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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Impostos bons e impostos maus

Kruzes Kanhoto, 30.08.21

Isto do IRS enerva-me. Ouvir argumentos a defender a manutenção das elevadas taxas a que vencimentos miseráveis estão sujeitos, só para que outros ainda mais miseráveis não se sintam prejudicados, dá-me cabo dos nervos. De acordo com este ponto de vista nunca nenhum imposto pode baixar. Desde o ISP ao IVA. O primeiro porque o pobres não têm carro ou fazem menos viagens e o segundo porque os ricos compram mais e se o IVA baixasse tirariam daí mais beneficio. Um pouco, convenhamos, o argumentário daqueles que são contra a taxa plana do imposto sobre o rendimento.

É uma ideia interessante, essa, a de fazer justiça social através do IRS. Lamentavelmente parece ser o único imposto com queda para justiceiro. O IMI e o IMT são uns mariquinhas. Verdadeiros cobardes, até. Pior. Esquivam-se a ajudar os pobres de uma maneira perfeitamente ignóbil. Basta um gajo, coitado, cheio de boas intenções declarar que um pardieiro qualquer é, afinal, um chalé todo catita e cheio de pedigree, que aquela dupla de tributos deserta de imediato da guerra contra a pobreza e nunca mais ninguém o vê a lutar pela justiça social. Mas não faz mal. Quem precisa de estrupícios como o IMI e o IMT quando tem o IRS?

Adoro os impostos dos outros...

Kruzes Kanhoto, 22.08.21

Os portugueses gostam de impostos. Nomeadamente do IRS. Num país onde muito mais de metade da população escapa a esse tributo, não surpreende que assim seja. Os políticos, os nacionais e os locais, jogam com esse sentimento e têm ao longo dos últimos anos esticado a corda a seu belo prazer. Os primeiros, subindo a taxação sobre os rendimentos como muito bem lhes apetece e os segundos não prescindindo nem de uma migalha da fatia que lhes é destinada.

O Costa, como político experiente que é, sabe melhor do que ninguém jogar com esta mesquinhez. Daí que venha agora prometer uma baixa no IRS e, como já o fez noutra ocasião, acabe por, com sorte, a redução se ficar por valores meramente residuais. Daqueles que não dão nem para um café por mês ou uma carcaça por semana. Só para usar um termo de comparação que o pessoal da esquerda percebe.

Li um número relativamente significativo de comentários produzidos a propósito destas declarações do primeiro-ministro. Acredito que constitua uma amostra, mais ou menos fiável, do pensamento dos portugueses. A conclusão a que chego expressei-a no inicio do texto. Somos um povo que temos um carinho especial por impostos. Queremos cada vez mais despesa e temos uma imaginação prodigiosa para sugerir novos impostos que financiariam as nossas divagações. Daqueles que apenas seriam os outros a pagar, nem preciso esclarecer. Que isto a malta padece de iliteracia financeira aguda, mas não é parva.

Eh pá, "deslarguem-me" a carteira!

Kruzes Kanhoto, 24.07.21

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Quando leio ou ouço declarações de gente da CGTP, BE ou PCP a solidarizar-se com trabalhadores em protesto por verem o seu ordenado “engolido” pelo SMN – salário mínimo nacional – só me apetece arrancar os cabelos. Os deles, que eu poucos tenho. Esse meu desejo de me atirar às pilosidades alheias advém não tanto das alarvidades proferidas pelas criaturas oriundas daquelas áreas políticas, até porque dali não espero grande coisa, mas sim com o facto de ninguém – e reitero, ninguém – ter a decência de os confrontar com a evidência que a causa do protesto que dizem apoiar é, em grande medida, culpa deles. Quem tem exigido a constante subida do SMN tem sido aquela malta, sem olhar às consequências que daí resultam para os restantes trabalhadores. A mais óbvia e que apenas um burro – ou uma besta, vá – não vê, é a desvalorização dos restantes vencimentos.

Esta postura da esquerda pouco espanto me causa. Só irritação. Muita, no caso. Para esta cambada de retardados quem ganha meia dúzia de euros para além do SMN é rico, privilegiado ou, no mínimo, tem de ser “solidário com os mais pobres”. É isso que alegam quando defendem o actual nível de impostos e recusam a sua eventual diminuição. No que diz respeito ao IRS, então, a coisa vai para lá do delirante. O argumentário, que estou sempre a ler e a ouvir, usado para justificar o roubo perpetrado ao rendimento do trabalho é, para ser simpático, próprio de uma criança de três anos. Mas triste, mesmo muito triste, é que gente aparentemente inteligente continue a votar nessa opções e, mais triste ainda, a corroborar esses argumentos. Deve ser aquela cena do quanto mais me roubas, ou lá o que é...

Quem é amigo, quem é?

Kruzes Kanhoto, 16.04.21

 

Nunca como agora faz tanto sentido afirmar que os impostos levam uma parte de leão ao nosso ordenado. Mas, descansa-nos o governo – aquela instituição que só quer o nosso bem se for de esquerda ou apenas pensa em nos tramar quando é de direita – não vai aumentar ainda mais o saque fiscal que faz aos nossos rendimentos. O roubo perpetrado no tempo do ministro Gaspar – que, antes como o seu enorme aumento de impostos, condenava os portugueses à fome – é agora uma cena boa e para manter.

Nada disto, obviamente, constitui grande novidade. A máquina precisa de dinheiro para se alimentar. As “fotocópias” ou lá o que cada um chama “aquela coisa”, têm de ser pagas. Até porque – imagino eu – não será só o Sócrates a viver graças ao financiamento dos amigos. Coisa que, diga-se, não me faz grande espécie nem suscita preocupação por aí além. Chato, mas mesmo chato, é sermos nós a financiar os gajos que financiam os amigos...

Já agora fiquem com tudo...

Kruzes Kanhoto, 08.04.21

Impostos, impostos e mais impostos. Agora é o FMI a sugerir um aumento de impostos sobre os ricos, as empresas, as heranças, a propriedade e o que mais calhar. A ideia parece reunir um consenso bastante alargado entre os especialistas da especialidade, os invejosos e todos aqueles que procuram meter a mão na massa alheia. Basta ver as reacções, em artigos de opinião ou nas redes sociais, para se perceber o entusiasmo que a ideia suscitou. Por mim estou contra. E não me importo nada se for o único a pensar assim. Primeiro porque impostos para além do razoável – como é o caso português – causam-me brotoeja, depois porque o conceito de rico é, por cá, muito elástico e, finalmente, faz-me confusão que poucos percebam que aumentar impostos não é garantia de crescimento da receita fiscal. Nisto nada melhor do que lembrar a novela que envolveu a falhada contratação do Cavani pelo Benfica. O homem não veio para o glorioso por não ser do seu agrado que as finanças lhe roubassem metade do ordenado. Se o furto se ficasse “apenas”, vá, por dez ou vinte por cento talvez o gajo por cá andasse aos chutos à bola. Assim, como quem tudo quer tudo perde, nem o Benfica é campeão nem o fisco recebe um tostão.

Ataque químico

Kruzes Kanhoto, 26.03.21

 

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O que a imagem documenta, embora possa não parecer, é mesmo merda de gato. De algum bichano paneleiro, certamente, que a julgar pelo diâmetro da coisa deve ter o cu todo devassado. Cenas dos tempos modernos, é o que é.  Mas, para o caso, a desorientação sexual do bicho interesssa pouco. Nada, mesmo. O que me chateia é que cague no meu quintal. Claro que posso sempre seguir as soluções mais ou menos engenhosas que me sugerem e que, invariavelmente, envolvem o falecimento do invasor. Mas não quero. A morte do filho da puta do gato pouco resolveria, dado que o mais certo era os cabrões dos donos arranjarem outro. Prefiro alternativas mais fofinhas. Como, por exemplo, a via fiscal. Um imposto à séria sobre os chamados animais de companhia seria certamente muito mais eficaz, para além de civilizacionalmente mais adequado. Mesmo que esta tributação possa para uns quantos totós parecer uma ideia parva, de certeza que ainda assim é socialmente muito mais justa do que os impostos sobre a burguesia do teletrabalho ou sobre as heranças, que aquela economistazinha da treta anda por aí a defender.

Arre, que é burra...

Kruzes Kanhoto, 20.03.21

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Aquela senhora que pretende ver a “burguesia do teletrabalho” a pagar a crise, voltou à carga. Insiste na imperiosa necessidade de sacar mais dinheiro dos nossos bolsos. Para dar aos que mais precisam, coitadinhos. Entre os quais, presumo, se encontrarão aqueles que vejo ali no Continente com os carrinhos das compras repletos de cerveja e a quem, parece, vão dar uma casinha.

Desta vez a criatura sugere que o fisco ataque as heranças. Um imposto sobre as ditas, ocorreu-lhe. Ou seja para aquela gente bem instalada na vida e que nunca produziu nada de jeito  – para além de uns estuduzecos idiotas sem qualquer espécie de utilidade – até os mortos devem pagar impostos. Ora bolas. Para economista brilhante é muito poucochinho. Parvoíces destas também eu sou capaz de propor. Mas eu tenho desculpa. Sou um quase iletrado. Já de um génio da economia espera-se mais.  Ou em tantos anos de estudo só aprenderam a aumentar impostos? Não há outra solução? Propostas destas qualquer analfabeto sabe fazer. 

Racismo fiscal

Kruzes Kanhoto, 06.03.21

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Disparates cada um diz – ou escreve – todos os que lhe dê na realíssima gana. Eu digo e escrevo muitos. Ainda bem que, até ver, todos temos liberdade para isso. Embora, parece-me, a discriminação já esteja a chegar ao direito ao disparate. Ou seja, uns têm direito a disparatar e outros nem por isso.

O cavalheiro que escreveu a mensagem acima publicada tem todo o direito a defender que os impostos sejam cobrados em função da cor da pele. A ele, enquanto negro, ninguém o aborrece por estas idiotices. Nem a ele nem a outros que, noutras paragens, sugerem este tipo de coisas há largos anos. Já a mim, um branco que no Verão fico um bocadinho a atirar para o escuro, se me atrever a sugerir que em Portugal não existe essa cena de discriminação em função da “raça” – seja lá isso de raça o que for – aparecem logo as gajas das causas, os idiotas úteis e outros parvos a apelidarem-me de racista.

Igualmente quando, mesmo sustentado em dados irrefutáveis – pode não se concordar com o principio, mas isso é outra conversa – defendo a aplicação da “taxa plana de irs”, tenho logo umas alminhas indignadas a tecer considerações pouco abonatórias. As mesmas que, curiosamente ou talvez não, não abrem o bico em relação a dichotes como o deste senhor. Para além da ignorância, alguma razão haverá. Desconfio que a cor do homem é capaz de ter alguma coisa a ver. Nos dias de hoje convém não discordar de um negro...

Burgueses, maltezes e... burros doutores. Ou doutoras.

Kruzes Kanhoto, 26.02.21

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Nos primeiros anos de trabalho integrava um restrito grupo de jovens trabalhadores extremamente mal pagos. Ninguém, na organização, ganhava menos do que nós. Situação que, obviamente, me desagradava e contra a qual manifestava de forma mais ou menos veemente o meu protesto. Recordo-me de um ou outro episódio em que a coisa só não foi a pior porque os “camaradas” me aconselharam, digamos assim, a não fazer muitas ondas. Até porque, fizeram questão de me recordar, eu era um burguês e que não podia estar para ali a comparar o meu com os vencimentos significativamente superiores dos colegas operários. Estes, coitados, trabalhavam sob as agruras do clima enquanto eu, um privilegiado do sistema, passava o dia num gabinete, sentado a uma secretária e ao abrigo das intempéries, borrascas, do sol abrasador e demais devaneios climatéricos. Ou seja, ganhava pouco – aquilo pouco passava do salário mínimo – mas estivesse caladinho.

Este discurso patético está de volta. Hoje é esta criatura que opina nos jornais. Esta senhora pode ser doutorada naquilo que quiser mas, por mais livros que carregue ou cursos que tire, uma besta será sempre uma besta. Defender uma barbaridade destas está ao mesmo nível do argumentário daqueles que achavam que o gajo que varria a rua devia ganhar bastante mais do que o tipo que lhe fazia o ordenado. Mas aqueles, infelizmente, eram praticamente iletrados e desta realidade pouco mais conheciam do que lhes ensinavam no partido. O que esta “economista” propõe é ainda pior. Não se limita a discriminar o trabalhador em função do seu local de trabalho como -  independentemente do vencimento e alguns ganham pouco mais que o SMN -  quer que sejam penalizados fiscalmente por isso.

A falta de vergonha desta gentinha de esquerda não me espanta. Tenho, como referi, uma vasta experiência a lidar com ela. O que ainda me surpreende é ver tantas pessoas inteligentes, ponderadas e de bom senso, acharem que o caminho é seguir estas ideias.

O helicóptero do dinheiro

Kruzes Kanhoto, 31.01.21

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A capa do semanário “Sol” deste fim de semana proclama em letras garrafais que “temos de meter dinheiro nas mãos dos portugueses”, dando voz a uma conceituada especialista na especialidade que trata destas cenas da economia e afins. Se ela diz, quem sou eu para a contrariar. Até porque sou português e já estou para lá de farto que metam as mãos no dinheiro do portugueses. No meu, nomeadamente.

Mas, assim de repente e de isso já ter sido feito por Trump com os americanos, não estou a ver bem como iria funcionar essa coisa de dar dinheiro ao pagode. Um cheque para cada tuga? Se calhar não era grande ideia. Os ricos metiam-no no banco, os pobres compravam telemóveis desses ainda mais modernos e os assim-assim iam de férias para o estrangeiro. No final o nosso dinheiro acabava na mão de empresas e países estrangeiros ou nos bancos. Outra vez.

Se é para injectar dinheiro na economia que seja pela via fiscal. Reduzir os impostos sobre o trabalho, as empresas e o investimento parece-me o único caminho. O resto são teorias – cientificamente muito bem elaboradas, tenho a certeza – mas que tendem a esquecer um pequeno pormenor. Uma coisinha de nada, digamos. A realidade, ou o que é.