Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Dar a volta à lei.

por Kruzes Kanhoto, em 15.10.15

The_Muppet_Show_Animal_Glass_Wall Clock_A24800.jpg

 

Obrigado pela troika ou motivado apenas por questões ideológicas, o governo que agora cessa funções adoptou medidas sem qualquer sentido. Inúteis, mesmo. Quando não, até, contraproducentes relativamente ao que, imagina-se, seria o objectivo das mesmas.

A redução dos feriados ou o aumento do horário de trabalho na função pública para quarenta horas semanais constituem apenas dois exemplos de politica reles, feita por políticos sem qualidade e que, no caso do horário, apenas agrada aos que defendem o quanto pior melhor relativamente aos funcionários públicos.

Neste último tema, o poder local, como acontece com tudo o que é lei que belisque os seus interesses, tratou de dar à volta à questão. Municípios houve que ignoraram liminarmente a medida sem que daí, saliente-se, tenha vindo mal ao mundo ou sanção a quem assim decidiu. Outros – muitos, ao que parece – trataram de assinar acordos que permitem a laboração nos moldes do horário anteriormente vigente.

Há, finalmente, um terceiro grupo. Os que preferem não fazer acordos e manter as quarenta horas. Tudo a bem, diz, dos seus trabalhadores. Que assim têm a oportunidade de complementar o parco salário através das horas extraordinárias que generosamente lhes são pagas. Sortudos os funcionários que, por via deste acréscimo salarial, podem melhorar o seu nível de vida, pagar a prestação do carro, fazer aquela viagem ou, simplesmente, esturrar o graveto naquilo que mais lhes aprouver. Não é que conheça autarquias onde isto aconteça, mas tenho ouvido falar que lá para o norte é muito frequente.

Compartilhar no WhatsApp

"Bem-aventurados os jovens, pois eles herdarão a divida pública". Se, entretanto, não se forem todos embora.

por Kruzes Kanhoto, em 06.08.15

Uma autarquia tem, façamos um suponhamos, cem funcionários que trabalham, cada um, trinta e cinco horas semanais. Três mil e quinhentas horas, portanto. Para cumprir promessas feitas em tempo de eleições, ajeitar uns quantos afilhados, recompensar a malta que andou a segurar o pau da bandeira durante a campanha ou resolver problemas de algumas pessoinhas deliberou recrutar mais dez funcionários. Seguindo o raciocínio anterior teríamos mais trezentas e cinquenta horas de serviço em prol da qualidade de vida da população. Número exacto que os autarcas, na sua imensa sabedoria, determinaram como essencial para prestar um serviço público de qualidade.

O pior é que não pode. O governo não autoriza. A dita autarquia - seja ela qual for, mas suspeito que será lá para o norte – apenas está autorizada a proceder ao recrutamento de mais pessoal se cada um dos seus actuais cem trabalhadores assegurar um horário de quarenta horas. Logo, no seu conjunto, a servir a população do concelho durante mais quinhentas horas. Cumprida esta premissa, aí sim, estará garantida a autorização governamental para a contratação dos tais dez novos funcionários. Que irão, logo que contratados, laborar quatrocentas horas por semana para o bem-estar dos contribuintes lá do sitio. Ou seja, o governo só autoriza e a autarquia apenas contrata quando os tais trabalhadores que está autorizada a contratar já não fazem falta nenhuma.

Trata-se, acho eu, de uma questão inquietante. Reveladora, também, do desvario que vai na cabecinha de quem manda alguma coisa neste país. O pior é que isso reflecte-se directamente nas nossas algibeiras. Ou então sou eu que não percebo nada disto. Hipótese que, obviamente, não descarto.



Compartilhar no WhatsApp