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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Que saudades de uma grandolada...

Kruzes Kanhoto, 11.01.20

Insisto. O banco público – a tal vaca sagrada que não pode ser privatizada – sacar cinco euros e quinze cêntimos por mês da conta de um cliente é um roubo. Uma vergonha, como diria o outro. E mais vergonha é o silêncio ensurdecedor que vem das bancadas parlamentares do BE e do PCP. Vergonhoso é igualmente a ausência de qualquer espécie de reacção por parte da sociedade. As saudades que eu já tenho de ouvir o velho Jerónimo, as esganiçadas malucas e a camaradagem em geral a malhar na banca, nos banqueiros e a manifestar a mais veemente preocupação pelos roubos que a toda a hora eram praticados por aquele maléfico governo de direita. Agora estão todos mais calados que uns ratos. Nem um protestozinho ou uma grandolada ou, ao menos, uns dichotes parvos a sugerir a nacionalização da banca. Ah, espera, a Caixa Geral de Depósitos é do Estado. Está ao serviço do povo, portanto. Ainda bem que não deixámos o Passos Coelhos privatizá-la. Ufa, do que nós nos livrámos...

As saudades que eu já tenho de uma grandolada...

Kruzes Kanhoto, 27.11.18

Ainda me lembro daquele tempo, quando a direita bafienta governou e como consequência disso as trevas se abateram sobre a terra, em que as mulheres tinham a mania de dar à luz em ambulâncias, as criancinhas desmaiavam de fome nas escolas e os adultos nas filas dos centros de emprego, o SNS estava à beira da rotura, os serviços públicos prestes a sucumbir e os transportes incapazes de satisfazer as necessidades da população. Gritámos, então, que queríamos as nossas vidas de volta, criámos comissões de utentes e cantámos a “Grândola”. Felizmente fez-se luz. O céu azul paira sobre as nossas cabeças e pelas narinas entra-nos o fresco aroma do pinho. As comissões de utentes levaram sumiço e as grandoladas passaram à história. O que mudou, entretanto? Nada. Mas fizeram-nos acreditar que sim. Foi o suficiente para nos convencermos que o sol brilhará para todos nós. Já acreditámos nisso em 1975. Com o resultado que se viu.  

Bora lá fazer uma grandolada!

Kruzes Kanhoto, 26.07.17

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Ainda a propósito das comissões da Caixa. Fossem outros os tempos e não estivessem as esquerdas – a caviar e a bafienta – a servir de tropa de choque dos socialistas, o que não faltaria por aí seria gente a cantar a "Grândola, vila morena" nas agências do banco público. Assim, para não os acusarem de não dizerem nada, vão-se queixando de como a vida dos reformados vai ficar difícil. Podiam, digo eu, ensinar os velhinhos a procurar alternativas gratuitas...na banca privada! Isso sim, é que era uma coisa valorizável e que realmente ajudava os velhotes.