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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Reformados futuros, esses é que têm cortes à séria...

Kruzes Kanhoto, 20.04.24

Encontrei hoje no mercado cá da terra um ex-colega e amigo a quem, desde que se aposentou há mais de vinte anos, raramente ponho a vista em cima. Reformou-se em bom tempo, ele. No tempo em que a pensão era igual ao último vencimento o que, em termos líquidos significava que se passava a ganhar mais do que quando se trabalhava. Mas hoje estava preocupado. Homem de esquerda, comunista desde que o conheço, manifestou-me a sua preocupação com o governo da AD e a sua desilusão com a política e os políticos. Garante que não paga as quotas do partido há meia-dúzia de anos, não vota e apenas quer saber das dezenas de cabras que tem lá pela propriedade. Continua, no entanto, a detestar a direita e teme que a história se repita e, tal como em dois mil e treze, lhe voltem a cortar a reforma. “Cento e tal paus foi o que me roubaram na altura”, recorda visivelmente aborrecido com a possibilidade de lhe voltarem a atacar a pensão de dois mil e setecentos euros que agora aufere. Não o pude tranquilizar quanto a isso. Só manifestar a minha solidariedade. Compreendo perfeitamente o seu drama. Até porque, enquanto ele só tem a expectativa, eu tenho a certeza que a minha reforma vai mesmo ser roubada. Se amanhã me reformar roubam-me mais de seiscentos euros. Ligeiramente mais do que a ele, acho eu.

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