Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Racismo fiscal

Kruzes Kanhoto, 06.03.21

FB_IMG_1615019732579.jpg

Disparates cada um diz – ou escreve – todos os que lhe dê na realíssima gana. Eu digo e escrevo muitos. Ainda bem que, até ver, todos temos liberdade para isso. Embora, parece-me, a discriminação já esteja a chegar ao direito ao disparate. Ou seja, uns têm direito a disparatar e outros nem por isso.

O cavalheiro que escreveu a mensagem acima publicada tem todo o direito a defender que os impostos sejam cobrados em função da cor da pele. A ele, enquanto negro, ninguém o aborrece por estas idiotices. Nem a ele nem a outros que, noutras paragens, sugerem este tipo de coisas há largos anos. Já a mim, um branco que no Verão fico um bocadinho a atirar para o escuro, se me atrever a sugerir que em Portugal não existe essa cena de discriminação em função da “raça” – seja lá isso de raça o que for – aparecem logo as gajas das causas, os idiotas úteis e outros parvos a apelidarem-me de racista.

Igualmente quando, mesmo sustentado em dados irrefutáveis – pode não se concordar com o principio, mas isso é outra conversa – defendo a aplicação da “taxa plana de irs”, tenho logo umas alminhas indignadas a tecer considerações pouco abonatórias. As mesmas que, curiosamente ou talvez não, não abrem o bico em relação a dichotes como o deste senhor. Para além da ignorância, alguma razão haverá. Desconfio que a cor do homem é capaz de ter alguma coisa a ver. Nos dias de hoje convém não discordar de um negro...

Burgueses, maltezes e... burros doutores. Ou doutoras.

Kruzes Kanhoto, 26.02.21

Captura de ecrã de 2021-02-26 12-21-14.jpg

Nos primeiros anos de trabalho integrava um restrito grupo de jovens trabalhadores extremamente mal pagos. Ninguém, na organização, ganhava menos do que nós. Situação que, obviamente, me desagradava e contra a qual manifestava de forma mais ou menos veemente o meu protesto. Recordo-me de um ou outro episódio em que a coisa só não foi a pior porque os “camaradas” me aconselharam, digamos assim, a não fazer muitas ondas. Até porque, fizeram questão de me recordar, eu era um burguês e que não podia estar para ali a comparar o meu com os vencimentos significativamente superiores dos colegas operários. Estes, coitados, trabalhavam sob as agruras do clima enquanto eu, um privilegiado do sistema, passava o dia num gabinete, sentado a uma secretária e ao abrigo das intempéries, borrascas, do sol abrasador e demais devaneios climatéricos. Ou seja, ganhava pouco – aquilo pouco passava do salário mínimo – mas estivesse caladinho.

Este discurso patético está de volta. Hoje é esta criatura que opina nos jornais. Esta senhora pode ser doutorada naquilo que quiser mas, por mais livros que carregue ou cursos que tire, uma besta será sempre uma besta. Defender uma barbaridade destas está ao mesmo nível do argumentário daqueles que achavam que o gajo que varria a rua devia ganhar bastante mais do que o tipo que lhe fazia o ordenado. Mas aqueles, infelizmente, eram praticamente iletrados e desta realidade pouco mais conheciam do que lhes ensinavam no partido. O que esta “economista” propõe é ainda pior. Não se limita a discriminar o trabalhador em função do seu local de trabalho como -  independentemente do vencimento e alguns ganham pouco mais que o SMN -  quer que sejam penalizados fiscalmente por isso.

A falta de vergonha desta gentinha de esquerda não me espanta. Tenho, como referi, uma vasta experiência a lidar com ela. O que ainda me surpreende é ver tantas pessoas inteligentes, ponderadas e de bom senso, acharem que o caminho é seguir estas ideias.

O helicóptero do dinheiro

Kruzes Kanhoto, 31.01.21

Captura de ecrã de 2021-01-31 16-25-33.jpg

 

A capa do semanário “Sol” deste fim de semana proclama em letras garrafais que “temos de meter dinheiro nas mãos dos portugueses”, dando voz a uma conceituada especialista na especialidade que trata destas cenas da economia e afins. Se ela diz, quem sou eu para a contrariar. Até porque sou português e já estou para lá de farto que metam as mãos no dinheiro do portugueses. No meu, nomeadamente.

Mas, assim de repente e de isso já ter sido feito por Trump com os americanos, não estou a ver bem como iria funcionar essa coisa de dar dinheiro ao pagode. Um cheque para cada tuga? Se calhar não era grande ideia. Os ricos metiam-no no banco, os pobres compravam telemóveis desses ainda mais modernos e os assim-assim iam de férias para o estrangeiro. No final o nosso dinheiro acabava na mão de empresas e países estrangeiros ou nos bancos. Outra vez.

Se é para injectar dinheiro na economia que seja pela via fiscal. Reduzir os impostos sobre o trabalho, as empresas e o investimento parece-me o único caminho. O resto são teorias – cientificamente muito bem elaboradas, tenho a certeza – mas que tendem a esquecer um pequeno pormenor. Uma coisinha de nada, digamos. A realidade, ou o que é.

Os mais pobres e, provavelmente, também os mais parvos.

Kruzes Kanhoto, 27.01.21

Nunca tive curiosidade nenhuma em ler o programa de qualquer partido. Muito menos do Chega. Devo ser, a julgar pelo que vejo nas redes sociais, dos poucos portugueses que não norteiam a sua vida pela busca do conhecimento permanente em matérias fundamentais como as linhas programáticas dos partidos políticos. Nomeadamente do tal Chega.

Também já tinha prometido que, tão cedo, não voltava ao tema “taxa plana de IRS” depois de, na sequência da proposta apresentada na Assembleia da República pela Iniciativa Liberal ter dedicado uma semana inteira de posts aqui no Kruzes. Estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Mas isto é mais forte do que eu e esta cena do IRS mexe muito comigo. Nomeadamente ao nível da carteira. Daí que, após ler inúmeras publicações de gente esclarecida e bastante informada em política fiscal criticando os eleitores do Ventura por votarem no homem sem conhecerem as propostas do Chega para o IRS – e para mais umas quantas coisas, também - resolvi vasculhar o programa daquela agremiação relativamente a esta matéria. A critica – a que me interessa, com as outras não perco o meu tempo - desta chusma de especialistas da especialidade prende-se com a taxa única de imposto que os cheganos pretenderão aplicar se um dia forem governo (lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus, cruzes canhoto). Uma vergonha, garantem os entendidos do facebook escandalizados por ser proposto que todos paguemos quinze por cento sobre o rendimento auferido. Mas não leram – e, por acaso até aparece ANTES do valor da taxa – que a taxa única de IRS, que defendemos, deverá ser aplicada apenas a partir de um determinado nível de rendimento”. Deve ter sido esquecimento. Ou burrice. Ou, então, estão a usar aquela coisa de que acusam o chegano Chefe. Demagogia, ou lá o que é.

Só mais uma coisinha. No final do mandato presidencial resultante desta eleição seremos o país mais pobre da Europa. Atrás de muitos países que recentemente nos ultrapassaram e de outros que, entretanto, vão ultrapassar e  onde a taxa plana de irs é uma realidade. Mas deve ser apenas coincidência, claro. 

 

É para atestar de impostos, se faxavor...

Kruzes Kanhoto, 10.10.20

IMG_20201009_180209.jpg

Não é que isto seja novidade. Longe disso. Toda a gente sabe que quando abastecemos o depósito do carro estamos, mais do que a meter combustível, a pagar impostos. Confesso que não são os que mais me custam pagar. Ali, na bomba, somos todos iguais. Todos roubados por igual. E isso, tirando a parte do roubo, é que é justo. Sim que a igualdade – tal como o amor, que agora não é para aqui chamado - é uma coisa muito linda.

No caso presente, para um abastecimento de quarenta litros que me custaram quase sessenta euros euros, paguei trinta e sete euros e noventa cêntimos de impostos. Enquanto defensor acérrimo da taxação do consumo, em detrimento da taxação do trabalho e do rendimento, não fico particularmente escandalizado. Excepto para os que dependem do carro para trabalhar, pagar mais ou menos depende da vontade de cada um. E, a julgar por aquilo que vou vendo, não são muitos os que se chateiam por pagar tanto. Se isso os incomodasse faziam como eu. Andavam e pé e o carrito era mesmo só para o estritamente indispensável. Mas, se gostam de pagar impostos, continuem a andar de cu tremido. O Costa e a Catarina agradecem.

 

Impostos?! Isso não interessa nada.

Kruzes Kanhoto, 21.09.20

O IRS é um assunto que desinteressa profundamente à maioria dos portugueses. Não admira. Metade não pagam e uma grande parte dos outros não quer saber. Têm outras preocupações. Coisas sérias e importantes como fascismo, racismo, Ventura, Trump, Bolsonaro, extrema-direita, o que cada um faz com o rabo, as diatribes do Vieira ou seja lá o que for que a comunicação social resolva promover como assunto do dia. Isso sim, é que é de preocupar. Agora cá impostos...que perda de tempo.

Pois a mim, que tenho um prazer imenso em ser do contra, é o que mais importa. E aborrece, principalmente. Não gosto nada de olhar para o meu recibo de vencimento e constatar que os valor dos “descontos” representam cerca de cinquenta por cento da coluna do “vencimento liquido”. Ou seja, em termos práticos, em cada mês trabalho vinte dias para mim e dez para o Estado. Isto deixando de lado que do “liquido” que escorre para a minha conta ainda vai verter uma parte significativa para IVA, ISP, IMI, IUC, mais todas aquelas taxas e taxinhas das facturas da luz e da água ou incluidas no preço de muitos outros bens.

Este é um tema que não me traz leitores. Pouco me interessa. Vou escrever sobre ele toda a semana. É que aquela frase que ouvi ontem pronunciada por um dirigente – deputado, ou lá o que é – do Bloco de Esquerda, não me sai da cabeça. “O IRS é o imposto que mais contribui para a eliminação da desigualdade salarial”. Pudera. Até o meu gato imaginário, o Bigodes, sabe porquê.

A esquerda é invejosa.

Kruzes Kanhoto, 04.09.20

Precisamos de uma carga fiscal mais baixa, a começar pelo IRC. Este é um problema ideológico da esquerda, que, no fundo, é o problema cultural da inveja, porque somos um país pobre”. Quem assim fala é Álvaro Beleza, um dos raros militantes do PS que, na actual deriva esquerdista e populista daquele partido, ainda parecem manter uma razoável sensatez.

Impostos a um nível que ultrapassa em muito o esbulho, nomeadamente o IRC e o IRS, são o principal problema do país. Daqui derivam quase todas as maleitas que, colectivamente, nos atormentam. Mas os portugueses não entendem isso. Não é por mal. É só porque, genericamente, são burros e também, como refere aquele socialista, invejosos. O facto de metade deles não pagarem impostos directos e uma larguíssima faixa da população beneficiar de apoios sociais do Estado, contribuirá igualmente para que este tema não conste das nossas preocupações colectivas.

Entretanto vamos discutindo, como se isso interessasse para alguma coisa, problemas imaginários que apenas existem nas mentes delirantes dos malucos que nos governam, respectivos camaradas, subsidio-dependentes do sistema, beto-urbano-depressivos e activistas das causas que os doidos varridos vão inventado. O racismo, o fascismo e a canzoada são, hoje, as da moda. Amanhã será o que calhar. Enquanto isso, nós, os que pagamos, vamos sustentando toda esta fauna.

São impostos fofinhos, de certeza...

Kruzes Kanhoto, 17.05.20

XXXXXXXXXXXX.jpg

 

Manifestações a exigir a demissão de governos apoiados por partidos de esquerda nunca constituem noticia na comunicação social lusitana. Excepto, mas isso é por outras razões, se ocorrerem na Venezuela. Tirando essa excepção, para os jornaleiros portugueses o povo pretender deitar abaixo um governo de esquerda é uma impossibilidade prática.

Esta ausência de noticias já foi assim em relação à Grécia e é agora relativamente a Espanha. As manifestações populares – acho que é assim que se designam usualmente – de protesto contra o governo socialista/comunista espanhol sucedem-se, mas, por cá, nem um pio. Tal como se multiplicam os actos de protesto da população contra o confinamento. Sem que, deste lado da fronteira, isso seja noticiado. Nem, sequer, ridicularizado. Já as manifestações dos que exigem o mesmo no Brasil e nos States, essas sim, é que não passa telejornal sem que nos sejam exibidas. Critérios. De alto rigor jornalístico, presumo.

E os impostos, porra, os impostos?!

Kruzes Kanhoto, 01.05.20

Pode ter sido apenas impressão minha mas, assim de repente, fiquei com a ideia que o país inteiro se babou com aquela converseta do Pedro Nuno Santos – o ministro mais bloquista que o próprio BE – acerca da TAP, do dinheiro dos portugueses e do povo mandar naquilo. Conversa da treta, aquela. Demagogia e populismo do mais rasca que já ouvi da boca de um governante. Basta ter um bocadinho de noção – como diz o outro – para perceber o disparate. O povo vai mandar tanto na TAP como manda na Caixa Geral de Depósitos. Quando muito já sustenta uma e passará a sustentar a outra.

A irritabilidade tuga em relação aos holandeses está hoje, outra vez, em alta. Em causa o patife de um trabalhador local, que se lembrou de pedir – frente às televisões, o que ainda é pior – ao primeiro ministro daquele país, para não "dar" mais dinheiro à Espanha e Itália. Trata-se, parece-me, de um cidadão preocupado com o destino dos seus impostos. Assim estivéssemos nós. É que, por cá, não vejo ninguém horrorizado por mais de metade de um ordenado médio se esvair em impostos. Nós, já dizia Jorge Sampaio, queremos é “sacar à Europa”. Que é como quem diz, aos impostos dos outros.

E por falar em impostos. Foi impressão minha ou a senhora da CGTP não falou em reduzir os impostos sobre o trabalho?

Inconstitucional? Depende...

Kruzes Kanhoto, 16.12.19

Ando há não sei quantos anos – uns trezentos, no mínimo – a reclamar benefícios fiscais, nomeadamente no IRS, para quem reside e trabalha no interior do país. Que não, não pode ser. Seria inconstitucional, por violar o principio da igualdade ou outro principio qualquer que ocorra a quem manda nestas cenas. Esta, ou outra parecida, é a justificação que mais frequentemente leio ou ouço em reação a esta ideia.

Coisa que, pelos vistos, não se verifica no caso dos jovens. No próximo ano os que saírem de casa dos pais vão ter uma bonificação de vinte por cento no IRS. Mesmo que se mudem para o prédio ao lado. Ou seja. Dois jovens que até podem ser vizinhos, trabalhar na mesma empresa e ganhar o mesmo ordenado, pagarão IRS diferentes. É tudo constitucional. Não deixar uma vastidão de território desertificar, através de incentivos fiscais a sério como é o imposto sobre o trabalho, é que contraria a constituição.

Como não sou constitucionalista não sei se assim é ou deixa de ser. Nem me interessa. O que sei é que um país que despreza três quartos do seu território e quem neles vive, nunca valerá grande coisa.