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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E os tintos, pá?

por Kruzes Kanhoto, em 21.06.18

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Nem sei como é que nenhuma daquelas associações parvas que vivem à custa do dinheiro do contribuinte e que apenas servem para aborrecer as pessoas, ainda não se pronunciou acerca desta frase promocional de uma conhecida cadeia de supermercados. Mas não deve tardar. Não é coisa para escapar à policia do politicamente correcto. Logo essa cambada que detecta ofensas a tudo e a todos em qualquer lado.

Por mim prefiro o tinto. Alentejano. Mesmo que a comezaina inclua deglutir uma ave.

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O amor é uma coisa muito linda...

por Kruzes Kanhoto, em 20.06.18

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Isto das novas tecnologias é uma coisa catita. Antes - em tempos idos, digamos – havia os anúncios nos jornais e nas revistas, nomeadamente na “Crónica Feminina”, onde o pessoal – tropas e presos na sua maioria, acho eu – publicitava a vontade de conhecer a miúda dos seus sonhos.

Hoje é tudo muito mais moderno, rápido e eficaz. A começar por – e ainda bem que assim é – serem também elas a publicitar o desejo de encontrar um parceiro. Depois, graças à Internet e outras modernices, queimam-se logo uma quantidade de etapas. Nada de esperar pela volta do correio. Nem, tão-pouco, pela chegada de uma fotografia que confirme os atributos até aí imaginados. Agora sabe-se e vê-se logo tudo. Bom...mais ou menos!

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Cá, onde Judas perdeu as botas...

por Kruzes Kanhoto, em 19.06.18

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Consta que o Judas, nas suas deambulações apostólicas, terá perdido as botas. Num lugar muito distante, a fazer fé na letra da lenda. Mas não se sabe onde, ao certo. Nem mesmo ao incerto. Ou melhor, não sabia. Agora, graças à perspicácia e a outros atributos absolutamente geniais do autor deste blogue que apenas a minha avó reconheceria, foi possível desvendar o mistério que ao longo dos séculos tem atormentado a humanidade. Foi aqui, precisamente aqui, que um Judas qualquer desta vida perdeu este par de botas.

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Xenofobia dourada. Da boa, portanto.

por Kruzes Kanhoto, em 18.06.18

O Bloco de Esquerda, Ana Gomes e outras personalidades politicamente execráveis estão contra a vinda de estrangeiros para o nosso país. Argumentam, como justificação, que a chegada dessas pessoas tem contribuído para a proliferação da criminalidade e da especulação.  

Ora, parece-me, esta posição é de uma xenofobia intolerável. Não devemos generalizar. Nem considerar que todos os que vem de outras partes do mundo, decididos a viver entre nós, são criminosos. E, mesmo que sejam, constitui um dever da sociedade que os acolhe proceder à sua integração e nunca, mas nunca, discriminá-los.  

Curiosamente não há quem questione aquelas alminhas acerca deste discurso xenófobo, discriminatório e intolerante. Deve ser por se tratar de gente de esquerda. A quem, como se sabe, tudo é permitido. Ou, então, estamos perante xenofobiazinha da boa, discriminaçãozinha do melhor e intoleranciazinha valorizável, a. 

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Morangos do pós-crise

por Kruzes Kanhoto, em 17.06.18

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Fraquita a colheita de hoje. É o que há. A produção da dúzia e meia de morangueiros segue o seu curso natural, não há cá adição de produtos manhosos nem nenhuma qualquer técnica de cultivo e, por isso, não são de esperar grandes safras.

Este ano, para além dos ataques habituais de lesmas e bichos de conta, também a passarada está a atacar os morangos. São mais que muitos, os pássaros. De todas as marcas. E diz que não se podem matar. A lei não permite, parece. Coisa que, presumo, deve ser do conhecimento dos bichos. Não fogem quando nos aproximamos, fazem os ninhos cada vez mais perto, não querem saber de gatos nem espantalhos e estão, em suma, mais atrevidos que nunca. Um dia destes ainda nos pousam em cima. Cá os espero...

 

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Dia da libertação de impostos

por Kruzes Kanhoto, em 16.06.18

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Hoje, dezasseis de Junho, assinala-se o dia da libertação dos impostos. Não é que os tributos tenham acabado. Nada disso. Significa apenas que, para o contribuinte médio, todo o rendimento do seu trabalho, desde o principio do ano até ao presente dia foi direitinho para o Estado.

A julgar por algumas reacções, expressas nas caixas de comentários a esta noticia, há quem não veja nisto nada de especial. Pelo contrário, não desdenhariam mesmo que o dia em que o Estado deixa o nosso bolso em paz fosse lá mais para diante no calendário. Deve ser gente que não paga impostos. Daquela, provavelmente, para quem isso é um conceito desconhecido. Mas, desconfio, para aqueles que estão sujeitos ao saque fiscal em vigor, o dia ainda não terá chegado hoje. É que isso das médias é uma coisa lixada.

Lixados – ainda mais – estaremos também se, como tudo indica, vier a ser aprovada uma nova lei das finanças locais. O objectivo, entre outros, é pôr ponto final nos poucos constrangimentos ao despesismo autárquico e reforçar os meios financeiros das autarquias, para que os caciques possam voltar a esturrar à tripa forra. Nomeadamente dar emprego aos eleitores das respectivas circunscrições. É que existem localidades onde ainda nem todos os habitantes trabalham para a respectiva autarquia. Uma injustiça a que urge pôr cobro, reconheço.

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Piscinas para cães

por Kruzes Kanhoto, em 14.06.18

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Praias para cães são já umas quantas. Mas, com tanto pulguento por aí, ainda serão poucas. Diz que este ano abrirão mais umas tantas, que isto os autarcas estão ansiosos por agradar aquela franja de eleitores que não dispensa a companhia do seu patudinho mai’lindo nem mesmo quando vai a banhos. Uma javardice, é o que é. Mas, pronto, isso é lá com eles.

Por cá ainda não se lembraram de criar piscinas onde o anjinho de quatro patas se possa banhar mais o seu tutor. Que agora, diz, é assim que se chama a quem tem um animal. Deve estar para breve, isso das piscinas. Sim que a ausência deste tipo de equipamento, nomeadamente no interior, constitui uma lamentável lacuna. Para a qual, convenhamos, qualquer autarca minimamente sensível à problemática já devia ter encontrado uma solucionática. Pois. Que isto os bichos e as bichas de cá não são menos que os do lá.

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Negociatas solidárias

por Kruzes Kanhoto, em 12.06.18

Por muito que associações de diversa índole tenham tentado, Portugal ainda não conseguiu entrar no mercado da traficância de gente do norte de África para a Europa. Um negócio chorudo que em nome de uma alegada solidariedade movimenta muito dinheiro. Mas isto pode, infelizmente para o país, estar prestes a mudar. Este esquema manhoso, depois de fechadas as rotas dos Balcãs, da Turquia e prestes a encerrar a italiana, poderá estar a chegar a estas bandas. Está, pelo menos, cada vez mais próximo, pois o conglomerado de interesses que gere a marosca tem vindo a deslocar a travessia de migrantes cada vez mais para ocidente. Já o fazem em direcção à costa do sul de Espanha e, quem sabe, talvez um destes dias comecem a aportar ao Algarve. Afinal Marrocos é já ali. Do outro lado.

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Finados em demasia

por Kruzes Kanhoto, em 11.06.18

Diz que se está a morrer imenso em Portugal. Nunca, ou pelo menos nos últimos dez anos, se morreu tanto como agora. O que não deixa de ser surpreendente, convenhamos. Até porque já não podemos culpar a troika, a crise, a austeridade, o doutor Morte, o Passos Coelho e as suas políticas que não visavam mais do que desgraçar os trabalhadores e o povo por esta mortandade. A culpa, desgraçadamente, desta vez não pode ser atribuída ao maléfico do governo de direita. O que é uma pena. Logo agora que tínhamos um culpado tão jeitoso é que vai acontecer isto.

Estou em crer que a culpa de haver tanta gente a finar-se não será de quem actualmente nos governa. Antes pelo contrário. Deve ser dos velhinhos, que não se resguardam do frio. Ou, hipótese a não descartar, deste tempo esquisito. Quiçá, até, do turismo e dos desgostos causados por aquela lei dos despejos feita pela Cristas. De uma coisa tenho a certeza. Deste governo é que não é. Sim, que com eles a esperança média de vida até aumentou. E muito. Que o digam os "candidatos" à reforma...

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Viva a liberdade!

por Kruzes Kanhoto, em 08.06.18

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Vivi o tempo suficiente em ditadura para dar valor à liberdade. Nomeadamente à liberdade de opinar. Aquela coisa a que chamam liberdade de expressão, ou lá o que é. Daí que conviva muito mal com todos, todas e todes que andam por aí a arrogar-se no direito de determinar o que se pode ou não dizer ou escrever. Assim tipo policia religiosa e dos costumes ao melhor estilo saudita.

Não aceito censuras e detesto censores. Mais ainda quando aqueles que pretendem exercer – e, o pior, é que muitas vezes exercem mesmo – a arte de censurar, representam uma minoria detestável. Vá lá que a visibilidade deste blogue é, neste caso felizmente, praticamente nula. Caso contrário, acredito, já teria tido chatices. À semelhança do que acontece em muitos países europeus – Inglaterra, Alemanha ou Suécia por exemplo – onde é feita uma intensa perseguição a quem se atreve a ter uma opinião diferente da determinada pelo politicamente correcto. Criticar a submissão ocidental aos valores do islão e expressar uma posição que condene a invasão de que a Europa está a ser alvo por uma chusma de ocupantes muçulmanos é hoje, naqueles países, quase uma garantia de ter a policia a bater à porta.

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Do contra...

por Kruzes Kanhoto, em 06.06.18

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Preocupada com a mobilidade – ou a falta dela, no caso - dos munícipes residentes nesta rua, a autarquia colocou ali uma rampa com o intuito – digo eu, que ninguém me contou nada – de melhorar a acessibilidade ao local. Mas isto de ser do contra não é exclusivo meu. É mais comum do que parece. Nomeadamente quando se chega a velho. Pois, como também mostra a imagem, a aversão aos modernismos vai crescendo à medida que aumenta a idade...

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Jornalixo

por Kruzes Kanhoto, em 05.06.18

Seguramente que o futebol português não vive o seu melhor momento. Para isso muito tem contribuído, desde que chegou à presidência do Sporting, um indivíduo ex-gordo e com cara de sapo que tem tratado de lançar o ódio, a desconfiança e a suspeita de que todos são corruptos menos ele.

Mas não é o único a ajudar à festa. Dos adeptos, que durante os últimos cinco anos o seguiram como carneiros, não me admiro. Que clubes rivais apanhem a onda e fazendo uso da larga experiência relativamente a estas matérias ataquem a maior instituição nacional, também percebo. Agora que os jornalistas entrem pelo mesmo caminho é-me mais difícil de entender. Afinal o que os move? Apenas o amor – legitimo – a outro emblema? Seja lá o que for – e ainda que seja apenas isso do amor clubístico - não se me afigura muito compatível com a ética profissional. Ou lá o que se chama a uma série de deveres que alguém deve respeitar no desempenho das suas funções.

Afinal a reportagem recentemente exibida pela SIC, onde foi denunciado um alegado esquema de corrupção que alegadamente envolveria o suborno de jogadores do Marítimo para facilitarem a vitória do Benfica, terá sido feita com recurso a actores. Vale mesmo tudo. Até fingir que se entrevistam jogadores alegadamente alvos de alegadas tentativas de alegada corrupção. É isto o alegado jornalismo e os alegados jornalistas que temos.

Quanto ao resto...investigue-se!

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Apetece-me sacar da calculadora. E da metralhadora, também.

por Kruzes Kanhoto, em 05.06.18

O país e o mundo ensandeceram. Só pode. Isto o melhor é fazer como o gajo do Sporting. Desliga-se o fax, a internet, fecha-se a porta e se alguém tocar à campainha responde-se que não está ninguém em casa. É que o melhor é nem saber o que se passa lá fora. Para não ficar agoniado com tanta idiotice.

Como, por exemplo, aquela de um colégio inglês sugerir que os gaiatos vão de saia para escola. Para, alegam os anormais, fomentar a inclusão. Pois, deve ser, deve. De certeza que um catraio vestido com trajes femininos se vai sentir muito mais incluído. E a inclusão será ainda maior se a isso acrescentar umas cuecas de renda ou, porque não, um fio dental.

Também por cá – como quase sempre, diga-se – não faltaram bacoradas. A dificuldade é escolher apenas uma. Mas, por envolver a possibilidade de mexer com o nosso bolso, escolho a ideia do líder do PSD em premiar com dez mil euros cada nascimento. Ia ser uma coisa bonita, ia. Até parece que já estou a ver uma certa malta a fazer fortuna. E, também, quem pagava a conta. Que, só a valores actuais, chegaria aos mil milhões, por ano. Uma bacatela.

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Que ninguém fique com urticária...

por Kruzes Kanhoto, em 04.06.18

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Pouca coisa contribui mais para a beleza de uma localidade do que os seus espaços ajardinados. Sejam canteiros, rotundas ou um qualquer recanto. Refletem o esmero e o empenho com que os seus habitantes – ou de quem trabalha para eles – tratam do que é seu. Afinal são essas imagens que os visitantes retêm. Mesmo que a verdura, à falta de melhor, sejam apenas urtigões.

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Sois uns ingratos, pá!

por Kruzes Kanhoto, em 03.06.18

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Segundo um estudo qualquer parece que os portugueses são, de entre os europeus, daqueles que maior satisfação demonstram relativamente ao governo. Ao de agora, claro. Ou não fosse este um governo de esquerda, manifestamente preocupado em governar em função dos interesses do povo e que é muito melhor do que o anterior, da direita bafienta, que apenas pretendia dizimar os portugueses pela fome.

Não posso, ainda assim, deixar de achar que somos uns ingratos. Afinal um governo tão bom, tão fofinho e que tanto melhorou a nossa qualidade de vida apenas consegue a aprovação de cinco em cada dez compatriotas. Metade, portanto. Uma vergonha. De certeza não foram ouvidas as pessoas certas. Tivessem eles inquirido os portugueses que se aposentaram até há dez anos atrás, os funcionários públicos ou feito o estudo nas redações dos órgãos de comunicação social e, de certeza, o grau de satisfação andaria perto de fazer o pleno...

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Imposto é roubo? A este nível e nestas circunstâncias, sim!

por Kruzes Kanhoto, em 30.05.18

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Apesar da carga fiscal estar ao nível do esbulho, o primeiro-ministro já garantiu que não é sua intenção diminui-la. Nem mesmo, ao menos, ligeiramente. Ainda que, convém lembrar, o fardo dos impostos, das taxas, taxinhas e derivados seja mais pesado agora do que na altura em que foi preciso pagar a bancarrota deixada pelos socialistas. É necessário baixar a divida, alega. Aquela que, apesar da imensa roubalheira fiscal promovida pela geringonça, não para de crescer. O que não admira, diga-se. O dinheiro nas mãos da esquerdalha é como manteiga em focinho de cão.

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Motivações e outros aldrabões

por Kruzes Kanhoto, em 29.05.18

Três pessoas abatidas a tiro na Bélgica e outras dez decapitadas em Moçambique. Nada que suscite grande interesse à merda de comunicação social que temos. Afinal tratar-se-á de um maluco, no primeiro caso – que aos malucos, de repente, começou a dar-lhes para matar pessoas – ou, no segundo, de um ataque cometido por um grupo armado com motivações desconhecidas. Motivações que, muito provavelmente, até serão, depois de devidamente conhecidas, muito valorizáveis para a merda de jornalismo que nos entra todos os dias casa adentro. Pena que a mesma parcimónia noticiosa não seja observada por estes trastes noutras circunstâncias. Nomeadamente quando fazem verdadeiros julgamentos na praça pública ou promovem qualquer borra-botas à categoria de herói.

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Homem-estátua

por Kruzes Kanhoto, em 26.05.18

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Hoje, por entre as alfaces e outros comestiveis de origem vegetal, o mercado semanal de Estremoz contou com a presença de um homem-estátua. Não é que, por cá, não tenhamos muitos que ao nível do dinamismo pouco ficam a dever a figuras deste género. Mas destes, assim que me lembre, foi a primeira vez. E, a julgar pelos movimentos de agradecimento que a criatura executava, deve ter-se safado. Tal como os outros, os pouco dinâmicos, afinal.

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Um deserto de ideias

por Kruzes Kanhoto, em 25.05.18

Os três ou quatro leitores que, de vez em quando, dão por aqui uma vista de olhos sabem que considero a desertificação do interior um dos maiores – senão mesmo o maior – problemas do país. Todo. Sim, que a falta de gente aqui, devido ao continuo fluxo de pessoas em direcção ao litoral, constitui a causa de muitos males de que padecem as regiões da beira-mar.

Solução para inverter esta tendência, obviamente, que não tenho. Nem, parece-me, ninguém terá. A começar nuns quantos estudiosos que estudaram – aturadamente, calculo - o assunto durante seis meses e apresentaram, em Lisboa, as conclusões a que chegaram. Poucas, acho eu. Assim tipo uma mão cheia de lugares comuns e outra de ideias parvas que estão disponíveis na Internet para quem quiser confirmar, ou não, o que escrevo.

Entre as propostas incluem-se uma infinidade de benefícios fiscais para as empresas. Mas, curiosamente, não existe nem uma linha relativamente a benefícios fiscais para os trabalhadores. Se calhar criar uma taxa de IRS reduzida para todos, todas e todes – não vem ao caso mas tinha de escrever isto – que vivem e ou trabalham no interior era capaz de ser algo de muito mais útil no combate à desertificação. É que isto não basta dizer que o importante são as pessoas. Importa é dar-lhes importância. O resto vem por consequência, não por decreto.

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Eles roubam tudo...eles roubam tudo...

por Kruzes Kanhoto, em 23.05.18

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Anda por aí muita gente indignada com a constante subida do preço dos combustíveis. Tudo porque, a juntar à alta do crude, a carga fiscal sobre o sector é manifestamente – descaradamente, vá - elevada. Eu também estou ligeiramente aborrecido. Mas, garanto, estou muito mais arreliado com o roubo que o Estado ladrão pratica ao nível de outros tributos. Até porque tenho sempre a opção de andar a pé e, assim, reduzir o meu involuntário contributo.

Já no que diz respeito ao IRS pouco – nada, a bem dizer – posso fazer. Há que pagar – e muito – para a metade que não contribui. Apenas beneficia. O mesmo para, por exemplo, o IMI. Um dos impostos mais estúpidos que se paga e que tem como finalidade subsidiar os desvarios autárquicos.

Por se tratar de impostos que todos pagam – até a metade que não contribui de outra forma não lhes consegue escapar – é que esta carestia dos combustíveis apenas me causa um ligeiro aborrecimento. E se, como devia, isso servisse para diminuir os restantes, então, até seria motivo para me regozijar. Assim apenas lamento não os poder mandar ir roubar para a estrada. Isso é actividade que eles já praticam com entusiasmo.

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