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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Melros, chineses e Extraterrestres.

Kruzes Kanhoto, 03.04.21

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Isto das autárquicas promete. Coisa absolutamente normal, diga-se, que estas como as demais eleições são sempre pródigas em promessas. Embora, neste caso, com especiais particularidades. A começar nos candidatos e a acabar no que se promete. Quanto aos primeiros, é o PSD quem mais tem contribuído para a animação que as escolhas para os lugares a ocupar sempre proporcionam. Aquilo é quase cada tiro cada melro. Desde “Andrés Venturas” de saias e peito avantajado a devoradores de papéis e ex-presidiários, os nomes apontados a putativos candidatos têm-se revelado bastante apelativos. Digamos assim, vá.

Por cá, quanto à escolha dos nomes, o cenário é muito menos divertido. Pode ser que a coisa anime quando se começar a falar de promessas. Por mim, programa que não inclua a construção de um teleférico a ligar o Rossio ao Castelo ou um Centro de acolhimento a investidores oriundos de outros planetas é dececionante. Promessas de fábricas de preservativos ou de investidores chineses já tivemos que cheguem. Ao menos que arranjem pantominices novas. Para isso, convenhamos, capacidade não falta.

Há muita falta de memória na politica...e nos eleitores!

Kruzes Kanhoto, 13.02.21

Segundo uma sondagem divulgada hoje, o PS estará perto de reunir quarenta por cento das intenções de voto. Isso, caso obtivesse esse resultado nas eleições, dar-lhe-ia a maioria absoluta dos deputados eleitos. Não me surpreende que assim seja. Os portugueses têm memória curta, apreciam quem lhes diga o que eles gostam de ouvir e revelam um inaptidão natural para gerir – ou pelo menos perceber como se gere – um país, uma empresa ou, até mesmo, as finanças pessoais.

O Partido Socialista faliu o Estado em 1977, 1983 e 2011. As duas primeiras ocorreram já lá vão umas décadas e, talvez por isso, poucos se lembrem. O azar para o PS foi que, nessa altura, teve de aplicar a receita que o FMI prescreveu. E, também então, sentiu necessidade de ir mais além. O saudoso Medina Carreira explicou isso mesmo em diversas ocasiões. Da segunda, a coisa foi de tal ordem que deu origem ao Cavaquismo e os xuxas ficaram arredados do poder por muitos e bons anos.

Na mais recente falência tudo foi diferente. Menos o apertão no cinto, obviamente. Quem teve de fazer o que os credores mandaram foram outros e, enquanto isso, quem rebentou com as contas públicas entreteve-se a inventar uma outra versão da história. Tão bem o fizeram que são muitos os que, coitados, acreditam nela. Uns por convicção e outros tantos por interesse próprio. Não lhes levo a mal. Defendem a sua reforma, o seu ordenado ou outro qualquer meio de substistência garantido pelo Estado. O país fica para depois e a factura para os outros.

A boa, o mau, o vilão...e o outro.

Kruzes Kanhoto, 03.01.21

Não vi, logo não tenho opinião, mas ao que leio Marcelo e Ventura terão sido os vencedores dos debates de ontem. Embora isso pouco importe. Acredito que a esmagadora maioria do eleitorado que pensa votar já decidiu em quem o vai fazer e não serão estes encontros, mais ou menos maçadores, a alterar a decisão dos eleitores.

Mas, voltando atrás, parece que aquilo entre o gajo das selfies e a esquerdista foi assim uma coisa muito ternurenta, enquanto entre o comuna e o populista a conversa deu um bocado para o torto. Segundo os relatos, levando a coisa para o futebolês, o debate entre os dois primeiros lembrava um daqueles programas televisivos em que frente a frente estão apaniguados do Porto e do Sporting. Já quanto aos segundos, alegam os observadores, a culpa da derrota da “equipa da casa” - o comuna, terá sido do árbitro. Da moderadora, no caso.

Dado o enorme apreço que tenho pelo contraditório fui, como faço sempre por constituírem uma fonte de inspiração, consultar uns quantos blogues e perfis do Facebook de outros tantos “camaradas”. A principal queixa que por ali noto vai para a própria existência do Ventura. Um gajo a abater sumariamente. De forma metafórica, quero acreditar. O que, se não passar da metáfora, me parece legitimo. O que me inquieta é que logo a seguir surja a indignação pelo “anti-comunismo primário” ter voz na nossa sociedade. Cuidava eu que ser anti-comunista ou anti-fascista – primário, secundário ou o que quiserem – constituía uma espécie de consequência de ser democrata. Cuidava e cuido, que em matéria de democracia nenhum comunista tem moral para dar lições seja a quem for.

As eleições do "poucochinho"

Kruzes Kanhoto, 07.10.19

Todos os resultados eleitorais se prestam às mais variadas interpretações. Como toda a gente também faço a minha mas, nem outra coisa seria de esperar, discordo da maioria das análises que, até agora, tenho lido ou ouvido.

Logo, a começar, pela vitória do PS. Foi por poucochinho. Teve, inclusivamente, uma votação menor – quer em termos percentuais quer em número de votos expressos - do que a da “PAF” em 2015. O que, convenhamos não abona muito a favor de um governo que, garantem, traz contente tanta gente.

O PSD, apesar das previsões catastróficas e de ter tido uma das piores votações da sua história, não teve a hecatombe que se anunciava. De recordar, por exemplo, que o PS teve 20,77% em 1985 e 22,24% em 1987. Ridicula foi a prestação do lider. Ontem, por momentos, pareceu-me estar a ouvir um qualquer dirigente do PCP quando ao Rio só faltou dizer que tinha ganho.

Mesmo a ser levado ao colo pela comunicação social o Bloco de Esquerda perdeu quase sessenta mil votos, caiu percentualmente e não ganhou um único deputado. Assim de repente não vislumbro motivo nenhum para ser considerado um dos vencedores nem, ainda menos, vejo razão para os guinchos das esganiçadas e companhia.

O PCP, esse, prossegue a sua gloriosa marcha em direcção à extinção. Um dia destes é ultrapassado pelo PAN. A menos que, quando menos se espere, os cientistas descubram uma maneira de prolongar a esperança média de vida em muito para lá dos cem anos.

O mesmo acontecerá ao CDS. Só que mais cedo.

Quanto ao PAN nem vale a pena massacrar o teclado. Aquilo é gente perigosa que nem respeito merece. A serem verdadeiras as suspeitas que pairam sobre aquela organização – um candidato de “Os Verdes” mencionou umas quantas – aquilo não é um partido. Será, antes, um caso de policia.

Quanto aos novos partidos são curiosas as reacções que a sua entrada no parlamento está a provocar. Nomeadamente as preocupações com o “Chega”. Até porque parece estar toda a gente muito feliz com a entrada da outra senhora que, sem gaguejar, confessou o seu radicalismo relativamente a diversas causas e manifestou a intenção de defender os interesses de minorias. Pensava eu, mas ninguém me manda ser alarve, que os deputados tinham como missão defender os interesses de todos os portugueses. Sem excepção.

Meninos rabinos…

Kruzes Kanhoto, 24.09.19

Parece que um motorista se deparou, face a facínora, com um grupo de meliantes a assaltar-lhe a viatura. Não terá, a fazer fé no que se sabe acerca do acontecimento, sido particularmente simpático para com os patifes e, pasme-se, até os terá impedido de continuar a exercer a sua actividade. O que, naturalmente, os deixou indignados levando a que tenham recorrido à GNR para que a normalidade fosse reposta. Esta, chegada ao local da altercação, tomou conta da ocorrência e tratou de deter o motorista. Bem feita, que isto de prejudicar quem trabalha bem bastou no tempo do governo da direita.

Identificados pela PSP também foram uns quantos militantes, simpatizantes ou lá que eram, do PNR que pintaram uma parede onde antes um grupo de BE tinha rabiscado uns gatafunhos. Uma ilegalidade, isso de limpar o que outros sujam. Diz que em tempo de eleições pode-se sujar à vontade e quem se atrever a reparar os estragos arrisca-se a ir de cana. O mesmo princípio, presumo, aplica-se a todas as paredes. Sejam elas de edifícios públicos ou de prédios do Robles. Embora desconfie – mas isso é o meu mau feitio – que nem o Bloco ia fazer javardices para os prédios daquele gajo nem, se o fizesse, o PNR lá ia pintar por cima.

O que têm estas duas historietas em comum? Pouca coisa, se calhar. Eu é que ando com a impressão - vá lá saber-se porquê - que os legisladores tugas são grandes apreciadores da obra do Ary dos Santos. Aqueles versos, cantados pelo Fernando Tordo, onde se proclama a páginas tantas “detesto os bonzinhos, adoro os malvados” fazem cada vez mais sentido.

Vão ver os gregos não apreciaram a politica de esquerda...

Kruzes Kanhoto, 07.07.19

Faz agora mais ou menos quatro anos um conterrâneo, conhecido pela sua excentricidade, passeou-se à volta do “bilhar grande” agitando efusivamente uma bandeira azul e branca. Temi na altura, por breves instantes, que o senhor estivesse a comemorar a conquista de algum titulo por um clube de futebol que veste aquelas cores. Nomeadamente aquele que já foi objecto de condenações na justiça e ao qual um super endividado município tratou de construir um centro de estágio. Mas não. Vitorias daquele clube foi coisa que praticamente não se ouviu falar nos últimos cinco anos. Embora igualmente preocupante,tratava-se apenas de celebrar a vitória nas eleições de um partido extremista que viria a governar durante quatro anos na Grécia.

Esta lembrança ocorreu-me hoje quando soube que os gregos correram com o tal Tsipras, o líder grego responsável pela euforia incontida daquele meu patrício. Imagino a tristeza que não irá naquela alma. Naquela e noutras que tão felizes ficaram na época. Gente para quem se iniciava ali um novo ciclo capaz, ao que se previa, de contagiar um sem número de países e que conduziria a humanidade a uma nova e gloriosa era. Só que não. Os cidadãos não são todos parvos e mesmo os parvos não o são eternamente.

Por cá a esquerda ainda não corre esse risco. Por enquanto. Não por mérito próprio mas sim – e praticamente só – por demérito da direita. Num país onde nada funciona, as reformas são cada vez mais irrisórias e o número de trabalhadores que ganham o salário mínimo não pára de aumentar até uma oposição encabeçada pelo rato Mickey ganhava as eleições. Mas no actual estado de coisas, em Outubro, terão muita sorte se elegerem mais deputados do aqueles que cabem num autocarro.

Extremismos, populismos e outras inquietações

Kruzes Kanhoto, 27.05.19

Ainda que tenha o maior respeito pelas opções políticas de cada qual e, naturalmente, ache que os resultados eleitorais são sempre para respeitar, tenho manifesta dificuldade em perceber o que leva alguém, com o mínimo de clarividência intelectual, a votar em organizações manhosas – nem merecem o nome de partidos – como o Bloco de Esquerda ou o PAN.

O primeiro, mais do que ideologia ou apresentar um modelo de sociedade, dedica-se a causas. As da moda, nomeadamente. Tem boa imprensa, lideres com discurso fluido e populista, jeitosas algumas e, com isso, consegue arregimentar parte significativa dos eleitores desiludidos dos restantes partidos. Como, para citar um caso conhecido, um ex-agente da PIDE recentemente falecido que nos últimos anos de vida votava sempre no BE. Sintomático.

Quanto ao segundo – o PAN - faltam-me as palavras e sobra-me a inquietação. É gente extremista, ignorante e, estranhamente, capaz de atemorizar tudo e todos. Perigosa, em suma. Daí que colocar os capitães Tofu e os doutores Javali desta vida em lugares de decisão é coisa que não augura nada de bom.

A propósito: Como é que se designam os apoiantes do PAN? Panascas? Panilhas? Paneleiros? Lá está...só inquietações!

O eurodeputado desconhecido

Kruzes Kanhoto, 24.05.19

Sessenta e nove por cento dos portugueses não sabem o nome de nenhum eurodeputado. Não é para me gabar – ou deverei escrever, penitenciar? - mas não me incluo nesse número. Sei de uns quantos. Dois ou três, vá. Mais, talvez. Mas, mesmo assim, seguramente bastante menos do que os nomes que conheço de jogadores da equipa sub-23 do Benfica.

É, contudo, uma injustiça para os parlamentares europeus que andam a lutar pela vida lá por Estrasburgo, reconheço. Olhem, por exemplo, aquele deputado do PS que anda sempre a protestar contra a corrupção e agora até gosta muito do Rui Pinto, aquele gajo que está preso por atacar computadores, sistemas informáticos e cenas dessas. O deputado Herman José, se não me falha a memória.

Uns chatos, estes eleitores.

Kruzes Kanhoto, 03.12.18

O drama. O horror. A tragédia. Tudo isso, em simultâneo, aqui mesmo à nossa porta. Os patifes da extrema-direita chegaram ao parlamento regional da Andaluzia. Um escândalo. Uma afronta aos valores da democracia e isso. Desta vez foram os incultos, iletrados, fascistas e mais trezentas coisas acabadas em “ista”, homofóbicos, islamofobicos  e portadores de todas as fobias já inventadas e por inventar que retiraram a maioria ao PSOE e votaram maioritariamente na direita e nos extremistas ainda mais à direita. Não se faz, de facto.  

Ainda assim, o actual chefe de governo espanhol – que por acaso até nem ganhou as eleições gerais – considera que, no caso da Andaluzia, deve ser o partido mais votado a governar. Mesmo sem ter maioria parlamentar. Deve ser uma espécie de direito divino dos socialistas. Ou, então, aquilo da geringonça só é legitimo se for de esquerda.  

Aguardo - com um nível de expectativa bastante reduzido, reconheço -  as reacções de jornalistas, comentadeiros e paineleiros diversos. Todos, presumo, bastante preocupados por, mais uma vez, o eleitorado optar pelas forças populistas ou lá o que chamam a tudo o que escapa aos ditames da doutrina oficial. Que não percebam o que leva os eleitores a estas opções, também não me surpreende. É o que acontece quando em lugar de se ouvir o povo se pretende doutriná-lo. 

Não ponha aqui o seu pezinho...

Kruzes Kanhoto, 22.10.17

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A democracia tem custos. Uns maiores, outros menores e alguns perfeitamente dispensáveis. Nomeadamente, quanto aos últimos, os que resultam de situações reveladoras de negligência. É o caso dos estragos no passeio onde, durante a recente campanha eleitoral, esteve um cartaz de proporções épicas. Tão épicas que os boletins de voto com a cruz na candidatura em questão, se desdobrados e espalhados no dito cartaz, dificilmente chegariam para cobrir toda a sua superfície.

Agora, retirada a propaganda, sobram vários buracos. Tratando-se de um local muito frequentado por velhinhas espera-se que nenhuma ponha ali o pé. Pode ser que, por se tratar das imediações de uma igreja, a divindade de serviço as guie por melhor caminho. Caso contrário o resultado da negligência é capaz de não ser assim tão negligenciável.