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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Jornalixo

Kruzes Kanhoto, 17.11.22

A reportagem da SIC sobre as alegadas actividades racistas nas redes sociais, por parte de cidadãos que por acaso são policias, pode ou não constituir um frete daquela estação de televisão em beneficio de uma qualquer causa da moda. Mas, se alcançou o objectivo junto da opinião publicada, foi um monumental tiro no pé junto da opinião pública. Aí o resultado conseguido foi exactamente o contrário do pretendido.

Deixo de lado a questão do alegado racismo. Nem vale a pena. Quando o jornalista enaltece os “jovens” e outros indivíduos “racializados” pelo facto de serem isso mesmo - “racializados” – está tudo dito acerca da moralidade que aquela gente tem para falar de comportamentos discriminatórios ou linguagem de ódio.

Prefiro salientar a simpatia com que foi apresentado um alegado caloteiro e a forma como, na parte em que falaram dos ciganos de Beja se referiram a uma comunidade de novecentas pessoas onde apenas dois trabalham. Não sei quem é que educou nem que valores foram transmitidos às criaturas que exercem funções na área do jornalismo. Sei é essa não é a educação nem esses são os valores felizmente ainda vigentes maioritariamente na nossa sociedade. A maior parte das pessoas não tem muito apreço por quem não trabalha – os que comem o pão de alguém, como dizia o Aleixo – nem especial simpatia pelo vizinho que não paga as quotas do condomínio.

Rio, mas pouco.

Kruzes Kanhoto, 18.10.22

Diz que vem aí uma espécie de “rio atmosférico”. Um fenómeno meteorológico que se caracteriza por chover a cântaros. Até pode ser que sim. Mas, enquanto isso não acontece, prefiro continuar a vaticinar que isto não vai de água. Posso não perceber nada de meteorologia mas, ao menos, sou coerente. Ao contrário dos inúmeros especialistas na especialidade que vaticinavam um inverno sem pluviosidade e que agora nos prometem chuva com fartura. Um rio, até, os brutamontes. Promessas, muito provavelmente.

Quem também parece que meteu água foi um tal César Mourão. Pelo menos a julgar pelas reacções ao programa que realizou em Estremoz e que foi exibido no passado sábado pela SIC. Aquilo, de facto, foi deplorável demais. Mas, ao que dizem, é sempre assim. Por mim, que já assisti a funerais com mais piada, digo apenas que um artola que ignora um bar chamado “Estou no trabalho, amor” e prefere marrar com uma placa de “encerrado para almoço” da loja ao lado está apresentado enquanto humorista. Preocupante, preocupante é que lhe pagam(os) para isto.

O Taremi é alentejano?

Kruzes Kanhoto, 13.09.22

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Há quem diga que o país perdeu o sentido de humor. De certa forma concordo. Não se podem fazer piadolas – nem, sequer, um simples dichoteacerca do aspecto físico, da desorientação sexual, da cor da pele, da origem étnica e do que mais calhar de ninguém. Só de alentejanos. Desses podem dizer-se as mais deprimentes graçolas. Ninguém se importa e quase todos acham graça. Menos eu. E - nem peço desculpa pela falta de modéstia – até sou um gajo com um sentido de humor de fazer inveja a muita gente. Não tenho é paciência nenhuma para imbecis como o senhor Jaime Coutinho, mediador de seguros e comentador de futebol no Facebook nas horas vagas. Profundo desconhecedor do país, também. Um tipo que deve conhecer tão bem o Alentejo como eu conheço Pataias. Podia, como bom alentejano, responder-lhe com uma piadola jocosa acerca disso de passarmos o tempo deitados. Mas não o faço. Até porque não sei se o senhor é casado ou se ainda tem mãe.

As piadas sobre os portugueses são tão giras, não são?

Kruzes Kanhoto, 17.11.21

Um bocado parva aquela lei do governo que proíbe o contacto entre empregador e empregado - e vice versa, se calhar - para lá do horário de trabalho. Verdade que o tempo de descanso de cada um deve ser respeitado, mas chegar ao ponto de fazer uma lei nestes termos parece-me igualmente abusivo. É que, a continuar assim, um dia destes acordamos e temos todos os aspectos da nossa vida laboral e social regulamentados pelo governo. Desde o temos que podemos estar no wc até à obrigatoriedade de apanhar sol um período mínimo do dia.

Como seria de esperar esta proibição motivou a risota de muita gente além-fronteiras. E, como também não podia deixar de ser, levou a que fossem proferidos comentários jocosos acerca de Portugal e dos portugueses. Coisa que – vá lá saber-se porquê – deixou os tugas extremamente irritados. Sinceramente não vejo razão para tanta indignação com as piadolas dos estrangeiros a nosso respeito. É que eu ainda sou do tempo em que dizer graçolas acerca de alentejanos e da nossa alegada pouca apetência para o trabalho, constituía uma espécie de desporto nacional. Aceitar ser alvo de chacota era, até, visto como um sinal de inteligência e reclamar desses dichotes – como fiz em inúmeras ocasiões – um sintoma de ausência dela. E de sentido de humor também, esclareceram-me outros mais benevolentes com a minha azia em relação às anedotas de alentejanos.

Por isso, caros compatriotas, encaixem o gozo da estrangeirada. Sejam inteligentes, tenham sentido de humor e saibam rir de vós próprios. É, afinal, apenas colocar em prática aquilo que durante tantos anos aconselharam outros a fazer.

Será que guarda o graveto no cofre da mamã?

Kruzes Kanhoto, 15.05.21

De acordo com a primeira página de um jornal publicado hoje, o actual primeiro ministro não terá conta bancária. Ora aí está um cidadão precavido. Não quer nada com essa malta da banca que nos leva couro e cabelo – no meu caso será mais couro – só por nos guardar o dinheiro. Se for pouco, pois caso seja muito guardam-no de borla. O que, parece-me, entra em rota de colisão com aquilo que nos estão sempre a impingir. Aquela lenga-lenga de que nos estão a prestar um serviço. Então, se assim é, devem ser as únicas empresas em que o preço do serviço é tanto maior quanto menor for a quantidade do serviço prestado. Sim, porque a mim ninguém me convence que dá muito mais trabalho guardar mil euros do que um milhão.

Mas voltando ao presidente do conselho – não sei se é assim que se chama, mas isto está cada vez mais parecido com o tempo em que assim se chamava – o homem lá terá os seus motivos para não ter conta bancária. Sejam eles quais forem, não me interessam. Só gostava de saber como faz para receber o ordenado, usar a via verde e outras cenas que fazem parte do dia a dia. Estou interessado em adoptar esse modo de vida. É que estou farto de contribuir para a solidez do banco onde sou cliente.

Melros, chineses e Extraterrestres.

Kruzes Kanhoto, 03.04.21

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Isto das autárquicas promete. Coisa absolutamente normal, diga-se, que estas como as demais eleições são sempre pródigas em promessas. Embora, neste caso, com especiais particularidades. A começar nos candidatos e a acabar no que se promete. Quanto aos primeiros, é o PSD quem mais tem contribuído para a animação que as escolhas para os lugares a ocupar sempre proporcionam. Aquilo é quase cada tiro cada melro. Desde “Andrés Venturas” de saias e peito avantajado a devoradores de papéis e ex-presidiários, os nomes apontados a putativos candidatos têm-se revelado bastante apelativos. Digamos assim, vá.

Por cá, quanto à escolha dos nomes, o cenário é muito menos divertido. Pode ser que a coisa anime quando se começar a falar de promessas. Por mim, programa que não inclua a construção de um teleférico a ligar o Rossio ao Castelo ou um Centro de acolhimento a investidores oriundos de outros planetas é dececionante. Promessas de fábricas de preservativos ou de investidores chineses já tivemos que cheguem. Ao menos que arranjem pantominices novas. Para isso, convenhamos, capacidade não falta.

Teste o racista que há em si

Kruzes Kanhoto, 26.12.20

O que eu me rio com as anedotas e piadas de alentejanos. É que isto é uma coisa que me cai mesmo no goto. Principalmente por, na sua imensa maioria, não serem nada estigmatizantes. Nem, muito menos, revelarem qualquer tipo de preconceito ou, sequer, pretenderem achincalhar os naturais desta região.

Quem também deve apreciar este género de humor são as diversas comissões, comités, observatórios, institutos, grupos de trabalho e afins que visam a promoção da igualdade, não discriminação e outras modernices de que ouvimos falar todos os dias. Tanto assim é que nunca os ouvi pronunciar acerca desta corrente do anedotário nacional.

Por achar de um humor de fino recorte – inteligente, até - decidi partilhar com os meus leitores a anedota que a seguir transcrevo e que vi hoje no "Trombasbook", aquela rede social sempre muito preocupada com aquilo da discriminação. Melhor do que isso, já que há quem insista que estas anedotas constituem uma espécie de elogio aos alentejanos e que apenas os parvos não gostam delas, resolvi adaptá-la a outros grupos de cidadãos. Assim, só para tornar a coisa mais inclusiva, aqui ficam três versões da mesma anedota.

Um alentejano está estendido debaixo de uma figueira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe um figo na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes o figo? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outro para me empurrar este para baixo.”


Um negro está estendido debaixo de uma bananeira de barriga para o ar e de boca aberta. Cai-lhe uma banana na boca e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não comes a banana? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que caia outra para me empurrar esta para baixo.”


Um cigano está na barraca estendido na sua cama. Chega o cheque do RSI e ele fica na mesma posição.

- Por que é que não vais levantar o cheque? Pergunta-lhe o companheiro.

- Estou à espera que chegue o próximo para levantar os dois.”

Tem piada não tem? Como diria a minha avô, tem tanta graça como um cão a cagar numa "alfaça"...

 

 

Costa, o bom pastor.

Kruzes Kanhoto, 11.12.20

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Eu cá não sou de intrigas. Nem, sequer, tenho grande jeito para piadas brejeiras. Uma ou outra graçola, um dito jocoso ou, quando muito uma piodola a atirar para o javardote, ainda vá. Mais do que isso é pedir demais a este escriba.

Quem podia aproveitar era o Quim Barreiros. Que isto de cabritas e de gajos a segurá-las afigura-se-me uma coisa com um potencial humorístico bastante relevante no âmbito da brejeirice. Excepto, desconfio, para essa trupe dos amiguinhos dos animais que deve achar essa cena de os segurar uma violência. Mesmo que, como deve ser neste caso, o espécime em questão até goste.

Vida boa...não é só em Lisboa!

Kruzes Kanhoto, 18.11.20

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Já muita gente terá escrito coisas acerca da menina Crisálida. Aquela moçoila de pernocas tatuadas que está na capa do Público de há uns dias atrás a garantir que vive do RSI e que, não fora isso, teria de mendigar. Ainda bem que não precisa de pedir esmola. Apesar da mingua – segundo os versados no assunto – que constitui aquela prestação social. A julgar por aquilo que vai partilhando com o mundo no seu perfil do Facebook, a menina Crisálida parece até ter uma vida razoavelmente confortável. Tatuagens, uns copos à beira da piscina e telemóvel de boa aparência são indicadores mais que suficientes para revelar uma gestão cuidada e parcimoniosa dos parcos recursos que o Estado coloca à sua disposição. Que assim continue. Terá – todos o desejamos, obviamente – uma longa vida pela frente e nada como começar cedo a aproveitá-la. Que isto, quando menos esperar, estará reformada.

Entrevista?! Pareceu-me mais conversa de tasca.

Kruzes Kanhoto, 17.11.20

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Uma lástima a entrevista de André Ventura à TVI. Entrevistado e entrevistador equivaleram-se na mediocridade. Retenho apenas três pontos. Nem um nem outro souberam – ou quiseram, sei lá – falar com seriedade da chamada taxa plana de IRS. Não, não é verdade que ponha os pobres a pagar mais e sim, é verdade que nos primeiros anos a receita proveniente desse imposto sofrerá uma queda acentuada. A solução será cortar na subsidio-dependência – de ricos e de falsos pobres – ou pedir mais dinheiro emprestado. Matéria em que, reconhecidamente, somos especialistas. O conceito foi testado em diversos países e – ele há coincidências do caraças – já quase todos nos ultrapassaram e os que ainda não nos passaram à frente estão em vias disso. Deve ser obra do acaso, se calhar.

Depois, aquela tirada das câmaras municipais onde os funcionários são tantos, para tão pouco trabalho, que dormem à secretária. É verdade, sim senhor, que eu já vi com estes dois que a terra um dia há-de comer. Mas não é apenas à secretária. Os que têm uma função que não envolve estar perto dessa peça de mobiliário, gozam de igual privilégio. Provavelmente, até, com um mais elevado nível de conforto, que dormir sentado não deve fazer lá muito bem à coluna. Mas isso, digo eu que gosto muito de dizer coisas, não é culpa dos funcionários dorminhocos. Quem os meteu para lá sabendo que não tinha trabalho para lhes dar é que não tem vergonha.

Por fim, aquilo de casar a filha com um cigano. Fica mal a quem pergunta. Até porque também não ignora qual seria a resposta se a questão do casamento fora da comunidade fosse colocada a um cigano. Uma provocação desnecessária, no mínimo. Que teve, no entanto, uma inegável vantagem. Fiquei a saber, por algumas reacções que entretanto li, que são mais que muitas as criaturas que não veriam qualquer inconveniente num matrimónio dessa natureza por parte da respectiva descendência. Ainda bem. Eu também sou muito mentiroso.