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Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Kruzes Kanhoto

Ainda que todos, eu não!

Oportunistas de serviço

Kruzes Kanhoto, 27.05.22

Parece que temos uma estranha necessidade de imitar tudo o que os espanhóis fazem. Especialmente as parvoíces. Agora deu-lhes, lá no parlamento, para com o sentido de oportunismo que lhes é característico, propor a semana de quatro dias e a licença menstrual. Nem vou estar para aqui a dissertar acerca das inegáveis vantagens da primeira proposta e da possível bondade da segunda. Isso fica para os especialistas nestas especialidades que, em breve, se pronunciarão sobre a temática. Mas, conhecendo relativamente bem o funcionamento da administração pública, não sei se os portugueses, mesmo aqueles que aplaudem estas medidas, estarão a ver bem o esforço fiscal que vão ter de fazer. É que, assim de repente, já estou a imaginar a quantidade de gente que vai ser necessário contratar para compensar os – pelo menos – sete dias por mês que as funcionárias públicas vão deixar de trabalhar. E nem vale a pena pensar que a medida apenas se aplicará a algumas. Todas irão ter dores horríveis. Será como a “gravidez de risco”. Hoje, no sector público, raramente existe uma grávida que não seja de risco e, por conta disso, esteja larguíssimos meses sem bulir.

Podem, reitero, ser duas medidas simpáticas, justas e cheias de boas intenções. O pior é o resto. Por mim, se tivesse uma empresa, sei o que faria. Os empresários, acredito, também.

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