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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Politica social 2.0

Kruzes Kanhoto, 24.10.09
Ao contrário do que se quer fazer crer, não foram alguns autarcas mais ou menos mediáticos os inventores das políticas sociais nas autarquias. Já desde os idos de sessenta e setenta do século passado, quando ainda nem se sonhava que um dia viesse a existir subsídio de desemprego ou rendimento mínimo garantido, eram as câmaras municipais, nomeadamente do Alentejo, que no interregno dos trabalhos sazonais na agricultura garantiam o trabalho e a remuneração essencial à sobrevivência de muitas famílias.
Apenas muito mais tarde surgiram os apoios no âmbito do ensino e só recentemente chegou a moda dos municípios se substituírem aos privados nas pequenas reparações do cano entupido, da lâmpada fundida ou do armário despregado nas casas dos idosos. Nova é também a substituição por parte das autarquias daquilo que é a obrigação do Estado de garantir assistência médica e medicamentosa. São já muitos os eleitores mais velhotes que beneficiam de remédios grátis e de operações aos olhos patrocinadas pelas respectivas Câmaras Municipais como tem sido amplamente divulgadas na comunicação social.
Uma nova geração de políticas sociais estão, com o iniciar de um novo mandato, a surgir. Depois de tratada a visão é agora altura de virar atenções para outros problemas e, apropriadamente, a boca e a saúde oral dos munícipes mais velhos serão o alvo que se segue. O que nem me parece mal de todo. Alguém com os dentes podres ou mesmo desdentado é, sem dúvida, merecedor de auxílio.
Tudo isto, ainda assim, me parece pouco. Há que ser arrojado, inovador e melhorar a qualidade de vida de quem sempre viveu com dificuldades. E como a imagem é algo de fundamental nos tempos que correm, era capaz de ser boa ideia, como forma de aumentar a auto-estima, nos casos em que ainda não esteja irremediavelmente tudo perdido, pagar uma plástica ou, pelo menos, promover idas à esteticista para tirar o buço às velhotas – há por aí cada bigodaça – ou os cabelos das orelhas aos velhotes. Estas medidas - e outras que a prodigiosa imaginação dos autarcas encontrará – poderão contribuir para uma vida com mais qualidade e, simultaneamente, dinamizar a economia local na terra onde forem implementadas.
Embora estas coisas proporcionem a oportunidade de fazer umas quantas piadolas, são, acredito, medidas importantes e constituem exemplos que devem ser seguidos. Os nossos velhotes, que vivem na maioria dos casos com pensões miseráveis, merecem estes apoios. A sério.

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