Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 20.12.25

IMG_20251220_154041.jpg

O meu quintal constitui um ecossistema habitado por uma fauna abundante e indecifrável. Bichos esquisitos, rastejantes diversos, lagartas e passarada de todas as marcas. Todos com um apetite verdadeiramente obsceno. Comem tudo e não deixam nada, estes abutres aproveitadores do trabalho alheio e desconhecedores do conceito de propriedade privada. Como outros, igualmente detestáveis, que por aí cirandam.

Por alguma razão que os meus conhecimentos agrícolas não alcançam, mas a ciência explicará, os morangueiros estão agora a frutificar. Não produziram nada na época certa, mas agora há por ali uns quantos a dar fruto. Obviamente não como nenhum. Mal começam a ganhar cor, são de imediato integrados na cadeia alimentar da bicheza que adoptou este recanto como habitat. Daí esta opção mais ou menos drástica. Sempre quero ver agora como vão ripostar os rastejantes. Cá os aguardo, seus vermes!

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 25.10.25

IMG_20251025_130921.jpg

 

Isto aqui pela agricultura da crise está do piorio. Vai uma crise que só visto. Os citrinos foram atacados por diversas pragas e estão todos, de todas as árvores, a cair de podres. Nem uma peça para amostra deverá sobrar. O pior é que a situação, ao que sei, é generalizada. O mais provável é a fruta nacional que chegar ao mercado estar carregadinha de produtos químicos e a um preço bastante simpático na perspetiva de quem vende.
Tudo o resto, cá no quintal - desde as couves às alfaces, da salsa aos coentros e das nabiças à hortelã - está infestado de lagartas. Muitas iguais às da foto, que é possível localizar, e de outras tantas completamente verdes. Tão verdes, mas tão verdes que são praticamente indetectáveis por quase não se distinguirem das plantas. Do que sobra tratam as lesmas, caracóis e passarada de várias marcas.
Salva-se, por enquanto, a abóbora. A única que até agora dá mostras de querer resistir. Todas as outras - já foram umas quantas - faleceram muito antes de atingir um tamanho sequer comparável a esta.

IMG_20251025_131556.jpg

 

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 08.09.25

IMG_20250906_211239 (1).jpg

A agricultura da crise, como escrevi noutras ocasiões, já não é o que era. Os morangueiros têm estado sob permanente ameaça dos melros e de outra passarada que insistem em os arrancar pela raiz. Devem ter-se contado pelos dedos das mãos – e, vá, um ou dois dos pés – os morangos que produziram. Bem pequeninos, diga-se.

As couves, coitadas, são as pistas de aterragem perfeitas para as inúmeras borboletas que insistem em sobrevoar o meu espaço aéreo. Ali depositam ovos aos milhões donde brotam lagartas esfaimadas que comem as folhas ou as deixam com mais buracos do que certas estradas. Antes, que agora com o aproximar das eleições autárquicas a máquina dos votos resolve a coisa. Das estradas, das couves não há votos nem máquinas que lhe valham.

O melhorzinho desta agricultura da crise – ela própria em crise – é o tomate cherry. O curioso é que não foi plantado nem, tão pouco semeado. Aquilo nasceu de geração espontânea. Algumas sementes que por ali caíram das quais resultaram três plantas. A foto é da colheita de hoje. Razoável, se o tamanho não tiver grande importância.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 03.08.25

 

A agricultura da crise de agora não é o que já foi. Depois de perdidos os anteriores cenários para a especulação imobiliária, como lhes chamariam criaturas de moral duvidosa, está actualmente limitada ao quintal cá de casa. São condições menos propicias, com pouco espaço e bastante mais dispendiosas, que isto de regar com água da rede não constitui uma opção sustentável. Digamos, face a estas circunstâncias, que estamos perante outro conceito. O da mobilidade – ou da portabilidade, talvez – agrícola. Dado que a exposição ao sol do espaço vai variando conforme as estações do ano, com esta solução as plantas podem ser deslocadas de maneira a que estejam expostas à luz solar o maior tempo possível. Um Sechium edule e um Vaccinium myrtillus são os primeiros experimentos neste campo. Que é como quem diz, nesta amostra de quintal. Para já evidenciam sinais de alguma vitalidade. Espera-se que a produção dê, pelo menos, para engasgar…

Fisális da crise

Kruzes Kanhoto, 27.03.24

IMG_20240324_174839.jpg

Segundo os especialistas da especialidade, nomeadamente os sites especializados, a “fisális é nativa das regiões temperadas, quentes e subtropicais de todo o mundo”. Não obstante estar notoriamente fora do seu habitat natural - coitado, por esta altura do ano, quase não apanha sol - o exemplar único que habita no meu quintal está a produzir frutos em número bastante aceitável. Isto apesar das condições climatéricas adversas, para além da localização desfavorável, a que a desgraçada da planta tem estado sujeita.

Parece, também, que o fruto possui inúmeras qualidades medicinais. Garantem os especialistas que é especialmente boa para purificar o sangue, fortalecer o sistema imunológico, aliviar dores de garganta, ajudar a diminuir as taxas de colesterol e aliviar as hemorroidas. Talvez sim. O que posso afiançar é que dele não direi que compensa o bem que sabe para o mal que faz. Nem o contrário. Come-se, é o meu veredicto.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 13.12.23

favas.jpg

ervilhas.jpg

alhos.jpg

Não é, como já escrevi noutras ocasiões, a melhor altura do ano para a agricultura da crise. Aqui pelo quintal da maison continuo sem provar o fruto – não sei que nome tem a coisa - da physalis que plantei no quintal. Apesar de lhe ter colocado um tutor aquilo não se aguenta. Os ramos são tão frágeis que partem com o peso das bagas e ficam irremediavelmente perdidos. Ainda nem um provei. Quando tiveram um aspecto apresentável – forem minimamente fotogénicos, digamos – irão aparecer por aqui.

Entretanto lá pela outra “agrária” estão a nascer as primeiras favas e ervilhas. Os alhos, que supostamente deviam ter pelo Natal o tamanho do bico de um pardal, já estão deste bonito tamanho. Na quadra natalícia, a continuar assim, deverão estar mais próximo do bico de uma cegonha. E é isto que a chuva, o frio, o inverno, as poucas horas de luz solar e outros assuntos relacionados com cenas que não vêm ao caso têm permitido fazer na agricultura da crise.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 28.10.23

IMG_20231028_131124.jpg

couve1.jpg

 

Pouco há para acrescentar ao muito que aqui tenho escrito acerca da agricultura da crise. Foi apenas mais um sábado no quintal. Uma manhã, vá. Ou nem isso, porque antes ainda houve a sacramental volta pelo mercado cá da urbe.

A colheita de hoje está à vista. Dois morangos fora de época, uma abóbora que ficou esquecida, couve, chuchus e a primeira parcela de batata-doce. Pela rama prometia mais, mas afinal apenas deu aquilo. Confesso a minha decepção perante a fraca produtividade do tubérculo.

Entretanto a couve está a ser atacada pelas lagartas. Se alguém for conhecedor de uma forma de as afastar sem as magoar, não me diga nada. Prefiro esborrachá-las.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 15.07.23

IMG_20230712_205753.jpg

 

Na agricultura da crise, nesta época do ano, todos os dias se colhe qualquer coisa. Esta semana foi colhido o primeiro pimentão. O primeiro de muitos, espero, porque ao contrário de anos anteriores as plantas estão com bom aspecto. Quanto aos pepinos... Ando a tentar testar se assustam mesmo os gatos ou se aquilo é apenas uma cena para divertir o pagode que gosta de assistir aos vídeos de gatinhos que proliferam na Internet. No entanto a Senhora Dona Gata não me dá hipótese. É que nem me deixa aproximar para lhe deixar o pepino por perto. Está sempre atenta a todas movimentações e mesmo a comer não baixa a guarda. Mas calculo que não se assuste, até porque está habituada a vê-los no quintal. Isso deve ser coisa dos gatos maricas da cidade.

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 09.07.23

abrunhosx.jpg

 

cebolasx.jpg

 

alhosx.jpg

É tempo de colheita na agricultura da crise. Dos figos, lamentavelmente, não há registo fotográfico. Desta vez as alterações climáticas – ou seja lá o que fôr – anteciparam a maturação em cerca de duas semanas. Coisa que deve ter baralhado a passarada, o que permitiu fazer uma colheita antes que os bandos de voadores esfomeados os devorassem.

Os alhos foram vitimas do patife do costume. Levou parte significativa da produção ainda antes de estarem prontos para a colheita. Dá-lhe para isto. O que me faz espécie é que não lhe dá para arrancar as ervas. Uma questão interessante para um estudo cientifico acerca do comportamento humano no âmbito das patologias ao nível da psique.

As primeiras cebolas e os primeiros abrunhos também estão aí. Tudo a IVA zero, sem qualquer produto químico nem corantes ou conservantes. Já do preço de todos estes produtos não sei nada. Estarão ao preço que o mercado estiver disposto a pagar por eles. Pelo menos enquanto o governo não ceder ao pedido de cada vez mais criaturas no sentido de fixar os preços máximos a que podem ser vendidos. Será o primeiro passo para a escassez, mas vá lá perceberem isso...

 

Agricultura da crise

Kruzes Kanhoto, 19.08.22

IMG_20220817_194926.jpg

IMG_20220809_230619.jpg

Vá lá perceber-se esta coisa da agricultura. O intenso calor que nos tem andado a chatear – já perdi a conta aos dias com temperaturas acima de quarenta graus – não tem ajudado nada a produção da agricultura da crise. A cebola e os tomates, ainda assim, foram os que melhor se aguentaram. O resto ficou tudo a atirar para o estiolado. Menos as abóboras - nasceram por acaso, ser serem semeadas – e a erva. A esta última não há calor que a incomode. Cresce por todo o lado e medra de dia para dia. Erva daninha, bem entendido, para lamento daquela malta das furgonetas brancas que se agarra a tudo o que pode. E doutra, também.