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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Nacionalizações

Kruzes Kanhoto, 05.07.20

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Acordei, uma destas manhãs, com o rádio a noticiar a nacionalização de duas empresas. Ainda estremunhado olhei para o despertador e a minha primeira reacção foi: “porra, vou chegar atrasado à escola!”. Só sosseguei quando olhei para o outro lado e vi a minha Maria. Afinal não estava em Março de 1975. Nessa altura ainda dormia sozinho.

A história repete-se. Sempre.

Kruzes Kanhoto, 10.06.20

As modas vão e vêm. Agora é moda ser de esquerda. Também já foi pelo idos de 74 e 75 do século passado. Nomeadamente na comunicação social, era a porta-voz do PCP e demais grupelhos à sua esquerda, na rua, onde se sucediam manifestações, ocupações e arruaças diversas, ou nos cafés e outros sítios públicos, que eram as redes sociais da época. Os padres foram na altura, nomeadamente nas missas, dos poucos que ousaram levantar a voz contra a corrente que nos conduzia rumo ao glorioso socialismo. Uns reaças, os padrecas.

Recordo-me especialmente das manifestações. Aquilo era um mar de gente. Comboios, camionetas da carreira – sim, que autocarro era cena de lisboeta – e tractores das cooperativas da reforma agrária acarretavam manifestantes de todo o lado. Como na altura ainda não havia sondagens, existia a convicção – até mesmo entre os democratas - que o Partido Comunista teria uma fortíssima votação nas eleições para a constituinte. Só que não. Aquela chatice do povo fazer a cruzinha no boletim estragou tudo e reduziu o PCP à insignificância de doze por cento dos votos.

Por estes dias a história parece repetir-se. Mesmo que as causas sejam outras, a manipulação jornalística, as manifestações de rua e o domínio no campo da opinião expressa nas redes sociais são preocupantemente parecidas. Mas desenganem-se os manipuladores, os arruaceiros e outros que tais. Quando o povo for chamado às mesas de voto o resultado vai ser o mesmo de então. Serão reduzidos à insignificância. Habituem-se.

Pinturas rupestres. Ou quase.

Kruzes Kanhoto, 25.02.19

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Nas obras públicas surgem sempre vestígios arqueológicos, pinturas ancestrais ou outro sinal qualquer de uma cultura passada que importa estudar. É inevitável. Se assim não fosse gente que tirou – ou a quem foi dado, sei lá – cursos inúteis, na maioria dos casos por ter um intelecto inversamente proporcional ao recheio da carteira dos pais, não teriam como angariar o seu sustento.

A obra de recuperação de uma das “portas” da cidade não podia fugir a este estigma. Também ali, durante os trabalhos, foram postos a descoberto vestígios de pinturas antigas. Embora, assim a olho nu, não se perceba qual o partido que fez a barrascada é, contudo, possível perceber que foi um daqueles que ostentam um símbolo debaixo do qual se abrigaram os maiores assassinos e criminosos diversos que a humanidade conheceu. Com sorte ninguém, nomeadamente os muitos saudosistas do PREC dados à cultura, dará por aquilo. Senão lá terá de ser preservada.

Não tenho memória daquela borrada. Mas devia ser uma coisa linda. Quase me apetece parabenizar os autores. Alguns, muito provavelmente, ainda andarão por aí...

Brincar ao PREC

Kruzes Kanhoto, 11.01.16

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Muita da rapaziada do governo e da maioria que o apoia não terá grande ideia do que foi o PREC. Terão, quando muito, ouvido da boca dos progenitores algumas historietas mais ou menos romanceadas e lido crónicas inflamadas sobre os acontecimentos da época escritas por gente que colocou bombas, roubou bens aos legítimos proprietários ou fez um infindável conjunto de sacanices. Sem que disso, ainda hoje, se arrependa.

A recriação desses tempos vai sair-nos cara. Muito cara. Muito mais barato nos sairia se a cada um dos meninos – e mesmo aos outros com idade para terem juízo - fosse oferecido este jogo educativo. Eles brincavam, ficavam a saber o que foi o PREC - sem necessidade de rebentar com o resto disto tudo - e no fim dávamos todos umas boas gargalhadas.

Estranho conceito de democracia...

Kruzes Kanhoto, 31.10.15

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Bastou um grupo de três indivíduos, cada um por si, ter a ideia de sugerir a realização de uma manifestação em frente à Assembleia da República contra um eventual governo de esquerda, para deixar os comunistas e outros esquerdalhos à beira de um ataque de nervos. Pelos vistos a rua é da esquerda. O direito ao protesto é da esquerda. O direito à liberdade de expressão só pode ser exercido se for para exprimir opiniões favoráveis à esquerda. Apenas a esquerda se pode manifestar nas ruas. Tem o exclusivo, devem achar as criaturas. Era assim em setenta e cinco. Pelos vistos querem que assim continue em dois mil e quinze. E isto ainda sem estarem no governo...

Já vi este filme...

Kruzes Kanhoto, 20.10.15

A ideia de um governo à esquerda, constituído pelos derrotados das ultimas eleições, começa a agradar-me. É que isto de ser governado por comunistas e radicais de extrema-esquerda não é coisa que muitos europeus ocidentais já tenham vivenciado. Por cá os portugueses com menos de cinquenta anos nem sonham o divertimento que constitui ver o país gerido por essa malta. Por mim – que já vi este filme na versão a preto e branco – começo a estar em pulgas para assistir a esta nova reprise da tramóia. Vai ser divertido, isso garanto. E, sem pretender ser spolier, deve durar mais ou menos o mesmo tempo da outra vez e o final também não deverá ser substancialmente diferente.

Presumo que as diferenças estarão nos personagens. Todos eles mais cultos e com melhor aspecto que os originais. Desde os principais aos secundários. E, até mesmo, os figurantes apesar de igualmente parvos são um pouco melhor apessoados e menos brutamontes. Desta vez não haverá Libórios a organizar barricadas nem a disparar sobre automóveis. O resto vai ser igual. Uma comédia patética que rebenta com o orçamento mas que se revela um fracasso de bilheteira.

A culpa (também) é do PREC!

Kruzes Kanhoto, 14.03.15

 

Há quem goste de culpar o Cavaco por tudo e mais um par de botas. Nomeadamente os que não reconhecem a responsabilidade dos governos socialistas por este triste estado de coisas. Para esses tristes quem rebentou o país não foram nem o Sócrates nem o Guterres mas sim Cavaco Silva que, dizem, terá destruído a agricultura, a pesca, a indústria e mais umas quantas cenas que, dependendo do que fumaram antes, na ocasião lhes ocorram.

Não gosto do Cavaco e odeio as politicas socialistas. Mas estes três estarolas, por mais trágica que se tenha revelado a sua governação, não passam de meninos de coro quando comparados com a tragédia provocada pelo Partido Comunista e seus sequazes durante o chamado PREC. Um processo criminoso contra a economia do país, que teve inicio em onze de Março de 1975 e acabou em 25 de Novembro do mesmo ano, cujas sequelas chegam até hoje. Disso, curiosamente, ninguém fala. Deve ser falta de memória. Ou ignorância.