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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Podem não noticiar...mas não podem esconder!

por Kruzes Kanhoto, em 10.11.19

Percebo que os canais de televisão não queiram maçar os telespectadores com minudências. Uma manifestação de algumas centenas de pessoas, numa terriola quase despovoada muito mais perto de Espanha do que de Lisboa, não constitui assunto para aparecer nas noticias nem justifica a deslocação de uma equipa de reportagem. Ainda se fosse para descrever a maneira de confecionar uma açorda ou para revelar ao país toda a magnificência de um prato de migas…

Manifestações a merecer honras de espaço televisivo são aquelas que metem um milhão de pessoas no Terreiro do Paço ou, como no tempo da troika, as que conseguiam mobilizar duzentos mil manifestantes naquela espécie de largo em frente ao Parlamento. Devia ser estarem dispostos em várias camadas, certamente.

A causa em questão, reconheça-se, também não era a melhor. Nem a mais valorizável. Pelo contrário, não era daquelas que a esquerda fofinha – passe o pleonasmo, que a esquerda é toda fofinha – aprecia e aprova. Fica para a próxima. Quando alguém – bombeiro, médico, professor – se “passar” e arrefinfar um tabefe nas trombas a um cigano. Ou a um jornalista.

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Apanhados do clima (II)

por Kruzes Kanhoto, em 24.04.19

 

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Uma campanha publicitária actualmente em curso questiona-nos se podemos mudar o mundo sentados no sofá. Uma questão pertinente, essa. Mas, tal como os criativos que a engendraram, também acho que se pode contribuir para isso mesmo sem sair de casa. Pode-se até, disso tenho a certeza, fazer muito mais do que aqueles profissionais do protesto - há quem lhes chame activistas - que passam a vida em manifestações patéticas.

Como aquela de Londres, por exemplo, onde uns quantos apanhados do clima estão acampados em protesto, dizem, contra as alterações climáticas e a falta de medidas para as combater. Calculo que tenham muitas ideias e que, individualmente ou em conjunto, se fartem de contribuir para um planeta mais saudável. Embora, assim de repente, não pareça nada. Deixando de lado certas práticas que, desconfio, a maioria daquela malta não prescinde, basta olhar para os cabelos pintados em cores sortidas, que quase todas as manifestantes exibem, para se perceber quanto estão preocupados e o que contribuem para a preservação do ambiente. Ou vão alegar que a tinta para tingir o cabelo não polui nadinha?!

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A rua é do povo, pá! Ou não?!

por Kruzes Kanhoto, em 30.10.16

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Procissões sujeitas ao pagamento de uma taxa para o cortejo dos procissantes atravessar uma estrada?! Diz que sim. Prejudica o transito e inferniza a vida das pessoas, admito, mas, assim de repente e apanhado de surpresa, parece-me manifestamente uma ideia peregrina. E, quase sem querer e já prestes a concordar, surgiu-me agora uma questão pertinente: o dinheiro da tal taxa vai para onde? Ou, melhor, para quem? É entregue, a titulo de compensação pelo tempo perdido, a todos os que ficaram parados à espera que os crentes acabassem de procissar? Não?! Então, está-se-me a escapar qualquer coisinha…

Parvo foi o Coelho – o Parvus – em não se ter lembrado disso. A quantidade de manifestações que os comunas e outros trastes fizeram durante os quatro anos e tal de vigência do governo anterior, teriam chegado e sobrado para pagar a divida. Sim, que nisto prejudicar a livre circulação de pessoas não deve existir discriminação de manifestações. Seja lá qual for a fé que os manifestantes professem. E só a CGTP, a uma média de um milhão de participantes por cada manifestação, teria dado um contributo decisivo. Lá teriam contribuido com algo de útil para a sociedade...

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Estranho conceito de democracia...

por Kruzes Kanhoto, em 31.10.15

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Bastou um grupo de três indivíduos, cada um por si, ter a ideia de sugerir a realização de uma manifestação em frente à Assembleia da República contra um eventual governo de esquerda, para deixar os comunistas e outros esquerdalhos à beira de um ataque de nervos. Pelos vistos a rua é da esquerda. O direito ao protesto é da esquerda. O direito à liberdade de expressão só pode ser exercido se for para exprimir opiniões favoráveis à esquerda. Apenas a esquerda se pode manifestar nas ruas. Tem o exclusivo, devem achar as criaturas. Era assim em setenta e cinco. Pelos vistos querem que assim continue em dois mil e quinze. E isto ainda sem estarem no governo...

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