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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Irmandade dos estudiosos descalços

por Kruzes Kanhoto, em 05.01.20

Isto de estudos há-os para todos os gostos, de todas as espécies e a propósito de tudo. E de nada, também. Hoje, em lugar de ir à missa, li as principais conclusões de dois desses alegados trabalhos científicos.

Um deles conclui que, nessa coisa do on-line, os portugueses não querem saber para nada do chamado discurso de ódio. Estão sim, pasmam os estudiosos, preocupados com o roubo de identidade e de dados bancários. Isto apesar da intensa campanha de uma certa intelectualidade que anda há anos a tentar convencer-nos que somos uns racistas do piorio. O que apenas evidencia, se tal fosse necessário, a diferença entre opinião pública e publicada.

Noutro, publicado numa revista de âmbito médico-cientifico, garante-se que andar descalço é optimo para a saúde. Aquilo é só vantagens. Ao nível do lombo, então, é do melhor. O pé habitua-se, ganha calos e ao fim de algum tempo nem se nota a diferença. Para dar mais crédito à coisa dão o exemplo do Quénia. Diz que os quenianos – muito deles - andam descalços, correm que se fartam e são gajos que vendem saúde. Pode ser que sim. Mas, por mim, prefiro as dores nas costas. Cá me vou aguentando.

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O pássaro manco

por Kruzes Kanhoto, em 30.12.19

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A literatura policial não está no top das minhas preferências literárias. Tenho, no entanto, um especial apreço pela imaginação dos autores, nomeadamente no que diz respeito à escolha dos títulos. É mais ou menos como os nomes fantásticos que os gajos da PJ escolhem para as operações policiais.

O caso do canário coxo”, por exemplo. Só uma mente dotada de uma prodigiosa imaginação engendrará uma história que envolva um pássaro manco. Que, diga-se, deve ser coisa rara. E de pouca importância, também. Até porque uma ave, em principio, usa outro meio de locomoção em que o facto de coxear não tem grande relevância. Excepto, calculo, neste livro onde a perna marota do bicho certamente se revelará determinante para o desvendar do mistério.

Já uma operação da policia judiciária denominada “canário coxo”, dependendo das circunstâncias e do alvo a investigar, pode fazer todo o sentido. Por exemplo – se para tal houvesse motivo, obviamente - numa investigação a um ex-presidente de uma câmara vizinha...

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Ó miúdo! Olha que nesta casa pia apenas quem eu quero!

por Kruzes Kanhoto, em 14.12.19

Seja pela figura grotesca ou por qualquer outro motivo, Ferro Rodrigues é das figuras mais detestadas – e mais detestáveis - da política portuguesa. A sua escolha para presidente da assembleia da república é uma daquelas opções difíceis de perceber e mais parece uma provocaçãozinha que uns quantos socialistas sentiram necessidade de fazer.

O homem é um incapaz. Um inapto para o lugar. O caso do deputado Ventura é só mais um. O fulano, da maneira como se dirige aos seus pares – é isso que são os restantes parlamentares - quase dá a ideia de pensar que está falar para miúdos. Ou que tem a pretensão de achar que naquela casa pia apenas quem ele quer.

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Vendo colecção de burriés

por Kruzes Kanhoto, em 10.12.19

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Uma banana colada com fita adesiva a uma parede é apenas isso. Uma banana colada com fita adesiva a uma parede. Seja a parede de um museu ou a parede de uma casa de banho pública. Tanto faz. Continua a ser uma banana. Arte será apenas na cabeça de gente mimada, fútil e intelectualmente a funcionar à base de psicotrópicos.

Espantoso é que alguém tenha pago mais de cem mil euros pela tal banana. Das duas uma. Ou não lhe custaram a ganhar ou deu-lhe jeito gastá-los. Pode, também, acontecer que seja parvo. Hipótese que, obviamente, não invalida nenhuma das anteriores. Pena é que não tenha falado comigo. Por esse dinheiro arranjava-lhe uma colecção de burriés, colados aos mais variados objectos, capazes de deixar extasiado qualquer apreciador de arte moderna, performativa ou lá o que chamam agora a cenas parvas. 

Mas, nesta história, o que mais me surpreende é o silêncio da ex-deputada Ana Gomes e da sua vasta legião de seguidores, quais paladinos da luta contra a corrupção. A venda do passe de um jogador de futebol por cem milhões cheira-lhes a lavandaria e a crimes da mais variada ordem, mas uma banana vendida por cento e oito mil euros parece não suscitar especiais reservas – nem odores estranhos – a essas miseráveis criaturas. Mesmo que as ditas bananas estejam hoje no Continente a vinte cêntimos cada uma.

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Pirata arrependido

por Kruzes Kanhoto, em 04.12.19

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Zeinal ou Berardo não são nomes tipicamente portugueses. Embora possam ambos, logo assim de repente e ao primeiro olhar, ser associados a alegados pantomineiros e a não menos alegadas vigarices recentemente cometidas por terras lusas. Ora, perante isto, não parece coisa de génio adoptar o “nickname” “Zeinal Berardo” quando se pretende intrujar alguém. Vale, no entanto, o arrependimento. Os outros nem isso.

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Comícios, bebícios e outros vícios...

por Kruzes Kanhoto, em 01.12.19

 

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Para que conste, fui à “Cozinha dos Ganhões”. Trata-se, obviamente, de uma informação absolutamente inútil e completamente desprovida de interesse. O Berardo e o Ventura estiveram igualmente presentes no certame gastronómico. Até este canito, rebocado pela dona e provavelmente contra a sua vontade, marcou presença. Quase seria caso para dizer que se tratou de um evento notoriamente mal frequentado. Mas não. Tenho a certeza absoluta que também por lá terá passado muita gente respeitável. Que isto, como dizia a minha a avó, na hora do "comer" até o diabo aparece.

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Em "portunhol" nos desentendemos...

por Kruzes Kanhoto, em 18.11.19

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O mercado semanal em Estremoz, aos sábados de manhã, constitui um ponto de visita para muitos espanhóis. Ou não estivéssemos nós a poucas dezenas de quilómetros da fronteira. Também, dada essa proximidade, é normal que não existam grandes dificuldades de entendimento a nível linguístico com os “nuestros hermanos”. Nem que para isso tenhamos de recorrer ao “portunhol”. Convém, digo eu, é não abusar. Não vão os visitantes pensar coisas menos sérias a nosso respeito.

Quem não percebeu do que estou a falar – escrever, vá – fique a saber que a palavra “follado” não existe em português. Trata-se de uma palavra espanhola. O significado? Pois...ide pesquisar num qualquer tradutor on-line, que eu não estou aqui para vos fazer a papinha toda!

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O cão, o burro e o porco

por Kruzes Kanhoto, em 12.11.19

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Lamentavelmente o dom da oratória está ausente do rol de capacidades cognitivas dos canitos. A leitura, lamento ser eu a dar a noticia, também não constitui o ponto forte da canzoada.

O mesmo não se pode dizer dos burros. Esses falam. E muito. Estou farto de ouvir uns quantos garantir que o seu – deles – cão é tão, mas tão, inteligente que apenas lhe falta falar para poder evidenciar todo o intelecto de que é dotado.

Já o burro, ainda que saiba ler e falar, insiste em comportar-se como um porco.

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Maluquinhas sem sentido de humor

por Kruzes Kanhoto, em 20.05.19

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Há causas que estão na moda. O feminismo é uma delas. Daí que não constitua surpresa o massacre mediático que as suas defensoras – ou defensores, sei lá – promovem na comunicação social e, de uma maneira geral, no espaço público. Surpreende é esta gente andar, como qualquer vulgar delinquente, a borrar paredes e a dar-se ao trabalho de tentar ocultar a resposta de quem – igualmente como qualquer vulgar delinquente – tratou de retorquir. Gabo-lhes a paciência. Menos mal que por cá as maluquinhas de serviço ainda não chegaram a tanto.

 

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Há ofensas boas e ofensas más. Depende do ofendido.

por Kruzes Kanhoto, em 03.03.19

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Nas últimas semanas humoristas, canalhas das novas causas e, até, pessoas sensatas têm andado em compita para ver quem consegue dizer – ou escrever – o pior acerca do juiz Moura, ou lá como se chama o homem. Ora, como se sabe, quem disputa não mede bem as palavras e, vai daí, a linguagem utilizada na apreciação do trabalho do meritíssimo foi de tal ordem que o magistrado se terá sentido ofendido.

A situação reveste-se de alguma comicidade porque, agora, não faltam criaturas a manifestarem-se ofendidas por o juiz ter ficado ofendido. Reclamam-se, até, no direito de dizer coisas que potencialmente ofendam pessoas. É a liberdade de expressão, argumentam. O que, diga-se, constitui um excelente e inatacável argumento. Que, como os que têm a paciência de me ler muito bem sabem, não me canso de usar. Nomeadamente quando reclamo para mim o direito de escrever coisas que potencialmente ofendam paneleiros e invertidos em geral, ciganos, pretos, muçulmanos, judeus, políticos, sportinguistas ou qualquer outra minoria de que eu não goste.

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E aquilo dos gostos não se discutirem? Deixou de ser assim e ninguém me avisou?!

por Kruzes Kanhoto, em 19.06.16

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Não sei quem é Rui Sinel de Cordes. Nunca, até um dias destes, tinha lido ou ouvido fosse o que fosse que me fizesse ter conhecimento da sua existência. É, ao que parece, um humorista. Que, tal como todos os outros, fará umas piadolas. Não conheço nenhuma, mas presumo que umas terão mais graça que outras e, de certo, algumas  não terão piada nenhuma na opinião de uns, enquanto para outros serão de rir até às lágrimas.

Isto a propósito de uns gracejos que o homem, alegadamente, terá feito acerca do atentado onde quinaram umas dezenas de gays e que causaram indignação aos alarves do costume. Não sei o que o humorista terá dito, ou escrito, acerca da ocorrência. Nem me interessa. Tem é todo o direito de o fazer. E toda a gente tem o direito de não apreciar. De ficar indignado, também. Como normalmente eu fico quando contam anedotas ou vomitam dichotes, geralmente parvos, acerca de alentejanos.

Parece que começam a existir novos tabus na sociedade ocidental. Assuntos sobre os quais, alegando essa coisa da discriminação, não se pode discordar, ser contra, nem – ai de quem o ousar – assumir publicamente uma posição diferente do pensamento único que nos está a ser imposto. Se isto não é ditadura...não sei o que lhe chame!

 

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