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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Diz o roto ao nu...

Kruzes Kanhoto, 28.09.20

Parece que estarão para breve umas normas quaisquer acerca de tatuagens e indumentárias que os policias portugueses poderão ostentar. Ao que leio, tatuagens de cariz partidário ou racista não serão permitidas. Coisa que está a indignar os agentes da autoridade. Não vejo, sinceramente, motivo para tanto. Nem, sequer, acredito que entre os policias haja gente capaz de desenhar uma foice e um martelo nas costas ou um Che-Guevara no braço. Era demasiado mau-gosto e refinada parvoíce.

O mesmo com a vestimenta. Não podem, parece, entrar e sair das esquadras de t-shirt, calções e chanatos. Que policia é uma profissão digna e as esquadras locais de respeito. Nada que se compare, por exemplo, à Assembleia da República, por onde qualquer marmanjo circula de saia. Daí, reitero, não vislumbrar motivo bastante para suscitar grandes preocupações aos agentes da autoridade. Nada os impedirá de entrar, ou evacuar a área, de saia rodada ou vestidinho de chita. Impedi-los seria discriminação ou, sei lá, coisa pior. Assim tipo, machismo, ou isso.

Os insondáveis designios da agenda mediática

Kruzes Kanhoto, 25.02.20

Vi três policias em cima de uma menina no chão e corri para a abraçar”. Que comovente. Uma lágrima marota insiste em cair-me pelo canto do olho. Quanta bondade vai naquele coraçãozinho. E, já agora, no coração dos jornalistas que se dão ao trabalho de tentar dar credibilidade a gente desta. Ficam sempre assim quando lhes cheira a violência policial. Nem sei como não conseguem perceber o quanto estão a ser ridículos. Só faltou, perante o cenário de três chuis em cima de uma gaja deitada no chão, garantir que se tratava de um caso de violação em grupo por parte da policia.

Já o acidente na segunda circular, onde morreram três indivíduos que se passeavam a trezentos quilómetros à hora numa bomba de oitenta mil euros, a discrição dos jornaleiros tem sido mais que muita. Nem uma entrevista com os vizinhos das vitimas, a garantir que todos eles se tratavam de uma joias de meninos, nem outros pormenores que, nestas circunstâncias, costumam dar para larguíssimos minutos de telejornal. Nada. Nadinha. Népia. Não será, reconheço, assunto que mereça grande relevância. Mas, atendendo às consequências que podia ter tido dado o local da ocorrência, não deixa de ser estranhíssimo o silêncio mediático. Nomeadamente se compararmos com o chavascal que fazem sempre que alguém ligeiramente mais moreno se acha no direito de resistir à policia. Deve ser tudo uma questão de “agenda”...

Operação carta na manga

Kruzes Kanhoto, 07.07.18

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De vez em quando sou surpreendido por noticias reveladoras do elevado grau de heroísmo dos bravos agentes das nossas forças de segurança. Tanta bravura e tanto heroísmo que, mais que surpreso, me deixam estupefacto.

Li um destes dias o relato de uma perigosa operação, levada a cabo – desconheço se terá participado algum sargento ou, até mesmo, um ou outro oficial – pela PSP que, à custa de mil perigos, pôs fim a um esquema manhoso de jogo ilegal. Terão sido detidos quatro patifes – um deles com mais de oitenta anos – e apreendidos os instrumentos utilizados na actividade criminosa desenvolvida pelos meliantes. Nomeadamente uma mesa, quatro cadeiras, um baralho de cartas e, ainda, uma avultada quantia em dinheiro. Dezasseis euros, mais exactamente. Três contos e duzentos, em moeda antiga. Bem feita. Que é para essa malandragem aprender.

Lamentavelmente não são conhecidos mais pormenores acerca da ocorrência. É que tenho uma curiosidade danada para saber se a investigação resultou de uma denuncia anónima, o nome dado à operação - “Carta na manga”, talvez – e se a mesma envolveu algum agente infiltrado. 

O Estado serve, ao certo, para quê?!

Kruzes Kanhoto, 12.11.17

Que um policia seja malhado por um meliante não me parece nada de por aí além. É um dos riscos, talvez o principal, que consigo associar à profissão. Inquietante é a ausência de reacção à agressão. Quer o agente agredido quer o colega teriam, como todos os agentes da autoridade, uma arma à cintura. E, ambos, optaram por não a utilizar. Em cumprimento, presumo, de alguma lei ou regulamento que determina o protocolo a seguir numa daquelas situações. Ou, mais inquietante ainda, por receio do que viria a seguir se, por sorte, limpassem o sebo ao agressor. Ora é precisamente aqui que a coisa se torna extremamente preocupante. Se os policias agiram assim quando em causa estava o seu próprio coiro, nem quero imaginar o que fariam se fosse o meu.

Perante situações deste género, a pergunta “para que serve o Estado?” é cada vez mais pertinente. Se abandona o território, deixa as populações à sua sorte e não garante a segurança dos cidadãos não parece que sirva para grande coisa. Excepto, talvez, para aquilo de recolher impostos com vista a satisfazer pensionistas e sindicatos.

Tudo bons rapazes...

Kruzes Kanhoto, 02.09.16

Mais um ladrãozeco que morreu em serviço. Abatido acidentalmente pela policia, outra vez. Uma chatice. Principalmente para o agente que terá agora que enfrentar um calvário. Sinal dos tempos esquisitos que vivemos, em que a vida de um patife vale mais do que a de um cidadão comum e infinitamente mais do que a de um policia. E, como sempre sucede nestas circunstâncias, logo apareceu uma chusma de gente a garantir a honestidade do meliante, a bondade que sempre evidenciou e a simpatia que irradiava. Uma jóia de moço. Tão boa pessoa que, para além de amigo do seu amigo, até era amigo do alheio.