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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Embrulhar é que está a dar!

por Kruzes Kanhoto, em 23.12.16

Ainda sou do tempo em que um gajo – uma gaja também, vá – ia a uma grande superfície nesta altura natalícia, comprava o que muito bem lhe apetecia e, junto às caixas, um bando de “joves” contratados especialmente para o efeito, tratava dos embrulhos. À pala, claro. Embrulhavam tudo. Lembro-me de, em certa ocasião, alguém mesmo à minha frente ter mandado embrulhar um frango assado. E cheirava bem, o raio do franganito.

Agora já não é assim. No lugar da rapaziada que aproveitava as férias de natal para ganhar uns trocos, estão os escuteiros ou uma associação de auxilio a uns desgraçados quaisquer. Todos, com esta mudança, ficaram a ganhar. Os donos do supermercado que se livraram dos encargos com aquele pessoal e os escuteiros ou as tais associações que sacam uns trocos aos preguiçosos que não querem embrulhar as prendas em casa. E nós? Nós ficámos a perder. Como sempre.

Esta situação revela a elevada capacidade de inovação do empresariado português. Deve ser por isso que não gostam de pagar salários dignos. Afinal para quê?! Até têm quem lhes faça o servicinho de borla. Nem sei como é que este tipo de comportamento não se generalizou. Mas não deve tardar. Um dia destes, num daqueles tascos com pré pagamento, ainda me aparece um voluntário da associação dos ramelosos anónimos a servir-me o café...

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A pergunta do costume: "Como é que vamos dar a volta a isto"?!

por Kruzes Kanhoto, em 11.09.16

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Diz que o valor máximo a ofertar a um governante não pode exceder cento e cinquenta euros. Isto por pessoa e por ano. É pouco. Manifestamente pouco. Por este preço não se consegue oferecer nada de jeito. Nem, sequer, algo que dignifique a função governamental. Daí que o melhor é a malta fazer uma vaquinha para comprar uma prenda ao político a quem deve mais favores. Ou de quem espera uma atençãozinha. O que, para um governo que consegue pôr vacas a esvoaçar, me parece apropriado por permitir, assim, presentear ministros e outras pessoas afectas à actividade - por norma gente de gostos requintados – com itens do agrado dos presenteados. Viagens e bilhetes para assistir aos jogos do próximo Mundial de futebol, por exemplo. Bastará aos membros do conselho de administração de uma qualquer empresa realizarem uma colecta entre eles e está o problema resolvido. Fica a ideia, pois de certeza que até agora ainda ninguém pensou nisso.

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