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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Quem defende o desconfinamento é fascista? Bom, depende...

Kruzes Kanhoto, 07.06.20

Se há coisa que me deixa completamente fora de mim e com os níveis de irritabilidade capazes de estourem a escala de qualquer “irritometro” é alguém, fora da minha área profissional, colocar sistematicamente em causa o meu trabalho ou a maneira como o organizo. Daí que as medidas preconizadas pelos técnicos de saúde e implementadas pelos políticos no combate ao vírus chinês, não me tenham suscitado grandes reservas. Eles lá saberão. Foi para isso que estudaram, ocorreu-me na altura.

Hoje continuo a pensar assim. Algum bom motivo haverá para cafés, restaurantes, esplanadas e afins terem sido encerradas ou, como agora, abrirem com fortíssimas restrições. Mesmo que não aglomerem mais do que vinte ou trinta gatos pingados. Para não falar de gente mandada para casa durante semanas, só porque trabalhava num espaço onde se aglomerava uma multidão de mais duas ou três pessoas. Um perigo, parece. Percebo, também, que jogos de futebol ou de outra modalidade qualquer representem uma ameaça inusitada à saúde pública. Tal como ir à praia. Diz que se juntar muita gente na areia aquilo é do piorio. Acredito, igualmente, na perigosidade que seria para o bem estar – nomeadamente do boi – se fosse autorizada a realização de touradas.

É por tudo isso que percebo o incomodo por causa das aglomerações de gente autorizadas noutros países. Refiro-me, naturalmente, ao Brasil e aos EUA cujos presidentes devem, segundo alguns, ser acusados de crime contra a humanidade por rejeitarem a política de confinamento. Surpreende-me, até, que ainda não tenham convocado uma manifestação a exigir a condenação desses dois tratantes. Sim, que isto não se pode ser complacente com gente que promove, permite ou tolera ajuntamentos. Dizem os especialistas da especialidade e eu, obviamente, acredito.

Pobretes, alegretes e outros desconfinados.

Kruzes Kanhoto, 03.06.20

Esta cena do vírus chinês está a dar a volta à mioleira de muito boa gente. Desde o pacato cidadão, que antes até parecia uma criatura normal, à classe política. É cada um pior que o outro. Mesmo o primeiro-ministro, que me parecia dos poucos com juízo no meio disto tudo, começa a dar mostras de já estar a variar. Hoje, no parlamento, rejeitou liminarmente a criação de um cerco sanitário na zona de Lisboa. Seria, acrescentou, uma medida discriminatória. Não consta que tenha tido esse tipo de preocupação quando impôs idêntica medida em Ovar e num concelho da Madeira. Se calhar, para resolver o problema da discriminação, o melhor será declarar um cordão sanitário ao resto do país. Assim como assim é só paisagem.

Mas, nisto da maluqueira, os portugueses não estão melhores. Diz que são festas do desconfinamento até mais não. Parece que há até quem faça centenas de quilómetros para ir a uma dessas festanças. E depois, naturalmente, fique “covidado”. O estranho desses festejos é que, muitos deles, ocorrem em bairros ou zonas usualmente designadas como “socialmente desfavorecidas”. Onde, garantem os especialistas da especialidade, há desemprego, miséria e fome. Tudo em simultâneo, presumo. Não vou, naturalmente, discordar quanto aos fracos recursos desses pândegos. Só me questiono, se vivendo na penúria fazem festarolas de arromba, o que seria se estivessem cheios de guito.