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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Eh pá, "deslarguem-me" a carteira!

Kruzes Kanhoto, 24.07.21

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Quando leio ou ouço declarações de gente da CGTP, BE ou PCP a solidarizar-se com trabalhadores em protesto por verem o seu ordenado “engolido” pelo SMN – salário mínimo nacional – só me apetece arrancar os cabelos. Os deles, que eu poucos tenho. Esse meu desejo de me atirar às pilosidades alheias advém não tanto das alarvidades proferidas pelas criaturas oriundas daquelas áreas políticas, até porque dali não espero grande coisa, mas sim com o facto de ninguém – e reitero, ninguém – ter a decência de os confrontar com a evidência que a causa do protesto que dizem apoiar é, em grande medida, culpa deles. Quem tem exigido a constante subida do SMN tem sido aquela malta, sem olhar às consequências que daí resultam para os restantes trabalhadores. A mais óbvia e que apenas um burro – ou uma besta, vá – não vê, é a desvalorização dos restantes vencimentos.

Esta postura da esquerda pouco espanto me causa. Só irritação. Muita, no caso. Para esta cambada de retardados quem ganha meia dúzia de euros para além do SMN é rico, privilegiado ou, no mínimo, tem de ser “solidário com os mais pobres”. É isso que alegam quando defendem o actual nível de impostos e recusam a sua eventual diminuição. No que diz respeito ao IRS, então, a coisa vai para lá do delirante. O argumentário, que estou sempre a ler e a ouvir, usado para justificar o roubo perpetrado ao rendimento do trabalho é, para ser simpático, próprio de uma criança de três anos. Mas triste, mesmo muito triste, é que gente aparentemente inteligente continue a votar nessa opções e, mais triste ainda, a corroborar esses argumentos. Deve ser aquela cena do quanto mais me roubas, ou lá o que é...

Quem o come em chibo, não o come em bode... já garantia a minha sábia avó!

Kruzes Kanhoto, 22.07.21

Com inusitada frequência surgem relatos de artistas a queixarem-se da magreza das suas pensões de reforma e, quase sempre, a lamentar que o país os deixe a viver no limiar da miséria. Queixinhas e lamentos deveras estranhos, diga-se. É que, atendendo à vida faustosa que ostentaram enquanto estiveram no activo, tudo leva a crer que ganharam uma maquia simpática. Mas, aos que alguns confessam, não amealharam um pecúlio que lhes permita ter uma velhice sem sobressaltos financeiros nem, tão-pouco, descontaram para a Segurança Social sobre os rendimentos efectivamente auferidos. Nenhuma destas circunstâncias me suscita qualquer critica. Relativamente às poupanças fizeram as opções que lhes pareceram melhores e quanto ao facto de terem fugido às contribuições que legalmente estavam obrigados a fazer eu próprio, se pudesse, faria o mesmo. Só perdem a razão quando se queixam. A vida é feita de escolhas e eles escolheram o que agora têm. Ou seja, pouco. Já o ganharam, esturraram e gozaram. Agora desemerdem-se, como diria o outro. E, sobretudo, não aborreçam os contribuintes, que já pagamos as tropelias de muitos vadios.

A propósito deste assunto e desta malta, ocorreu-me agora que foi esta gente que andou com o actual primeiro-ministro “ao colo” nas últimas campanhas eleitorais. Recordo-me até de inúmeros jantares, profusamente divulgados pelas televisões, de apoio ao PS, a António Costa e, depois, à geringonça. Sendo, ao que publicamente revelaram alguns destes artistas, a fuga aos impostos uma prática comum no sector, presumo que nas próximas campanhas eleitorais os diversos candidatos não queiram ver nem de perto esse pagode da cultura. Como já fazem aos do futebol.

Politicos, desporto e cultura

Kruzes Kanhoto, 18.07.21

Muito se fala – e não é só agora - das ligações entre a política e o futebol. Hoje em dia é quase impensável um político ser avistado nas cercanias de um dirigente desportivo sem que isso levante de imediato uma onda de suspeição. É, até, um daqueles temas que reúne um estranho consenso entre a generalidade da população.

Por mim, como não podia deixar de ser, estou contra esta ideia. Se o Presidente da República é adepto confesso do Braga, não estou a ver motivo nenhum para não ir ver jogos do seu clube. Ele ou qualquer outro titular de órgão de soberania.

No fundo isto é tudo uma imensa hipocrisia. Políticos e futebol é uma mistura explosiva mas já com a cultura, por exemplo, não é. Até parece que alegadamente não existem inúmeras associações alegadamente culturais a viver alegadamente à conta de subsídios do erário público com as quais, alegadamente, os políticos convivem alegre e regularmente. Era capaz de ter uma certa piada, entre outras coisas, fazer o cruzamento das alegadas despesas com refeições, alegadamente suportadas por algumas associações, com os comensais alegadamente presentes. Não sei, digo eu que não percebo nada disto mas, ouço dizer, acontecerá muito lá para o norte. Alegadamente, claro.

No passarán!

Kruzes Kanhoto, 15.07.21

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Os fascistas estão por todos o lado, os patifes. Até nos lugares mais improváveis. Como Cuba, por exemplo. Aquilo, diz, são manifestações de fachos por toda a ilha. Parece que querem acabar com a revolução popular que proporcionou ao povo cubano uma qualidade de vida difícil de encontrar noutras paragens onde os trabalhadores e o povo ainda não se libertaram do jugo capitalista. Maravilhas que, comprovadamente, são testemunhadas pelos muitos milhares de americanos que todos os anos arriscam a vida para, a partir da Flórida, chegar à ilha do camarada Fidel.

Mas o povo armado – em parvo – está vigilante. Nomeadamente a policia e as milícias populares de proletários, camponeses e intelectuais da mais brilhante intelectualidade. Todos juntos partirão os dentes à reacção. O que, assim de repente e de uma assentada, resolverá os três únicos problemas de Cuba. O pequeno-almoço, o almoço e o jantar.

O feitiço ainda se vai virar contra o feiticeiro...

Kruzes Kanhoto, 10.07.21

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Como muito bem escreve um brilhante intelectual pelo qual não nutro simpatia nenhuma, hoje é mais fácil arregimentar uns milhares de pessoas para manifestações para as causas fúteis da moda – desde os gays aos animais, passando pelo racismo e “perigos” da extrema direita – do que mobilizar umas escassas centenas para protestar contra as baixas reformas ou os impostos elevados. Excepção feita – ainda que apenas na parte das reformas – ao PCP, toda a esquerda abraçou as causas minoritárias e esqueceu aquilo que realmente importa. Os problemas reais das pessoas reais. A cartilha da esquerda urbano-depressiva deixou esses problemas para aquilo a que insistem em chamar, vá lá saber-se porquê, extrema-direita. Agora admiram-se e ficam escandalizados com a popularidade que os candidatos dessa área política estão a conseguir junto dos portugueses. Ainda se vão admirar muito mais. Esperem pela noite de vinte seis de Setembro. E outras se seguirão. Desconfio que isso não traga muito de particularmente bom, mas, se assim for, sabemos a quem agradecer. E culpar.

Metam o arco-íris no rabinho...

Kruzes Kanhoto, 05.07.21

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Se há coisa que aprecio nos autarcas da minha terra é o facto de não irem em modas. Em iniciativas parvas, nomeadamente. Como aquelas que o politicamente correcto dita como quase obrigatórias quando se quer ficar bem na fotografia. Pelo menos nas fotografias que as gajas das causas e demais alienados acham que devem ser vistas. Provavelmente noutra cidade esta fantástica muralha estaria iluminada, por estas noites, com as cores do arco-íris. Uma parvoíce agora muito em voga. Mas, felizmente, não está. Assim está muito mais bonita. E, embora tardiamente, se quiserem homenagear alguém ou alguma coisa iluminem-na de verde. Sempre é uma cena mais normal.

Orientem-se, mas é...

Kruzes Kanhoto, 03.07.21

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O problema não é a proliferação de malucos. Doidos absolutamente varridos, gente que não “junta o gado todo” e “apanhados do clima” com pancas diversas sempre existiram. Só que ninguém lhes ligava. Ou, como me ensinaram desde pequeno, dava-se-lhes o “desconto”. Hoje não é assim. Pelo contrário. Até parece que a condição de “aleijadinho das ideias” é quase obrigatória para ser ouvido, lido e tido em consideração. O mundo rendeu-se aos loucos. De tal maneira que as suas loucuras são as novas verdades e quem se atrever a questioná-las está feito ao bife.

O policiamento da linguagem é uma das missões que essa gentinha acha estar-lhe destinada. Todos têm de falar ou escrever de acordo com o que dita a sua maluqueira ou sofrerão as consequências. A vitima, desta vez – ironia das ironias – foi o “Público”. Imagine-se que teve o topete de titular uma noticia com a previsão que vamos ter “um Verão negro”. Expressão que, como não podia deixar de ser, fez disparar os alarmes no manicómio. A coisa, reconheço, até teria a sua piada. As reacções, cada uma mais exacerbada do que a anterior, seriam de rir até às lágrimas não fossem estar, cada vez mais, a fazer escola e a condicionar o que se escreve. Por mim, quero que eles vão ter um menino de olhos azuis. Vou mas é comer qualquer coisinha, que a fome é negra e hoje já trabalhei que nem um mouro.

Valores europeus...tá bem, tá!

Kruzes Kanhoto, 27.06.21

Acho graça a essa histeria toda que por aí anda em relação à Hungria. Bom, por aí anda é como quem diz. O comum dos mortais está-se borrifando para futilidades dessas e, quando muito, terá ouvido falar da azia provocada a alguma malta da política, da comunicação social ou dos grupelhos minoritários que dominam a opinião publicada por o governo húngaro ter colocado algumas restrições à divulgação de cenas relacionadas com a homossexualidade. Os políticos é que resolveram fazer disso uma questão de Estado. O que não admira. Enquanto o barulho andar à volta de questiúnculas sem importância nenhuma, eles vão passando entre os pingos da chuva.

Por cá, o Costa primeiro-ministro ficou tão chateado que – provavelmente só para aborrecer, pois não consta que o gajo abafe a palhinha – até terá colocado o emblema daquela rapaziada na lapela. De caminho falou também de valores europeus, na necessidade de todos os respeitarem e, pasme-se, até sugeriu que quem não os respeite que saia da União Europeia. O homem tem razão. Embora não se me conste que levar no cú seja um valor europeu, parece-me que respeitar quem arrecada a costeleta já o será. Há, no entanto, duas coisinhas que me deixam desconfiado quanto à honestidade intelectual da criatura e com sérias reservas quanto a integridade das suas convicções relativamente a essa coisa dos valores europeus. O cada vez maior desrespeito dos valores judaico-cristãos da Europa parece nada o incomodar e nem a aversão de BE e PCP aos tais valores europeus o coibiu de com eles fazer um pacto de governo. Devemos levar a sério um figurão destes? A piada faz-se sozinha quando se fala deste gajo...

Ai o desrespeitador sou eu?!

Kruzes Kanhoto, 20.06.21

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Os censores sempre foram estúpidos. Eram-no no tempo do Estado novo e continuam a sê-lo agora. Se calhar sempre o serão. Seja o censura feita por um organismo público ou por uma entidade privada subserviente ao poder politico. Sim, que isso embora a ninguém incomode muito também foi objecto de privatização. As redes sociais, por exemplo, pagam a uns rapazolas para monitorizar o que por lá se publica. Estes pobres coitados, provavelmente a troco de um ordenado miserável e um empregozito precário, vão censurando o que lhes parece ou, tal como os de antigamente, o que não percebem. Pelo sim, pelo não.

Os utilizadores do Facebook sabem a que me refiro. Tudo o que não seja futilidade ou o elogio dos “valores” politicamente correctos viola os “padrões da comunidade”. Uns padrõezinhos muito elevados, pelos vistos. Tanto que nem os próprios censores os entendem. Ou, então, são ainda mais burros do que aquilo que já se adivinha num censor. Deu-lhes, imagine-se, para me mandarem uma advertência. Dizem, os alarves, que este meu “comentário” viola os tais padrões. Fica o link no final do texto para quem tiver paciência aferir da gravidade da violação e tirar as suas conclusões. Eu tirei as minhas. Houve quem se revisse na publicação e fez queixinha. Cada um sabe onde lhe dói…   

https://kruzeskanhoto.blogs.sapo.pt/chapeus-ha-muitos-1520428

Parvoíce profunda

Kruzes Kanhoto, 17.06.21

Pior do que um lisboeta armado ao pingarelho, a achar que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, só um alentejano armado em lisboeta armado ao pingarelho a comungar da opinião do citado alfacinha. O que não falta é gente dessa. Daquela a quem basta atravessar o Tejo para desatar a depreciar tudo o que deixou para trás. Enfurece-me, isso. Um dia destes, por um acaso daqueles que apenas o zapping proporciona, deparei-me com um apresentador de televisão alentejano  a situar a sua aldeia no Alentejo profundo. Outro conceito que, para além de não perceber, me deixa para lá de possesso. O homem, sem ofensa, é parvo. A localidade em causa, Vila Boim, fica colada à EN4, um dos principais acessos à fronteira, tem a A6 quase à porta, fica a uma dúzia de quilómetros de Elvas e a cerca de vinte de Badajoz. Uma cidade com mais de cento e cinquenta mil habitantes, o que a tornaria uma das principais cidades do país se ficasse deste lado da raia. Mas isso tudo saberá a criatura. Daí que chamar “Alentejo profundo” à região onde cresceu só pode ser parvoíce ou estupidez. Ou, o mais certo, ambas. E daquelas bem profundas.