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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Subprime

por Kruzes Kanhoto, em 26.10.08

Nas últimas semanas têm-se sucedido na comunicação social as mais diversas histórias de vida de pessoas que, nos Estados Unidos da América, já perderam ou estão em vias de perder a casa. São trabalhos jornalísticos que tentam dar rosto às vítimas do chamado subprime e dar a conhecer à opinião pública como e porque se chegou a este estado de coisas.

De tudo o que vi, ouvi ou li, poucos foram os casos que me sensibilizaram ao ponto de sentir alguma solidariedade com as vítimas, ou potenciais vítimas, desta crise. São, quase sempre, pessoas que ganham, ou ganhavam porque alguns perderam o emprego, ordenados inimagináveis para o cidadão médio português e que, ainda assim se endividaram em valores dez ou vinte vezes superior ao seu rendimento anual. Lamento, mas não me consigo comover com as dificuldades financeiras de uma família com um rendimento líquido de duzentos e cinquenta mil dólares anuais que não consegue pagar os calotes de cinco milhões. A maior parte dos quais, senão a totalidade, gastos em futilidades.

A história que o Jornal de Noticias publica hoje, apesar de bastante diferente, é igualmente sintomática e faz lembrar muitas que também se passam por cá. Uma cidadã comprou, em 1974, uma casa recorrendo a um empréstimo de vinte mil dólares. Apesar de ter um vencimento anual de cem mil dólares, em 2001 - vinte sete anos depois – ainda devia ao banco cinco mil euros. Nesse ano adoeceu gravemente e deixou de poder cumprir o pagamento da hipoteca. As prestações em atraso acumularam-se e, em consequência disso, o valor em divida atinge hoje os setenta e nove mil dólares. Hoje, possivelmente reformada – o jornal não adianta - não consegue pagar.

Problemas de saúde à parte, o percurso de vida desta mulher revela uma despreocupação pelo “dia seguinte” e uma ligeireza na gestão dos seus activos, semelhante em tudo a muitos casos que todos conhecemos, que me deixa com os meus poucos cabelos em pé. Quem é que auferindo rendimentos desta ordem de grandeza não liquida na totalidade a porra de um empréstimo que representa uma ínfima parte do seu rendimento anual?! Só alguém verdadeiramente estúpido, irresponsável e com prioridades de vida muito levianas. Alguém que, no fundo, estava mesmo a pedi-las.

Resta acrescentar que a senhora em causa culpa o Presidente Bush pela triste situação a que chegou…

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