Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Solidarizem-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 22.06.20

Passou pelos pingos da chuva uma proposta de criação de mais um imposto. Taxa Covid, propõem chamar-lhe e visará taxar os ricaços. Será, segundo a explicação avançada pelos seus proponentes, uma cena fofinha que abrangerá apenas quem tem muito graveto e que nada terá a ver com austeridade. Apenas solidariedade, esclarecem.

Não estivesse eu farto de ser solidário – ando a sê-lo para aí desde 2009 – e ainda era gajo para achar que se tratava de uma ideia simpática. Não soubesse eu que quem ganha pouco mais do que o salário mínimo já é considerado rico, talvez não me parecesse despropositada uma taxazinha qualquer que permitisse minorar o impacto da crise. Se desconhecesse a maneira como o Estado esbanja os recursos que nos saca, era capaz de acreditar que o produto do esbulho proposto não iria parar aos bolsos dos do costume. Fosse eu parvo de todo, talvez acreditasse que isso dos ricos pagarem a crise não acontece apenas no país das maravilhas.

Mas, confesso, essa cena da solidariedade agrada-me. É por isso que via com bons olhos um impostozinho qualquer sobre todos aqueles que se reformaram na casa dos cinquenta anos de idade – ou menos se tiverem sido políticos – e que levaram a reforma completa após trinta e seis anos – ou menos – de serviço. Era capaz de ser justo solidarizarem-se comigo que, após quarenta anos de trabalho, se me aposentar agora ficarei, de acordo com o simulador on-line da CGA, com  uma pensão de quatrocentos e trinta e oito euros e oitenta e um cêntimos. E é porque, parece, não pode ser menos.

Compartilhar no WhatsApp

É urgente financiar também a imprensa estrangeira...

por Kruzes Kanhoto, em 19.06.20

Os países que reabrem as suas fronteiras estão a deixar de fora os portugueses. Não nos querem lá. Por causa do vírus chinês que não há maneira de nos largar, alegam. Coisa que, compreensivelmente, está a causar enorme irritabilidade no governo e na sua imensa legião de apaniguados nas redes sociais. De facto não se compreende como é que no estrangeiro não sabem do enorme sucesso que Portugal tem tido no combate à Covid. Um caso de estudo, até, tal é a eficácia que temos demonstrado na aniquilação do bicho. É o que dá esses decisores lá da estranja não verem os telejornais dos canais tugas. Nem, ao menos, lerem o Público.

Mas, por outro lado, não se percebe a irritação governativa. Vendo bem estas restrições até vêm mesmo a calhar. Assim, se ninguém nos quer receber lá fora, mais portugueses ficam cá dentro a gastar os euros que esbanjariam noutras paragens.

Mais parva ainda é a ideia de retaliar. Ou seja, não deixar entrar em Portugal os residentes em países que não deixam entrar portugueses. Parva e estúpida, acrescente-se. Principalmente agora, que andam os estarolas todos – inclusive o estarola-mor - entretidos na caça ao turista...

Compartilhar no WhatsApp

Quem defende o desconfinamento é fascista? Bom, depende...

por Kruzes Kanhoto, em 07.06.20

Se há coisa que me deixa completamente fora de mim e com os níveis de irritabilidade capazes de estourem a escala de qualquer “irritometro” é alguém, fora da minha área profissional, colocar sistematicamente em causa o meu trabalho ou a maneira como o organizo. Daí que as medidas preconizadas pelos técnicos de saúde e implementadas pelos políticos no combate ao vírus chinês, não me tenham suscitado grandes reservas. Eles lá saberão. Foi para isso que estudaram, ocorreu-me na altura.

Hoje continuo a pensar assim. Algum bom motivo haverá para cafés, restaurantes, esplanadas e afins terem sido encerradas ou, como agora, abrirem com fortíssimas restrições. Mesmo que não aglomerem mais do que vinte ou trinta gatos pingados. Para não falar de gente mandada para casa durante semanas, só porque trabalhava num espaço onde se aglomerava uma multidão de mais duas ou três pessoas. Um perigo, parece. Percebo, também, que jogos de futebol ou de outra modalidade qualquer representem uma ameaça inusitada à saúde pública. Tal como ir à praia. Diz que se juntar muita gente na areia aquilo é do piorio. Acredito, igualmente, na perigosidade que seria para o bem estar – nomeadamente do boi – se fosse autorizada a realização de touradas.

É por tudo isso que percebo o incomodo por causa das aglomerações de gente autorizadas noutros países. Refiro-me, naturalmente, ao Brasil e aos EUA cujos presidentes devem, segundo alguns, ser acusados de crime contra a humanidade por rejeitarem a política de confinamento. Surpreende-me, até, que ainda não tenham convocado uma manifestação a exigir a condenação desses dois tratantes. Sim, que isto não se pode ser complacente com gente que promove, permite ou tolera ajuntamentos. Dizem os especialistas da especialidade e eu, obviamente, acredito.

Compartilhar no WhatsApp

Hipocondríacos seletivos

por Kruzes Kanhoto, em 15.05.20

IMG_20200421_140138.jpg

 

Acho piada aquela malta que faz cenas esquisitas com os bichos. Entenda-se - por cenas esquisitas – dormir com eles, dar-lhes beijos, partilhar comida e outras patetices modernas. Gente que, ao mesmo tempo, manifesta um pavor de morte – próximo da paranoia, diria – com o vírus chinês que anda por aí. O medo é tanto que, pasme-se, algumas dessas criaturas se acham no direito de ficar em casa, sem trabalhar, mas mantendo o direito ao ordenado. Nomeadamente funcionários públicos, que aos privados o patronato capitalista e explorador trata de acertar o passo a quem se dá a esses devaneios.

Mas, escrevia, há quem passe o tempo a desinfetar-se, só retire a máscara para comer e mude de passeio ao vislumbrar outro transeunte. Depois, se calhar, dorme com o bichano que passou o dia a escarafunchar no caixote do lixo. Que é, de certeza, um sitio onde vírus e outras cenas igualmente maléficas não entram.

 

Compartilhar no WhatsApp

Discriminação no âmbito do confinamento

por Kruzes Kanhoto, em 10.05.20

A proposta de André Ventura de promover um confinamento especial para os ciganos é, convenhamos, uma palermice. O que não admira, vinda de onde vem. Já a resposta do futebolista cigano – que, se calhar, alguém deve ter escrito por ele – diz, foi muito bem dada. Diz, que eu não perco tempo com discursos de ódio, venham eles de onde vierem. O que julgo saber é que o jogador da bola em questão já terá tido, ao longo da vida, mais problemas com a policia do que o outro sujeito. Estão bem um para o outro, portanto.

Mas, ainda quanto a confinamentos, anda uma cena a moer-me o sentido relativamente a esta polémica. É que estou farto de ver gente indignada com a proposta – parva, reitero – de confinar os ciganos. Mas, assim de repente, tenho a impressão que ninguém se tem importado muito com o confinamento dos velhos que estão nos lares. Nem mesmo quando alguém sugeriu que todos os velhotes fossem confinados até ao final do ano, houve tamanho alarido. Se calhar isto, para além de andar tudo ligado, está também cheio de velhofobicos. Ou, como sugere o meu corrector ortográfico, de velhacos.

Compartilhar no WhatsApp

Decidam-se, porra!

por Kruzes Kanhoto, em 04.04.20

IMG_20200401_173744.jpg

Esta cena das máscaras e do seu uso ser ou não adequado no controlo e transmissão do vírus chinês, está a deixar-me confuso. Tão depressa as entidades oficiais garantem que aquilo não serve de grande coisa como, afinal, já dá uma ajuda. Parece-me que, se calhar, vão mudando de ideias consoante varia o stock. Mas, pelo sim pelo não, o melhor é decidirem-se de uma vez.

Questiono-me – de forma absolutamente parva, admito - se a máscara protege tanto como alguns defendem, por que será que os chineses, que fazem do seu uso um hábito, tiveram de optar pela quarentena e isolamento social? Não deviam, por usar esse apetrecho, estar muito mais protegidos do tal Corona? Estará, de certeza, a escapar-me algo de muito óbvio. O que, naturalmente, não admira dada a minha ignorância quanto a estes assuntos.

Vá lá que a quarentena, recolhimento, confinamento ou o que seja está a ser relativamente respeitada. Esperava muito pior. O que constato, nas esporádicas e inevitáveis saídas, é a mudança da paisagem urbana. Tirando um ou outro transeunte a passear um cão – real ou imaginário - a cidade está quase deserta, sem os habituais bandos de velhos, sem turistas e onde até o lixo está diferente. Espalhadas pelas ruas já não se veem raspadinhas. Foram substituídas pelas luvas. Muitas e por todo o lado.

Compartilhar no WhatsApp

#vamostodosficarmenosjavardos

por Kruzes Kanhoto, em 28.03.20

IMG_20200328_185817.jpg

Quem não tem cão caça com gato e, por estes dias, quem tem medo do vírus e as açambarcou em bom tempo, usa luvas. Quem tem medo, mas já não foi a tempo de açambarcar, desenrasca-se como pode. Não precisam é de ser javardos. Muito menos de deixá-las à porta dos outros. Da minha, no caso.

Podem ter o cuidado que quiserem. É uma cena muito valorizável que só lhes fica bem. Mas assim, com esta atitude, podem estar a contribuir para propagar a doença. Nomeadamente a um canito ou bichano mais curioso. Depois venham para cá com correntes e rezas...

Compartilhar no WhatsApp

Os papagaios voltaram...

por Kruzes Kanhoto, em 27.03.20

100_5597.jpg

 

Os especialistas da especialidade já andam por aí - por aqui e por todo o lado – a prever uma crise de proporções épicas. Nalguns casos os mesmos, curiosamente, que foram incapazes de desconfiar da aproximação da crise passada são agora de uma enorme perspicácia na visualização da crise futura. De proporções apocalípticas, reforço eu, se bem interpreto as suas sábias palavras.

Até pode ser que tenham razão. Mas, pelo sim pelo não, apetece-me desde já e para principio de conversa, mandá-los à merda. É que algumas dessas alimárias não se coíbem de - ainda sem saber se há crise nem, muito menos, saber a sua dimensão - mandar bitaites quanto à maneira da resolver. E, surpresa, a solução que preconizam é cortar vencimentos e despedir funcionários públicos. Isto, acrescentam, para que o Estado possa apoiar as empresas, injectar dinheiro na economia e essas cenas.

Será, certamente, o que mandam os livros por onde aprenderam. Embora, assim de repente, me pareça que essa solução iria tirar dinheiro à economia e acabaria por estourar definitivamente com o que resta dos serviços públicos. Não sei porquê mas desconfio que, outra vez, à boleia da crise e dos apoios governamentais que todos os dias – e bem - são anunciados, muito oportunista irá encher as algibeiras. A começar, se calhar, pelos papagaios, de todos os quadrantes, que não se cansam de arranjar ideias para a governação do país. Mesmo que, muitos deles, nem as próprias vidas saibam governar.

Compartilhar no WhatsApp

O velho, o cigano e o papel

por Kruzes Kanhoto, em 21.03.20

IMG_20200320_175516.jpg

 

Esta foto foi obtida ontem numa superfície comercial cá da terra. Como se constata, papel higiénico é coisa que não falta. Podemos fazer merda à vontadinha que não será por falta desse artigo de primeira necessidade que ficamos com o rabo cagado.

Por falar em merda, vontadinha e necessidades. Ontem, cá no burgo, a generalidade da população soube manter-se no recato das respectivas residências. Excepto, obviamente, os que tivemos de trabalhar. As ruas da cidade estavam desertas. Ou quase. Ciganos e velhos continuavam a andar por aí como se nada fosse. Os primeiros parece que acreditam estar imunes ao vírus. Um deles, um destes dias, garantia que não os afectava e justificava-se por em Espanha, entre os inúmeros mortos, não se contar nenhum cigano. Quanto aos segundos desconfiam que algo invisível lhes possa fazer dano. Vá lá alguém convence-los que se aquilo os apanha o mais certo é terem guia de marcha. Se, uns e outros, continuarem a cirandar por aí vamos todos ver esclarecidas essas certezas...

Compartilhar no WhatsApp

Pancadaria ou babyboom?

por Kruzes Kanhoto, em 19.03.20

Andava eu para aqui a dizer a quem me queria ouvir – poucos, na verdade, se dão a esse trabalho – que estas cenas da quarentena, da obrigação de ficar em casa ou, até, do teletrabalho iam dar origem a um babyboom quando, afinal, o que os especialistas da especialidade temem é um aumento da violência doméstica. Eles lá sabem. Mas, se assim fôr, então os tugas são mesmo burros. Sem ofensa para os asnos. Desperdiçar o tempo a brigar, quando o podiam aproveitar para actividades muito mais interessantes, é mesmo coisa de parvo. Lá para Janeiro ficaremos a saber...

Compartilhar no WhatsApp

E se fizessem quarentena das redes sociais?

por Kruzes Kanhoto, em 15.03.20

Não me vou pôr para aqui com piadolas mais ou menos fáceis acerca do tal Covid-19. Era o que faltava. O caso não está para graças. Tanto não está que já nem consigo achar graça aqueles loucos que continuam a insistir que a origem do dito vírus é culpa dos comunistas, dos americanos ou de uma tia afastada do Trump. Noutros tempos os fenómenos, nomeadamente para os que não se conhecia uma explicação lógica, eram culpa dos deuses que, por esse meio, enviavam uma espécie de aviso, punição ou outra cena que na altura desse jeito. Hoje, para alguns imbecis das redes sociais, a explicação desta pandemia é mais ou menos a mesma. Com as devidas adaptações. Tratem-se, pá!

Compartilhar no WhatsApp