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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Parecenças e desconfianças

Kruzes Kanhoto, 27.06.11

Repete-seaté à exaustão que Portugal não é como a Grécia e que asrealidades dos dois países não são comparáveis. Há um ano, pelomenos, que ando a ouvir esta conversa. Não sei porquê, desconfio.Longe de mim pensar que o facto de andarmos uns meses atrasados emrelação ao gregos, no que diz respeito intervenção do FMI eassociados, não seja mais do que uma simples coincidência. Ou,sequer sugerir, que os pormenores que vão sendo conhecidos acerca dodelírio colectivo que afectará a sociedade grega têm a mais leveparecença com a realidade nacional.
Provavelmenteinspirada por uma reportagem publicada pelo jornal espanhol El Mundohá cerca de uma semana, a escandalizada repórter TVI em Atenasanunciava, como exemplos do que teria contribuído para o actualestado de coisas, que um hospital com três árvores no pátio teriaquarenta e sete jardineiros, um organismo que dispõe somente de umaviatura terá ao seu serviço quase meia-centena de motoristas, queas filhas solteiras de funcionários públicos falecidos auferem umapensão vitalícia de mil euros mensais e que um em cada quatrogregos não pagam impostos.
Nadadisto, obviamente, ocorre por estas paragens. As noticias do que porcá se vai passando, dão-me apenas conta da existência de hospitaiscom muitos mais administradores do que jardineiros contratados emregime de outsourcing. Ou, quase todos os dias, da renovaçãocompleta da frota automóvel – invariavelmente topo de gama – demais uma empresa pública. De vez em quando surge também uma ououtra noticia mais discreta que revela estimativas onde se consideraque a economia paralela representará perto de vinte cinco por centodo PIB. Ciclicamente vão igualmente surgindo informações sobrequanto o país gasta com os políticos - aqueles que adquiriram odireito, porque para os outros a mama já acabou - que se vãoaposentando após oito penosos anos de actividade. A maioria, ao quese sabe, vale por algumas celibatárias gregas.
Comoestá fácil de ver, não há mesmo comparação possível entre aGrécia e Portugal. Eu é que sou desconfiado.

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