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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Insultar está a ficar difícil...

por Kruzes Kanhoto, em 30.06.18

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Sabe-se que quem disputa não mede bem as palavras. Daí que qualquer desinquieta entre duas pessoas – ou mais, mas fiquemos pela parelha para simplificar – envolva a troca de insultos. Mas isso, pelo caminho que isto está a levar, terá os dias contados. A menos que os envolvidos queiram arriscar pesadas condenações. Não pelas eventuais maleitas físicas que possam provocar ao outro – que um olho furado ou uns miolos à mostra não têm importância nenhuma - mas, antes, por causa das palavras proferidas durante a refega. Estas sim, são perigosas. Podem consubstanciar uns quantos crimes de ódio. Daqueles gravíssimos. E que, certamente, consubstanciam.

O mais avisado é evitar zaragatas. Mas, não sendo de todo possível, o ideal é o oponente ser um homem, branco, heterossexual, sem qualquer defeito físico ou mental e, preferencialmente, que não seja pobre. Mas, ainda assim, são de evitar durante a peleja referências à mãe da criatura ou às suas orientações políticas. A menos que as últimas incluam a admiração por Trump ou a simpatia por tendências fascistas, o que constituiria um insulto bastante valorizável. Todas as restantes ofensas podem ser consideradas como uma atitude discriminatória ou, pior, uma fobia. Conhecida ou, ainda, por inventar.

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E contra a trifobia, pázinhos, ninguém luta?!

por Kruzes Kanhoto, em 17.05.18

Diz que hoje é o dia internacional contra a homofobia, a bifobia e a transfobia. Não é que isso me importe – nem exporte, a bem dizer – mas, assim de repente, parece-me uma coisa esquisita. Daí que não vá desenvolver nenhuma acção de luta contra qualquer uma dessas fobias. Até porque, coitadas, nunca me fizeram mal nenhum.

Nestas matérias – como noutras, confesso – sou um bocado ignorante. Se relativamente à primeira – a homofobia – tenho uma vaga ideia do que seja, já quanto às outras são conceitos que escapam ao meu conhecimento. Bifobia será alguém com duas fobias, certamente. E transfobia deve ser quando um gajo ou uma gaja - ou um coiso, vá - tem medo ou aversão a transportes. Públicos, nomeadamente. Que, calculo, deve ser uma fobia muito comum. A não ser assim haverá aqui uma ilegítima apropriação linguística, em beneficio próprio, de algum grupo modernaço...

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Velhofobia

por Kruzes Kanhoto, em 04.07.16

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Depois do Reino Unido, onde se culpam os eleitores mais idosos pelo resultado do referendo ter sido favorável ao Brexit, também em Espanha se assiste a uma onda de velhofobia por o Partido Popular ter voltado a vencer as eleições e a esquerda ter tido um resultado miserável. Tudo graças, afiançam os esquerdelhos mais jovens, ao voto dos velhos na direita. Há mesmo, num e noutro país, quem defenda a interdição de voto aos mais idosos por, alegam, estarem a decidir sobre um futuro que não lhes pertence.

Deixo de lado a notória indigência mental destas afirmações e os altos valores democráticos que esta gente demonstra possuir. Não me surpreendem. Dos velhos apenas querem a mesada que lhes permite fazer vida de rico e, quanto à democracia, julgam que é mais ou menos como nas suas casas onde os papás sempre lhes fizeram todas as vontades. Chegados à idade adulta não admira que constitua para eles uma novidade o facto de haver gente que, democraticamente, os contrarie. Uma chatice a que não estão habituados.

O que me espanta é não ter vindo ainda ninguém, nomeadamente da área do politicamente correcto, condenar estas afirmações velhofobicas. Se algum infeliz ousasse escarnecer de uma fufa, de um larila, de um negro, de um muçulmano, de um refugiado, de um anão ou, principalmente, de um cão teríamos os intelectuais do Facebook em pé de guerra com o mundo. Concluo, portanto, que não faz mal nenhum ser velhofóbico.

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Alegada vitima de racismo alegadamente homofobica

por Kruzes Kanhoto, em 25.05.16

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Sabe-se como as minorias protestam contra a discriminação de que, alegadamente, serão vitimas. Não gostam de se sentir discriminadas. Conseguiram, até, que a mais pequena referência à sua condição minoritária fosse considerada como um crime. Lá terão – e o legislador também – as suas razões.

Esta legislação é potencialmente causadora de situações assaz curiosas. Hilariantes, mesmo. Em muitas circunstâncias, presumo, capazes de deixar horrorizados os bem-pensantes do politicamente correcto. Nomeadamente quando os alegados discriminados se vitimizam e insultam em simultâneo. Como aquela cidadã de etnia cigana que, indignada, terá berrado com quanto ar tinha nos pulmões: “Racista! És um paneleiro! Queres é levar no cú!”. Isto, alegadamente, contra um pacato cidadão que não é nem uma coisa nem outra e que, para o lado do traseiro, nem uma seringa gosta de ver apontada. Se uma coisa destas chegasse a tribunal estaríamos, se calhar, perante um imbróglio jurídico.

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