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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O Último que feche a porta

por Kruzes Kanhoto, em 22.05.19

Diz que em vinte e três por cento dos municípios – setenta, mais coisa menos coisa - há mais reformados do que trabalhadores. Nada que constitua novidade ou motivo de preocupação seja para quem fôr. De resto a “espuma dos dias” depressa se encarregou de levar este tema para longe da agenda politico-mediatica.

Nisto não há inocentes. A culpa do despovoamento, envelhecimento e desertificação do interior é de todos. Dos políticos que desprezam tudo o que não dá votos, dos autarcas absolutamente alucinados e, em não menor grau, de todos os portugueses. Sim, todos. Porque preferimos o cão a ter filhos e optamos por votar em gente maluca que nos promete um emprego na Câmara. Entre outras parvoíces, claro está.

Pior ainda é o que esta análise não revela. Para além dos aposentados, quantos mais vivem do rendimento mínimo, do desemprego ou de outro apoio social do Estado? E, dos restantes, quantos trabalham para as respectivas autarquias? O cenário, convenhamos, é aterrador. Nestas condições não é possível produzir riqueza, atrair investimento ou promover a fixação de novos residentes. E o que muitos, mesmo entre aqueles que por aqui vivem, ainda não perceberam é que já ultrapassámos o ponto de não retorno.

Pena é que a preocupação que tudo isto causa à generalidade dos portugueses esteja ao nível daquele “é chato” do outro badameco...

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Ambientalistas...mas com vista para o mar!

por Kruzes Kanhoto, em 28.04.19

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Se toda a gente garante – desde sábios reconhecidos a idiotas com vontade de serem conhecidos – que as alterações climáticas são culpa da humanidade e que constituem uma ameaça ao nosso futuro, não serei eu, pobre ignorante, a duvidar de tão evidente evidência. Até porque, garante também um rol imenso de gente entendida no assunto, Portugal será dos países mais afectados. Nomeadamente por causa da subida do nível do mar. Dizem os especialistas especializados nesta especialidade que vai subir como o caraças. Uma chatice. Ou não, pois vendo a coisa pelo lado positivo, passamos a ter a praia mais perto.

O que me deixa desconfiado nisto do clima, mais do que a sua mudança, são os gajos que andam por aí a reclamar por alteração de comportamentos de forma a minimizar os estragos que temos feito ao ambiente. É que, não sei se já alguém reparou nisso, mas os grandes investimentos públicos – e privados, também – são todos no litoral. Mesmo junto à costa, em muitas circunstâncias. E, vejam lá o meu espanto, ninguém reclama nem rasga as vestes contra eles. Ou, no mínimo, exige a sua localização no interior. Assim de repente e já meio enervado, recordo-me da Fundação Champaulimaud, daquele museu da EDP ou, agora, do novo aeroporto. Tudo para ficar submerso, se as previsões se concretizarem. Nada que incomode ambientalistas e outros sábios. Vá lá saber-se porquê. Ou, se calhar, até sabemos.

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Interior mas pouco

por Kruzes Kanhoto, em 18.07.18

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Gosto mesmo de ouvir políticos, comentadores e gente entendida em geral a dissertar acerca do interior. A sério. Volta e meia até lhes dá para apresentar medidas, propor coisas e estimular a criação de sinergias. O que é bom, acho eu.

O caso dos descontos nas portagens para veículos de mercadorias que utilizam as auto estradas do interior, por exemplo. Parece-me bem. Há, no entanto, um pequeno pormenor. Uma coisita de nada, por assim dizer. Noto, na lista dos tais descontos, a ausência da A6. Aquela auto-estrada que vai da Marateca até ao Caia atravessando todo o Alentejo central. Deve ter sido esquecimento. Ou, então, já nem interior somos. Mas, como ainda não dei por ninguém se queixar, também não ser importante isso do desconto.

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Um deserto de ideias

por Kruzes Kanhoto, em 25.05.18

Os três ou quatro leitores que, de vez em quando, dão por aqui uma vista de olhos sabem que considero a desertificação do interior um dos maiores – senão mesmo o maior – problemas do país. Todo. Sim, que a falta de gente aqui, devido ao continuo fluxo de pessoas em direcção ao litoral, constitui a causa de muitos males de que padecem as regiões da beira-mar.

Solução para inverter esta tendência, obviamente, que não tenho. Nem, parece-me, ninguém terá. A começar nuns quantos estudiosos que estudaram – aturadamente, calculo - o assunto durante seis meses e apresentaram, em Lisboa, as conclusões a que chegaram. Poucas, acho eu. Assim tipo uma mão cheia de lugares comuns e outra de ideias parvas que estão disponíveis na Internet para quem quiser confirmar, ou não, o que escrevo.

Entre as propostas incluem-se uma infinidade de benefícios fiscais para as empresas. Mas, curiosamente, não existe nem uma linha relativamente a benefícios fiscais para os trabalhadores. Se calhar criar uma taxa de IRS reduzida para todos, todas e todes – não vem ao caso mas tinha de escrever isto – que vivem e ou trabalham no interior era capaz de ser algo de muito mais útil no combate à desertificação. É que isto não basta dizer que o importante são as pessoas. Importa é dar-lhes importância. O resto vem por consequência, não por decreto.

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