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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Aquilo do holodomor foi apenas larica...

Kruzes Kanhoto, 11.10.21

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Dizer que o capitalismo mata à fome vinte cinco mil pessoas por dia enquanto se nega a mortandade, agora e em diversas fases da história da humanidade, provocada pela falta de alimentos em diversos regimes comunistas, não tem importância de maior. Cada um, baseado em teorias mais ou menos rebuscadas construidas por si ou por outros da mesma súcia, diz o que quer e sobra-lhe tempo para mais. Por mim, limito-me a olha-los com pena e a desejar-lhes as melhoras. Preocupante é quando afirmações destas vêm de gente que se senta na mesa onde se discute o destino do país. Quem é como quem diz, o nosso. Afinal, ao contrário do que para os nossos antepassados era um dado adquirido, agora as vozes de burro chegam ao céu.

Praga de moralistas fiscais

Kruzes Kanhoto, 10.10.21

Aquela cena dos “Pandora papers” e offshores em geral tem suscitado uma animada discussão. Seja na Internet ou fora dela. É sem surpresa que constato a existência de um inusitado número de especialistas na especialidade a debitar os mais deliciosos bitaites como se fossem verdades absolutamente indesmentíveis. Como aquele conceito extraordinário que – confesso a minha ignorância - me era completamente desconhecido e que envolve uma “obrigação moral de pagar impostos”. Deixemo-nos de tretas. Pagamos porque, tal como o nome indica, isso nos é imposto. Claro que os impostos são inevitáveis, mas quando os ditos ultrapassam o limite do razoável a obrigação moral será, quando muito, a de resistir ao seu pagamento. 

Admito que gosto de ouvir os moralistas de serviço acerca deste assunto. Nomeadamente alguns cá da terra. É ver as suas redes sociais ou ouvi-los por onde calha a barafustar contra esses malandros que tratam de colocar o seu dinheiro fora do alcance das garras do fisco. Atitude que condenam veementemente, como é óbvio. Claro que eles não são desses. É malta detentora de um elevado espírito patriótico e de uma moralidade a toda a prova. Especialmente no âmbito da fiscalidade. Só abrem uma excepção para ir ali a Badajoz comprar botijas de gás, abastecer o carro ou adquirir uma fatiota nova no “El Faro”...

Quê...

Kruzes Kanhoto, 06.10.21

Captura de ecrã de 2021-10-06 21-25-40.png

Não acredito! Pode lá ser! Vão ver é como diz o outro: “Isso não é bem assim...” Então o Estado, ainda mais nos últimos anos em que é governado à esquerda, ia lá fazer uma coisa dessas?! Tal como não o faria nenhuma daquelas autarquias onde este figurão tem uns “investimentos”. Decerto nenhum autarca terá tido o topete de conceder benefícios fiscais, ou criar as condições objectivas, subjectivas ou outras para o sujeito beneficiar de isenções no âmbito do IMI, IMT ou seja do que for. Se não o fazem para o IRS do comum dos cidadãos iam lá fazer para este gajo?! Mas tá tudo parvo ou o quê?! Podemos não gostar deles, mas temos de confiar na coerência e no sentido de justiça - e também do ridiculo, já agora - dos nossos politicos.

T'arrenego, satanás! Vade retro, cenário macro-económico!

Kruzes Kanhoto, 05.10.21

Afinal, contra todas as expectativas e ao contrário do que reiteradamente nos têm tentado convencer, o diabo continua a andar por aí. Agora, ao que parece, anda disfarçado de cenário macro-económico, ou não fosse o mafarrico um especialista na arte da dissimulação. É por causa dele, do belzebu, que este ano não há aumento de vencimento para a função pública. Tirando, claro, para aqueles que ganham o ordenado mínimo e para os desgraçados que o vão passar a auferir, engrossando assim o número cada vez maior de pobres. Aos outros, os que se vão aproximando cada vez mais da pobreza, ficam à espera que o SMN os apanhe para, então sim, terem direito a aumento.

Por mim não acho mal isso da ausência de crescimento salarial. Nem eu, nem a malta que noutras ocasiões reclamava até da pouca valorização do subsidio de refeição. Quando nesses tempos, para além do vencimento, o dito subsidio era actualizado em meia dúzia de cêntimos, não faltavam os defensores dos trabalhadores e do povo a bufar contra um aumento que nem dava para uma carcaça. Agora estão calados que nem ratos. Pior. Exultam por o funcionário que limpa a retrete já ganhar mais do que o colega que lhe processa o vencimento. Coisas do tinhoso. Ou do cenário macro-económico, que é mais democrático.

Cerejas, caroços e afins

Kruzes Kanhoto, 04.10.21

Infame, a ser verdadeiro o vídeo que por aí circula, o comportamento daquela senhora forte que exerce o cargo de presidente de junta de freguesia. Aquilo incomoda qualquer um que se incomode com a falta de vergonha dos que escolhemos para nos representar. Mas, de uma ou de outra forma, é um “modus operandi” que, não constituindo regra entre os autarcas, se repete em demasia. Seja com cerejas ou com outra coisa qualquer. Só falta, naquele vídeo, a rechonchuda criatura afiançar que a culpa não é dela mas dos patifes dos funcionários que lhe estavam a enfiar a fruta pelo carro adentro e, por consequência, deviam ser eles a pagar a conta. Não constituiria, se o tivesse feito, nenhuma originalidade. Já outro tentou que lhe pagassem as “cerejas”. Parece é que se engasgou com os caroços...

No fim pagam os mesmos...

Kruzes Kanhoto, 01.10.21

A ideia de tornar obrigatório o englobamento de todos os rendimentos para efeitos de IRS, defendida pela esquerda, não me parece descabida. Tem, pelo contrário, toda a lógica. É, de resto, uma opção que os contribuintes já hoje podem usar, caso isso lhes seja mais favorável. O problema está nas taxas do imposto. São um roubo. E o pior é que ninguém parece incomodado com isso. Está tudo anestesiado pela propaganda, gostam de ser roubados ou estão convencidos que isso apenas afecta os ricos. Que são, como se sabe, uns patifes que merecem ser exterminados. O que, a acontecer, tornará os pobres muito menos pobres e, simultaneamente, bastante mais felizes. Embora, para a nossa bitola, o rico seja o gajo que tem – ainda que só na aparência – um pouco mais do que nós.

O debate tem-se centrado, essencialmente, nos rendimentos prediais. Que, face à fraquissima remuneração do capital, serão o objectivo desta eventual alteração legislativa. Por mim, reitero, não se afigura despropositada. Rendimento é rendimento, seja lá qual for a proveniência. Desconfio é que as vitimas vão ser as do costume. Nomeadamente quem precisa de arrendar casa. É que não estou a ver alguém a prescindir do seu dinheiro para o entregar de mão beijada ao Estado. Será, como é óbvio, o inquilino a pagar a “factura”. Ele que agradeça à esquerda!

Miséria engravatada

Kruzes Kanhoto, 30.09.21

Tenho alguma dificuldade em perceber este frenesim esquerdista à volta do salário mínimo. É que, assim de repente, para além de aumentar o leque de subsidio-dependentes – o que é bom para os objectivos eleitorais da dita esquerda – não estou a ver em que medida o crescimento do SMN vai melhorar a vida seja de quem for. O dinheiro na carteira até pode ser mais, vai valer é bastante menos. Só um tolo acreditará que o aumento dos custos não terá, quase no imediato, reflexo nos preços nos bens de consumo o que, só por si, engolirá o generoso aumento oferecido pelo governo.

O objectivo, presumo, será encostar ainda mais a retribuição mínima ao salário médio e por esta via continuar a empobrecer o país. No caso os trabalhadores e povo, como diz o outro. Embora, como garantia um sindicalista, essa cena do salário médio não passe apenas de um conceito. Auferido por gente preconceituosa, calculo que tivesse vontade de acrescentar. Já quanto à intolerável carga fiscal que temos de suportar – quem trabalha, saliente-se – o homem nada disse. Nem precisava. Sei desde há muito que para os sindicatos existem trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda e os que, por enquanto, ainda estão acima do SMN não lhes interessam nada. É por isso que para mim os sindicalistas são todos iguais. Todos de terceira.

Autárquicas 2021

Kruzes Kanhoto, 27.09.21

Surpreendentes, os resultados das autárquicas. Isto porque contrariaram, no que diz respeito a alguns municípios de maior dimensão, as sondagens e as opiniões de todos os opinadores de serviço. Prova que opinião pública e opinião publicada só muito raramente coincidem. E se Lisboa foi a surpresa maior, as perdas do PCP – que muitos insistem em incluir no lote dos resultados pouco expectáveis – não me parece que mereçam o mais pequeno espanto. A estranheza, a existir, será apenas por, apesar de tudo, os comunistas ainda exercerem o poder em quase uma vintena de autarquias.

Nestas eleições intervieram, directa ou indirectamente, um inusitado número de dinossauros do poder local. Intriga-me esta indómita vontade de exercer o poder. Nomeadamente aqueles que ou já tem idade para ter juízo, ou gozam de uma saúde física e financeira que lhes permite viverem a vida sem os aborrecimentos do exercício de um cargo que, em muitas circunstâncias, dá mais chatices do que outra coisa. Gente que governou anos a fio – dezenas, às vezes – e que, por uma qualquer razão que foge à minha compreensão, insiste em perpetuar-se no poder. Desconheço o que os move mas, seguramente, não será apenas a nobre missão de bem servir o povo. Deve ser, se calhar, a vontade de morrer presidente. Como a que parece assistir ao agora eleito presidente de um município vizinho que, aos setenta e seis anos e após uma extensa carreira política, voltou a ocupar a cadeira do poder. Por cá, há quem garanta ser provável que alguém, num futuro próximo, lhe siga o exemplo. Talvez. Mas se isso acontecer, a vergonha – ou falta dela – não será só dele. Será, principalmente, nossa.

Santos e pecadores

Kruzes Kanhoto, 24.09.21

Desta vez tenho seguido com especial atenção, como gajo atento a estas coisas da política, a propaganda eleitoral dos diversos candidatos aos órgãos autárquicos cá da terra. Nomeadamente ao que se vai publicando nas redes sociais. A julgar pelas muitas fotografias que o partido – movimento, ou lá o que é - no poder foi divulgando, parece que, nos últimos doze anos, foi feita obra até mais não. E, se calhar, foi mesmo. Se eles dizem, não sou eu que os vou contrariar. Do que tenho a certeza é que no meu bairro, nesta dúzia de anos, não fizeram coisíssima nenhuma. Nada. Népia. Nem sequer, assim que me lembre, plantaram uma árvore. Ou, ao menos, um arbusto, vá. Isto apesar do líder espiritual deles e de mais uns quantos discípulos habitarem aqui. Deve ter a ver com aquela reconhecida incapacidade dos santos de ao pé da porta...

E um dia europeu sem activistas, não se arranja?

Kruzes Kanhoto, 22.09.21

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Simpatizo muito pouco com as causas ambientais. Principalmente quando a alegada luta dos chamados activistas se transforma numa espécie de palhaçada inconsequente. Como, por exemplo, o dia europeu sem carros. Data que, felizmente, de há uns anos a esta parte passa praticamente despercebida. Não sou, de forma nenhuma, um adepto do automóvel. Sempre que posso – e posso muita vez – ando a pé. A principal razão para o fazer é que não gosto de pagar impostos. É uma coisa que me aborrece e da qual fujo como o diabo da cruz.

Ora o automóvel constitui uma importante fonte de financiamento do país. Se todos seguissem o meu exemplo ou as exigências dos apanhados do clima fossem aplicadas, a receita pública teria uma quebra significativa e tudo aquilo que são as funções do Estado seria colocado em causa. Convinha, portanto, que houvesse juízo. Que isto o capitalismo não é verde mas os activismos bacocos, especialmente em matérias ambientais, põem as contas públicas no vermelho.