios.

A principal critica têm a ver com os benefícios fiscais que lhes são oferecidos. Os exemplos para justificar essa critica deixam-me boquiaberto. Então aquela do português e do reformado sueco lado a lado no hospital, a beneficiarem do mesmo SNS que um paga e outro não, constitui uma pérola que merece ser guardada para memória futura. Nomeadamente para quando alguém se lembrar de substituir “reformado sueco” por “indivíduo que não paga impostos, vive à conta dos subsídios do Estado, ostenta diversas peças em ouro e deixou a viatura topo de gama à porta do hospital”.

A verdade é o que um grupo de malucos quiser

Kruzes Kanhoto, 23.03.21

Anda por aí uma minoria ruidosa empenhada em reescrever a história. A recente e a antiga. A primeira já está praticamente reescrita. Hoje é um dado quase consensual que Cavaco Silva foi o pior político desde o 25 do A, que a bancarrota foi obra do Passos e que o Partido Comunista lutou bravamente pela implementação da democracia. Nem, diga-se, foi necessário um esforço por aí além dos novos historiadores para convencer o povo – ou a pova, sei lá – destas e doutras novas verdades. Deve ser coisa que tem a ver com a memória de curto prazo, ou lá o que chamam aquela cena da malta se esquecer rapidamente do que aconteceu no passado recente.

Esta reinvenção da história é, digamos, uma moda que corre por todo o chamado mundo civilizado. Em Espanha, por exemplo, os níveis de parvoíce estão em patamares superiores no que toca a esta ânsia de apagar todo e qualquer vestígio da história que não corresponda aos padrões de uma minoria qualquer. Numa localidade espanhola lembraram-se de substituir o nome de três almirantes que davam o nome a outras tantas ruas lá da parvónia sob o pretexto de terem sido uns franquistas, os malvados. Esqueceram-se – ou melhor, nunca souberam – que os tais almirantes morreram antes de Franco ter nascido...