Operação betoneira
Nunca gostei de lugares donde não possa sair rapidamente se isso for coisa que me apeteça. Não podia, caso tivesse nascido palestiniano, dedicar-me à tão nobre missão de aterrorizar. Andar metido em túneis não é para mim. No entanto, a malta de lá tem um fraquinho por essas actividades. Diz que gostam tanto ou tão pouco daquilo que apesar da guerra ter acabado – mais ou menos, pronto – preferem manter-se nos subterrâneos apesar das IDF insistirem que isso não é uma grande ideia. Nomeadamente porque, para além da humidade e da falta da luz solar, aquilo está a ser inundado com água do mar e selado com toneladas – muitas, segundo os relatos conhecidos – de cimento. Cento e cinquenta terroristas terão ficado lá dentro. Não se sabe ao certo em que condições. Nem, sequer, se entre o material armazenado, destinado à prática do terrorismo, restam ainda escafandros, escopros, martelos ou, vá, uma bomba que lhes acalente uma vaga esperança de evacuar a área.
Apesar das noticias acerca do assunto serem contraditórias, há quem acredite que os israelitas sabiam da forte probabilidade de existirem criaturas – ainda que desprezíveis - no interior. Por mim, prefiro pensar que taparam o buraco errado com as pessoas certas lá dentro.
