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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Meninos rabinos…

por Kruzes Kanhoto, em 24.09.19

Parece que um motorista se deparou, face a facínora, com um grupo de meliantes a assaltar-lhe a viatura. Não terá, a fazer fé no que se sabe acerca do acontecimento, sido particularmente simpático para com os patifes e, pasme-se, até os terá impedido de continuar a exercer a sua actividade. O que, naturalmente, os deixou indignados levando a que tenham recorrido à GNR para que a normalidade fosse reposta. Esta, chegada ao local da altercação, tomou conta da ocorrência e tratou de deter o motorista. Bem feita, que isto de prejudicar quem trabalha bem bastou no tempo do governo da direita.

Identificados pela PSP também foram uns quantos militantes, simpatizantes ou lá que eram, do PNR que pintaram uma parede onde antes um grupo de BE tinha rabiscado uns gatafunhos. Uma ilegalidade, isso de limpar o que outros sujam. Diz que em tempo de eleições pode-se sujar à vontade e quem se atrever a reparar os estragos arrisca-se a ir de cana. O mesmo princípio, presumo, aplica-se a todas as paredes. Sejam elas de edifícios públicos ou de prédios do Robles. Embora desconfie – mas isso é o meu mau feitio – que nem o Bloco ia fazer javardices para os prédios daquele gajo nem, se o fizesse, o PNR lá ia pintar por cima.

O que têm estas duas historietas em comum? Pouca coisa, se calhar. Eu é que ando com a impressão - vá lá saber-se porquê - que os legisladores tugas são grandes apreciadores da obra do Ary dos Santos. Aqueles versos, cantados pelo Fernando Tordo, onde se proclama a páginas tantas “detesto os bonzinhos, adoro os malvados” fazem cada vez mais sentido.

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Caça à multa

por Kruzes Kanhoto, em 26.06.19

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Por motivos que não vêm ao caso converti-me num condutor que cumpre escrupulosamente os limites de velocidade. Não estou para ser vitima de salteadores. Gente fardada – estarão apenas a cumprir ordens, admito – que se esconde atrás de arbustos e outros sítios manhosos para caçar incautos automobilistas. Mesmo que o local se situe no meio do Alentejo, o troço de estrada seja uma recta em bom piso, passe um carro a cada dois minutos, se trate de um domingo de manhã e onde não existe histórico de acidentes. Condimentos, convenhamos, capazes de originar dramas, tragédias e situações aflitivas de diversa índole que a GNR, com a sua dissimulada presença, se poderá gabar de ter evitado.

Mas esta minha opção tem-se revelado extremamente perigosa. Não tanto para mim mas, essencialmente, para os demais utilizadores da via. Nomeadamente por provocar elevados níveis de irritabilidade nos condutores que não estão imbuídos do mesmo espírito e desesperam com o meu zeloso comportamento. O que, amiúde, tem levado a ultrapassagens verdadeiramente alucinantes e, se correrem mal, capazes de arruinar as estatísticas da segurança rodoviária.

A circulação a velocidades ridiculamente baixas, como são as impostas pelo código da estrada, tem, ainda assim, uma enorme vantagem. Os noventa cavalos estão agora muito menos sequiosos. Andam mais devagar, logo bebem menos. O que faz com que a poupança em imposto, que é aquilo que maioritariamente se mete no depósito, apresente valores bastante significativos. Estimo que rondará os trinta por cento. Pelas partes baixas.

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Caça à multa

por Kruzes Kanhoto, em 18.09.16

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Um pacato automobilista foi autuado um destes dias, pela diligente brigada de trânsito da GNR, por estar na posse de um aparelho que detecta a presença de radares de controlo de velocidade. Coisa para quinhentos euros. A multa, que o dito aparelho está à venda na internet por um preço muito mais baixo. Ora isto, apesar de ser considerado infracção e a coima estar prevista na lei, suscita-me umas quantas questões. Cada uma mais inquietante que a outra, por sinal. Como é que os “Geninhos” deram com o dito aparelho? Será que a GNR está equipada com aparelhos que detectam aparelhos que detectam radares? Se sim, será que existe também um aparelho que detecta os aparelhos que detectam os aparelhos que detectam radares? E se os aparelhos que detectam radares são ilegais, será que, a existirem, os aparelhos que detectam os aparelhos que detectam radares são legais? A serem-no isso não configura uma espécie de violação da privacidade?

Mas, dado o inusitado número de aceleras que circulam por aí, ainda bem que a GNR procede assiduamente a controlos de velocidade – e à detecção de aparelhos que boicotam essa actividade, pelos vistos - como medida de prevenção contra os acidentes e isso. Especialmente quando os faz aos domingos de manhã, com o radar escondido, numa recta de uma estrada perdida no meio do Alentejo e onde, por essa hora, passa um carro de cinco em cinco minutos.

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