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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os ignorantes de Abril

Kruzes Kanhoto, 16.04.24

Não sei se ouvi bem, mas pareceu-que o realizador de um filme, recentemente estreado, sobre o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 terá confessado, numa entrevista televisiva, que desconhecia terem naquela data falecido cinco pessoas vitimas dos tiros disparados pela PIDE sobre a multidão. Terá sido por isso que, quando soube, teve a ideia de realizar um filme sobre o assunto. Provavelmente muitos das gerações mais novas também não saberão. Nem isso nem outros dramas que se sucederam nos meses seguintes. Sabem pouco mais do que a visão romanceada que lhes é transmitida pela propaganda. Alguns até acreditam que o PCP lutou pela liberdade dos portugueses, pasme-se. É, contudo, esta gente que hoje me quer dar lições acerca do significado da “Revolução de Abril”. Talvez pelo entusiasmo deste pessoal quase me deixar comovido – a ingenuidade das pessoas tem o efeito de me comover – evito o mais que posso as dissertações sobre a época revolucionária daqueles que não a viveram. Lamento, mas se não estiveram lá não sabem nada. Há coisas que não se explicam, têm de ser vividas para as perceber. E aquilo, apesar de tudo, foi bonito de viver.

Já compraram a bandeira do Irão?

Kruzes Kanhoto, 14.04.24

Calculo que com o agudizar da crise entre Israel e o Irão, a bandeira iraniana passe a incorporar as manifestações promovidas pela esquerda ou pelos promotores das causas da moda, passe o pleonasmo. Faz-me espécie a fixação desta gente por regimes ditatoriais e por países onde os direitos das mulheres e das diversas minorias, que tanto alegam defender, são absolutamente ignorados e, pior, são vitimas de todo o tipo de violência. Está para lá da minha compreensão que feministas, gente que enche a boca de valores de Abril e que passa a vida a ver fascistas em todo o lado enquanto guincha contra os perigos da extrema direita colocar em causa aquilo a que chamam “conquistas civilizacionais” ficar do lado dos palestinianos ou tomar partido pelo Irão defendendo, inclusivamente, o fim de Israel. Ou seja contra um Estado democrático, onde os direitos de todas as pessoas são respeitados e colocando-se do lado de energúmenos que se os apanhassem a jeito lhes fariam a folha. Se bem que provavelmente nem se importariam. Morreriam felizes por saberem que teriam uma morte multicultural. Mas isso é lá com eles. Gostos, por mais estranhos e incompreensíveis que sejam, não os discuto. Dispenso é a pretensa superioridade moral com que se pavoneiam.

IRS - O outeiro pariu um escaravelho

Kruzes Kanhoto, 12.04.24

Afinal parece que a anunciada redução do imposto sobre o rendimento vai ser uma coisinha de nada. Começam bem. Para continuarem melhor só falta darem aos professores e às força de segurança o que estes reivindicam. Ou seja, não podem reduzir o imposto à generalidade da população porque precisam do dinheiro dessas pessoas para o dar a outras. Bonito.

Imposto, para além do razoável, é roubo. E o actual nível de fiscalidade sobre o rendimento – seja do trabalho ou das poupanças – está muito para além do suportável. Há quem goste de argumentar, especialmente a metade que não paga ou paga um insignificância, que baixar o IRS coloca em causa o estado-social. Pois que coloque. Quem, depois de todos os descontos, ganha pouco mais do que o salário mínimo não deve ser sacrificado para que outros usufruam das benesses dadas pelo governo. Mas, pelos vistos, vai continuar a ser.

Para quê comprar se posso okupar?!

Kruzes Kanhoto, 09.04.24

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O imobiliário foi um tema que sempre me interessou. Tenho mesmo a pretensão de achar que podia, se a vida tivesse levado esse caminho, ter sido um profissional do sector. Assim um pedreiro, ou isso. Gabarolice à parte, tenho até um certo jeito para a arte.

Por isso – ou apenas porque sim – subscrevo newsletser’s de diversas empresas do ramo. Numa das últimas eram apresentadas vários imóveis para venda que constituíam verdadeiras pechinchas, desmontando assim a ideia segundo a qual comprar casa é uma impossibilidade para quem tem o azar de não ser milionário. Estava, no caso, a ser comercializado um apartamento T2, com 73 m2, no centro de uma capital de distrito, pela interessante quantia de vinte cinco mil euros. Pela fotografia que promovia o imóvel – reproduzida em cima – pode ver-se que a vizinhança gosta de conviver na rua e que existe na zona uma quantidade significativa de furgões brancos. Propriedade dos moradores, certamente. Há, contudo, um pequeno senão. Uma coisinha de nada. O apartamento está ocupado ilegalmente. E, mas isso sou eu a especular, se algum dia alguém o conseguir desocupar, estará todo partido. É nesta parte que me lembro sempre da outra fulana. Aquela que recomenda que não “lhes dês descanso”, referindo-se, presumo eu, a esses patifes especuladores que fazem, com a sua ganância, com que a malta tenha problemas em arranjar uma casa barata e, por consequência, fique impossibilitada de ter uma “vida boa”. Essas palavras de ordem são aqui seguidas em todo o seu maravilhoso esplendor. Por um lado, descanso é - a julgar pelo preço que estão a pedir - o que os donos do apartamento não têm tido. Por outro, os okupas estão certamente a levar uma vida boa. Ou seja, um magnifico exemplo do que o Bloco de Esquerda pretende para o país. As melhoras a quem votou neles.

Não passarão!

Kruzes Kanhoto, 08.04.24

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As pessoas andam a fumar merdas esquisitas, a beber zurrapas manhosas e a comer coisas estragadas. Provavelmente, a juntar a tudo isto, também devem andar a meter na água uma cena marada qualquer. Só pode. É que a maluqueira é generalizada. As pessoas vão para as redes sociais debitar alarvidades como se não houvesse amanhã, para manifestações defender causas que são manifestamente contra os seus interesses ou modo de vida e, pior do que tudo isso, aqueles que têm a responsabilidade de informar andam com esta gente ao colo. Que é como quem diz, ficam embevecidos com estes comportamentos doentios e transmitem-nos a mensagem da bondade destas tomadas de posição. Quando tinham obrigação de fazer o contrário. Não basta andar, sempre que há manifestações da extrema-direita, à procura de criaturas a fazer a saudação nazi ou de cartazes que exaltem valores que a esquerda reprova. Há que ser coerente e denunciar quem faz a apologia de regimes criminosos e, principalmente, quem apela à violência. Como, por exemplo, este manifestante. Para alguns será apenas uma violência fofinha e tolerável. Nada contra. Desde que façam essa tal revolução comunista no vosso quintal.

Fascistas de Abril

Kruzes Kanhoto, 06.04.24

 

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Está finalmente identificada a origem da crise da habitação. É o fascismo. Foi o Livre, esse partido de um homem só, que descobriu. E não se riam, que divino líder daquilo tem toda a razão. Durante o regime fascista – pronunciar “fascista” com a “boca cheia de favas” e em tom enraivecido – os senhorios estavam impedidos de aumentar as rendas para, pelo menos por aí, não provocar conflitualidade social. Mais ou menos o mesmo que sugerem agora o Livre e restante malta que enaltece os valores de Abril para resolver o problema. Ou seja, não têm a mais parva ideia de como a coisa se resolve e, vai daí, culpam o “fascismo”. Há sempre uns quantos parvos que acreditam.

Riqueza envergonhada

Kruzes Kanhoto, 05.04.24

Parece que nos últimos dez anos – oito dos quais governados pelo Partido Socialista, recorde-se – duplicou o número de famílias ricas. Um excelente indicador que, vá lá saber-se porquê, ninguém ligado à máquina de propaganda daquele partido veio reivindicar como uma grande conquista da governação de António Costa. E, obviamente, deviam tê-lo feito. Mas não. Ser rico parece mal. O povo não aprecia a riqueza. Nomeadamente a dos outros. Quanto muito inveja-a. Daí que este seja um indicador exibido quase como uma critica. Como se fosse um dado que representa algo de negativo. Quando não é. Pena é que não tenha sido multiplicado por dez, cem ou mil.

A propósito de milhões, diz que vamos pagar mais uns quantos na conta da luz. Para ajudar as Câmaras que, coitadas, viram o seu território atravessado por linhas de alta tensão. Não percebo o conceito. Então os potenciais prejudicados por esse atravessamento, que são os habitantes, ainda vão pagar por isso?! Ou seja, são – somos – duplamente lixados. O lado positivo da coisa é que haverá mais dinheiro para a festa. Electrizante, espera-se.

Cenas da "oposição"...

Kruzes Kanhoto, 03.04.24

Há gente que repara em tudo. Aqui há atrasado foram os sapatos que uma secretária de estado - que acabou por ficar conhecida por outros motivos – ostentou na cerimónia de tomada de posse, a constituírem motivo para falatório. Agora foi a caneta com que uma ministra assinou o termo de posse, na investidura do novo governo, a suscitar reparos. No primeiro caso diz que os sapatos eram caríssimos, no segundo parece que a caneta também é a atirar para o carote. Coisas pouco compatíveis com a frugalidade com que os cargos públicos devem ser desempenhados, talvez seja esse o ponto de vista motivador das criticas. Ou outra coisa qualquer igualmente merecedora de censura, pouco importa.

A mim o que me espanta é haver quem repare nessas cenas. Mas que espécie de tarado é que vai dirigir o olhar para os calcantes ou para a esferográfica com que uma gaja está a assinar um papel?! Pior, quem é o idiota que vai perder tempo a analisar detalhes como a marca ou preço das coisas que as criaturas calçam ou escrevem?! Se dissertassem sobre a generosidade de algum decote mais atrevido – se é que há disso, nessas cerimónias - ainda vá que não vá. Agora sapatos e canetas?! Vê-se mesmo que são da “oposição”…

Tropa? Talvez...

Kruzes Kanhoto, 31.03.24

Começa a colocar-se, cada vez mais insistentemente, a hipótese de num futuro mais ou menos próximo haver a necessidade de discutir a reintrodução do serviço militar obrigatório. Não sei se concordo. Estive na tropa e detestei cada dia que lá passei. Já tinha emprego, deixei de receber ordenado durante dezasseis meses e, por causa disso, perdi dinheiro que me fazia falta e que ninguém me pagou. Daí a minha hesitação relativamente a este tema.

Os tempos são outros. No inicio dos anos oitenta a mobilização maciça de jovens para o SMO apenas servia para manter uma máquina militar repleta de resquícios da guerra colonial. A ameaça soviética de então não passava de uma idiotice a que ninguém ligava importância nenhuma. Ao contrário de hoje, em que a possibilidade de acordar com russos ou islâmicos aos tiros por aí é muito mais do que provável. Para os receber com flores e bandeirinhas há muita gente pronta, mas é precisa muita mais que saiba o mínimo para nos defender desses e dos patifórios vindos do leste, do oriente ou do outro lado do Mediterrâneo.

Se um dia voltar a existir SMO, a recruta vai ser uma coisa engraçada. Se vai. Quem por lá passou sabe no que estou a pensar. Com as “Amélias” que se vê por aí, aquilo vai ser uma coisa, digamos, digna de assistir, vá...

DuKontra, como nome do meio

Kruzes Kanhoto, 30.03.24

Desde que me comecei a interessar por política – há uns trezentos anos atrás – que mantenho a minha posição sempre que muda o governo. Resume-se àquela celebre tirada de “há governo? Sou contra”. Não sou o único. Mas, a mim, basta-me ser contra na generalidade. Muitos outros, que por aí leio e ouço, são contra o governo que aí vem porque há poucas mulheres, porque deviam ser outras e não aquelas, porque os ministros indigitados deviam ser outros e não aqueles, porque são demasiado velhos, porque os ministérios deviam ter outro nome, porque os portugueses escolheram a AD e deviam ter escolhido o PS, porque a esquerda é que devia governar sempre, porque a direita não devia governar nunca, porque, porque, porque…

Obviamente que este estado de espírito negativo em relação ao novo governo nada tem a ver com o estar contra por natureza. Será, na esmagadora maioria dos casos, a falta de cultura democrática a vir ao de cima. Enchem a boca de “valores de Abril”, de “luta contra o fascismo”, de defesa da democracia e de mais umas quantas alarvidades, mas quando, em liberdade e eleições livres, o povo decide de maneira diversa daquela que são as suas opções políticas, não procedem de acordo com os tais valores que tanto apregoam. Como se tivessem de ser sempre os mesmos a governar. Foi, entre outras coisas, para acabar com isso que fizeram o 25 de Abril. E, para evitar um regime como o que estes “contras” sonham, o 25 de Novembro.