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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

#Metoo vs #Pitoo

Kruzes Kanhoto, 04.10.18

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Ninguém, acho eu, gosta de violadores. É um dos crimes mais desprezíveis e reles que alguém pode cometer. A julgar pela catadupa de denuncias vindas a público, este tipo de criminalidade ocorre maioritariamente em hotéis, por gente que uns anos mais tarde se torna famosa, rica ou influente.

Repudio vivamente que, como às vezes se pretende, o facto da vitima estar convencida que o convite para se deslocar ao quarto do agressor envolve apenas dar uma olhadela na coleção de borboletas possa constituir justificação, ou sequer atenuante, para o crime. Nestes casos não há cá isso do “estava mesmo a pedi-las”.

Lamento é que ninguém, entre tanta coisa que já foi dita e escrita acerca desta temática, se tenha lembrado de elogiar o carácter e honradez dos homens que trabalham nos hotéis. O local, recorde-se, onde mais crimes destes são alegadamente praticados. Não há noticia de nenhuma mulher ter vindo publicamente queixar-se de ter sido violada por um cozinheiro, recepcionista, paquete ou, até, pelo barman de um destes estabelecimentos. Das duas uma. Ou são mesmo boas pessoas ou ganham pouco.

Operação carta na manga

Kruzes Kanhoto, 07.07.18

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De vez em quando sou surpreendido por noticias reveladoras do elevado grau de heroísmo dos bravos agentes das nossas forças de segurança. Tanta bravura e tanto heroísmo que, mais que surpreso, me deixam estupefacto.

Li um destes dias o relato de uma perigosa operação, levada a cabo – desconheço se terá participado algum sargento ou, até mesmo, um ou outro oficial – pela PSP que, à custa de mil perigos, pôs fim a um esquema manhoso de jogo ilegal. Terão sido detidos quatro patifes – um deles com mais de oitenta anos – e apreendidos os instrumentos utilizados na actividade criminosa desenvolvida pelos meliantes. Nomeadamente uma mesa, quatro cadeiras, um baralho de cartas e, ainda, uma avultada quantia em dinheiro. Dezasseis euros, mais exactamente. Três contos e duzentos, em moeda antiga. Bem feita. Que é para essa malandragem aprender.

Lamentavelmente não são conhecidos mais pormenores acerca da ocorrência. É que tenho uma curiosidade danada para saber se a investigação resultou de uma denuncia anónima, o nome dado à operação - “Carta na manga”, talvez – e se a mesma envolveu algum agente infiltrado. 

Tudo bons rapazes...

Kruzes Kanhoto, 02.09.16

Mais um ladrãozeco que morreu em serviço. Abatido acidentalmente pela policia, outra vez. Uma chatice. Principalmente para o agente que terá agora que enfrentar um calvário. Sinal dos tempos esquisitos que vivemos, em que a vida de um patife vale mais do que a de um cidadão comum e infinitamente mais do que a de um policia. E, como sempre sucede nestas circunstâncias, logo apareceu uma chusma de gente a garantir a honestidade do meliante, a bondade que sempre evidenciou e a simpatia que irradiava. Uma jóia de moço. Tão boa pessoa que, para além de amigo do seu amigo, até era amigo do alheio.