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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Os insondáveis designios da agenda mediática

por Kruzes Kanhoto, em 25.02.20

Vi três policias em cima de uma menina no chão e corri para a abraçar”. Que comovente. Uma lágrima marota insiste em cair-me pelo canto do olho. Quanta bondade vai naquele coraçãozinho. E, já agora, no coração dos jornalistas que se dão ao trabalho de tentar dar credibilidade a gente desta. Ficam sempre assim quando lhes cheira a violência policial. Nem sei como não conseguem perceber o quanto estão a ser ridículos. Só faltou, perante o cenário de três chuis em cima de uma gaja deitada no chão, garantir que se tratava de um caso de violação em grupo por parte da policia.

Já o acidente na segunda circular, onde morreram três indivíduos que se passeavam a trezentos quilómetros à hora numa bomba de oitenta mil euros, a discrição dos jornaleiros tem sido mais que muita. Nem uma entrevista com os vizinhos das vitimas, a garantir que todos eles se tratavam de uma joias de meninos, nem outros pormenores que, nestas circunstâncias, costumam dar para larguíssimos minutos de telejornal. Nada. Nadinha. Népia. Não será, reconheço, assunto que mereça grande relevância. Mas, atendendo às consequências que podia ter tido dado o local da ocorrência, não deixa de ser estranhíssimo o silêncio mediático. Nomeadamente se compararmos com o chavascal que fazem sempre que alguém ligeiramente mais moreno se acha no direito de resistir à policia. Deve ser tudo uma questão de “agenda”...

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