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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Parem lá de me defender, se fazem favor...

por Kruzes Kanhoto, em 12.12.15

Se há coisa que me aborrece no Partido Comunista – e até há muitas – é aquela conversa parva, repetitiva e desconchavada de se auto-proclamarem defensores dos interesses dos trabalhadores e do povo. Começam logo por fazerem uma distinção, cujo sentido me escapa, entre trabalhadores e povo. Será que, para a camaradagem, o povo não trabalha? Ou os que trabalham não integram o povo? Povo é só quem está desempregado ou reformado? Admito que a resposta às minhas dúvidas seja óbvia mas, o que é que querem, não estou a captar a ideia. Ou então há uma gritante ausência de rigor terminológico no discurso comunista.

Depois, sendo eu trabalhador ou eventualmente povo, não me lembro de ter pedido a ninguém para me defender fosse no que fosse. E se tivesse pedido não seria, de certo, ao PCP. Parece-me, portanto, abusivo que o camarada Jerónimo e os seus sequazes me atormentem com a insistência de defender os meus interesses. Fazem lembrar as testemunhas de Jeová. Ou os vendedores de cartões de crédito. No fundo, no fundo, andam todos ao mesmo.

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