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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

IRS - Quando os argumentos descem ao nível da pré-primária...

por Kruzes Kanhoto, em 25.09.20

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Acabo esta série de posts que tiveram como tema a proposta da Iniciativa Liberal no sentido de ser implementada uma taxa única de IRS, com as reacções que esta ideia suscitou. Duas, basicamente. Ambas bastante básicas, diga-se. “Não, porque assim os ricos pagariam menos”, uma delas e “não, porque quem não paga não é beneficiado”, a outra. Elucidativo. Um argumentário bastante revelador. Nem vale a pena dizer do quê. Mas que nos devia deixar em alerta sobre o carácter de quem o usa. O desprezo a que votam a metade dos portugueses que pagam IRS diz muito acerca de quem nos dirige e dos badamecos gravitam à sua volta.

Um dia destes voltarei ao assunto. Por agora, que o fim do ano começa a aproximar-se, vou fazer planeamento fiscal. O meu. Que isto, sem taxa plana, há que fazer tudo para pagar a taxa mínima.

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“O IRS é o imposto que mais contribui para a eliminação da desigualdade salarial”

por Kruzes Kanhoto, em 24.09.20

Uma afirmação lapidar, esta. Dita assim até parece ser uma coisa muito virtuosa. Nomeadamente para alguns tolinhos, iletrados, demagogos diversos e gente com o cuzinho cheio de boa vida, como remataria a minha avó.

Vejamos o contributo - no âmbito da função pública - desse imposto virtuoso para eliminação das desigualdades salariais. Nomeadamente ao igualar o vencimento de quem ganha um pouco mais do que o SMN. Uns ricaços, na perspetiva comunoide dos moluscos esquerdistas para quem apenas importa o discurso populista e demagógico do aumento do salário mínimo que esquece todos os demais.

Carreira Vencimento TSU IRS ADSE V. Liquido
Técnico Superior 1 205,08 € 132,56 € 174,74 € 42,18 € 855,61 €
Assistente técnico 693,13 € 76,24 € 29,11 € 24,26 € 563,51 €
Assistente Operacional 645,00 € 70,95 € 0,00 € 22,58 € 551,48 €
SMN 635,00 € 69,85 € 0,00 € 0,00 € 565,15 €

 

Digamos, perante estes números, que o objectivo é praticamente atingido. Em termos líquidos um assistente técnico – o administrativo de um centro de saúde, por exemplo – aufere mais doze euros do que a senhora da limpeza. Que, por sua vez, recebe menos trezentos euros do que a técnica trata das análises. Ainda assim, se calhar, uma diferença demasiado grande do ponto de vista dos que acham que devemos ser todos pobres.

Há, em conclusão, que rejeitar liminarmente a ideia de uma taxa plana – igual para todos - e ponderar o aumento do IRS. Mais dinheiro no bolso de quem trabalha pode levá-los por maus caminhos. Melhorar de vida, nomeadamente. E depois, como ouvi dizer em inúmeras ocasiões a alguns “camaradas”, aburguesam-se e já não votam na gente. Uma chatice, de facto.

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IRS - Se a inveja fosse dedutível...

por Kruzes Kanhoto, em 23.09.20

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Para muita gente cinquenta euros ao fim do mês a mais no ordenado não são nada. Setecentos, no final do ano, também não. Mesmo que estejamos a falar de vencimentos abaixo ou a rondar os mil euros. São, curiosamente ou talvez não, os mesmos que rasgam as vestes sempre que recordam a austeridade, as patifarias do Passos Coelho, o roubo dos salários e que se afirmam convictos defensores dos trabalhadores. E do povo, como diz o outro.

Não me surpreende este pensamento. Tal como não me espanta a incapacidade de muitos outros em perceberem que sim, efectivamente a generalidade dos trabalhadores por conta de outrem ficariam a ganhar com a taxa plana de irs. Talvez vendo a imagem que que acompanha o post percebam. Os valores referem-se à tabela de retenção na fonte de “casado – dois titulares – sem dependentes”. É esta apenas por ser a que se me aplica, mas ser outra qualquer. O resultado não teria diferenças substanciais.

Sendo um imposto anual, o resultado final não é, obviamente, a soma das catorze retenções. Há que ter em conta toda uma panóplia de deduções e abatimentos. Nomeadamente de despesas de saúde, educação ou exigência de factura que poderão ter alguma influência no apuramento. O que constitui um dos principais argumentos dos que são contra a taxa única. Válido e muito pertinente, diga-se. Só é pena que se esqueçam de acrescentar que, ao arrepio das suas alegadas preocupações, essa benesse é quase irrelevante nos rendimentos mais baixos. Mas, no fundo, nada disso lhes importa. Desde que dez ou vinte ricaços não deixem de pagar umas centenas de milhares de euros, querem lá eles saber se centenas de milhões de portugueses ficam ou não com mais dinheiro disponível. A isso chama-se inveja. Ou parvoíce, sei lá.

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IRS - É a ignorância que os faz felizes

por Kruzes Kanhoto, em 22.09.20

Tal como se esperava, a proposta da Iniciativa Liberal visando a criação de uma taxa única de irs não “incendiou” as redes sociais. Um fogaréu aqui ou ali e nada mais do que isso. Ainda se fosse um cão esquelético que urgisse salvar…

A ignorância generalizada relativamente a este assunto não me surpreende. Mas diverte-me. As pessoas não sabem fazer contas nem, a esmagadora maioria, tem sequer a mais pálida ideia do que se está a falar. Mesmo aquelas que, por força dos cargos que ocupam, tinham a obrigação de possuir um conhecimento, ainda que mínimo, daquilo que está em causa. Um bom exemplo foi o debate entre os representantes da Iniciativa Liberal e do Bloco de Esquerda, uma noite destas na SIC Noticias, sobre a taxa única de IRS. Foi algo assim:

(IL) - “Todos os portugueses vão pagar menos”

(BE) - “Isso é mentira, pois quem não paga nada não paga menos”

(IL) - ?!?!?!? (siderado perante a idiotice do argumento)

(BE) - “as pessoas não sabem que não pagam…”

A argumentação do esquerdista radical que sustenta o governo passou depois para as comparações. Para ele o grande beneficiado será um CEO qualquer que ganha dois milhões por ano que verá, de acordo com a proposta da IL, a factura do IRS reduzida de oitocentos mil para “apenas” trezentos mil euros. Já um trabalhador que aufere oitocentos euros mensais terá, segundo os cálculos do extremista, uma redução mensal de cinquenta euros. Curiosa esta maneira de fazer as contas. Ao ano para um e ao mês para outro. Podia ter acrescentado que no segundo caso era quase mais um mês de ordenado. Ou, mas isso já era pedir demasiada honestidade intelectual, quantos trabalhadores ganham por mês oitocentos euros – ou menos – e quantos CEO’s ganham por ano dois milhões – ou mais. E, já que estava com as mãos na massa, podia também ter dito por que raio sustenta no poder um governo que pratica esse tipo de discrepância salarial em entidades sob a sua responsabilidade.

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Impostos?! Isso não interessa nada.

por Kruzes Kanhoto, em 21.09.20

O IRS é um assunto que desinteressa profundamente à maioria dos portugueses. Não admira. Metade não pagam e uma grande parte dos outros não quer saber. Têm outras preocupações. Coisas sérias e importantes como fascismo, racismo, Ventura, Trump, Bolsonaro, extrema-direita, o que cada um faz com o rabo, as diatribes do Vieira ou seja lá o que for que a comunicação social resolva promover como assunto do dia. Isso sim, é que é de preocupar. Agora cá impostos...que perda de tempo.

Pois a mim, que tenho um prazer imenso em ser do contra, é o que mais importa. E aborrece, principalmente. Não gosto nada de olhar para o meu recibo de vencimento e constatar que os valor dos “descontos” representam cerca de cinquenta por cento da coluna do “vencimento liquido”. Ou seja, em termos práticos, em cada mês trabalho vinte dias para mim e dez para o Estado. Isto deixando de lado que do “liquido” que escorre para a minha conta ainda vai verter uma parte significativa para IVA, ISP, IMI, IUC, mais todas aquelas taxas e taxinhas das facturas da luz e da água ou incluidas no preço de muitos outros bens.

Este é um tema que não me traz leitores. Pouco me interessa. Vou escrever sobre ele toda a semana. É que aquela frase que ouvi ontem pronunciada por um dirigente – deputado, ou lá o que é – do Bloco de Esquerda, não me sai da cabeça. “O IRS é o imposto que mais contribui para a eliminação da desigualdade salarial”. Pudera. Até o meu gato imaginário, o Bigodes, sabe porquê.

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Autarquias amigas do contribuinte...ou não!

por Kruzes Kanhoto, em 14.03.20

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As autarquias são, na sua maioria, especialistas em expurgar-nos das contas bancárias os fundos que podíamos usar para melhorar a nossa qualidade de vida. Vendem-nos água a saber a detergente pelo preço de uísque escocês, cobram o IMI a pardieiros como se de palacetes se tratasse e abotoam-se com o IRS de quem ganha ordenados miseráveis com o fantástico argumento de que se pagam é porque são ricos. Um fartote.

Mas depois há aquelas onde o esbulho assume contornos parecidos com a vigarice. Em alguns concelhos parece que o IMI é tanto maior quando menor for o estado de conservação dos imóveis. Baseiam-se naquela teoria mirabolante que um imposto mais elevado obrigará os proprietários, esses patifes, a conservar o seu prédio. Mesmo sem entenderem que se o dinheiro vai para a Câmara já não chega para o gajo das tintas.

O inverso, lamentavelmente, não acontece. A possibilidade do munícipe pagar menos IMI quando a autarquia não conserva aquilo a que está obrigada, é coisa que aos divinos autarcas não ocorreu. Vá lá saber-se porquê. Ou, então, se calhar até sabemos.

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O orçamento da bicharada

por Kruzes Kanhoto, em 06.02.20

Ao contrário de outros anos, não tenho ligado nenhuma ao orçamento do Estado que, por estes dias, anda a ser discutido e aprovado no Parlamento. Não terei perdido grande coisa, ao que se diz. Um circo em torno da descida do IVA – que serviu para esconder, à custa do ruído que provocou, mais um enorme aumento de impostos – e pouco mais.

Quem está muito contente são os amigalhaços dos animais. Com aquilo do iva das touradas, nomeadamente. Agora que os bilhetes são à taxa máxima o touro sofre muito menos. Já quase não sente as bandarilhas no lombo, aposto.

Quanto à restante bicharada, não sei que benefícios lhes reserva este OE. Mas, pouco me espanta, se passar a considerar os animais de companhia como parte integrante do agregado familiar para efeitos do IRS, se o SNS comparticipar o preço dos medicamentos para os bichos e, espero que alguém tenha pensado disso, alargar o âmbito das baixas médicas a quem necessita cuidar do seu bichinho quando este fica enfermo.

Há, também, mais uma quantidade de impostos novos e aumento noutros. Como aquele sobre a carne. Que é, justificam, para a malta comer menos. É desta que vou engordar um porco no quintal. Sempre estou para ver quem é o alarve que se vai atrever a vir cobrar este tributo ridiculo.

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IRS - Infectados, roubados e sovados

por Kruzes Kanhoto, em 24.01.20

Depois dos duques não sei do quê na outra semana, esta andou sempre à volta da Isabel dos Santos e de um vírus manhoso. Houve, também, aquela cena de pancadaria na Amadora. Racismo, berram uns quantos. Os do costume, no caso. Em relação à pancadaria, bem entendido, que o vírus ataca toda a gente e a empresária angolana – ou russa, sei lá - é rica demais para essas coisas. Tudo temas que pouco me importam. Nem, acho eu, merecem o destaque que lhes tem sido dado. Mas, por aquilo que me apercebo, entusiasmam quase todos.

Acabei a semana a olhar para a declaração de rendimentos auferidos e de retenções de irs, referentes ao ano findo, que a minha entidade patronal hoje me entregou. Tal como, suponho, deve ter acontecido ou irá acontecer por estes dias à generalidade de quem trabalha por conta de outrem. Ocorreram-me, enquanto olhava para a prova do crime, uns quantos pensamentos envolvendo vigaristas, gente a precisar de tratamento urgente e malucos diversos. A todos, confesso, me apeteceu partir os cornos. Mas não posso. Entre governantes, apoiantes fervorosos e pessoal que não se importa de ser roubado são mais que muitos.

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Inconstitucional? Depende...

por Kruzes Kanhoto, em 16.12.19

Ando há não sei quantos anos – uns trezentos, no mínimo – a reclamar benefícios fiscais, nomeadamente no IRS, para quem reside e trabalha no interior do país. Que não, não pode ser. Seria inconstitucional, por violar o principio da igualdade ou outro principio qualquer que ocorra a quem manda nestas cenas. Esta, ou outra parecida, é a justificação que mais frequentemente leio ou ouço em reação a esta ideia.

Coisa que, pelos vistos, não se verifica no caso dos jovens. No próximo ano os que saírem de casa dos pais vão ter uma bonificação de vinte por cento no IRS. Mesmo que se mudem para o prédio ao lado. Ou seja. Dois jovens que até podem ser vizinhos, trabalhar na mesma empresa e ganhar o mesmo ordenado, pagarão IRS diferentes. É tudo constitucional. Não deixar uma vastidão de território desertificar, através de incentivos fiscais a sério como é o imposto sobre o trabalho, é que contraria a constituição.

Como não sou constitucionalista não sei se assim é ou deixa de ser. Nem me interessa. O que sei é que um país que despreza três quartos do seu território e quem neles vive, nunca valerá grande coisa.

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"Clickbaites", "soundbaites" e outros bitaites

por Kruzes Kanhoto, em 07.11.19

Aqui há atrasado publiquei uma série de posts acerca de um “homem do bloco”. Tais escritos levaram uns quantos ilustres cidadãos a acreditar piamente que se tratava de uma referência à sua pessoa. Não era, como então tive ocasião de esclarecer. Embora, como é óbvio, não tivesse obrigação nenhuma de o fazer. A minha imaginação não é assim tão prodigiosa. O “homem do bloco” constituía apenas uma sátira a um senhor – coitado, já não está entre nós - que munido de um bloco, ia anotando as ocorrências que suscitavam a sua atenção para posteriormente as reportar a quem tinha, ou entendia ter, o dever de o fazer.

Vem esta prosa a propósito destes meus bitaites que, para além de muitos clickbites, terão alegadamente constituído motivo para alguns soundbites. Apesar de não serem novidade nenhuma. Já antes tinha escrito mais ou menos o mesmo aqui e aqui. E quanto ao argumentário de que até o Bigodes - o meu gato imaginário - se ri, pode ser lido aqui. São, como quem tiver paciência pode ler, opiniões. Cada um terá a sua. A minha, nesta e noutras matérias, não me cansarei de a manifestar. Pelo menos até que os dedos me doam.

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Autarquias amigas do contribuinte...ou não!

por Kruzes Kanhoto, em 05.11.19

Acredito que a esmagadora maioria dos contribuintes não sabe, dada a reconhecida iliteracia financeira da generalidade dos portugueses, que parte da receita do IRS é pertença das autarquias locais. Felizmente para os moradores desses concelhos, algumas - cada vez mais - prescindem deste dinheiro, no todo ou em parte, a favor dos seus munícipes.

Há quem considere que se trata de uma medida populista, que é o que está agora em moda chamar às opções com que não concordamos. Outros dirão que constitui uma injustiça social por – veja-se o requinte do argumento – não abranger os mais pobres. Trata-se, como é fácil de constatar, de um argumentário destinado a enganar tolos. Que até aborrece de tão demagógico e – ele sim – escandalosamente populista. Se os “pobres” estão isentos de IRS é óbvio que não podem ter desconto sobre algo que não pagam. Da mesma maneira que também não têm deduções fiscais em sede de IRS nas despesas de saúde ou educação. Até o meu gato, se o tivesse, de certeza percebia.

Mas, só para termos uma pequena ideia acerca de quanto beneficiam os ricaços que pagam IRS com a politica fiscal praticada por algumas autarquias, deixo o quadro seguinte para que cada um tire as suas ilações. Veja-se, por exemplo, que um contribuinte de Loulé, com uma colecta líquida de 3 000€ tem uma redução de 150€ no imposto a pagar. Já eu que moro em Estremoz...

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Coisas que m'apoquentam...

por Kruzes Kanhoto, em 10.04.18

Parece que toda a gente está ansiosa por acertar contas com o fisco. Tanto assim é que, desde o inicio do mês, as dificuldades em aceder ao portal das finanças têm sido mais que muitas. Deve ser por causa da promessa de reembolso rápido do que descontámos em excesso. Não sei porquê. Quanto mais depressa o receberem, mais depressa o esturram. Mas se este ano é assim, nem quero imaginar no próximo. Com a poupança forçada a devolução será maior e, por consequência, a sofreguidão do pagode também.  

 

Os últimos dias têm sido pródigos em queixas acerca dos problemas na saúde. Parece que está tudo a cair aos pedaços. A culpa, presumo, ainda deve ser dos outros. Dos cortes e do ataque que fizeram ao SNS com o intuito de o destruir, aqueles patifes da direita bafienta que só querem o mal do povo. Entretanto, desde que a esquerda com odor a alfazema tomou o poder, os pagamentos em atraso aos fornecedores e as listas de espera não param de aumentar. Mas, curiosamente, já ninguém trata o ministro da saúde por "Doutor Morte". É a vida... 

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Todos igualmente pobres...É o desejo da União Europeia!

por Kruzes Kanhoto, em 10.03.18

Estou confuso. Ligeiramente aturdido, até. Tudo por causa daquela reprimenda que a União europeia deu ao governo do Costa. Parece que os burocratas europeus não apreciaram as mexidas que a geringonça andou a fazer no IRS. E que foi, diga-se, das poucas medidas relativamente aceitáveis levadas a efeito pelos esquerdalhos que tomaram o poder de assalto.

Segundo os patetas da UE, acabar com a sobretaxa e diminuir meio cagagésimo o imposto sobre o rendimento vai agravar as desigualdades entre os portugueses. Pois. Deve ser isso, deve. Dado que metade dos contribuintes não contribuem nada em termos de IRS, só falta dizer que o Passos e o Gaspar andaram quatro anos a promover a igualdade social. Ou seja, pelo ponto de vista europeu, os impostos nunca podem baixar - apenas subir - para a metade pagante ficar cada vez mais pobre e, assim, construir uma sociedade mais igual.

Estranhamente, ou talvez não, o PCP, BE e PS não reagiram a estas críticas das instituições europeias. Antes tão ciosos da tal soberania nacional, acérrimos opositores das ingerências externas na nossa política e mais o diabo a quatro estão agora mais caladinhos do que um rato. E contentes, presumo. Afinal este era o argumento que lhes faltava para não fazerem a única reversão que verdadeiramente importa fazer. Reverter o enorme aumento de impostos. Ou já todos se esqueceram disso?!

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Síndrome de Estocolmo

por Kruzes Kanhoto, em 26.01.18

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Pelo segundo Janeiro consecutivo quando olho para o recibo do vencimento constato que, mais uma vez, o meu ordenado mensal foi vitima de nova redução. Pouco me importa o consolo que outros procuram na tese de, lá para Junho e Novembro, a média mensal subir para valores relativamente parecidos aos que auferia há nove anos. Hoje, neste preciso dia, recebo menos. É um facto. Tal como também é um facto – ou, até, dois factos - que estou a fazer um empréstimo forçado à minha entidade patronal e outro, através do IRS, ao Estado. E, neste último caso, a coisa é ainda pior. Estão a burlar-me. Ficam, a cada mês, como uma parte do meu vencimento que seria escusado ficarem. Tudo para depois, a três meses das eleições, ma devolverem. Deve ser para me sentir reconhecido pela deferência de me darem o que é meu e que já devia estar na minha posse há mais de um ano e ir, como reconhecimento, votar neles. Coitados. Devem pensar que somos todos burros, os geringonços.

Uma estratégia inteligente, essa. Que, admito, está a dar os seus frutos. Trata-se da aplicação à política daquela coisa do síndrome de Estocolmo, ou lá o que é que se chama aquilo da vitima simpatizar com o criminoso. As sondagens não deixam dúvida quanto a isso. Somos roubados e ainda agradecemos ao ladrão. Porreiro, pá!

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Vade retro, IRS!

por Kruzes Kanhoto, em 21.11.17

Faço parte de uma minoria que não consegue escapar ao pagamento de impostos. Não tenho como receber, por exemplo, parte do ordenado "sem ir à folha". Nem, tão-pouco, auferir rendimentos que não afectem a declaração de IRS. Mas, admito, tenho pena. Tal como começo também a admitir que tentar escapar ao pagamento de impostos, seja pelos meios legais ou quaisquer outros, deve constituir um desígnio nacional. Atendendo à maneira como o governo semi-comunista esturra o dinheiro que somos obrigados entregar-lhe constitui, até, quase uma espécie de dever. É por isso que, chegados a esta altura do ano, recomendo vivamente a quem me lê uma especial atenção às despesas dedutíveis em sede de IRS - às que já tem e as que ainda pode vir a fazer - e, sobretudo procurar um simulador de IRS de 2017 a entregar em 2018.  Cada euro que pouparmos é menos um euro mal-gasto! 

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E uma baixazinha no IRS?

por Kruzes Kanhoto, em 16.11.17

Segundo as contas do governo – ainda não desmentidas, ao que julgo saber – o descongelamento dos escalões dos professores custaria seiscentos e cinquenta milhões de euros. Coisa que, pelos vistos, pouco ou nada importa aos sindicatos. Mas – e não é por uma questão de inveja ou falta de respeito pela profissão – importa-me a mim. E muito. É que esta maçaroca toda representa um pouco mais de meio por cento do total do IRS que o governo prevê arrecadar em 2018.

A menos que me esteja a escapar alguma coisa deve existir uma qualquer espécie de discriminação nisso do descongelamento. Para os professores, ao que declararam alguns docentes às televisões, estarão em causa umas centenas de euros por mês. Mas, para a generalidade das carreiras da função pública, o tal descongelamento não dá mais do que umas três dezenas de euros mensais a cada funcionário. Logo, não me parece que a classe docente tenha assim tanta razão de queixa. Ou se há é apenas por estarem com dificuldade em recuperar parte dos privilégios perdidos.

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Manipulação informativa, misandria e xenofobia. Tudo em directo numa TV perto de si.

por Kruzes Kanhoto, em 04.11.17

A comunicação social insiste em manter na ordem do dia a cena de pancadaria em Lisboa. Como se isso fosse algo de importante para o país ou dali tivessem resultado consequências que constituíssem uma qualquer espécie de drama. Afinal, para quem terá sido agredido selvaticamente, os tais jovens até parecem não estar assim tão mal. Isto ou os seguranças batem como meninas ou alguém nos está a contar uma história alternativa. Entretanto não se vai falando no OE/2018. Realmente o que é que isso pode interessar aos portugueses quando comparado com um arraial de porrada entre meliantes? Nada, obviamente.


E aquilo do assédio sexual, ou lá o que é? Mais uma modernice. Outro filão a explorar até à exaustão pelo comité das noticias. Não tarda, também por cá, começarão a vir a terreiro umas quantas criaturas muito traumatizadas por terem sido apalpadas pelos colegas de carteira na escola primária. É nestas alturas que bem-digo ser pobre. Parece-me que é a única condição para se estar imune a esse tipo de acusações.


O elevado preço das casas em Lisboa é culpa, ao que alegam uns quantos, dos estrangeiros endinheirados que vêm para cá beneficiar da isenção de IRS, concedida em 2009 pelo governo do Sócrates e ainda hoje em vigor. Uma chatice, isso de essa estrangeirada vir para Portugal gastar o dinheiro deles quando o podiam fazer noutro país qualquer. Daí que ande a germinar a ideia de acabar com essa benesse. Eles que paguem como os demais, ameaçam umas criaturas que entendem tanto do que estão a falar como eu de cozinha uzebeque. Mas, se fazem assim tanto mal na capital, façam-nos pagar tudo e mais alguma coisa onde acham que a sua presença está a distorcer o mercado e isentem-nos, também de tudo e mais o resto, em todo o interior do país. Mas não. Isso não será feito. Preferem que continuemos orgulhosamente sós. Como o outro.

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O Parlamento aceita petições sexistas?!

por Kruzes Kanhoto, em 18.10.17

Acho piada aos activistas. De todas as espécies. E mais piada lhes acho à medida que as causas que defendem vão constituindo um dado adquirido. O caso da igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres entre homens e mulheres, por exemplo. Ainda que - pelo menos em termos legais - isso já seja um assunto arrumado, os tais activistas não se dão por satisfeitos. Querem mais. Muito mais.

Tanto que está para discussão no Parlamento uma petição com o sugestivo titulo de “benevolência a mães sozinhas com filhos a cargo”, onde a signatária solicita “encarecidamente um especial olhar do Estado protector para este público especifico”. Embora reconhecendo que já existem apoios às pessoas mais carenciadas, entende que é imprescindível ir mais longe. Nomeadamente “ser mais amplo, não sendo redutor apenas à folha de vencimento”. Seria de criar uma espécie de “estatuto” que permita às beneficiárias ter da parte do Estado apoios “ao nível do crédito à habitação, agua, gaz, electricidade, comunicações (incluindo internet)...para aquisição de viatura, nas oficinas quando os carros avariam, em todos os impostos, nas multas...” e sim estou a citar. Tudo isto, reitero, destinado às mães com filhos a cargo, estejam ou não empregadas, beneficiem ou não dos apoios sociais existentes e sejam ricas, remediadas ou pobres.

Desconheço o destino que os deputados vão dar a este rol de disparates. Para já está em análise e a serem ouvidas umas quantas entidades. Mas, dada a maluqueira que vai para aqueles lados, não me custa a crer que, de entre este conjunto de disparates, alguns venham a ter acolhimento.

Enquanto isso o país vai ardendo e o interior ficando sem gente. Não há por aí um activista que peça um estatuto especial para os resistentes que ainda cá vivem e que inclua, por exemplo, não pagar IRS?

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Inovações fiscais

por Kruzes Kanhoto, em 13.10.17

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A inovação em matéria de impostos parece não ter fim à vista. O próximo a inventar é o imposto “Batata frita”. Isto para, segundo os mentores da ideia, desincentivar o consumo dos ditos tubérculos após fritura. Esta fúria tributária, apesar de idiota, não se me afigura mal de todo. É como o outro. Pior seria se nos continuassem a ir ao ordenado.

Ainda assim acho possível – e desejável, já agora que é só para desincentivar – ir mais longe neste caminho. Explorar novos horizontes e, digamos, continuar a inovar no que aos impostos que visam o desincentivo diz respeito. No âmbito dos fritos, por exemplo, sugiro que se taxem os torresmos, o brinhol e os jaquinzinhos. Quanto aos doces, os iogurtes, pudins ou leite creme também me parecem constituir um filão a explorar. Até porque, ao que consta, terão um teor de açúcar bem mais elevado do que certas bebidas já sujeitas ao imposto “Coca-cola” e, portanto, convém desincentivar o seu consumo.

Obviamente que só paga estes impostos quem quer. Quem não quer pagar não consome. É este o principal argumento usado sempre que o tema vem à baila e, diga-se, não podia estar mais de acordo. É por essa razão que reitero o meu apelo aos fiscalistas, economistas e outros parvos ao serviço do governo no sentido de taxar a queca. Também só paga quem quer. Ou pode.

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Malvados, vão gastar o vosso dinheiro para outro lado!

por Kruzes Kanhoto, em 15.09.17

Extraordinário como, praticamente sem perder algum tempo a pensar, os internautas enchem o facecoiso e as caixas de comentários dos jornais aplaudindo as opções da geringonça. Hoje foi aquela ideia peregrina que o governo estará a amadurecer no sentido de taxar as pensões dos estrangeiros que, nos últimos anos, tiveram a ideia de viver e gastar as suas reformas cá pelo rectangulo.

Os argumentos são do mais variado mas, em quase todos, predomina a inveja. Assim na base do “se eu pago eles também têm de pagar”. Não adianta perder tempo a explicar a estes ignorantes as inúmeras vantagens para o país de ter pessoas com elevado poder de compra a viver grande parte do ano entre nós. Nunca perceberiam. Nem, menos ainda, percebem que caso coloquemos entraves à sua presença, outros lhes oferecerão aquilo que nós lhes negamos.

Percebo que alguns achem que o dinheiro deles não faz cá falta nenhuma. Nomeadamente aqueles que “o” têm certo ao fim do mês sem que para isso necessitem de desenvolver um esforço significativo. A esses pouco importa que os velhotes endinheirados do norte da Europa contribuam para a regeneração urbana das nossas cidades ou para a dinamização do nosso comércio, restauração e hotelaria. Tanto se lhes dá. Desconfio, até, que são capazes de pensar que se os estrangeiros começarem a pagar, a receita fiscal aumenta de tal maneira que o governo baixa o IRS...Tadinhos!

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