Sujidadezinha da boa...
Quando era gaiato gostava, tal como a restante gaiatagem, de chapinhar nas poças de água. Para além de molhados ficávamos com a fatiota salpicada de lama. Coisa que colocava as respectivas mães à beira de um ataque de nervos, face à escassez de indumentárias alternativas e que, não raras vezes, levava a que nos chegassem a roupa ao pêlo como forma de castigo e de dissuasão desta prática.
As crianças de hoje, acho eu, não se dedicam as estas actividades. Ou poucas terão, sequer, oportunidade para tal. Em contrapartida os adultos até pagam para se sujarem. A infantilização da sociedade leva a estas idiotices. Por mim, estou como dizia a minha avó, cada um diverte-se como quer e pode. Mesmo aquelas velhas que, no tempo em que eram novas, malhavam os filhos quando apareciam a casa com a roupa suja por divertirem a pular na lama e que agora acham o máximo ficarem, elas próprias, todas borradas por pozinhos coloridos. Ou outras não tão velhas que igualmente apreciam essas “corridas coloridas”, mas que se indignam muito com o pó provocado pelo vizinho que precisa de cortar uns azulejos para as obras que tem em casa.
Continuar a ser criança aos vinte, quarenta ou setenta anos é uma forma de vida muito legitima. Que muitas autarquias do país, com o dinheiro dos contribuintes, proporcionem aos seus eleitores essa oportunidade, também. Não tem mal nenhum. É para o lado que durmo melhor. E eu durmo igualmente bem para todos os outros. Mas também é legitimo que ache estas cenas uma realíssima parvoíce. Tenho, legitimamente, esse direito.
