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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Que tradição mai'linda...

Kruzes Kanhoto, 08.01.22

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Cada terra tem as suas tradições. Por este país fora há muitas e belas tradições que os autóctones se empenham em preservar. Desde deitar fogo a um gato, tourear bois até à morte a pôr pirralhos de seis anos a fumar, há de tudo um pouco. Cada uma muito genuína e ancestral, garantirão as gentes desses locais.

Por cá também temos essa coisa das tradições. Mas ao contrário dos gajos que chamuscam felinos, matam touros ou enfiam cigarros na boca dos gaiatos, que reservam um único dia do ano para essas parvoíces, nós gostamos tanto das nossas tradições que as praticamos todos os dias. Não vão cair em desuso ou o zelo dos serviços de limpeza da autarquia leve a melhor.

Numa zona da cidade existe a antiquíssima tradição de atirar o lixo do alto da muralha em direcção ao terreno circundante. É um costume respeitável – deve remontar aos tempos das invasões castelhanas ou francesas - que as sucessivas gerações de moradores se têm esmerado em transmitir aos seus descendentes. É, como se pode apreciar, uma coisa linda. Lamentavelmente a autarquia limita-se a ciclicamente retirar os despojos do local. O que é, há que dizê-lo com toda a frontalidade, manifestamente pouco. Esta tradição encerra em si todo um potencial que merecia outro aproveitamento. Explorar aquilo do ponto de vista turístico, nomeadamente. Criar, por exemplo, um concurso para premiar o atirador que conseguisse lançar o lixo a uma distância maior. Ou, quiçá, para quem lançasse o objecto mais pesado ou mais original. Em colaboração com os habitantes podia até criar uma actividade em que os turistas lançavam, também eles, o lixo por ali abaixo. Era uma experiência, como agora se diz. Fica a dica.

Não há?! Não os procuram...

Kruzes Kanhoto, 07.11.21

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Leio no semanário Sol desta semana que a pousada de Estremoz não reabre portas por escassez de mão de obra. Leio também, nos muitos comentários a esta noticia, que a culpa de não encontrarem pessoal para trabalhar terá a ver com os baixos salários praticados. Todos - não tenho motivo nenhum para pensar o contrário – terão razão. Há apenas um graozinho nesta engrenagem de causas e consequências que me está a atazanar. É que a autarquia cá da terra não teve problema nenhum em, nos últimos anos, recrutar mais de cem pessoas a ganhar o salário mínimo, nem nenhuma dessa centena de pessoas teve qualquer espécie de problema em aceitar um emprego a auferir a retribuição mínima. Das duas uma. Ou foram todos para a Câmara e agora não sobeja ninguém para trabalhar nas empresas, que é onde se produz a riqueza que permite pagar os vencimentos da função pública, ou, então, os donos daquela chafarica não estarão muito interessados em voltar à actividade. Aliás, se estivessem já teriam trazido brasileiros, asiáticos ou africanos. E só não digo europeus de leste, como faziam há vinte anos atrás, porque quase todos esses países já nos ultrapassaram em termos de riqueza.

Um dos comentários que li acerca desta noticia alguém sugeria que o município tomasse conta daquilo. Uma boa ideia, essa. Pelo menos candidatos a ir para lá de certeza que não iam faltar. E se assim fosse, a julgar por amostras públicas e visíveis, aquilo era coisa para gerar para aí uns duzentos empregos. Ou mais.

Santos e pecadores

Kruzes Kanhoto, 24.09.21

Desta vez tenho seguido com especial atenção, como gajo atento a estas coisas da política, a propaganda eleitoral dos diversos candidatos aos órgãos autárquicos cá da terra. Nomeadamente ao que se vai publicando nas redes sociais. A julgar pelas muitas fotografias que o partido – movimento, ou lá o que é - no poder foi divulgando, parece que, nos últimos doze anos, foi feita obra até mais não. E, se calhar, foi mesmo. Se eles dizem, não sou eu que os vou contrariar. Do que tenho a certeza é que no meu bairro, nesta dúzia de anos, não fizeram coisíssima nenhuma. Nada. Népia. Nem sequer, assim que me lembre, plantaram uma árvore. Ou, ao menos, um arbusto, vá. Isto apesar do líder espiritual deles e de mais uns quantos discípulos habitarem aqui. Deve ter a ver com aquela reconhecida incapacidade dos santos de ao pé da porta...

Metam o arco-íris no rabinho...

Kruzes Kanhoto, 05.07.21

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Se há coisa que aprecio nos autarcas da minha terra é o facto de não irem em modas. Em iniciativas parvas, nomeadamente. Como aquelas que o politicamente correcto dita como quase obrigatórias quando se quer ficar bem na fotografia. Pelo menos nas fotografias que as gajas das causas e demais alienados acham que devem ser vistas. Provavelmente noutra cidade esta fantástica muralha estaria iluminada, por estas noites, com as cores do arco-íris. Uma parvoíce agora muito em voga. Mas, felizmente, não está. Assim está muito mais bonita. E, embora tardiamente, se quiserem homenagear alguém ou alguma coisa iluminem-na de verde. Sempre é uma cena mais normal.

Bestas ao quadrado

Kruzes Kanhoto, 25.05.21

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Não sei qual é a raça do animal que fez esta dupla javardice. Algum que anda com o lombo demasiado folgado, certamente. Se tivesse que dar aos cascos para ganhar a ração não teria tempo nem vontade para escoicear ou arrear o calhau na via pública, sujando e destruindo o que é de todos. Amanhã alguém vai limpar a merda e consertar os estragos, que é para isso que lhes pagamos terão alguns a lata de dizer. Enquanto isso a alimária que partiu o banco e cagou no chão continuará espojada por aí.

Verde que te quero verde

Kruzes Kanhoto, 17.03.21

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O verde está na moda. Por diversas razões. Algumas das quais, diga-se, me desagradam profundamente. A ecologia é, também, uma causa toda modernaça. De tal maneira que, nos dias de hoje, mais depressa se corta um pintelho do que uma erva.

Não sei como vai a coisa em termos de pilosidades púbicas cá pelo meu bairro. Nem isso me interessa ou tem qualquer espécie de relevância. Já das ervas que crescem livremente pelo passeio não posso dizer o mesmo. São interessantes, ficam bem na fotografia e evidenciam a paixão que o verde, a ecologia e, já agora, aquela cena do dolce far niente suscitam à malta que decide acerca do ervançum. Por mim é deixá-las estar. Às ervas.

Objecto não indentificado

Kruzes Kanhoto, 16.02.21

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Não sei se esta traquitana, ainda embrulhada e com aspecto de estar quase pronta a estrear, é ou não o que eu penso que é. Mas - reitero - no caso de ser o que eu penso que seja, não se deve fazer velha naquele local. Nem, sequer, ganhar ferrugem. O sitio, de certeza, terá sido escolhido após um aturado estudo. Elaborado por renomados especialistas na especialidade de instalar coisas destinadas a fazer cenas, quase aposto. Sou, no entanto, céptico relativamente à escolha. Apesar de dentro da cidade é, à noite, um sitio ermo. Daqueles que os amigos do alheio apreciam para desenvolver as suas actividades. Daí que, até a mim na minha imensa ignorância, me pareça uma “provocação” à malta do gamanço a instalação daquela coisa, naquele sitio. Seja lá para o que for que seja ou para que sirva.

Descobriram agora a democracia, coitadinhos...

Kruzes Kanhoto, 25.01.21

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Parece que constitui hoje uma espécie de obrigação moral mostrar quanto estamos indignados pela votação obtida por André Ventura no Alentejo. Indignação que, curiosamente ou talvez não, nunca existiu quando um partido estalinista tinha por aqui maiorias arrebatadoras. Ao contrário do que ontem aconteceu com a extrema direita que, para além de Estremoz com 23,32%, obteve os melhores resultados em Elvas (28,76%), Moura (31,41%) e Monforte (31,41%). Votação que, diga-se, a ocorrer em legislativas provavelmente não seria suficiente para eleger deputados.

A este propósito li os maiores impropérios dirigidos aos eleitores alentejanos. Das duas uma. Quem os escreve ou é daqueles negacionistas como os do covid ou é alguém profundamente ignorante que desconhece em absoluto a realidade que se vive por estas paragens. Nem, se calhar, saberá o que têm em comum todos esses concelhos. Também não sou eu que vou gastar os meus dedos a explicar-lhes. Afinal lavar a cabeça a burros sempre foi e continuará a ser gastador de sabão. Continuem a fingir que não vêem o elefante na sala, que não há nenhum problema com “grupos de pessoas” ou, como escreve hoje um colunista do Observador, a preocuparem-se com os fascistas quando o problema são as avestruzes. Depois queixem-se.

Neve em Estremoz

Kruzes Kanhoto, 10.01.21

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Estou como dizia ontem o outro. Dois mil e vinte um não pode ser um ano como os outros. O Sporting em primeiro, cai neve em Estremoz...ná, isto há aqui qualquer coisa. Embora, convenhamos, é muito mais normal nevar nesta terra do que os lagartos serem campeões. Assim que me lembre já por cá nevou em duas ocasiões nos últimos quinze anos e neste período de tempo nunca o clube do Lumiar ganhou o campeonato. 

Ainda a propósito da neve. Isto ontem foi um corrupio de equipas de reportagem das televisões. Andaram por aí todas, minutos sem fim de emissão dedicados à neve que por cá ia caindo e repórteres a repetirem-se até à exaustão por, coitados, não terem nada de interessante para dizer. Uma monotonia, diga-se, unicamente quebrada por uma queda em directo.

Nem quero imaginar o que teria sido caso não houvesse esta coisa do confinamento, recolher obrigatório ou lá o que é. Devia ser uma romaria de lisboetas a vir mostrar a neve à Carlota, ao Martim e ao Francisco. Sim que, coitados do putos, isso ainda eles podem ver de quando em vez...

A desolação de sábado de manhã

Kruzes Kanhoto, 29.11.20

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Desoladora. É o que me ocorre escrever acerca da imagem. Num sábado normal, às nove e picos, neste local quase não havia chão onde pôr os pés. Agora está assim. O que até torna irónica a medida de limitar a quinhentas pessoas a lotação máxima do espaço onde decorre o mercado. Que, diga-se, é a céu aberto e se estende por uma área que equivalerá, mais coisa menos coisa, a dois campos de futebol. Apesar disso, como qualquer pessoa de bem reconhecerá, um local muito mais propenso à propagação do vírus chinês do que um pavilhão fechado onde, durante horas, estão enfiados mais de seiscentos malucos a discutir a melhor maneira de nos impor – nem que seja pela força – as suas ideias manhosas.