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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Efeitos da seca e disso...

por Kruzes Kanhoto, em 23.04.19

 

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(Estremoz - castelo)

Em tempos terá sido um fontanário. Hoje, ao certo, não se sabe o que será. Nem, a bem dizer, o que está ali a fazer. Acho piada é que lhe tenham cortado as bicas – a do outro lado teve igual sorte - e deixado o resto. Um acto de vandalismo, certamente. Ou apenas alguém que o quis “calar” para sempre. Mas fracassou, se era essa a intenção. É que ele assim “fala” muito mais...

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Peixinhos vermelhos a nadar em água benta...

por Kruzes Kanhoto, em 22.04.19

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Ciclicamente o tema dos hipermercados abrirem ou não aos domingos regressa ao debate. Desta vez foi um padrecas qualquer a suscitar a questão. Presumo que por causa das audiências das homilias dominicais não pararem de bater recordes negativos. Assim de repente não estou a topar outra razão. Ninguém se tem manifestado incomodado com o actual sistema e, se fossemos por aí, muitos outros sectores teriam de encerrar. Todos, se calhar. É que, por esta ordem de ideias, exceptuando os relacionados com a saúde e a segurança não se justifica mais nenhum tipo de labor dominical.

Calculo que não tenham sido os fieis a encomendar o sermão. Pelo contrário. Por esta altura devem estar com vontade de o mandar ter com as alminhas ao purgatório. Ou pior, se olharmos para o que muita gente faz para ganhar umas horas extras. Bom, na verdade depende. Conheço uma entidade pública – lá para o norte – onde até, alegadamente, nem farão nada. A dita entidade é que lhes arranjará umas alegadas actividades pós-laborais para a malta arredondar o vencimento. Incluindo ao Domingo.

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I kill you...

por Kruzes Kanhoto, em 22.04.19

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Diz que esta criatura, de aspecto cordado e simpático, será um dos criminosos envolvidos nos atentados em igrejas e hotéis no Sri Lanka. Más línguas. Obviamente que não pode ser. Ao que garantem aquilo terá sido obra de uns quantos budistas radicais. Mas, seja lá quem fôr que tenha rebentado com aquilo tudo, não temos nada a ver com isso. Cada um atenta quando quer e contra quem lhe parecer melhor. O direito a atentar, a par do direito a aterrorizar, devia até estar consagrado na carta das nações unidas, na declaração dos direitos do homem ou na constituição europeia. Se é que não está já, enquanto eu estou para aqui com especulações. Mas, não querendo colocar em causa a liberdade do senhor a chacinar pessoas, há um pequeno pormenor que me deixa ligeiramente curioso. O que faz a nossa bandeira ali mesmo atrás do verme? Será que o gajo, antes de se explodir, estava a pensar pedir um visto gold, ou isso?

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Tema "facturante"

por Kruzes Kanhoto, em 19.04.19

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"Cliente estrangeiro"?! Querem ver que tenho cara de magrebino, eu?! Ou é o empregado que tem nome esquisito?! E se fosse "O cliente tem sempre razão"? Ou, quiçá, "o freguês do costume"? Todas questões irrelevantes, estas. Até porque ninguém me manda esmiuçar a factura. Mas, garanto, o café é bom. E, no caso, isso é que importa…

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A caminho do socialismo

por Kruzes Kanhoto, em 18.04.19

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Afinal não vai ser preciso aquilo do racionamento. Os tais quinze litros por abastecimento, ou lá o que era. Mas fica o aviso. É assim sempre que iniciamos o caminho para o socialismo. Por isso, já que esta gente parece estar para ficar no poder por mais uns anos, é bom que nos habituemos. Nomeadamente aqueles que nunca passaram por experiência semelhante.

Por mim apenas vivenciei isso do racionamento era ainda um puto imberbe, nos idos do PREC. Quando, recorde-se, quem estava no poleiro a conduzir-nos rumo ao glorioso paraíso socialista eram os mesmos que lá estão hoje. Havia escassez de alimento – milho, ou algo parecido - para os galináceos e, para garantir que a bicharada da minha avó não passava fome, fui arrastado para a fila que pela madrugada se formava no “Grémio da lavoura”. Uma maneira expedita de duplicar a dose. Nunca cheguei a saber, nem isso na altura me interessou muito, de quem era a culpa da falta do dito produto. Devia ser dos contra-revolucionários, dos fascistas ou da direita em geral. Do governo de então – fantástico e amigo dos trabalhadores e do povo, como este – é que não era de certeza. Tal como agora. Ou não estivéssemos, tal como então, a caminhar para o socialismo. Ou para a venuelização, que é mais ou menos a mesma coisa.

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A greve, a discriminação e os votos

por Kruzes Kanhoto, em 17.04.19

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Esta greve dos gajos que transportam mercadorias perigosas suscita-me umas quantas questões. Cada uma mais impertinente que outra. Logo, a começar, pela mais inquietante de todas. Não há, aparentemente, gajas a transportar estas cenas. O que, obviamente, configura uma clara discriminação em função do sexo. Ou género, ou lá o que é. Mesmo negros, chineses, ciganos, anões e LGBTetc também não parecem abundar entre a classe. Algo verdadeiramente abominável e a merecer a atenção do Bloco de Esquerda, de associações diversas que vivem à conta do Estado e de um alto comissariado qualquer.

Posto isto vejamos então o acessório. O abastecimento ao país, por exemplo. Coisa, dada a manifesta relevância da anterior, de muito menor importância. Os serviços mínimos serão apenas para Lisboa e Porto. O resto que se desenrasque. Mesmo que naquelas regiões até tenham aquilo do passe ao preço da uva mijona. O que, bem visto, tem a sua lógica. Se não têm transportes, infraestruturas ou serviços públicos por que raio devem, os poucos que insistem em viver fora das grandes metrópoles, ter direito ao abastecimento de combustível? Que, por enquanto, é só o que está em causa. Um dia destes logo se vê o que será mais. Percebe-se a opção e o abandono do restante território. Rendemos poucos votos e, em caso de necessidade, podemos sempre ir abastecer - o depósito e a despensa - ali ao lado. A Espanha. O fisco espanhol e a nossa carteira agradecem o desprezo.

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Brincar aos pobrezinhos

por Kruzes Kanhoto, em 16.04.19

Quiçá com o intuito de sossegar algumas alminhas mais inquietas, o governo vai, num futuro próximo, passar a dificultar a vida aos estrangeiros ricos que um dia tiveram, ou venham a ter, a infeliz ideia de vir para cá gastar o seu – deles – dinheiro. Mas é esta inquietação que, a mim, me inquieta. Aos ricaços que demandam Portugal para passar os últimos anos de vida, para investir ou apenas porque lhes apetece mudar de ares foi, por legislação do tempo do Sócrates, concedida isenção de IRS durante dez anos. Um escândalo, isso de lhes perdoar esse imposto. Até porque, se não viessem para cá as finanças fartavam-se de ganhar dinheiro com esta gente. Privilégio que as nossas queridas esquerdas no poder tratarão de erradicar. Bem feito, não queremos cá esses patifes a esturrar dinheiro na restauração, no imobiliário e em tudo o mais onde gente cheia de graveto tem a mania de o gastar. O que nos faz falta são migrantes pobres. Nomeadamente daqueles que ficam a sobreviver à conta do Estado. Receber essa malta, sim. Isso é que para a esquerda, intelectualidade em geral e iletrados em particular é coisa altamente valorizável. Que isto não era apenas o outro que ia brincar aos pobrezinhos nas férias de Verão. O que não falta é gente com as mesmas manias.

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Todos os "descontos" são iguais...Mas uns são mais iguais que outros!

por Kruzes Kanhoto, em 15.04.19

Todos os dias a actualidade noticiosa se encarrega de pôr em causa conceitos que tinha como definitivos. Isto das reformas, por exemplo. Não há dinheiro para as ditas, garantem os especialistas especializados na especialidade. A um deles até lhe ocorre que, se calhar, lá mais para a frente os portugueses apenas se poderão reformar quando tiverem oitenta anos. Ou mais, sugiro eu. Ainda que, no caso dos homens, a esperança média de vida não chegue ao setenta e oito.

Mas, escrevia eu, tenho dificuldade em assimilar estes novos conceitos. Não há, ao que dizem os estudiosos que se dedicam ao estudo da temática, graveto para pagar a tanto reformado. Daí que, assim sendo, teremos de nos reformar cada vez mais tarde e com uma pensão mais pequena. Mas, se assim é, como é que se explica que, não havendo pilim, os reformados todos os anos vejam a sua reforma aumentada? E se não há dinheiro para aumentar o vencimento de um gajo – ou gaja, vá - com cinquenta anos, que trabalha há trinta, ganha setecentos euros por mês, não vê o seu ordenado melhorado há dez e que terá de trabalhar mais vinte, como é que há para aumentar um aposentado pouco mais velho e com uma reforma três vezes maior?

Presumo que estas minhas inquietações não tenham qualquer razão de existir. Serão, muito provavelmente, apenas suscitadas devido à minha ignorância. Isto, obviamente, é muito simples. É tudo uma questão de sobrevivência. Política.

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E o assédio eleitoral, também conta?

por Kruzes Kanhoto, em 14.04.19

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Não sei se constitui motivo para me preocupar mas, de vez em quando, dou por mim a concordar com as propostas do Bloco de Esquerda. Agora é com aquilo da Lei Laboral, ou lá o que é. Nomeadamente umas quantas disposições da dita legislação que o maior partido extremista português quer ver alteradas. Agrada-me sobremaneira aquela ideia de considerar assédio os contactos entre a entidade patronal e o empregado – colaborador, vá – fora do horário de trabalho. A ser implementada esta norma, este pagode deixava de poder ir às televisões dizer baboseiras após a hora de saída do parlamento. Sim, que os patrões deles somos nós e não temos nada que andar a ser incomodados com o que os empregados que pusemos na Assembleia da República acham disto ou daquilo fora horário laboral e do respectivo local de trabalho.

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Agricultura da crise

por Kruzes Kanhoto, em 13.04.19

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A crise, aquela coisa que a direita inventou para chegar ao poder, já lá vai. Com ela a austeridade, a fome, a miséria e outras desgraças que os portugueses tiveram de suportar. Cenas do passado que, enquanto tivermos o melhor governo do mundo e arredores, não se repetirão. Hoje já ninguém necessita plantar couves nas varandas para não morrer de desnutrição. Somos todos ricos outra vez. Mas eu, para ser do contra, continuo com a agricultura da crise. Batatas – micro-produção, esclareço, antes que surjam os comentários em tom de escárnio – ervilhas e alface são os produtos da época. Também todos os anos por esta altura uma – ou mais, mas por enquanto só descobri esta - família de pintassilgos insiste em instalar-se no meu quintal. Manias.

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Investidores?! Viste-os...

por Kruzes Kanhoto, em 12.04.19

Sou daqueles, reconheço, que levo o tempo a queixar-me que ninguém investe no interior. Nomeadamente na minha terra. Nem chineses, árabes ou angolanos aqui investem um ou dois dos seus muitos milhões. O único que parece disposto a investir umas massas é um tal de Bernardo, ou lá o que é. São museus atrás de museus e mais umas quantas cenas relacionadas com vinhas e pedras pintadas. Ainda bem. Por mais que, na opinião de muitos, o investidor em causa não seja propriamente o sujeito mais recomendável quando se trata de investimentos, financiamentos e matérias relacionadas.

Não conheço o homem de lado nenhum e desconheço se tem ou não guito para tudo o que se anuncia. Vi-o apenas em duas ou três ocasiões e, mesmo sem fazer qualquer juízo de valor acerca da criatura, fiquei com a certeza que não era cavalheiro a quem comprasse um carro em segunda mão. Até porque ele não é vendedor de automóveis e eu não compro carros usados. E também não será por o senhor andar permanentemente do topo da agenda mediática, por assuntos ligeiramente aborrecidos, que deixará de gozar da presunção de que é um gajo às direitas. Mas lá que é estranho essa coisa do investimento cá na terra, lá isso é. Logo ele. E logo cá.

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Socializar o passe

por Kruzes Kanhoto, em 10.04.19

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Gosto desta cena dos passes sociais. É uma grande ideia. Tão boa, mas mesmo tão boa, que todos a reclamam como sua. De facto começar o dia na Ericeira a comer "ouriços" ao pequeno almoço, almoçar chocos fritos em Setúbal e contemplar o pôr do sol em Cascais, enquanto saboreia um gelado, está agora ao alcance de todos. Basta, para tanto, residir na zona da chamada grande Lisboa e pagar quarenta euros por mês por um título de transporte que dá acesso a estas passeatas. O mesmo – ou parecido, vá - para os eleitores residentes no grande Porto.

Já para o resto do país o cenário não será tão idílico. Os putativos progenitores de tão excelsa medida – desde a múmia Jerónimo ao seboso Costa, passando pela Catarina dos olhos de boga – desdobraram-se em explicações acerca das praticamente inexistentes diferenças de tratamento em relação ao resto do país. Sim, diferenças, que discriminação está reservado para quando os intervenientes são outros. Mas, mesmo diferente, vai ser uma coisa boa, como trataram de nos sossegar.

Por acaso também acho que, no caso da “CIM” a que pertenço, será uma cena fantástica. Razoavelmente boa, pelo menos. De Estremoz a Évora - e regresso, claro – o "estrago" na carteira vai ficar pelos oitenta e poucos euros, contra os cerca de cento e vinte actuais. Não dá é para começar o dia em Estremoz a comer um “gadanha” ao pequeno almoço, almoçar uma bela bifana – ou mais – em Vendas Novas, nem para contemplar o pôr do sol na praia do Alqueva, em Mourão, emborcando umas minis. Azarinho.

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Pronto, comam só as batatas...

por Kruzes Kanhoto, em 08.04.19

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Cada um sabe de si e das suas opções. Daí que pouco me importa que haja quem opte por não comer carne. Ou peixe. Ou feijões. Desde que limitem estes ideais às respectivas cozinhas é lá com eles. Por mim podem passar a vida a ingerir vomitado de unicórnio, que é o que menos me apoquenta.

Mas a tolerância não é o forte dos militantes destas novas causas alimentares. Bem pelo contrário, se atentarmos no que andam a fazer uns quantos obcecados com isto dos morfes. Embora pouco noticiado pelos média, os ataques de terroristas vegans a talhos, matadouros, quintas, restaurantes e até a incautos cidadãos tê-se sucedido em diversos países ocidentais. Os únicos onde esta gentalha, aproveitando a democracia que não sabem respeitar, ousa tentar impor aos demais a sua vontade. Nos outros levariam um tiro nos cornos.

Reitero que, desde que não me aborreçam, pouco me interessa o que comem ou não. Se quiserem comam só as batatas e deixem a carne de lado. Não me podem é impedir de comer os bifes que eu quiser. Isso era coisa para me chatear.

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Vão mas é fazer festinhas ao animal...

por Kruzes Kanhoto, em 07.04.19

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Os amiguinhos dos animais voltaram ontem a manifestar-se em Lisboa. Pelos direitos dos bichinhos, argumentaram. Por mim, embora não me manifeste, também acho que os bichos devem ter direito a ter direitos. Nomeadamente o direito a não serem mal-tratados. Para além disso não estou, assim de repente, a ver que outros direitos devem ser concedidos à bicharada.

Muitas daquelas pessoinhas pugnam pelo direito de não serem usados na alimentação humana. Mas isso, convenhamos, é uma coisa assim a atirar  para o parvo. E doentio, já agora. Contra-natura, também. Eles que experimentem – numa realidade paralela qualquer, obviamente – contrariar a natureza, impondo um regime em que nenhum animal seja comido por outro, e vão ver o sarilho que arranjam. Um leão ou um crocodilo vegan seria algo interessante de ver...

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Salvemos os sapos do Alentejo!

por Kruzes Kanhoto, em 06.04.19

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Diz que os alunos de uma escola secundária foram para o campo, a berma da estrada no caso, colocar barreiras que impeçam os anfíbios – sapos e quejandos - de atravessar a via. Podia-lhes dar para pior. Ou, por outro lado, podiam ter-lhes arranjado ocupação pior. Ficar na escola a ouvir palestras, com palestrantes pagos pelo Estado, acerca das virtudes da homossexualidade, por exemplo. Que, parece, são agora cenas muito em moda. As palestras e isso da homo-coiso.

Anda um grande frenesim relativamente a estes bicharocos. Primeiro foi o sinal de trânsito e agora estas barreiras. Até tenho receio de imaginar o que virá a seguir. Mas, atendendo a que existem câmaras municipais envolvidas nesta macacada, não devo estar muito errado quanto ao que se segue. Quase aposto que se vão criar mais uns empregos para monitorizar os efeitos destas medidas, talvez um gabinete próprio para estudar novas soluções, elaborar um plano de salvaguarda – adjudicado a um gabinete amigo por um valor cem euros abaixo do limite do ajuste directo, naturalmente – e, lá mais para a frente, um centro interpretativo da vida dos anfíbios.

Podia prometer que engolia um sapo caso as minhas premonições não se concretizem. Mas é melhor não. Não quero ser acusado de maltratar os bichinhos.

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Deve ser aquela cena do multiculturalismo, ou lá o que é...

por Kruzes Kanhoto, em 04.04.19

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Não falta gente a esganiçar-se e a rasgar as vestes de indignação perante qualquer declaração de Trump, de Bolsonaro ou dos respetivos acólitos quando em causa estão as referências às mulheres ou às chamadas minorias. Nomeadamente, no âmbito das minorias, aos homossexuais. Ainda que, em muitas circunstâncias, as declarações de ambas as personagens acerca destes assuntos não passem de patetices.

Curiosamente, ou talvez não, as novas punições anunciadas no Brunei, que incluem apedrejamento até à morte para mulheres adulteras e gays, não causam o mesmo nível de irritabilidade. Militantes de causas parvas, gente que faz cenas esquisitas com as partes pudibundas e esquerda em geral, não parecem particularmente aborrecidos. Nos sites destes cavalheiros o destaque vai, no Esquerda.net, para a preocupação por uns quantos italianos pretenderem chegar a roupa ao pelo a setenta ciganos. No “Avante” revoltam-se por os israelitas continuarem a malhar nos palestinianos. Outros, diga-se, que também não apreciam mulheres que praticam o adultério e costumam untar as molas aos marmanjos com tendências desviantes.

E é assim que funciona a indignaçãozinha por cá. Sempre selectiva.

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O burro e os doutores

por Kruzes Kanhoto, em 03.04.19

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Desconheço se Cavaco Silva tem ou não razão naquilo que afirma acerca da taxa do IVA da restauração e da relação que estabelece com o financiamento, ou falta dele, do Serviço Nacional de Saúde. Mas isso sou eu, que não passo de um alarve. Já um rol imenso de portugueses, que correram para as redes sociais a contestar as palavras do homem, não têm tantas dúvidas. Pelo contrário, sabem que a criatura está redondamente enganada, que só quer é aparecer, dizer mal do melhor governo do mundo e que quando mandou nisto só fez disparates. Devem ser, certamente, especialistas em finanças e ciências correlativas. Aliás o país está cheio deles. De especialistas nessa coisa da governança. Pena é que muita dessa gentinha, que sabe o que é melhor para a vida de todos, não saiba governar a própria.

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Os labregos levaram o cão ao cinema.

por Kruzes Kanhoto, em 31.03.19

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Levar cães ao cinema é uma ideia parva. Tal como querer meter um cavalo dentro de um palácio nacional. No segundo caso alguém teve o bom senso de não permitir tal desmando e, quase todos, aplaudiram a proibição. Mas, desconfio, apenas por contrariar as pretensões de uma gaja ricaça. Já aquilo do cinema foi mostrado como algo positivo, interessante e valorizável. Deve ser por, neste caso, se tratar de uns quantos miseráveis engravatados e urbano-depressivos armados ao pingarelho.

Cinema para cães não é propriamente uma novidade. Lá por fora já outros labregos, de outras capitais, o fizeram. Não admira que os nossos labregos, da nossa capital, também o façam. Inquietante é o silêncio dos gajos da defesa dos animais, do racismo e das causas parvas em geral. Ainda nenhum se manifestou contra este acto especista e claramente discriminatório, em beneficio dos cães e em desfavor das outras espécies. Dos cavalos, nomeadamente.

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Ideologia da morte

por Kruzes Kanhoto, em 30.03.19

Diz que a Catarina Martins andou a pavonear-se cá pelo mercado. Não a encontrei. Ainda bem. Assim não tive de olhar para o lado nem cuspir para o lenço de papel. Ao que passou nos telejornais andou a pregar contra as convenções e acordos do Serviço Nacional de Saúde com os prestadores de cuidados de saúde do sector privado e social. Uma vergonha, garante a senhora. Ficamos pois a saber – claro que já sabíamos, mas é sempre bom recordar o apreço que esta criatura tem pela saúde dos portugueses – que, no que depender do partido extremista que lidera, teremos de esperar ainda mais tempo por uma consulta ou um exame no SNS. Ir aos convencionados e resolver o assunto em dias ou poucas semanas é que nem pensar. O Estado não está cá para isso.

Não é apenas ela. Há muito quem tenha essa ideia. Como se fosse possível ao Estado assegurar, em tempo aceitável, a realização de todos os actos médicos a que hoje em dia se recorre. Quem assim pensa ou é doido ou nunca necessitou de visitar um hospital ou um dos muitos centros médicos que existem por aí. Basta contar, mesmo que por alto, as pessoas que todos os dias passam por esses locais e depois fazer o breve exercício de imaginar quantos hospitais públicos seriam necessários para lá meter tanta gente.

Mas o melhor na conversa da pequena mulher foi o que ela não disse. Nem nenhum dos pés de microfone soube perguntar. Qual a alternativa para os habitantes de Estremoz, onde os cuidados públicos são o que são, se acabarem, com a nova lei de bases, os convénios com os privados? Deve ser mais ou menos a mesma cena da hemodiálise. Quem necessita, mesmo com uma clínica privada pronta a funcionar, tem de ir a Évora. Com todas as consequências daí decorrentes para o Estado e, principalmente, para o doente. Nada que incomode certos palhaços. É o que acontece quando a ideologia se sobrepõe à razão. E, lamentavelmente, à saúde.

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Alguém deve estar a precisar de vender bicicletas...

por Kruzes Kanhoto, em 29.03.19

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Aprender a andar de bicicleta vai passar a fazer parte do currículo escolar. Parece-me bem. Aquilo de um gajo – ou uma gaja, ou outra cena qualquer, que isto da linguagem inclusiva é uma coisa muito bonita - se montar num velocípede movido a pedal, tem muito que se lhe diga. Com o tempo ainda há-de dar licenciatura, mestrado e doutoramento em velocipedia. Quiçá, até, a condição de doutor ou engenheiro, com formação na arte de bem pedalar a todo o selim, venha a ser um requisito essencial para poder participar na Volta a Portugal em bicicleta.

Mas, bem visto, nem é nada de mais. Se as escolas já ensinam fedelhos de dez anos a enfiar um preservativo numa banana e tratam de informar os petizes de três anos que lá por terem uma pilinha não significa que sejam rapazes – podem muito bem ser, se essa for a sua vontade, uma menina, um macaco ou um rabanete – esta ideia, por comparação, nem é das mais parvas. Parvos, mas mesmo parvos a sério, são os pais que assistem passivamente à doutrinação dos seus filhos por esta gentalha asquerosa.

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