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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Preferia o tempo da "declaração amigável"...

Kruzes Kanhoto, 28.11.23

Parque de estacionamento de uma superfície comercial cá do sitio. Dezoito horas, hora local. Um carro – um chasso, melhor dizendo – pára na faixa de circulação e o condutor olha em volta à procura de um lugar para estacionar. Atrás, outro condutor ao volante de outro chasso ainda mais chasso não trava a tempo e embate com estrondo na traseira do primeiro. Apesar do aparato não há estragos assinaláveis em nenhum dos chassos e, dos dois, apenas o condutor que bateu parece evidenciar alguma preocupação. Tanto assim é que o condutor da viatura abalroada arranca sem sequer se apear para verificar os danos e estaciona umas dezenas de metros depois. Trata-se de um casal de imigrantes de leste, que entretanto procura eventuais danos num para-choques que há uns trinta anos deve ter tido um aspecto aceitável. O segundo, o que bateu, logo que conseguiu estacionar dirige-se rapidamente aos primeiros: “Ó amigo, ó amigo, fui eu que bati...”. “ahhhh...sim”, resposta lacónica do homem enquanto a senhora saía rapidamente de cena em direcção à loja. “Pois”, continuou o azelha que bateu “mas você é que teve a culpa”. “Eu?!”, espanta-se o outro. “Sim”, garante aquele, “se não se tem metido à minha frente à má fila, ali na avenida do teatro, eu agora não lhe batia”. O imigrante encolheu os ombros, virou-lhe as costas e diz-me: “Viu? Maluco! Bateu-me e eu é que tenho culpa?! Maluco”. Tive de concordar. Estive quase tentado a explicar-lhe que este tipo de desculpa está muito em moda no nosso país. A culpa é sempre de qualquer coisa do passado. Mas não o fiz. Ele há-de habituar-se.

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