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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Inferno fiscal

Kruzes Kanhoto, 26.09.22

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Por acaso nunca me aconteceu. Até agora a nenhuma alma caridosa ocorreu a ideia de fazer uma transferência para a minha conta. Mas, se tivesse ocorrido, parece que teria de pagar imposto. A lei que a isso obriga usa o termo “doação”, mas não estou a ver como é que o fisco distingue entre doar e transferir. De referir, também, que a intenção de taxar estes movimentos não é nova e que, muito provavelmente, a receita fiscal resultante destas operações deve andar próxima de zero. O preocupante disto é o falatório que ultimamente tem gerado. Desconfio que é mais uma frente onde o Estado pretende, a curto prazo, meter o bedelho.

Há quem se indigne com aquilo a que chamam paraísos fiscais. Lamentavelmente não conheço nenhum desses alegados lugares idílicos. E tenho pena. O que conheço é o inferno fiscal em que vivemos e a obsessão demoníaca do Estado-Mafarrico em se apropriar do dinheiro alheio. Infelizmente, apesar de sermos um povo maioritariamente católico, poucos se importam de ver os seus rendimentos consumidos nas chamas da fogueira fiscal. Pelo contrário. Há até quem argumente que quanto mais dinheiro arder no purgatório melhor se viverá no paraíso. Crendices de alguns anjinhos-contribuintes. Daqueles que não se importam de dar a outra face. E o respectivo imposto, que o Estado-Belzebu nem com doações se comove.

Lucros excessivos...até do Estado!

Kruzes Kanhoto, 27.07.22

Algumas das maiores empresas a operar em Portugal apresentam, nos primeiros seis meses do ano, um lucro no montante de algumas centenas de milhões de euros e isso provoca a ira generalizada. No mesmo período o governo anuncia um excesso de cobrança fiscal, face ao previsto, superior a mil e cem milhões de euros e ninguém parecer ficar chateado. Vá lá perceber-se esta gente.

Por mim – lá está, é a minha mania de ser do contra - gosto do lucro. É um conceito que aprecio. Quando é razoável deve estar sujeito a impostos razoáveis e quando elevado devido a circunstâncias extraordinárias, como é agora o caso, taxado também de forma extraordinária. O mesmo, obviamente, em relação à receita do Estado. Se ela é muito superior à prevista, então é porque está a cobrar impostos em excesso e das duas uma. Ou os baixa ou paga as dividas.

Na boa tradição socialista nada disso ocorrerá. O governo não taxará as empresas com lucros elevados não vão esses empresários ficarem aborrecidos e já não os contratarem quando passarem à condição de ex-governantes. Igualmente não baixarão o IRS ou outro imposto. Nem, menos ainda, amortizarão a divida pública. Pelo contrário. Vão esturrar tudo. Sabem que o povo gosta de circo. Tanto que até escolhe palhaços para o governar.

IMI, um imposto ligeiramente parvo

Kruzes Kanhoto, 18.03.22

Há quem assegure que o IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis - é o imposto mais estúpido do mundo. Não diria tanto, mas lá que se trata de uma tributação manhosa não tenho dúvida. O imóvel, coitado, está ali sem se mexer - por isso é que é imóvel - sem fazer mal a ninguém, nomeadamente provocar despesa a outrem que não ao seu proprietário e, ainda assim, tem de pagar imposto. Para além da lógica que envolve o financiamento das gulosas tesourarias autárquicas não vejo outra razão para a existência deste tributo.

Obviamente que chegados a este ponto em matéria de obesidade autárquica, não é possível prescindir da receita do IMI. Mas, por aquilo que tenho lido nos últimos dias, temo que esteja em marcha uma campanha que visa suscitar a necessidade de aumentar significativamente a cobrança deste imposto. Não - que eles não são parvos - pelo aumento das taxas. Isso era coisa para aborrecer os eleitores e, como se sabe, a malta não quer aborrecimentos. O que ultimamente tem estado em causa é a discrepância entre o VPT, Valor Patrimonial Tributário, e o valor de mercado. Alguma imprensa, sabe-se lá a mandado de quem, tem mesmo dado exemplos de figuras públicas que, alegadamente, pouparão uns cobres valentes à conta disso. O que, como sabemos, serve sempre para arregimentar defensores para a causa que se pretende promover.

O IMI até pode ser - e eu acho que é - um imposto manhoso e parcialmente estúpido. Apesar disso não tanto - nem tão estúpido, nem tão manhoso - como aqueles que o querem cobrar sobre o alegado valor de mercado. Confesso que fiquei expectante com esta ideia e questiono-me acerca do que se seguirá. Começo a desconfiar que um dia destes vão surpreender-nos com a imperiosa necessidade de cobrar o IUC - Imposto Único de Circulação - de acordo com o valor sentimental do automóvel.

Baixar os impostos aos que não pagam impostos é que era uma grande ideia...

Kruzes Kanhoto, 21.11.21

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Estamos naquela época do ano em que, por todo o país, os municípios fixam, dentre os cinco por cento que lhes pertencem, a parte do IRS que pretendem receber. Ou, vendo a coisa pelo lado mais prático, a percentagem do referido imposto de que abdicam a favor dos respectivos munícipes. Significa isso que o nosso rendimento é tributado consoante a vontade da autarquia a que pertencemos. Que é como quem diz, dos autarcas que elegemos.

Há muitos eleitos locais e fiscalistas de pacotilha que não concordam com este alivio fiscal. Estão, obviamente, no seu direito. Não devem é utilizar argumentos intelectualmente desonestos nem, depois, encher a boca em defesa de melhores salários ou passar o tempo a garantir que estão ao lado dos trabalhadores e do povo. Têm, reitero, todo o direito de achar que os impostos sobre os rendimentos estão bem como estão ou, até, deviam ser mais elevados. Assim de repente nada me ocorre que os impeça de defender isso mesmo. Ficava-lhes bem que o fizessem, em lugar de debitarem baboseiras acerca do nenhum beneficio que isso traz a quem não paga IRS. Seguindo esta lógica absolutamente parva, interrogo-me se também defendem a devolução dos dez cêntimos por litro de combustivel aos que não têm carro...

Impostos bons e impostos maus

Kruzes Kanhoto, 30.08.21

Isto do IRS enerva-me. Ouvir argumentos a defender a manutenção das elevadas taxas a que vencimentos miseráveis estão sujeitos, só para que outros ainda mais miseráveis não se sintam prejudicados, dá-me cabo dos nervos. De acordo com este ponto de vista nunca nenhum imposto pode baixar. Desde o ISP ao IVA. O primeiro porque o pobres não têm carro ou fazem menos viagens e o segundo porque os ricos compram mais e se o IVA baixasse tirariam daí mais beneficio. Um pouco, convenhamos, o argumentário daqueles que são contra a taxa plana do imposto sobre o rendimento.

É uma ideia interessante, essa, a de fazer justiça social através do IRS. Lamentavelmente parece ser o único imposto com queda para justiceiro. O IMI e o IMT são uns mariquinhas. Verdadeiros cobardes, até. Pior. Esquivam-se a ajudar os pobres de uma maneira perfeitamente ignóbil. Basta um gajo, coitado, cheio de boas intenções declarar que um pardieiro qualquer é, afinal, um chalé todo catita e cheio de pedigree, que aquela dupla de tributos deserta de imediato da guerra contra a pobreza e nunca mais ninguém o vê a lutar pela justiça social. Mas não faz mal. Quem precisa de estrupícios como o IMI e o IMT quando tem o IRS?

Adoro os impostos dos outros...

Kruzes Kanhoto, 22.08.21

Os portugueses gostam de impostos. Nomeadamente do IRS. Num país onde muito mais de metade da população escapa a esse tributo, não surpreende que assim seja. Os políticos, os nacionais e os locais, jogam com esse sentimento e têm ao longo dos últimos anos esticado a corda a seu belo prazer. Os primeiros, subindo a taxação sobre os rendimentos como muito bem lhes apetece e os segundos não prescindindo nem de uma migalha da fatia que lhes é destinada.

O Costa, como político experiente que é, sabe melhor do que ninguém jogar com esta mesquinhez. Daí que venha agora prometer uma baixa no IRS e, como já o fez noutra ocasião, acabe por, com sorte, a redução se ficar por valores meramente residuais. Daqueles que não dão nem para um café por mês ou uma carcaça por semana. Só para usar um termo de comparação que o pessoal da esquerda percebe.

Li um número relativamente significativo de comentários produzidos a propósito destas declarações do primeiro-ministro. Acredito que constitua uma amostra, mais ou menos fiável, do pensamento dos portugueses. A conclusão a que chego expressei-a no inicio do texto. Somos um povo que temos um carinho especial por impostos. Queremos cada vez mais despesa e temos uma imaginação prodigiosa para sugerir novos impostos que financiariam as nossas divagações. Daqueles que apenas seriam os outros a pagar, nem preciso esclarecer. Que isto a malta padece de iliteracia financeira aguda, mas não é parva.

Eh pá, "deslarguem-me" a carteira!

Kruzes Kanhoto, 24.07.21

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Quando leio ou ouço declarações de gente da CGTP, BE ou PCP a solidarizar-se com trabalhadores em protesto por verem o seu ordenado “engolido” pelo SMN – salário mínimo nacional – só me apetece arrancar os cabelos. Os deles, que eu poucos tenho. Esse meu desejo de me atirar às pilosidades alheias advém não tanto das alarvidades proferidas pelas criaturas oriundas daquelas áreas políticas, até porque dali não espero grande coisa, mas sim com o facto de ninguém – e reitero, ninguém – ter a decência de os confrontar com a evidência que a causa do protesto que dizem apoiar é, em grande medida, culpa deles. Quem tem exigido a constante subida do SMN tem sido aquela malta, sem olhar às consequências que daí resultam para os restantes trabalhadores. A mais óbvia e que apenas um burro – ou uma besta, vá – não vê, é a desvalorização dos restantes vencimentos.

Esta postura da esquerda pouco espanto me causa. Só irritação. Muita, no caso. Para esta cambada de retardados quem ganha meia dúzia de euros para além do SMN é rico, privilegiado ou, no mínimo, tem de ser “solidário com os mais pobres”. É isso que alegam quando defendem o actual nível de impostos e recusam a sua eventual diminuição. No que diz respeito ao IRS, então, a coisa vai para lá do delirante. O argumentário, que estou sempre a ler e a ouvir, usado para justificar o roubo perpetrado ao rendimento do trabalho é, para ser simpático, próprio de uma criança de três anos. Mas triste, mesmo muito triste, é que gente aparentemente inteligente continue a votar nessa opções e, mais triste ainda, a corroborar esses argumentos. Deve ser aquela cena do quanto mais me roubas, ou lá o que é...

Quem é amigo, quem é?

Kruzes Kanhoto, 16.04.21

 

Nunca como agora faz tanto sentido afirmar que os impostos levam uma parte de leão ao nosso ordenado. Mas, descansa-nos o governo – aquela instituição que só quer o nosso bem se for de esquerda ou apenas pensa em nos tramar quando é de direita – não vai aumentar ainda mais o saque fiscal que faz aos nossos rendimentos. O roubo perpetrado no tempo do ministro Gaspar – que, antes como o seu enorme aumento de impostos, condenava os portugueses à fome – é agora uma cena boa e para manter.

Nada disto, obviamente, constitui grande novidade. A máquina precisa de dinheiro para se alimentar. As “fotocópias” ou lá o que cada um chama “aquela coisa”, têm de ser pagas. Até porque – imagino eu – não será só o Sócrates a viver graças ao financiamento dos amigos. Coisa que, diga-se, não me faz grande espécie nem suscita preocupação por aí além. Chato, mas mesmo chato, é sermos nós a financiar os gajos que financiam os amigos...

Já agora fiquem com tudo...

Kruzes Kanhoto, 08.04.21

Impostos, impostos e mais impostos. Agora é o FMI a sugerir um aumento de impostos sobre os ricos, as empresas, as heranças, a propriedade e o que mais calhar. A ideia parece reunir um consenso bastante alargado entre os especialistas da especialidade, os invejosos e todos aqueles que procuram meter a mão na massa alheia. Basta ver as reacções, em artigos de opinião ou nas redes sociais, para se perceber o entusiasmo que a ideia suscitou. Por mim estou contra. E não me importo nada se for o único a pensar assim. Primeiro porque impostos para além do razoável – como é o caso português – causam-me brotoeja, depois porque o conceito de rico é, por cá, muito elástico e, finalmente, faz-me confusão que poucos percebam que aumentar impostos não é garantia de crescimento da receita fiscal. Nisto nada melhor do que lembrar a novela que envolveu a falhada contratação do Cavani pelo Benfica. O homem não veio para o glorioso por não ser do seu agrado que as finanças lhe roubassem metade do ordenado. Se o furto se ficasse “apenas”, vá, por dez ou vinte por cento talvez o gajo por cá andasse aos chutos à bola. Assim, como quem tudo quer tudo perde, nem o Benfica é campeão nem o fisco recebe um tostão.

Ataque químico

Kruzes Kanhoto, 26.03.21

 

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O que a imagem documenta, embora possa não parecer, é mesmo merda de gato. De algum bichano paneleiro, certamente, que a julgar pelo diâmetro da coisa deve ter o cu todo devassado. Cenas dos tempos modernos, é o que é.  Mas, para o caso, a desorientação sexual do bicho interesssa pouco. Nada, mesmo. O que me chateia é que cague no meu quintal. Claro que posso sempre seguir as soluções mais ou menos engenhosas que me sugerem e que, invariavelmente, envolvem o falecimento do invasor. Mas não quero. A morte do filho da puta do gato pouco resolveria, dado que o mais certo era os cabrões dos donos arranjarem outro. Prefiro alternativas mais fofinhas. Como, por exemplo, a via fiscal. Um imposto à séria sobre os chamados animais de companhia seria certamente muito mais eficaz, para além de civilizacionalmente mais adequado. Mesmo que esta tributação possa para uns quantos totós parecer uma ideia parva, de certeza que ainda assim é socialmente muito mais justa do que os impostos sobre a burguesia do teletrabalho ou sobre as heranças, que aquela economistazinha da treta anda por aí a defender.