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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Estavam em promoção...

Kruzes Kanhoto, 02.12.24

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Sempre foi costume, desde que me lembro, das pessoas desta região irem a Badajoz às compras. Primeiro eram os caramelos, os chocolates e outras miudezas domésticas a suscitar o interesse no comércio do outro lado da fronteira. Agora, que já nem existe esse obstáculo administrativo e territorial, a atração pelas compras é muito mais abrangente. Desde o gás de botija ao combustível para a viatura e da roupa às consultas médicas de especialidade – entre muitas outras cenas – tudo constitui um bom motivo para muita gente dar o contributo à dinamização da economia da Extremadura enquanto, simultaneamente, poupa na carteira e escapa à extorsão fiscal do lado de cá.

Não sei se as bananas – plátano em castelhano – fazem parte do cabaz de compras dos muitos alentejanos que, a pretexto de atestar o depósito e trazer gás para si e respectiva vizinhança, enchem a despensa no Mercadona e no Carrefour de Badajoz. Pelo preço que, segundo um conceituado jornal espanhol anunciava na sua primeira página, terá sido vendida a banana que foi colada à parede para fazer a alegada obra de arte manhosa, estou em crer que os repositores da frutaria daquelas superfícies comerciais não terão mãos a medir. Por mim, quando lá for, se ainda estiverem àquele preço trago a mala do carro cheia delas. A três cêntimos a dúzia só um maluco é que não aproveita. Ou, então, é apenas um jornalista...a ser jornalista.

Praga de moralistas fiscais

Kruzes Kanhoto, 10.10.21

Aquela cena dos “Pandora papers” e offshores em geral tem suscitado uma animada discussão. Seja na Internet ou fora dela. É sem surpresa que constato a existência de um inusitado número de especialistas na especialidade a debitar os mais deliciosos bitaites como se fossem verdades absolutamente indesmentíveis. Como aquele conceito extraordinário que – confesso a minha ignorância - me era completamente desconhecido e que envolve uma “obrigação moral de pagar impostos”. Deixemo-nos de tretas. Pagamos porque, tal como o nome indica, isso nos é imposto. Claro que os impostos são inevitáveis, mas quando os ditos ultrapassam o limite do razoável a obrigação moral será, quando muito, a de resistir ao seu pagamento. 

Admito que gosto de ouvir os moralistas de serviço acerca deste assunto. Nomeadamente alguns cá da terra. É ver as suas redes sociais ou ouvi-los por onde calha a barafustar contra esses malandros que tratam de colocar o seu dinheiro fora do alcance das garras do fisco. Atitude que condenam veementemente, como é óbvio. Claro que eles não são desses. É malta detentora de um elevado espírito patriótico e de uma moralidade a toda a prova. Especialmente no âmbito da fiscalidade. Só abrem uma excepção para ir ali a Badajoz comprar botijas de gás, abastecer o carro ou adquirir uma fatiota nova no “El Faro”...