O estranho caso do autarca pudico.
por Kruzes Kanhoto, em 18.12.11
Poralguma razão que me escapa, tem sido noticia nos diversos meios decomunicação social um email enviado por um funcionário de umaCâmara Municipal a desejar as boas-festas aos colegas e que terá,por motivos ainda mais difíceis de entender, causado um elevadonível de indignação junto da presidência da autarquia em causa. Ocaso atingiu tais dimensões que a demissão do autor da mensagemestará mesmo a ser equacionada.
Faceao teor do noticiado fui levado a pensar que se trataria de algobastante grave. Mas não. O próprio desenvolvimento da noticia seencarrega de revelar o ridículo da situação. Quer pelo destaquenoticioso, quer pela posição da autarquia perante o ocorrido.Afinal tratam-se apenas de meia-dúzia de imagens de moçoilas comnotória falta de roupa e umas quantas frases a desejar coisas boaspara o ano que se aproxima. Nada de mais, portanto.
Principalmentenuma altura em que são necessário estímulos, onde todos concordamque faz falta levantar a moral e há é que ter pensamentospositivos, o alarido e a consequente atitude sancionatória domunicípio relativamente ao comportamento do seu funcionáriorevelam-se totalmente descabidos e assim a atirar para o parvo.
Vendo o assunto numa outraperspectiva, não acredito que o senhor presidente – letraminúscula intencional – tivesse “coragem” para tomar a mesmaatitude se o conteúdo do email fosse de carácter apaneleirado. Nem,muito menos, que as recriminações contra o seu autor atingissemidênticas proporções. Aí, provavelmente, estaríamos a falar dediscriminação a um larila qualquer.