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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Síndrome de Estocolmo

por Kruzes Kanhoto, em 26.01.18

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Pelo segundo Janeiro consecutivo quando olho para o recibo do vencimento constato que, mais uma vez, o meu ordenado mensal foi vitima de nova redução. Pouco me importa o consolo que outros procuram na tese de, lá para Junho e Novembro, a média mensal subir para valores relativamente parecidos aos que auferia há nove anos. Hoje, neste preciso dia, recebo menos. É um facto. Tal como também é um facto – ou, até, dois factos - que estou a fazer um empréstimo forçado à minha entidade patronal e outro, através do IRS, ao Estado. E, neste último caso, a coisa é ainda pior. Estão a burlar-me. Ficam, a cada mês, como uma parte do meu vencimento que seria escusado ficarem. Tudo para depois, a três meses das eleições, ma devolverem. Deve ser para me sentir reconhecido pela deferência de me darem o que é meu e que já devia estar na minha posse há mais de um ano e ir, como reconhecimento, votar neles. Coitados. Devem pensar que somos todos burros, os geringonços.

Uma estratégia inteligente, essa. Que, admito, está a dar os seus frutos. Trata-se da aplicação à política daquela coisa do síndrome de Estocolmo, ou lá o que é que se chama aquilo da vitima simpatizar com o criminoso. As sondagens não deixam dúvida quanto a isso. Somos roubados e ainda agradecemos ao ladrão. Porreiro, pá!

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