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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Melros, chineses e Extraterrestres.

Kruzes Kanhoto, 03.04.21

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Isto das autárquicas promete. Coisa absolutamente normal, diga-se, que estas como as demais eleições são sempre pródigas em promessas. Embora, neste caso, com especiais particularidades. A começar nos candidatos e a acabar no que se promete. Quanto aos primeiros, é o PSD quem mais tem contribuído para a animação que as escolhas para os lugares a ocupar sempre proporcionam. Aquilo é quase cada tiro cada melro. Desde “Andrés Venturas” de saias e peito avantajado a devoradores de papéis e ex-presidiários, os nomes apontados a putativos candidatos têm-se revelado bastante apelativos. Digamos assim, vá.

Por cá, quanto à escolha dos nomes, o cenário é muito menos divertido. Pode ser que a coisa anime quando se começar a falar de promessas. Por mim, programa que não inclua a construção de um teleférico a ligar o Rossio ao Castelo ou um Centro de acolhimento a investidores oriundos de outros planetas é dececionante. Promessas de fábricas de preservativos ou de investidores chineses já tivemos que cheguem. Ao menos que arranjem pantominices novas. Para isso, convenhamos, capacidade não falta.

Teste o racista que há em si

Kruzes Kanhoto, 26.12.20

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.

Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.

Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.

Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”


Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”


Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”

Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...

 

 

Costa, o bom pastor.

Kruzes Kanhoto, 11.12.20

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Eu cá não sou de intrigas. Nem, sequer, tenho grande jeito para piadas brejeiras. Uma ou outra graçola, um dito jocoso ou, quando muito uma piodola a atirar para o javardote, ainda vá. Mais do que isso é pedir demais a este escriba.

Quem podia aproveitar era o Quim Barreiros. Que isto de cabritas e de gajos a segurá-las afigura-se-me uma coisa com um potencial humorístico bastante relevante no âmbito da brejeirice. Excepto, desconfio, para essa trupe dos amiguinhos dos animais que deve achar essa cena de os segurar uma violência. Mesmo que, como deve ser neste caso, o espécime em questão até goste.

Vida boa...não é só em Lisboa!

Kruzes Kanhoto, 18.11.20

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Já muita gente terá escrito coisas acerca da menina Crisálida. Aquela moçoila de pernocas tatuadas que está na capa do Público de há uns dias atrás a garantir que vive do RSI e que, não fora isso, teria de mendigar. Ainda bem que não precisa de pedir esmola. Apesar da mingua – segundo os versados no assunto – que constitui aquela prestação social. A julgar por aquilo que vai partilhando com o mundo no seu perfil do Facebook, a menina Crisálida parece até ter uma vida razoavelmente confortável. Tatuagens, uns copos à beira da piscina e telemóvel de boa aparência são indicadores mais que suficientes para revelar uma gestão cuidada e parcimoniosa dos parcos recursos que o Estado coloca à sua disposição. Que assim continue. Terá – todos o desejamos, obviamente – uma longa vida pela frente e nada como começar cedo a aproveitá-la. Que isto, quando menos esperar, estará reformada.

Entrevista?! Pareceu-me mais conversa de tasca.

Kruzes Kanhoto, 17.11.20

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Uma lástima a entrevista de André Ventura à TVI. Entrevistado e entrevistador equivaleram-se na mediocridade. Retenho apenas três pontos. Nem um nem outro souberam – ou quiseram, sei lá – falar com seriedade da chamada taxa plana de IRS. Não, não é verdade que ponha os pobres a pagar mais e sim, é verdade que nos primeiros anos a receita proveniente desse imposto sofrerá uma queda acentuada. A solução será cortar na subsidio-dependência – de ricos e de falsos pobres – ou pedir mais dinheiro emprestado. Matéria em que, reconhecidamente, somos especialistas. O conceito foi testado em diversos países e – ele há coincidências do caraças – já quase todos nos ultrapassaram e os que ainda não nos passaram à frente estão em vias disso. Deve ser obra do acaso, se calhar.

Depois, aquela tirada das câmaras municipais onde os funcionários são tantos, para tão pouco trabalho, que dormem à secretária. É verdade, sim senhor, que eu já vi com estes dois que a terra um dia há-de comer. Mas não é apenas à secretária. Os que têm uma função que não envolve estar perto dessa peça de mobiliário, gozam de igual privilégio. Provavelmente, até, com um mais elevado nível de conforto, que dormir sentado não deve fazer lá muito bem à coluna. Mas isso, digo eu que gosto muito de dizer coisas, não é culpa dos funcionários dorminhocos. Quem os meteu para lá sabendo que não tinha trabalho para lhes dar é que não tem vergonha.

Por fim, aquilo de casar a filha com um cigano. Fica mal a quem pergunta. Até porque também não ignora qual seria a resposta se a questão do casamento fora da comunidade fosse colocada a um cigano. Uma provocação desnecessária, no mínimo. Que teve, no entanto, uma inegável vantagem. Fiquei a saber, por algumas reacções que entretanto li, que são mais que muitas as criaturas que não veriam qualquer inconveniente num matrimónio dessa natureza por parte da respectiva descendência. Ainda bem. Eu também sou muito mentiroso.

A cultura é uma arma...

Kruzes Kanhoto, 27.09.20

Cultura. Reconheço que não escrevo o suficiente acerca do tema. Penitencio-me por isso. Melhor do que penitenciar-me talvez seja, até, enveredar por uma carreira no sector. O pior é que não tenho jeito nenhum para as artes. Cantar, dançar ou representar não são actividades artísticas onde possa aspirar a ter o mínimo de sucesso. Ainda que, como sobejamente se vê por aí, não falte gente com o mesmo grau de inaptidão a ser “levado em ombros”.

Talvez escreva uma peça de teatro. Como o outro que escreveu aquilo da “Catarina ou a beleza de matar fascistas” e, em vez de ser processado por discurso de ódio, ainda lhe pagaram. Posso revelar em primeira mão e rigoroso exclusivo para os leitores do Kruzes que já tenho alguns títulos em mente. “Adolfo ou o encanto de exterminar judeus”, “António ou as maravilhas de torturar comunistas”, “Joseph ou a satisfação de chacinar democratas” e “André ou a espectacularidade de malhar nos ciganos” são apenas algumas ideias. Quanto à trama, logo se vê. Por enquanto mantenho aquela máxima. “Quando ouço falar em cultura só me apetece puxar da metralhadora”. Uma ou outra vez, confesso, no real sentido do termo.

Arte, cultura e cenas assim...

Kruzes Kanhoto, 05.09.20

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Já devo ter visto centenas de fotografias do Museu do Berardo. Sinal que muita gente gostou daquilo. Ainda bem. O espaço está catita e merece uma visita. Versejei e é verdade. O que, constando deste blogue, nem sempre acontece.

Tal como muitas outras criaturas também eu tirei umas quantas fotos. Mais a quem me acompanhava e a mim próprio do que à azulejaria. Até porque pode ser tudo muito bonito mas, olhando para aquilo dos mais diversos angulos, não capto dali grande mensagem. Excepto – tudo na vida tem a sua excepção – numa ou noutra obra. Como nesta que serve de ilustração ao texto. Percebo tudo. Mesmo não estando familiarizado com isto das artes. Não admira, está por demais explicita. Até um maneta percebe.

Um "perro maricon" seria ainda mais valorizável...

Kruzes Kanhoto, 25.08.20

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Leio que em Espanha um indivíduo, interceptado pela policia local em virtude de não usar máscara, terá começado a andar “de quatro” imitando um cão. Não evitou, ainda assim, a multa aplicável nestas circunstâncias.

A ocorrência está a ser noticiada, pela generalidade da imprensa, na secção de noticias insólitas, bizarras ou simplesmente parvas. O que se me afigura profundamente reprovável e suscita umas quantas questões inquietantes. O senhor tem o direito a identificar-se com aquilo que muito bem lhe apetecer. Se foi um ser canino, todos, policia e jornalistas incluídos, temos de aceitar a sua condição e não desatar a zombar das suas opções. E aqui reside a segunda inquietação. O que terá levado os presentes a considerar que a criatura em causa era um homem e não uma mulher? Ou um transexual? Ninguém, ao que é relatado, o que terá interrogado quanto a isso. Outra questão pertinente é o género do animal. Porquê um cão? Alguém lhe perguntou se ele – ou ela – se identificava com um cão e não com uma cadela? Ou, até, um canito transexual? Pelo sim pelo não, de maneira a evitar equívocos e tratar a coisa de forma inclusiva, a noticia podia resumir-se a isto: “Ser humane interceptade pele policix identifica-se como ume cachorre”. Todes percebíamos e não havia cá discriminações.

Ter cão é coisa de facho

Kruzes Kanhoto, 22.08.20

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Nem sei mais o que lhes chamar. Porcos, seria claramente vexatório para os suínos. Burros, era capaz de constituir uma ofensa para os asnos. Bestas, ofendia a bicharada em geral. O melhor, desta vez, é apelidá-los de pessoas extremamente mal-educadas e com uma relação deveras conflituosa com o asseio. Talvez, só assim para reforçar a ideia, pouco dadas à higiene e sem noção de respeito pelos demais. Embora o que me apeteça seja lançar a ideia que ser dono de um cão é coisa de facho. De gente da extrema-direita, vá. Só por causa daquilo de tirar a liberdade e de impor a sua vontade, quase sempre de forma ditatorial, a um ser senciente…

A calculadora, a metralhadora e o azulejo

Kruzes Kanhoto, 17.08.20

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Quando ouço falar em cultura puxo imediatamente da calculadora. Virtual, quando estou de folga. Ou seja, desato a fazer contas de cabeça. Por norma, poucos segundos depois, apetece-me puxar da metralhadora. Imaginária, está bem de ver.

Apesar de relutante, dado o pouco interesse que tenho por estas cenas, visitei um destes dias o novel museu cá da terra. O do Berardo, ou sabe-se lá de quem. O entusiasmo dos licenciados em revestimento de paredes e dos doutorados em azulejaria, manifestado exuberantemente nas redes sociais, foi determinante para me convencer. Em boa hora o fiz. Ando a pensar em fazer umas obras cá em casa e aquilo deu-me umas ideias. Quanto ao mais, digo como a maioria dos visitantes. Tá bonito, lá isso está...