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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

A tia que agora é boazinha

por Kruzes Kanhoto, em 22.09.17

Ainda me lembro – mas devo ser só eu – do tempo que a Merkel era considerada uma besta. Desde politicos, mesmo daqueles que não eram muito à esquerda, a comentadores de todas as origens tinha a chanceler alemã na pior das considerações. Até qualquer borra-botas, daqueles que têm opinião acerca de tudo mesmo sabendo nada seja do que for, estava em condições de garantir que a criatura era o diabo em pessoa. Uma malvada, em suma. A responsável máxima pela crise europeia e que, graças à sua teimosia, intransigência e desprezo pelos países do sul nos fazia andar para aqui a penar.
Hoje, miraculosamente, tudo mudou. A senhora foi, quase de repente, foi transformada numa espécie de divindade. Não que – tanto quanto se sabe – tenha mudado de opinião acerca do que devem ser as opções da Europa em termos de política orçamental. Nem, também quanto é conhecido, a sua posição se tenha alterado em relação a qualquer outro daqueles assuntos que antes suscitavam a ira dos seus críticos.
O que terá, então, motivado esta súbita mudança na opinião pública, na opinião publicada e naqueles políticos merdosos de esquerda que antes passavam o tempo a critica-la? Os refugiados, claro está. A mulher escancarou as fronteiras alemãs e europeias aos invasores e, com isso, apressou o fim da sociedade ocidental tal como a conhecemos. Coisa que, naturalmente, deixa feliz muito javardo.

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Multiculturalismo, dizem eles...

por Kruzes Kanhoto, em 15.01.16

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A esquerda e a intelectualidade bem pensante estão em choque com os acontecimentos na noite de fim de ano na Alemanha e noutros países europeus. Uma chatice, aquilo. Não sabem como reagir. Não condenam para não dar ares de serem anti-imigração e não podem argumentar que se tratou de um fenómeno isolado porque foram muitos incidentes e com participação activa de muitos milhares de refugiados. Ainda assim há um ou outro que vai gaguejando umas desculpas mais ou menos esfarrapadas. Ou parvas, vá. A maioria limita-se à tentativa de insulto. Vociferam idiotices acerca de xenofobia, islamofobia e mais uns quantos chavões daqueles que gostam de usar quando os argumentos não abundam ou a causa é daquelas mesmo ridícula. Fazem-me lembrar os ciganitos vizinhos de uma grande superfície comercial cá da terra. Quando, de vez em quando, são apanhados com algum produto que acidentalmente lhes saltou para o bolso e que, perante a evidência do descuido, desatam – eles e os parentes todos que prontamente acorrem - a chamar racista a quem lhes exigem o pagamento ou a devolução da coisa.

Incidentes desta natureza vão-se repetir. Estão, apesar de pouco divulgados, a acontecer todos os dias perante a passividade geral. Mas, desconfio, não tardará a surgir uma onda generalizada de indignação que colocará, definitivamente, a Europa em estado de guerra. Basta que as vitimas, em lugar das mulheres, sejam minorias étnicas ou, principalmente, cães. Aí é que eles vão ver o que de que massa se faz um esquerdelho ou um intelectual...

 

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