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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

O cúmulo da intelectualidade

Kruzes Kanhoto, 03.09.20

Houve uma época em que o pessoal gostava de fazer piadolas acerca do “cúmulo” disto ou daquilo. O cúmulo da rapidez, por exemplo, seria fechar uma gaveta à chave e meter a chave lá dentro. Algo impossível, está bem de ver. Hoje, depois de anos sem ouvir graçolas a propósito de cúmulos, alguém escrevia “imaginem serem estúpidos ao nível de ainda acharem que o comunismo funciona”. Imaginar algo assim, ou ainda que vagamente parecido, é capaz de ser um bom cúmulo para a estupidez. O pior é que há muitos que acreditam nisso. Só no parlamento estão trinta e um. Ou mais, se contarmos com uns quantos que militam no PS mas que evidenciam todos os sinais de quem padece dessa maleita psicológica.

Por falar em comunistas. Na composição do comité central – que está disponível no site do pcp – há gente de inúmeras profissões. Uma delas deixou-me profundamente intrigado. Há três ou quatro camaradas que exercem a profissão de “intelectual”. Deve ser ignorância minha – ou distração, se calhar – mas não me lembro de ter ouvido falar numa greve dos intelectuais. Nem, sequer, num sindicato de intelectuais. Sinal que será uma actividade profissional onde não existem problemas laborais e, provavelmente, bem paga. Apesar de ter feito uma busca exaustiva, não encontrei empresas a recrutar intelectuais. Uma chatice. Será que já não há vagas?

A inocuidade do perdigoto comunista

Kruzes Kanhoto, 29.08.20

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Faz-me espécie esta nacional-subserviência para com o Partido Comunista. Ele é a festa do avante, que ninguém é capaz de proibir ou, entre outras, aquela alarvidade da dita agremiação de adoradores de ditadores criminosos ser imprescindível à democracia. Mais estranha ainda esta reverência perante os comunistas quando os seguidores dessa ideologia constituem apenas um insignificante e meramente residual número de eleitores ou, quanto a isso da imprescindibilidade do pcp à democracia, ninguém conseguir explicar a necessidade de tolerar a sua existência. É apenas porque sim. Por mim, se como faria sentido fosse ilegalizado, não lhe achava a falta. Ou melhor, faz cá tanta falta como a fome. Ou como o Chega.

Igualmente estranho é que não faltem alarves a reclamarem da influência do futebol na política, na justiça e sabe-se lá mais onde. Não raras vezes com razão, diga-se. Contudo poucos se incomodam com a influência dos comunistas nos meios de decisão. Nomeadamente, no caso presente da festarola, em instâncias que, cuidava eu, se preocupavam com a saúde pública. Afinal parece que não. Ou, então, já algum especialista da especialidade concluiu, após mais um aturado e financiado estudo, que um adepto a gritar golo manda muito mais perdigotos do que um comunista aos berros num comício do Jerónimo.