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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

E aquela cena da imparcialidade do jornalista, já não se usa?!

por Kruzes Kanhoto, em 06.12.19

Jornalistas vários têm dedicado os últimos dias a dissecar o programa do Chega. Visivelmente preocupados, não se cansam de nos alertar para o conteúdo programático daquele partido – ou lá o que é – que incluirá, entre outros malefícios, acabar com o SNS e a escola pública. Compreendo o desagrado. A mim também não é coisa que me cause especial apreço. Não estou é a ver qual é o problema dessas – ou de outras propostas igualmente escabrosas – estarem incluídas num qualquer programa partidário. O BE e o PCP defendem a nacionalização de tudo o que mexe e a saída do euro e não há jornalista que se incomode com isso. Apesar de terem hoje mais deputados do que aqueles que o Chega provavelmente algum dia terá e de estarem mais próximo do poder do que alguma vez André Ventura estará. A menos que continuem a fazer este tipo de campanha contra o homem. Normalmente resultam num efeito contrário ao pretendido...

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Não queriam o Ventura?! Tivessem ido votar...noutro!

por Kruzes Kanhoto, em 09.10.19

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Anda por aí muita gente em alvoroço por causa do “Chega” ter entrado no parlamento. Como se aquilo fosse, até agora, um lugar bem frequentado. Ou, de ora em diante, não existisse por lá outra mistela igualmente repulsiva. É que ninguém, minimamente ajuizado e que pretenda ser intelectualmente sério, pode colocar os deputados do PAN, BE, PCP ou aquela lady gaga do Livre num patamar diferente do André Ventura. Para não falar de outros que por lá se pavoneiam.

Depois há também os que se horrorizam com os resultados obtidos pelo “Chega” aqui no Alentejo. Em Estremoz, por exemplo, teve 3,32%. Mas se olharmos para a única freguesia urbana do concelho e onde estão mais de 60% dos eleitores, o resultado vai aos 4,01%. E o que tem a cidade que as freguesias rurais não têm? Ciganos, claro. Tal como acontece em Alvito, Moura, Elvas e Monforte. Ciganos que, na sua esmagadora maioria, não votam. Mas o melhor é nem falar nesses abstencionistas. Criticá-los por não cumprirem esse dever ainda é capaz de ser considerado racismo, xenofobia ou isso.

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