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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Trauma colonial, só pode...

por Kruzes Kanhoto, em 13.01.19

Serão, porventura, resquícios mal resolvidos do colonialismo que levam os portugueses a inquietarem-se com tudo o que os governantes das ex-colónias dizem, fazem ou pensam. Nomeadamente de Angola e Brasil. Uma parvoíce, está bem de ver, até porque, desconfio, as populações daqueles países estão-se nas tintas para nós e para os nossos políticos. O que, diga-se, constitui um evidente sinal de inteligência.

Desta vez a indignação vai direitinha para a ministra brasileira que opinou acerca da homossexualidade. Aqui d’el rei, que a senhora é uma besta. Então essa coisa pode lá ser doença, indignou-se a tugalhada. Pois que não sei se é ou deixa de ser, que de medicina nada percebo. Só desconfio é que quem enfia coisas no intestino, seu ou dos outros, não deve regular lá muito bem da caixa dos pirolitos. E já nem vou para a parte religiosa da questão, até por não ser muito dado a isso de acreditar em amigos imaginários. Mas, mesmo assim, estou em crer que Jesus terá dito “ide e multiplicai-vos” e que jamais lhe passaria pela cabeça proclamar “ide e enrabai-vos”.

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É a democracia, estúpidos...

por Kruzes Kanhoto, em 11.10.18

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Podem arranjar os argumentos que quiserem. Nomeadamente aquilo que, dependendo das coordenadas geográficas, consideram ser os valores democráticos. Mas, por mais que se esforcem, não constitui missão de um jornal local tomar partido por este ou aquele candidato à presidência de um país do outro lado do mundo. Muito menos chamar estúpidos aos (e)leitores. Poucos ou muitos, não importa.  

Reitero que me estou nas tintas para quem ganha eleições fora do retângulo. Gosto é que se respeite a vontade dos eleitores. Mas isso parece ser um conceito que em determinados jornais é tão apreciado como o dever de isenção que os jornalistas devem observar no exercício do seu trabalho.  

Percebo, apesar de tudo, a opção por escrever alarvidades acerca do Trump, do Passos Coelho, do Cavaco e, agora, daquele extremista brasileiro. Sempre é mais fácil do que dissertar acerca do presidente da câmara da terrinha. É que isto quem tem cú tem medo. Ou buraco de trás, vá, para não ferir susceptibilidades... 

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Isto é muito fascista junto...

por Kruzes Kanhoto, em 08.10.18

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Não é que a política internacional em geral e a brasileira em particular me interessem grande coisa. A bem dizer nem eram temas a que desse importância se não fosse o facciosismo com que a totalidade da comunicação social e grande parte dos opinadores bem pensantes que por aí pululam olham para estes assuntos.

É de bom tom, por estes dias, ser contra o Bolsonaro. Tal como é de pessoa de bem detestar o Trump. Ou, como já foi noutros tempos, odiar a Merkel. Que agora já não é má, nem parecida com o Hitler, nem nada. Digamos, portanto, que as pessoas boas, cultas, inteligentes e letradas não gostavam da Merkel mas agora já gostam, odeiam o Trump e desejam ardentemente que o Bolsonaro não seja eleito. Preferem, em alternativa, o regresso ao poder de um dos partidos mais corruptos de que há memoria na história brasileira. Nada de muito surpreendente. Nada que os resultados eleitorais em muitas autarquias não expliquem. Oeiras, por exemplo.

O gráfico que acompanha o post mostra a taxa de analfabetismo por região do Brasil. O Nordeste foi a única região onde o denominado candidato da extrema-direita não ganhou. Sintomático, digo eu, daquilo que vale a nossa intelectualidade, os escribas bem pensantes e toda a escumalha do politicamente correcto que ainda um dia há-de criar um Bolsonaro português.

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Os novos bolcheviques

por Kruzes Kanhoto, em 30.08.16

Não falta quem garanta que no Brasil não há políticos honestos. Se os houvesse, acrescentam, o país deixaria de funcionar. Desconheço se assim é ou não. Nem, a bem dizer, é assunto que me tire o sono. É lá com eles.

É por isso que, descontando aquela parte do internacionalismo não sei das quantas, dificilmente entendo os motivos que levam tantos comunistas a expressar diariamente nas redes sociais o seu apoio a Dilma Roussef e, consequentemente, a sua repulsa pelo processo político que levou ao afastamento da Presidenta brasileira. Parece – e se calhar é – uma campanha orquestrada. Insurgem-se contra um alegado golpe de Estado, acusam os opositores dos crimes que estes apontam aos governantes recentemente destituídos e apelam ao respeito da vontade popular expressa em eleições.

Convenhamos que estes argumentos e a sua acérrima defesa, independentemente da seriedade de todos os personagens envolvidos nesta comédia, são para lá de surpreendentes. Nomeadamente por virem de gente cujo ideal político é fundamentado nas teses de um ditador que chegou ao poder através de um golpe de Estado, que se esteve nas tintas para os resultados eleitorais – o seu partido levou uma coça monumental mas ele não largou o poleiro – e instituiu no país uma ditadura sanguinária que durou mais de setenta anos. Ou como diziam por cá: “Não podemos perder por via eleitoral o que tanto tem custado a ganhar ao povo português”.

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Comunista e democrata em simultâneo?! Deve ter dupla personalidade...

por Kruzes Kanhoto, em 20.03.16

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Leio sempre com particular atenção os escritos que os opinadores comunistas vão publicando em blogs e jornais on-line. Acho-lhes piada. Tal como quase toda a gente, diga-se. Ninguém os leva a sério. E eles sabem disso. Assim tipo o maluco da aldeia que diz o que muito bem lhe apetece sem que daí resulte grande mal. Ninguém quer saber.

Agora, a propósito daquilo do Brasil, os gajos têm-se esmerado. O argumentário em defesa da democracia - que segundo eles estará em perigo se os alegados corruptos Lula, Dilma e companhia forem de cana - chega a ser brilhante. E comovente, também. Sócrates dificilmente diria melhor.

São mesmo estranhos os tempos que vivemos. Já nada é como antes. Se calhar, sem me esforçar muito, ainda tropeço por aí nalgum artigo de um qualquer nazi a jurar que é democrata desde pequenino...

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Então e aquilo de nos rirmos de nós próprios e tal?!

por Kruzes Kanhoto, em 12.01.16

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É, nos tempos que correm, mal aceite fazer piadas que envolvam pretos, ciganos ou paneleiros. Mesmo qualquer dichote mais jocoso acerca deles cai igualmente mal a muitos interlocutores. Já sobre os alentejanos podem contar-se as anedotas mais javardas. A risota está garantida e ninguém parece ficar aborrecido.

Quando, aqui no blog ou noutro sitio qualquer, manifesto a minha azia com as piadolas acerca dos alentejanos não faltam as alminhas a desdenhar do meu sentido de humor. Ou, para os piadistas de circunstância, da falta dele. Curiosamente perante a noticia que recorto para ilustrar esta posta não vejo, ao contrário do que esperava, um coro de indignados a chamar nomes ao juiz brasileiro. Nem, sequer, a justificar as piadas sobre portugueses que se contam no Brasil com o impagável sentido de humor brasileiro. Ou, tão pouco, a enaltecer a capacidade de nós – os tugas – nos rirmos de nós próprios. Pelo contrário, quase só encontro elogios à decisão judicial. Não percebo. A sério. Deve ser problema meu, de certo.

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