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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Nova PIDE

por Kruzes Kanhoto, em 30.12.18

Parece que um cidadão - membro de uma Assembleia Municipal, embora para o caso essa condição pouco importe – foi notificado para pagar uma multa no valor de umas centenas de euros por, no seu discurso, juntar na mesma frase palavras como “ciganos, romenos e meliantes”, a que terá acrescentado expressões como “incomodar residentes” e “causar desacatos”. A sanção pecuniária terá sido aplicada por uma dessas novas organizações criadas para vigiar a linguagem, os comportamentos e as atitudes de pessoas e instituições. Uma nova PIDE, no fundo. O dito cidadão irá, certamente, recorrer à justiça de tão grave atentado à sua liberdade de expressão. Será, muito provavelmente, absolvido desta acusação. Ficam, no entanto, o incómodo, o aborrecimento e, principalmente, o procedimento pidesco de que foi alvo.

Andam há anos a impingir-nos o papão da extrema-direita, do regresso do fascismo e dos perigos que isso representa para democracia. Temeram, primeiro, a propagação destes ideais pela Europa e começam agora a recear a sua chegada a Portugal. O que, face a ocorrências desta natureza, não constituirá motivo para grande surpresa, diga-se. A PIDE não era propriamente uma organização apreciada pelos portugueses. Nem, tão-pouco, a bufaria é algo que suscite a nossa simpatia. Por mais justificações que procurem encontrar.

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Dia da mulher

por Kruzes Kanhoto, em 08.03.18

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Posso até compreender que, por razões históricas, se assinale com alguma pompa e razoável circunstância, o dia internacional da mulher. É, mais ou menos, como a celebração do armistício. Não aquece nem arrefece, como diria a minha avó que nunca soube o que era isso da igualdade, mas a quem nenhuma alminha, homem ou mulher, fazia o ninho atrás da orelha. 

Com o que concordo muito pouco é com aquilo da imposição de quotas por via legislativa. É uma estupidez e, queira-se ou não, um atestado de menoridade às mulheres.  Trabalho numa organização onde, até há pouco mais de vinte anos, todos os seis lugares de chefia eram ocupados por mulheres. Mesmo sem lei da paridade, ou lá o que é.  E nunca isso foi um problema. Agora, pelos vistos é. Sinal dos tempos. Ou do fascismo dos tempos modernos, se calhar.  Que, com tanta imposição, se vai parecendo cada vez mais com o outro. 

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