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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O socialismo funciona...nunca!

Kruzes Kanhoto, 14.01.26

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Há quem não perceba, ou não queira perceber, que o socialismo não funciona. Ainda assim insistem num argumentário rico em verborreia, mas manifestamente longe da realidade. Aquela coisa que se encarrega de destruir, sempre mais cedo do que tarde, os cenários idílicos daquelas terras que prometem o sol a brilhar para todos nós, mas que afinal apenas conseguem dar a noite mais negra. Ou vermelha, vá, para ser cromaticamente mais  rigoroso.

No gráfico pode ver-se a evolução de um país capitalista, a Venezuela, que um bando de malucos resolveu levar a adoptar as práticas socialistas. O outro, a Polónia, fez o caminho inverso. Os últimos dados da comparação são de 2020. Hoje a diferença será bastante maior. Apesar de todas as evidências ainda existe gente que nos quer vender as opções políticas que levaram ao colapso e à destruição daquele país sul-americano. É a estes que recomendo sempre que façam a revolução socialista no respectivo quintal. E, porque não lhes desejo mal nenhum, estimo as melhoras. Com pouca esperança, mas muita sinceridade.

Quando a liberdade encarece a culpa é do ocidente...

Kruzes Kanhoto, 10.01.26

Compreende-se a vontade de controlar – que é como quem diz, censurar e, se possível, calar – as redes sociais. Sem elas saberíamos apenas aquilo que o poder decidisse que era bom para a sua sobrevivência. Ou, como já acontece em Portugal e em boa parte das democracias ocidentais, ficaríamos confinados à versão oficial dos factos. Aquela filtrada, higienizada e explicada pelos activistas que hoje acumulam as funções de jornalista, militante, pedagogo moral e fiscal da virtude alheia. Nada disto é coincidência, sempre que se sentem ameaçados os ditadores já não mandam calar jornais nem desligam o sinal da televisão. Isso é coisa do passado. Agora mandam cortar a Internet. 

Veja-se o caso do Irão. Para a comunicação social portuguesa aquilo são protestos por causa da inflação galopante que está a destruir a economia e o poder de compra da população. Tudo, esclarecem-nos, por culpa das sanções do ocidente. Deve ser mesmo isso, deve. A grande preocupação das mulheres iranianas é, de certeza, o aumento do preço dos tecidos pretos em que são obrigadas a embrulhar-se. Vai daí, foram para as ruas protestar. Nem ele é outra coisa. Está-se mesmo a ver e só um facho é que não percebe esta maquinação capitalista para derrubar a revolução. Nem um facho, nem alguém que tenha o atrevimento de pensar pela própria cabeça.

Ainda assim, admito, essa canalha do activismo jornalistico tem alguma razão quanto a isso do envolvimento da inflação nestas lutas populares. É que o preço da liberdade está pela hora da morte. No Irão, na Venezuela e em todo o lado onde a esquerda e os seu aliados governam. E, se não nos pusermos a pau, também por cá.

O balázio de ano novo - património imaterial da família tradicional

Kruzes Kanhoto, 06.01.26

Há quem ache estranho que, passados todos estes dias, ainda nenhum membro da  “família” que celebrou a entrada no novo ano aos tiros de metralhadora tenha sido incomodado pelas autoridades. Gente mesquinha, evidentemente. Pessoas pequenas, roídas pela inveja, que não conseguem aceitar que há quem se divirta de forma genuína, saudável e profundamente enraizada na tradição oral  e balística  dos seus antepassados.

Querem ver atrás das grades cidadãos de bem que apenas exerceram o seu direito ancestral de transformar o espaço público num campo de tiro improvisado, sem qualquer intenção de fazer mal a uma mosca. A não ser, claro, que por um azar cósmico absolutamente imprevisível, alguma dessas moscas — ou pombos, ou varandas, ou transeuntes — se tenham atravessado na  trajectória de um dos muitos projécteis festivos disparados para o ar. 

Os que defendem que isto é comportamento punível e que pedem mais “acção” policial revelam apenas ignorância. Não percebem o contexto. Não percebem a cultura. Não percebem que o facto de a “família” disparar armas proibidas a civis é um detalhe menor. Quase burocrático, diria. Quem nunca, numa passagem de ano mais animada, sacou de uma arma de guerra para marcar a meia-noite, que atire a primeira bala. De preferência em rajada.

Além disso, sejamos razoáveis. Identificar a “família” seria uma tarefa ciclópica. Apesar de estarem de cara descoberta, numa rua perfeitamente identificável, num vídeo amplamente difundido, é praticamente garantido que ninguém os conhece. Não moram ali, claro. Estavam só de passagem. Foram à festa. Coisa rápida. E, como é evidente, desapareceram logo a seguir porque a casa fica longe e no dia seguinte tinham de acordar cedo para ir trabalhar. 

Pode ser isso tudo. Ou não. Tenho outra teoria. Cá para mim, aquele vídeo é falso. Ou melhor, é coisa criada por inteligência artificial para nos levar a sentir falsas sensações de insegurança. Uma cena muito própria da extrema-direita, ou lá o que se chama aqueles gajos que não gostam de “famílias”. Toda a gente sabe que as “famílias” não se dedicam a actividades desprovidas de enquadramento legal. "Jamé", como dizia o outro. No máximo, vá, a umas burlazinhas no MB Way...

Especialistas que deixaram de querer apenas paz...

Kruzes Kanhoto, 04.01.26

De repente, como cogumelos depois da chuva ou comentadores depois de um conflito internacional, começaram a surgir especialistas especialmente especializados nessa especialidade muito específica chamada direito internacional, que curiosamente ninguém parecia dominar até ontem ao pequeno-almoço. Aquela coisa da Venezuela fez-lhes saltar a tecla. Eu, pelo meu lado, pouco percebo do assunto. O que me coloca, ironicamente, numa posição de enorme vantagem. Daí que me socorra das posições dos apaniguados de um conhecido partido político — aquele cuja relevância pública é rigorosamente inversa à sua relevância eleitoral — já testadas e aprovadas aquando da invasão da Ucrânia. A receita é simples, eficaz, moralmente confortável e resume-se a “eu só quero paz”. O que é preciso é paz. Paz acima de tudo. Se é que aconteceu alguma coisa, claro. E, se aconteceu, não começou agora. Nunca começa agora. Começa sempre algures no Neolítico ou, no mínimo, em 1991. É preciso olhar para trás. Muito para trás. Até encontrar qualquer coisa que justifique tudo. Deve ser isso. Ou outra cena marada qualquer, possivelmente.

Seja como for, a deposição de Maduro é, sem dúvida, uma boa notícia. A má é a forma como foi deposto. Um detalhe, dirão alguns. Um pormenor técnico, dirão outros. Embora não se trate sequer de um precedente — ingerências, invasões, golpes e anexações são mais que muitas nos últimos cinquenta anos — o episódio tem a ligeira desvantagem de significar que nenhum país ou território está verdadeiramente a salvo. Nenhum mesmo. Seja o Canadá, a Gronelândia ou os Açores por parte dos EUA, todos os países que constituíam a URSS por parte da Rússia ou Taiwan pela China. É tudo uma questão de tempo, oportunidade e uma narrativa suficientemente criativa. Até mesmo Portugal é melhor ir pondo as barbas de molho, que os castelhanos estão mesmo ali ao lado e são capazes de começar a ter ideias. E isso, as ideias - especialmente as mais parvas -  costumam surgir quando menos se espera.

Reciclagem tradicional

Kruzes Kanhoto, 31.12.25

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Há tradições, sólidas como as muralhas que as inspiram, que atravessam gerações. Costumes ancestrais, transmitidos de forma quase ritual. A fotografia que aqui se vê documenta uma delas. O  nobilíssimo hábito de atirar lixo muralha abaixo. Trata-se de uma prática antiquíssima, cujas origens se perdem no nevoeiro da história. Os primeiros registos remontam, ao que consta, ao primeiro cerco à urbe. Um episódio ocorrido numa época tão remota que ainda eu tinha cabelo. O que ajuda a situar cronologicamente o evento no dealbar da humanidade. Nessa altura, os atacantes terão sido rechaçados com recurso a pedradas e a todo o tipo de objectos disponíveis à mão, inaugurando assim uma escola de defesa urbana baseada no improviso e no desperdício doméstico.

A tradição manteve-se viva ao longo dos séculos. Sempre que os castelhanos se lembravam de entrar por aqui adentro com intenções menos amistosas, lá choviam detritos, móveis e utensílios vários, garantindo uma retirada célere e pouco digna. Diz-se que muitos invasores regressaram a casa não só derrotados, mas também com uma profunda aversão a cerâmica partida. Daí aquela tradição manhosa que os espanhóis hoje têm de ir à feira de Elvas comprar louça.

É reconfortante verificar que, apesar da modernidade, há quem continue a honrar os costumes dos antepassados. Verdade que, nos últimos anos, ninguém tentou invadir a povoação. Mas com o estado em que anda o mundo, nunca fiando. Nada como manter o treino em dia e assegurar que, se o pior acontecer, não falte munição. À vista desarmada o arsenal parece modesto. Garrafas de plástico, caixas de cartão e um ou outro electrodoméstico fora de prazo. Mas não nos iludamos. Em caso de necessidade extrema, haverá sempre recurso a armamento pesado. Seguramente nos "paióis" existirão frigoríficos, máquinas de lavar, fornos e um velho sofá de três lugares em fim de vida prontos a serem arremessados. Tudo em nome da defesa civil e da pátria gloriosa. Que o Putin, ou qualquer outro pateta com ambições expansionistas, se ponha a pau. Aqui não passará. Os bravos patriotas do local estão preparados para pôr a milhas qualquer atacante. Com eficácia, convicção e um profundo desprezo pela recolha selectiva de resíduos. Um grande bem-haja a quem não deixa morrer as tradições.

Especialistas em tudo ou mestres do nada

Kruzes Kanhoto, 26.12.25

 

Há pessoas que sabem tudo sobre tudo. Não se limitam a ser especialistas nisto ou naquilo. Não. São especialistas em tudo o que alguma vez foi, é ou poderá vir a ser uma especialidade. É precisamente por isso que adoro ler o que escrevem e ouvir as suas opiniões sábias, profundas e, sobretudo, muito especialmente especializadas, que fazem o especial favor de nos oferecer, quase sempre sem que ninguém lhas tenha pedido. O tempo, esse mal-educado, costuma depois encarregar-se de os desmentir. Ou de pôr as suas certezas em modo de dúvida permanente. Em quase tudo, curiosamente.

Garantem estas eminências que os imigrantes — que, diga-se desde já para evitar ataques de nervos, fazem cá falta e a questão nem é essa — estão a salvar a Segurança Social. Vai-se a ver, porém, e a idade da reforma continua a subir, enquanto o valor das pensões, em comparação com o último vencimento, continua a descer. Quanto aos estrangeiros que cá vivem e trabalham, não se sabe ao certo quantos são, onde moram ou o que faz a maioria. Parece até que é mais simples contar javalis. Esses, segundo dados oficiais, são quatrocentos mil. E, arrisco dizer, mais facilmente localizáveis.

Em matérias legislativas, então, a especialização atinge níveis olímpicos. Garantem, com ar grave e tom doutoral, que aquela coisa dos cartazes do Ventura é manifestamente ilegal por discriminar toda uma comunidade. Talvez seja. Sou tentado a concordar. Aliás, já achava o mesmo quando muita dessa gentinha, que agora rasga as vestes em defesa da não discriminação, se deliciava a contar anedotas e graçolas onde os alentejanos surgiam invariavelmente como criaturas alérgicas ao trabalho. Alguns chegaram mesmo a aborrecer-se por eu não lhes achar piada e acusaram-me de uma “incapacidade de rir de mim próprio”, prova inequívoca — segundo eles — da minha falta de inteligência. Pois. De discriminação percebem eles. Nisso, reconheço, são mesmo especialistas. Têm anos de prática, currículo sólido e uma notável capacidade de só identificar a que dá jeito.

O passado, em politica, é muito imprevisivel

Kruzes Kanhoto, 22.12.25

Tempos houve em que se garantia que um tipo perigoso é aquele que nos olha nos olhos e mente. Hoje mente-se com a maior das naturalidades enquanto nos olham de frente. Sem sequer pestanejar, se preciso for. Os políticos aperfeiçoaram essa prática e a mentira faz parte integrante das suas estratégias. Digamos que a mentira deixou de ser um desvio moral para se tornar numa competência transversal, especialmente apreciada na carreira política. 

Mas, convenhamos, há mentiras e mentiras. Uma coisa é prometer mundos e fundos para o futuro, esse território sempre elástico onde tudo cabe e nada se confirma. Outra, bastante mais grave e com muito menos margem para ginástica verbal, é mentir sobre o que se fez no passado. Foi nesse campeonato que decidiram alinhar António Filipe e André Ventura. Pelos menos, assim que me lembre, mais à descarada.

O primeiro garante, com ar ofendido, que o PCP nunca, jamais, em tempo algum, defendeu a saída do euro e da União Europeia. Ideia que, aparentemente, brotou espontaneamente da imaginação coletiva de décadas de militantes, dirigentes e documentos oficiais. O segundo jura a pés juntos que é uma falsidade pegada ter dito que votou em José Sócrates. Tudo invenções, como se sabe.

Cada qual é livre de defender as ideias que bem entender. Os comunistas, por exemplo, sonham com um país que seria uma espécie de Cuba em versão europeia, com clima menos tropical e economia igualmente exótica. É lá com eles. O problema não é a ideia, mas sim a negação histérica de a ter tido. Assumir posições exige coluna vertebral e, como temos visto no caso da Ucrânia, isso é um acessório que o PCP tende a dispensar sempre que em causa está a mãe-Rússia.

Quanto a ter votado em José Sócrates, obviamente, não tem nada de mal. Especialmente se, como diz André Ventura — embora nunca saibamos quando está a falar verdade — se arrependeu por se sentir enganado. Acontece aos melhores e ele até está muito longe de integrar esse grupo. O incómodo começa quando não se assume e evolui para o patético quando se jura que é mentira. Ainda assim, vindo de alguém que votou no candidato do PS enquanto militava no PSD, não é exatamente motivo para espanto. Aliás, não me surpreenderá minimamente se, nas próximas presidenciais, André Ventura acabar por não votar no candidato André Ventura. Afinal, coerência é um conceito raramente usado na politica. Por ele e por todos.

A última carta

Kruzes Kanhoto, 21.12.25

Há quem não se canse de estar do lado errado da história. Nem, qual D. Quixote, de lutar contra moinhos de vento e contra as mudanças que, gostemos ou não, vão acontecendo todos os dias na sociedade.

Ainda são muitos os que rasgam as vestes contra as privatizações. Como se o Estado, que somos nós e apenas dispõe do dinheiro que nos tira do bolso, tivesse obrigação de nos prestar todos os serviços e vender todos os bens de que precisamos. A privatização dos CTT, ainda no tempo do Passos, é daquelas que mais irrita os que desejam viver sob a tutela do Estado paizinho.

Vender aquela empresa foi uma boa solução. Distribuir cartas, já então se percebia, é um negócio sem futuro. Cá e em todo o mundo mais ou menos desenvolvido. Na Dinamarca, que em muita coisa nos devia servir de exemplo, o serviço postal vai entregar a última carta no próximo dia trinta de dezembro, pondo fim a uma tradição com mais de quatrocentos anos. Decisão justificada pela digitalização e a acentuada quebra no envio de correspondência. Por cá, mais cedo do que tarde, terá de acontecer o mesmo. Já ninguém escreve cartas de amor.

O mundo é o que é. Mas há quem prefira continuar a lutar contra o moinho, espada em riste, convencido de que o carteiro ainda vem a cavalo.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 20.12.25

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O meu quintal constitui um ecossistema habitado por uma fauna abundante e indecifrável. Bichos esquisitos, rastejantes diversos, lagartas e passarada de todas as marcas. Todos com um apetite verdadeiramente obsceno. Comem tudo e não deixam nada, estes abutres aproveitadores do trabalho alheio e desconhecedores do conceito de propriedade privada. Como outros, igualmente detestáveis, que por aí cirandam.

Por alguma razão que os meus conhecimentos agrícolas não alcançam, mas a ciência explicará, os morangueiros estão agora a frutificar. Não produziram nada na época certa, mas agora há por ali uns quantos a dar fruto. Obviamente não como nenhum. Mal começam a ganhar cor, são de imediato integrados na cadeia alimentar da bicheza que adoptou este recanto como habitat. Daí esta opção mais ou menos drástica. Sempre quero ver agora como vão ripostar os rastejantes. Cá os aguardo, seus vermes!

IRS: fazer as contas antes que seja tarde

Kruzes Kanhoto, 17.12.25

Há quem garanta que existem apenas duas inevitabilidades na vida. A morte e os impostos. Quanto à primeira, convém empurrá-la para o mais longe possível. Na  segunda, ainda que não incumprindo descaradamente a lei, é imperativo fazer de tudo para pagar o menos que se puder. Daí que, no que toca ao IRS, os últimos dias do ano sejam o momento ideal para quem não se precaveu antes sacar da calculadora, fazer contas e tentar aproveitar todas as oportunidades legais para emagrecer a factura. Haverá várias ferramentas, mas deixo a sugestão deste simulador de IRS para rendimentos de 2025 a pagar em 2026. Muito completo, fácil de usar e com a enorme vantagem de permitir, com antecedência, avaliar a dimensão do “estrago”. E, se for caso disso, tentar minimizar, mesmo que modestamente, a escala do assalto.