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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Ignorantes das causas fofinhas

Kruzes Kanhoto, 09.01.21

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Combater o Chega e o Ventura parece constituir uma espécie de desígnio nacional. Não me parece mal. Cada um combate o que quiser e defende as causas que muito bem lhe aprouver. O mesmo não digo da comunicação social. Esta apenas deve informar e deixar isso das causas e dos desígnios para a sociedade.

O que lamento neste combate é a ignorância, ou a má-fé noutros casos, da esmagadora maioria dos combatentes. Toda esta gente ainda não percebeu que não adianta desmascarar as trafulhices que André Ventura tenha, alegadamente, feito ou possa vir a fazer. Podem dizer o que quiserem, passar as reportagens que entenderem ou relatar as passagens mais escabrosas da vida da criatura. Não adianta. Pelo contrário, mais força lhe dão.

Esta gente não percebe o fenómeno. Nem, pior, o quer perceber. Insiste, antes, em dizer que não existe ou, a existir, não tem relevância nenhuma. Para o entender talvez tenham de vir ao Alentejo. Mas não aquele das revistas, dos restaurantes da moda, adegas, praias fluviais ou dos montes com piscina onde se encerram dias a fio. É preciso falar com as pessoas. As que vão aos supermercados, hospitais ou correios. Podem, até, começar por aquelas que toda a vida votaram no PCP. Vão, de certeza, aprender muito.

O Alentejo e o Covid

Kruzes Kanhoto, 28.10.20

Sem Título.jpgDurante meses não tivémos por cá o vírus chinês. Agora anda por aí à solta e os casos da doença sucedem-se. Alguém trouxe para cá o bicho. Que ele, como muito acertadamente diz o Costa, não anda sozinho. Ninguém terá culpa de o transportar. Poucos, tirando um ou outro maluco, lhes dariam boleia.
Mas não surpreende. Resmas de gente a demandar a região, eventos despropositados e montes de criaturas em patéticas festarias para comemorar coisa nenhuma teriam inevitavelmente de dar nisto. A vida e o país não podem parar. Mas alguns podem. Pelo menos podem parar de ser parvos.

PS - A imagem, da capa do jornal i, assinala os concelhos onde o nivel de contágio é mais elevado. Estremoz. Redondo, Borba e Vila Viçosa fazem parte do grupo.

Anedotas de alentejanos

Kruzes Kanhoto, 08.09.20

Nunca tive jeito para contar anedotas. Nem sou, sequer, especial apreciador desse tipo de humor. Muito menos quando ridicularizavam os alentejanos. Aí, então, sentia vontade de partir os cornos aos cabrões que as contavam. Vá lá que esta coisa do politicamente correcto, apesar de todos os defeitos, acabou com esse suplicio e, de maneira geral, com os contadores de anedotas. Sim, porque isto a bem dizer não se podem fazer piadas. Há sempre alguém que fica ofendido.

No anedotário nacional o alentejano foi o mandrião e o idiota que era permanentemente enganado pelo lisboeta sabido e espertalhão. E a malta ria-se. Muito engraçado, isso. Até os alentejanos adoram, só tu é que te ofendes, cansei-me de ouvir. Saber rir de si próprio é sinal de inteligência diziam-me, que era uma maneira de me chamarem parvo.

Mas hoje sou eu que conto a anedota. De alentejanos, obviamente. De um que tinha uma vinha com uma adega lá no meio. Como o Alentejo não tem gente, o homem não arranjava quem lhe fizesse a vindima e pisasse as uvas. Daí que o risco daquilo se estragar, causando-lhe um avultado prejuízo, fosse grande. Até que, assim do nada, surgiu-lhe uma ideia brilhante. Tão brilhante que mesmo ele ficou visivelmente impressionado com o seu brilhantismo. Criou um programa turístico. Uma experiência, resolveu chamar-lhe, a ver se os maganos iam na conversa. E não é que foram? Agora os turistas visitam a adega, passeiam pela vinha, colhem uns cachos, pisam as uvas, no fim bebem um trago de um vinho manhoso e pagam (!!!) cem euros cada um ao alentejano. O que eu me tenho rido. Afinal as anedotas de alentejanos até têm a sua piada...

A sombra que vem do céu...

Kruzes Kanhoto, 04.07.20

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Alentejo não tem sombra

Senão a que vem do céu

Chega-te aqui Maria

Para a sombra do meu chapéu”

Nesta rua, que deve ter para aí uns duzentos metros, não existe uma única árvore no espaço público. É uma mania que, desde há muito, existe por estas paragens. Quem tem poderes de decisão sobre esta matéria deve achar que assim é que é bonito, agradável para passear e sem obstáculos que nos impeçam de visualizar as deslumbrantes paisagens alentejanas. A logística que envolveria o arvoredo, desde a plantação até à manutenção, constituiria, presumo, um problema de monta que justificará esta desolação paisagística. Nomeadamente ao nível da mão-de-obra que seria necessária e que, desconfio, não existirá em quantidade suficiente.

Mas nem tudo é mau. Não temos árvores, mas temos placa toponímica. O que é bom. Nomeadamente para os carteiros. Pena é que dê pouca sombra.

Um alentejano foi a Lisboa...

Kruzes Kanhoto, 04.05.20

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Por mais que me esforce não consigo ficar indiferente a “noticias” como esta. Mais ainda quando até merecem uma chamada à primeira página. Qual é, afinal, o motivo para tanta irritabilidade?! Será aquilo da “visão estereotipada”? A sério que os indignados com as piadolas contadas pelos brasileiros, acerca dos portugueses, querem mesmo falar disso? Se calhar é melhor não, antes que alguém os recorde de outros estereótipos que tanto apreciam…

Não me parece que as anedotas de portugueses contadas no Brasil constituam uma afronta. Pelo contrário. Rir de nós próprios é um sinal de sentido de humor e, também, de inteligência. Logo duas coisas que eu não tenho, conforme me estão sempre a lembrar os contadores de anedotas de alentejanos. E que agora, vai-se a ver, eles também não. Mas disso há muito que eu já desconfiava.

Compreensão lenta...e pouco educada, também.

Kruzes Kanhoto, 15.04.20

A TVI passou ontem parte significativa dos serviços informativos a pedir desculpa ao norte do país. Fica-lhe bem. O conteúdo do noticiário da noite anterior terá sido ofensivo para os habitantes da região. Justifica-se, por isso, a indignação dos habitantes daquela região face ao que consideram – e bem – como afirmações manifestamente despropositadas e depreciativas.

Mas, por outro lado, os mesmos que agora se sentem ofendidos e, até, aqueles que consideraram inadequados os considerandos da TVI a propósito dos nortenhos, continuam a achar muita piada às anedotas de alentejanos. Assim de repente não vislumbro grande diferença. Considero tão pejorativo chamar “pouco educado” a um habitante do norte, como “preguiçoso” a um alentejano. Por que raio em relação ao primeiro é ofensivo e em relação ao segundo é piada? E não, não venham com aquela treta que os alentejanos acham graça às piadolas a seu respeito, porque os alentejanos não contam anedotas que os achincalhem ou menorizem.

A este propósito tenho andado envolvido numa polémica, noutra rede social, com uma emigrante portuguesa no Brasil que está pelos cabelos com as “anedotas de português” que ouve constantemente. Não gosta. Quando lhe expliquei que a compreendia perfeitamente e que eu sentia o mesmo em relação às piadas depreciativas que os portugueses contam sobre os alentejanos, não percebeu os meus motivos. Tal como percebem a generalidade dos tugas de cá. E depois o “lento” sou eu...

"Fujem", "fujem"!!!

Kruzes Kanhoto, 22.03.20

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Parece que nos últimos dias terão sido mais que muitos os que se fixaram no Alentejo para escapar ao vírus chinês. Os “montes” dos ricaços – ou falidos, que nisto como noutras coisas a doutrina diverge – desertos durante quase todo o ano estarão agora habitados e, segundo alguns relatos, nos supermercados da região o sotaque alentejano já não é predominante.

Uma atitude sensata, admito. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Não vou, portanto, alinhar naquela treta – muito partilhada nas redes sociais – que os desaconselha vivamente a viajar para cá e, ainda que não declaradamente, lhes sugere que zarpem mas é daqui para fora. Nada disso. Por mim são muito bem-vindos.

Tenho, no entanto, uma má noticia. Ainda que o tal Covid-19 tenha por aqui uma taxa de incidência menor que noutras zonas, se olharmos para as estatísticas o Alentejo é a região do país onde se verificam mais óbitos. Por cada cem mil habitantes, no mês de Janeiro, quinaram 146,73. Verdade que isso dos rácios vale o que vale...mas nunca fiando.

Não queriam o Ventura?! Tivessem ido votar...noutro!

Kruzes Kanhoto, 09.10.19

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Anda por aí muita gente em alvoroço por causa do “Chega” ter entrado no parlamento. Como se aquilo fosse, até agora, um lugar bem frequentado. Ou, de ora em diante, não existisse por lá outra mistela igualmente repulsiva. É que ninguém, minimamente ajuizado e que pretenda ser intelectualmente sério, pode colocar os deputados do PAN, BE, PCP ou aquela lady gaga do Livre num patamar diferente do André Ventura. Para não falar de outros que por lá se pavoneiam.

Depois há também os que se horrorizam com os resultados obtidos pelo “Chega” aqui no Alentejo. Em Estremoz, por exemplo, teve 3,32%. Mas se olharmos para a única freguesia urbana do concelho e onde estão mais de 60% dos eleitores, o resultado vai aos 4,01%. E o que tem a cidade que as freguesias rurais não têm? Ciganos, claro. Tal como acontece em Alvito, Moura, Elvas e Monforte. Ciganos que, na sua esmagadora maioria, não votam. Mas o melhor é nem falar nesses abstencionistas. Criticá-los por não cumprirem esse dever ainda é capaz de ser considerado racismo, xenofobia ou isso.

Querem queixinhas? Cuidado com o que desejam...

Kruzes Kanhoto, 18.07.19

As pessoinhas andam muito sensíveis. Qualquer coisa as ofende ou, pior, acham que qualquer coisa pode ofender este ou aquele grupo de outras pessoinhas que as primeiras pessoinhas consideram vulnerável, desprotegido ou o que calha. Por tudo e – principalmente – por nada exigem que os alegados ofensores façam pedidos de desculpa, se penitenciem pelas alegadas ofensas ou, cada vez com maior frequência, fazem queixinhas às novas policias do pensamento e do bem comunicar. Assim uma espécie de nova PIDE ou policia da virtude, moral e bons costumes ao melhor estilo da Arábia Saudita. Não sei quem lhes passou procuração, mas é assim que funciona.

Por mim só estou à espera de piadas, anedotas ou simples dichotes envolvendo alentejanos. Quem se atrever vai ter-me à perna. Discriminar alguém em função da origem geográfica parece que constitui um crime e se tal é aplicável relativamente a quem escarnecer dos nascidos no Burkina Faso que por cá habitam, também será aos que nasceram no Alentejo. E, de caminho, quem zombar ou propalar alarvidades susceptiveis de ferir os meus sentimentos clubísticos, leva igualmente com a queixinha da ordem. Sim, que isto não há cá ofensas mais toleráveis do que outras.

Alentejo? São só oito deputados...

Kruzes Kanhoto, 08.06.19

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Está em apreciação na Assembleia da República uma petição, apresentada pela “Plataforma Alentejo”, em que é apresentado um conjunto de prioridades para o desenvolvimento sustentável da região. Constitui um trabalho sério, com propostas razoáveis e que – não duvido – não fosse todo o imenso Alentejo contribuir apenas com oito deputados, reuniria o consenso de todos os partidos e mereceria a aprovação por unanimidade e aclamação.

Nisto da petição, subscrita por umas quantas dezenas de personalidades alentejanas, há dois aspectos que me surpreendem. Apesar de poucochinho, reconheço. Um deles é a proposta de ligação da A6, em Estremoz, à A23, no nó de Niza. Algo que face aos interesses instalados e ao desinteresse dos autarcas locais – a sugestão da variante a nascente da cidade é risível e para lá de parva – julgava esquecido. E o segundo é a ausência, entre os peticionários, de personalidades estremocenses. Das duas uma. Ou não li com suficiente atenção ou por cá não existem personalidades. Vou pela segunda.