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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Eleições europeias

Kruzes Kanhoto, 15.06.24

Podem fazer o quiserem. Até ir buscar o pessoal a casa ou permitir o voto pelo telefone. Dá igual. O pessoal não quer saber. A Europa é uma realidade distante com que apenas alguns – nomeadamente autarcas e empreiteiros – se importam. Nem, sequer, os políticos à séria evidenciam especial empenho pelo tema. Basta atentar nos candidatos que os partidos escolhem para as listas. Desde rapazolas especializados em mandar bitaites a gajas que acham que ainda estão no secundário a concorrer para delegadas de turma. Ou, então, ex-lideres que as actuais estruturas directivas dos partidos querem mandar para bem longe, onde nunca mais vamos ouvir falar deles.

Os resultados foram os que se esperavam. Incluindo o do Chega e o da Iniciativa Liberal. O primeiro porque o candidato – lá está – tinha tanto jeito para aquilo quanto eu e, também, porque o balão já encheu o que tinha a encher. Já os liberais ganharam por nestas eleições não existir aquela coisa do voto útil. Nas próximas voltam ao normal.

Os festejos é que me pareceram demasiado exagerados. Nomeadamente por parte da CDU e do BE. Festejaram o quê, ao certo? Terem perdido apenas metade dos deputados que tinham anteriormente? Parece-me tão estúpido como se os benfiquistas fossem para o Marquês festejar o segundo lugar no campeonato por, apesar, disso, conseguirem o acesso à liga dos campeões e respectivos milhões.

Em politica o que parece é...

Kruzes Kanhoto, 06.06.24

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Do mais desinteressante que há, estas eleições para o parlamento europeu. Uns malucos acham que os direitos das mulheres estão em perigo – quais direitos e de que mulheres, convinha esclarecer – outros doidos varridos apostam em teorias da conspiração que vão para além da indigência mental e os alucinados do costume continuam a alucinar como sempre. A sorte é que, relativamente aos últimos, será quase de certeza a última eleição em que ainda fazem parte da primeira liga. Para a próxima já estarão na liga dos últimos. Ou dos pequeninos.

Com mais interesse está a política nacional. Não se sabe muito bem quem governa, constituem-se as coligações mais improváveis e atira-se dinheiro para cima dos problemas como se o guito estivesse a nascer das árvores. Daí que não me pareça mera coincidência o conteúdo da minha caixa do correio. É, antes, sintomático. O PS e o Chega, para além de partilharem os mesmos objectivos politicos, partilham igualmente o mesmo distribuidor de propaganda. Diria até, aproveitando a publicidade da óptica que vinha junta, que aqueles dois partidos são o reflexo um do outro e têm ambos o mesmo foco.

Uma espécie de prostituição politica...

Kruzes Kanhoto, 27.05.24

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Estou abismado. Não devia, que já não tenho idade para isso, mas ainda há coisas que me conseguem surpreender. Então não é que o PS, aquele partido de esquerda agora conhecido por combater ferozmente a direita, se quer coligar com ela para se alcandorar ao governo da Madeira?! Perdeu as eleições – melhor dizendo, levou uma banhada – mas isso não impede os socialistas de tentarem chegar ao poder. Para o conseguir aliam-se a tudo o que tenha deputados no parlamento regional. Desde, pasme-se, os betos do CDS aos queques que guincham da IL – indignadinhos de serviço, pode-se chamar queques que guincham? – todos lhe servem para meter as mãos no pote. E, cá para mim, só não inclui o Chega na equação porque a maioria se faz aos vinte e quatro. Tudo para defender o povo, o Estado social, os valores de Abril, os direitos das mulheres e o que mais calhar.

Se nos próximos meses houver eleições para a Assembleia da República, no caso de não ganhar, a quem irá o PS propor uma coligação de governo? A qualquer um desde que faça maioria, obviamente.

O karma, se existir, é lixado...

Kruzes Kanhoto, 17.03.24

Os especialistas da especialidade têm andado entretidos a analisar e, principalmente, a tentar encontrar explicações para os resultados eleitorais não terem correspondido aos seus desejos. Eles, os sábios, que veem a luz e conhecem o caminho da verdade ficaram estupefactos por o país real não lhes ligar nenhuma. Coitados, deve ser triste andar durante tantos anos a educar o povo, a explicar o que é melhor para todos nós – sim, eles é que sabem o que é bom para nós – e vai daí a malta caga-lhes no colo. Não se faz. Há, no mínimo, que mudar de povo. E isso, diga-se, é um processo que está em marcha.

Outros especialistas, ainda mais especializados na especialidade, andam agora a investigar quem é que votou em quem. Embora isso seja um trabalho fácil relativamente a alguns partidos – o PCP, por exemplo, são tão poucos que não deve dar muito trabalho saber o nome, o NIF e o número de telemóvel de cada um desses desgraçados – de um modo geral não me parece que, em termos de grandes grupos sociais, se consiga chegar a conclusões minimamente credíveis. Concluir que as mulheres votaram à esquerda e que os mais velhos não votaram no Chega, só para realçar dois dos dados mais mencionados, parece-me coisa de especialista pouco especializado ou, então, especialmente equivocado.

Uma das conclusões, especialmente irónica e de duvidosa credibilidade, é a que conclui ter existido uma transferência directa de votos do PS para o Chega. Não acredito, mas a ser verdade seria uma ironia do mais fino recorte. É o Karma, ou lá o que quiserem chamar à maneira absolutamente badalhoca como o PS se tentou aproveitar do partido de André Ventura.

Partido Chihuahua Português

Kruzes Kanhoto, 15.03.24

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De dez de Março para cá o país mudou. Muito. E, pelos vistos, para pior. A saúde ficou uma desgraça, a habitação uma tragédia e o ensino uma verdadeira tormenta. Relativamente aos primeiros sectores já saíram uns estudos a dar conta disso mesmo e, no que respeita ao ensino, reapareceu o Mário Nogueira a garantir que ele, o sindicado dele e os professores em geral se iam opor ao governo. Que é para isso que serve um sindicato, acha o cavalheiro. Isto, assim do nada, ficou tão mal, mas tão mal, que o PCP – um dos dois partidos cujos deputados podem ir todos juntos de táxi para o Parlamento – já anunciou que vai apresentar uma moção de rejeição ao governo que ainda não existe. Nem, por enquanto, se sabe ao certo quem formará. Isso, no entanto, não impede os representantes de duzentos mil portugueses de acharem que o governo que se vier a formar não vai ter legitimidade nenhuma. Se fosse apenas aquilo do “Há governo? Sou contra!” até eu acharia piada. Mas não é. É o ódio à democracia e à liberdade que não se envergonham de demonstrar enquanto agitam cravos vermelhos e exaltam o vinte cinco de abril.

Todos os votos são legitimos.

Kruzes Kanhoto, 14.03.24

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Desde as eleições que vejo este dichote publicado e replicado vezes sem conta. Também eu sou gajo para, de quando em vez, fazer uma alegorias com recurso a fábulas. Geralmente parvas, admito com facilidade. Daí que reconheça à distância as idiotices dos outros. E esta, caros papagaios que andam a publicar isto por tudo o que é rede social, é especialmente parva. Recordo que nas fábulas são os animais que falam, não os objectos inanimados. O que torna manifestamente impossível a um inseticida apresentar-se a eleições e muito menos ser votado. Não faz sentido. Se querem fazer com que os outros se sintam mal com as escolhas, procurem outro candidato do agrado da formiga. Um insetívoro qualquer era capaz de dar um exemplo menos parvo. Digo eu, que até votei na vassoura.

O (res)caldo eleitoral

Kruzes Kanhoto, 11.03.24

Uns mais do que outros, mas todos terão motivos para festejar o resultado eleitoral. É, no fundo, a velha tese do PCP a fazer escola. O que, logo por aí, constituirá um bom motivo para os comunistas, apesar de serem o novo partido do táxi, cantarem vitória.

O Partido Socialista pode igualmente dar-se por satisfeito por perder por poucos. Os mais optimistas da equipa podem mesmo alegar que se os golos fora ainda contassem aquele resultado até dava para passar a eliminatória.

Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda e PAN também tiveram motivos para festejos. Cumpriram os objectivos mínimos e, mesmo que à rasca, conseguiram a manutenção. Ainda não é desta que descem de divisão.

O Chega e o Livre foram as sensações do campeonato eleitoral. Multiplicar por quatro o número de deputados é razão mais do que suficiente para ir ao Marquês. Fazem-me lembrar o Sporting. É melhor aproveitarem agora porque se calhar outra igual só daqui por dezoito anos.

Finalmente a Aliança Democrática. Ganhou por poucochinho. Isto, claro, se o adversário não marcar no prolongamento. E não, as semelhanças com o Benfica não se ficam por aqui. Está mais que visto que isto de ir buscar craques em fim de carreira nem sempre contribui para um bom desempenho da equipa e que deixar os adversários chegar primeiro à bola raramente leva à vitória. A menos que, como foi o caso, a equipa contrária faça auto-golos até dizer chega.

Ai cruzes, credo, que medo que eu tenho da "diraita"...

Kruzes Kanhoto, 08.03.24

Como dizia o saudoso Jorge Coelho, há muita falta de memória na política e nos políticos. Mas não apenas. Essa amnésia estende-se hoje à generalidade da população. E quando a esse desmemoriamento colectivo juntamos a ignorância, a má-fé e muita filha da putice temos o caldinho perfeito.

Portugal é um país, ao que se diz, de reformas baixas. Miseráveis, consideram muitos. Mas não. De há tempos a esta parte não se consegue encontrar nenhum reformado que não tenha sido vítima dos cortes nas reformas perpetrados pelo Passos Coelho, esse malfeitor. Assim sendo todos eles auferiam em 2013 mais de mil euros de pensão. O que, convenhamos, olhando para os vencimentos que actualmente se pagam, até nem seria mau. Mas isto das duas uma. Ou estamos perante um bando de mentirosos ou uma cáfila de filhos da puta igualmente pantomineiros. Do que tenho a certeza é que os últimos governos socialistas cortaram na minha reforma. A que já devia estar a receber, mas a que só terei direito daqui a dois ou três anos. Ou mais, que para o futuro podem fazer as patifarias que quiserem. Intocáveis apenas os actuais pensionistas. Mesmo que se tenham reformado aos cinquenta anos, com a pensão igual ao último ordenado correspondente ao lugar para o qual foram promovidos dois meses antes da reforma e esta seja equivalente a vários salários mínimos. Como, se calhar, será o caso daquele estupor da velha feia e gorda que tem a mania de falar com sotaque alentejano. Mas não é esta gente que está mal, bem entendido. O que está mal é sacrificar uma geração para proteger outra.

Perninhas a tremer e rabinho entre as ditas

Kruzes Kanhoto, 06.03.24

Ao contrário do que aconteceu quando os juros desataram a subir, os bancos já estão a antecipar uma provável queda do preço do dinheiro. Nomeadamente nas taxas pelas quais remuneram os depósitos a prazo. São muito apressados, eles. Mas, a bem dizer, nem terão grandes motivos para continuar a pagar juros ao nível dos actuais valores. Convém não esquecer que o governo do Partido Socialista fez o favor à banca de reduzir a taxa de juro dos certificados de aforro e, com isso, evitou que os bancos tivessem a necessidade de pagar taxas mais atractivas para captar as poupanças dos portugueses. Um favor que nos sai caro. Onde perdem todos – depositantes, Estado e contribuintes em geral – e só a banca fica a ganhar. É que isto de se gabar da capacidade para pôr as perninhas dos banqueiros a tremer é muito bonito, deixa o rebanho entusiasmado, mas qualquer alarve é capaz de dizer. Fazer frente aos donos disto tudo é que não é para qualquer um. E, nesta como noutras matérias igualmente relevantes, todos sabemos quem é quem.

Redistribuição da riqueza

Kruzes Kanhoto, 05.03.24

A acção de campanha do PS realizada em Guimarães não terá, ao que consta, decorrido da melhor maneira. Para além da manifesta falta de pontaria demonstrada por apoiantes e detractor – nem o guarda chuva atingiu o provocador nem o vaso arremessado por este acertou em nenhum socialista – parece que a caravana terá sido alvo da acção de carteiristas. Não me revejo em muitas graçolas, mais ou menos jocosas, acerca da ocorrência. Trata-se de um crime e com isso não pode haver contemplações. Mas para os integrantes da arruada não deve constituir problema,  visto que não temos por cá problemas de insegurança. Daí que terem sido espoliados das suas carteiras não representará um mal maior. Ninguém entre as vitimas, estou em crer, terá apresentado queixa ou ficado demasiado aborrecido por lhe terem surripiado uns trocos. Terá sido, quando muito, encarado como um acto de redistribuição de riqueza. Coisa que o pessoal do PS muito aprecia. O irónico é que, desta vez, foi o dinheiro deles que se evaporou. Mas foi por uma boa causa. A dos desvalidos. Ou vulneráveis, vá.