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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Para quê comprar se posso okupar?!

Kruzes Kanhoto, 09.04.24

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O imobiliário foi um tema que sempre me interessou. Tenho mesmo a pretensão de achar que podia, se a vida tivesse levado esse caminho, ter sido um profissional do sector. Assim um pedreiro, ou isso. Gabarolice à parte, tenho até um certo jeito para a arte.

Por isso – ou apenas porque sim – subscrevo newsletser’s de diversas empresas do ramo. Numa das últimas eram apresentadas vários imóveis para venda que constituíam verdadeiras pechinchas, desmontando assim a ideia segundo a qual comprar casa é uma impossibilidade para quem tem o azar de não ser milionário. Estava, no caso, a ser comercializado um apartamento T2, com 73 m2, no centro de uma capital de distrito, pela interessante quantia de vinte cinco mil euros. Pela fotografia que promovia o imóvel – reproduzida em cima – pode ver-se que a vizinhança gosta de conviver na rua e que existe na zona uma quantidade significativa de furgões brancos. Propriedade dos moradores, certamente. Há, contudo, um pequeno senão. Uma coisinha de nada. O apartamento está ocupado ilegalmente. E, mas isso sou eu a especular, se algum dia alguém o conseguir desocupar, estará todo partido. É nesta parte que me lembro sempre da outra fulana. Aquela que recomenda que não “lhes dês descanso”, referindo-se, presumo eu, a esses patifes especuladores que fazem, com a sua ganância, com que a malta tenha problemas em arranjar uma casa barata e, por consequência, fique impossibilitada de ter uma “vida boa”. Essas palavras de ordem são aqui seguidas em todo o seu maravilhoso esplendor. Por um lado, descanso é - a julgar pelo preço que estão a pedir - o que os donos do apartamento não têm tido. Por outro, os okupas estão certamente a levar uma vida boa. Ou seja, um magnifico exemplo do que o Bloco de Esquerda pretende para o país. As melhoras a quem votou neles.

Fascistas de Abril

Kruzes Kanhoto, 06.04.24

 

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Está finalmente identificada a origem da crise da habitação. É o fascismo. Foi o Livre, esse partido de um homem só, que descobriu. E não se riam, que divino líder daquilo tem toda a razão. Durante o regime fascista – pronunciar “fascista” com a “boca cheia de favas” e em tom enraivecido – os senhorios estavam impedidos de aumentar as rendas para, pelo menos por aí, não provocar conflitualidade social. Mais ou menos o mesmo que sugerem agora o Livre e restante malta que enaltece os valores de Abril para resolver o problema. Ou seja, não têm a mais parva ideia de como a coisa se resolve e, vai daí, culpam o “fascismo”. Há sempre uns quantos parvos que acreditam.

Pássaros do sul

Kruzes Kanhoto, 22.03.24

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Este casal de andorinhas – uma andorinha e um andorinho, calculo, que os animais sabem que não é com mariquices que garantem a continuidade da espécie – devem ter estudado a melhor localização para a construção do seu ninho e concluíram que o lugar ideal é precisamente a casa que estou a preparar para colocar no mercado de arrendamento a um preço exorbitante e altamente especulativo. Lamento amigues – ó para mim a escrever em inclusivês - mas aqui não dá. Terão de procurar outro espaço. Não ando a esfalfar-se a trabalhar para virem vocês cagar isto tudo. Vão para outra parede qualquer. O que não falta por aí são casas abandonadas onde ninguém vos aborrece. Aqui é melhor não. E não me olhem assim que não penso dar-lhes. Descanso, como a outra.

Senhorios fofinhos

Kruzes Kanhoto, 19.03.24

Afinal, ao contrário do que andava para aí a propagandear o pessoal da direita, Mariana Mortágua não é “senhoria de um T1 pelo qual cobra 650 euros ao inquilino”. Mas se fosse, não tinha mal nenhum. Mau seria se, na qualidade de dirigente partidária ou outra qualquer, pretendesse dar lições de moral acerca de rendas exorbitantes ou isso. Nada disto se verifica. Ao que se refere a comunicação social, a criatura é proprietária de um T1 – na zona de Arroios, em Lisboa – que arrendou por aquele valor entre 2019 e 2021. Já lá vão três anos, mais coisa menos coisa. Altura em que, recorde-se o SMN era de 635 euros. Este montante, mesmo para a época, terá sido considerado pelo Bloco de Esquerda, em reacção a esta notícia, como muito longe de poder ser considerado especulativo. Trata-se mesmo de um absurdo classificar uma renda daquelas como especulativa, segundo a fonte bloquista instada a pronunciar-se sobre o assunto. Também acho. Por uma vez concordo com aquele pagode. Chame-se o senhorio acusado de especulação, por cobrar mais do que um SMN por um T1, Mortágua ou outro apelido menos finório. Mas isso sou eu…

Habitação: Um negócio sem risco... para o Estado.

Kruzes Kanhoto, 07.02.24

Nisto da habitação não há soluções fáceis. Se houvesse, há muito que tinham sido encontradas em países onde o problema é idêntico e a capacidade para resolver situações difíceis é muito maior. Daí que, para disfarçar, a oposição de hoje culpe os governantes actuais e demais partidos que os têm sustentado no poder, e estes atribuam a responsabilidade a quem os antecedeu. Mesmo que uns já lá estejam há oito anos – vai para nove – e os outros de lá tenham saído há igual período.

Há quem insista pretender em baixar o preço das casas por decreto, seja na venda ou no arrendamento. Esqueçam lá isso. Não resulta. Se outra razão não houver, setenta por cento da população ser proprietária de imóveis parece-me constituir motivo mais do que suficiente para augurar um futuro pouco risonho a quem tente concretizar tamanho disparate. Os teóricos da intervenção do Estado nos bens dos outros, que experimentem fazer obras de recuperação num imóvel de que sejam donos. De outra maneira nunca entenderão. É que isto é muito fácil falar dos preços especulativos das rendas, mas ninguém se lembra do custo não menos especulativo da mão-de-obra, dos materiais, das taxinhas, dos projectos e de um sem número de despesas que envolvem uma obra. Como se isso não fosse suficiente, no final, ainda aparece o Estado. Torna-se sócio no negócio, ao "abotoar-se" com quase um terço do rendimento gerado, sem que para além de atrapalhar tenha feito algo de útil ou investido um cêntimo.

Nem todos podem morar na praça...

Kruzes Kanhoto, 27.01.24

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Umas centenas de criaturas mal-apessoadas manifestaram-se mais uma vez pelo direito à habitação. Direito esse que, tanto quanto sei, ninguém colocou em causa. Todos continuam a tê-lo. Desde que, obviamente, o paguem. Fazem-me confusão estas reivindicações dos manifestantes. Nomeadamente quando se acham no direito a ocupar propriedade privada, quando consideram que os senhorios têm o dever de lhes arrendar uma casa pelo preço que eles entendem e quando acham que têm o direito de morar onde muito bem querem, nomeadamente no centro das cidades, sem pagar mais por isso.

Por mim, que estou a recuperar uma vivenda para eventualmente colocar no mercado de arrendamento, dificilmente a arrendaria a qualquer uma das pessoas que aparecem nas televisões a mandar bitaites. Nem eu nem ninguém com juízo. Com aquele aspecto e aquele discurso o melhor é tentarem na Palestina, já que gostam tanto que nem numa manifestação sobre a habitação em Portugal largam a bandeira daquele território. Esta gentinha não percebe que um imóvel é sempre o fruto do trabalho de alguém que poupou e que não esturrou os seus recursos em futilidades. Daí que seja normal que qualquer proprietário procure rentabilizar o investimento. Não conseguem pagar? Temos pena, mas tudo na vida tem uma alternativa. É procurá-la.

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

Kruzes Kanhoto, 01.10.23

Agora que já partiram umas montras e vandalizaram mais umas quantas cenas podemos partir do princípio que se começou a resolver o problema da habitação. É assim que se começa. Pela demolição. Parte do problema é, também, a extrema dificuldade do sector em recrutar pessoal devidamente qualificado para o exercicio desses trabalhos. O que contribuiu igualmente para agravar a crise. O pagode prefere ir para as manifes partir coisas á borla do que ser remunerado por uma actividade para a qual parece ter especial aptidão. Depois queixam-se que não tem dinheiro, os totós. O que não é coisa que me rale, diga-se. O problema é deles. O que me apoquenta é a originalidade dos protestos. Até posso admitir que se tenham esquecido de levar um cartaz - um chegava - a protestar contra a ministra da habitação. Mas, convenhamos, é deveras inquietante o apoio do PS a estes movimentos e a esta manifestação em particular. É que isto do partido do governo estar de acordo com a politica de habitação e simultaneamente de opinião contrária, afigura-se-me um bocadinho esquisito.

Por falar em falta de graveto. Diz que receber um mês de ordenado extra livre de impostos é mau. Do piorio, mesmo. Tal dislate colocaria a sustentabilidade da segurança social em causa, ao que garantem o governo, a esquerda e os especialistas especializados na especialidade de saber o que é  especialmente bom para os portugueses. Desta vez concordo com todos eles. O melhor é não receber nada. Melhor ainda seria se sobre esse nada incidisse uma taxa de cem por cento. O que, pelas contas deles, daria para cima de um dinheirão em contribuições e impostos. 

Outra  polémica que anda por aí tem a ver com uns negócios  que envolvem o PCP e uns prédios em Aveiro. Não sei bem do que se trata, mas tratando-se daquela partido de certeza absoluta que a legalidade estará garantida. Diz que são negócios de muitos milhões e, como toda a gente sabe, negócios desse valor são sempre legais. 

 

Opções, prioridades e outras endrominações

Kruzes Kanhoto, 22.08.23

Contrariando a sabedoria popular, o governo garante--nos que todos podemos morar na praça. Eles estão lá para nos assegurar esse direito. E quando, como é óbvio, a realidade se encarregar de mostrar aos crédulos que tal é impossível, porque a vida é mesmo assim e sempre assim será, a culpa vai ser de todos menos dos pantomineiros que andam a endrominar os mais fracos de sentido que ainda acreditam nas patranhas propaladas por aquela gente. Embora isso não faça diferença nenhuma. O pagode continuará a votar neles, pois está convencido que apenas aquela maralha foi ungida para governar.

Com veto presidencial ou sem veto presidencial, com ou sem alterações ao projecto vetado, o “Mais Habitação” pouco mudará ao panorama actual. Podem pintar aquilo das cores que quiserem, mas fazer uma reforma do sector habitacional hostilizando uma parte dos intervenientes – que, por sinal, até são a maioria – para além de nada resolver, não augura nada de bom. Como o passado já demonstrou e o futuro se encarregará de confirmar.

O envolvimento dos municípios na resolução - previsto e bem, na lei – do problema da habitação devia ser o centro de toda a discussão. Por mais que alguns sustentem o contrário há capacidade na administração local para contribuir de forma decisiva para, pelo menos, minorar o problema. É tudo uma questão de opções, de prioridades e, principalmente, mudar o foco das festas e dos subsídios para algo útil e que melhore a vida dos respectivos munícipes.

 

Abaixo o pequeno capital!

Kruzes Kanhoto, 25.06.23

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Mas querem, ao certo – mesmo ao incerto também serve – referendar o quê? Que qualquer cidadão, num momento de aborrecimento ou apenas porque sim, faça um cartaz e vá para a rua reivindicar o que lhe dê na realíssima gana não tem mal nenhum. Antes pelo contrário. È o exercício de um direito legitimo, por maior que seja a excentricidade da reivindicação. Eu é que sou curioso e gosto de saber o que propõem os meus concidadãos no sentido de melhorar a vida de todos. Manias.

No caso trata-se do cartaz de um movimento, supostamente apartidário, que pretende a realização de um referendo local em Lisboa. As perguntas a referendar ainda ninguém sabe quais serão - diz que estão em período de recolha de propostas – mas na página do movimento o alvo escolhido, identificado como principal responsável pela falta de habitação, é o alojamento local. Já quanto aos hotéis de grandes cadeias internacionais, que também ocupam prédios e isso, nem uma palavra. Cá para mim são fachos, ou direitolas. O que, hoje em dia, é a mesma coisa. Gente que prefere atacar quem ganha a vida e se esfola a trabalhar nesse sector e prefere deixar em paz o grande capital, só pode ser da direita mais reaccionária. E bafienta, já se me escapava. Não tarda, ainda estão a culpar os quase oitocentos mil imigrantes, que por cá aportaram, pela falta de casas acessíveis à bolsa dos portugueses. Ou, vá, a pretender referendar se devemos aceitar ou não a vinda de outros tantos que, ao que tudo indica, também irão precisar de casa para morar. Não me admirava, que dessa direita xenófoba espera-se tudo.

Habitação: Criminosos, especuladores e paquidermes.

Kruzes Kanhoto, 02.04.23

senhorios

1 – Das manifestações de ontem fiquei sem perceber que solução propõem as criaturas – poucas, atendendo à dimensão que se diz ter o problema - que ontem se manifestaram pelo seu direito à habitação. Matar os senhorios não se me afigura grande ideia. Embora, reconheço, possa contribuir para solucionar o problema habitacional de quem enveredar por esse caminho. Durante vinte anos e tal anos não se precisa de preocupar em arranjar casa. O Estado garante-lhe durante esse tempo cama, mesa e roupa lavada.

Casa


2 – Foram várias as pessoas, a maior parte reformados, que referiram pagar de renda praticamente tudo o que recebem de reforma. A ser verdade – e provavelmente será – como é que sobrevivem? Vão comer à sopa do pobre? Ou será que têm um ou dois quartos sub-arrendados pelos quais cobram uma renda especulativa? Não seriam os únicos...

 

tax

3 – Nisto da habitação temos dois elefantes na sala que andamos ostensivamente a ignorar. Não adianta culpar os estrangeiros ricos, a “invasão” de americanos ou meia dúzia de nómadas digitais. Esses arrendam as casas que não são, nem nunca seriam, para o “bico” dos portugueses. O primeiro paquiderme são os imigrantes que chegam às dezenas de milhares e que, tal como os nossos primeiros emigrantes, não se importam de dividir casa com mais uma ou duas dezenas de compatriotas. O segundo é o governo. Preços altos, dos arrendamentos ou das vendas, significam mais impostos. Muitíssimo mais dinheiro a entrar nos cofres do Estado representam muito mais benesses a distribuir pelas clientelas. Esperar que o tipo de gente que ontem se manifestou perceba isso é ter demasiada esperança na humanidade.